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Frases de Samuel Eduardo Fortes

931 frases

Metrô Uma Odisséia Urbana No ventre sombrio da terra, a multidão se acotovela
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Metrô Uma Odisséia Urbana No ventre sombrio da terra, a multidão se acotovela Corpos exaustos, almas inertes, a esperança que se revela Nos rostos, a marca do cansaço, do tempo que se arrasta E a melodia do silêncio que nos basta Nos vagões, a solidão se agiganta Cada um em seu canto, perdido em suas fantasias Olhares vazios, palavras sussurradas E a sensação de que a vida nos ignora e nos distancia Nos túneis, a escuridão nos engole E a voz do abandono ecoa Somos sombras errantes, perdidas no labirinto Buscando um fio de luz, uma razão, direções Nas estações, o tempo se suspende E a multidão se transforma em um mar de rostos Em cada um, uma história, um drama E a certeza de que a vida nos prega tantos gostos Mas, no meio do caos, a esperança renasce No metrô A vida pulsa E a poesia Floresce

⁠As Rodoviárias No ventre de concreto e aço, a rodoviária se revela Um portal para o labirinto do asfalto, onde o tempo se congela
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⁠As Rodoviárias No ventre de concreto e aço, a rodoviária se revela Um portal para o labirinto do asfalto, onde o tempo se congela Cacofonia de vozes, almas em trânsito, anseios e despedidas Um microcosmo humano, onde a vida pulsa em batidas Sob o teto, a luz, sombras inquietantes Viajantes e fardos, histórias errantes. O cheiro de café e saudade no ar E a melodia melancólica de um violão a ecoar Nos painéis, destinos se anunciam Cidades distantes, sonhos que se adiam Embarques e desembarques, abraços apertados Lágrimas contidas, sorrisos forçados Nos rostos, a marca da jornada A esperança de um novo amanhã, a alma desnortada. Corpos cansados, mentes em devaneio Na rodoviária, a vida se revela em seu roteiro Ônibus serpenteiam como feras famintas Devorando quilômetros cruzando estradas infindas No horizonte, o sol se põe, tingindo o céu de sangue E a rodoviária se ilumina, como um farol que nunca se extingue Em cada plataforma, um drama Em cada rosto, uma epifania A rodoviária, palco da existência Onde a vida se mostra em sua essência E eu, poeta peregrino contemplo este cenário Eternizando em versos este itinerário Na rodoviária, a alma humana se desnuda E a poesia encontra sua musa

⁠O Entardecer No zênite áureo, o sol, fulgurante brasa No ocaso se esvai, em apoteose de luz
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⁠O Entardecer No zênite áureo, o sol, fulgurante brasa No ocaso se esvai, em apoteose de luz O dia fenece, a noite se anuncia No crepúsculo vespertino, que seduz Nuvens, nimbos de algodão, emolduram o céu Pintadas de tons ígneos, de rubi e carmim O astro rei, em êxtase de beleza No horizonte se dissolve, em sublime fim Sombras se alongam, em espectros da penumbra Enquanto a lua, pálida, surge no arredores O silêncio da noite, canção que acalma Em contraste com o fragor do dia que se extinguiu Pássaros Em algazarra vespertina Buscam abrigo em entre as vestes forragem em Camanducaia A natureza se recolhe, em sono profundo Sob o manto estrelado, infinito e multicor O entardecer, enigma indecifrável Momento de transição, de melancolia e paz A esperança que renasce, jamais se desfaz E se a nostalgia paira no ar A certeza de um novo alvorecer nos conforta O sol, em sua dança milenar Promete um despertar, que a alma transporta Noite adentro, o cosmos se revela Em constelações que nos guiam na escuridão O entardecer se cumpre, a vida segue Em eterna busca por luz e razão

⁠Não sei Amuleto preto Onde Deus guarda no escuro
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⁠Não sei Amuleto preto Onde Deus guarda no escuro Se meu caminho Me perdia Ou me encaminhava Embotava a bota E botava o chão Brotado em rocha De tanta graça De leveza tanta Que Meu próprio suspiro Me levanta Exaustão de gozo Que tal seja a regra E longa é a vida Que aguardo ansioso O tempo nos parques Gera o silêncio Do piar dos pássaros Das vistas destas araucárias Na mesa Do mundo Meu imaginário Sentam-se muitos Desesperados No corredor atento No andar desatento Sem um desalento Sou todos eles Nem razão Tão pequena Nem amplitude Tão pura A tua razão sensata Se estendeis ao propor A imitação Pura do ser No ascender de ir Da imaginação No propósito Da Imagem em ação Enquanto De manhã escureço E De dia tardo Lá longe É quando E Onde há Cansaço É onde meu tempo é quando Entre tantos Um dia Me descubro Entretanto Que O tempo nos parques Cisma no olhar cego dos lagos Sei de um bom lugar Onde compreender Que tal amanhã Quando você voltar

O ⁠Não Fazer Abstrato Além de cada coisa É coisando
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O ⁠Não Fazer Abstrato Além de cada coisa É coisando Que Se costura a vida Tem dia De cozer da vida Em dia De coser retalho Onde não queres Nada Nada falta Tecendo os sonhos Mais humanos Capaz de todos os enganos Que é Coisa Do sertão De veredas Mais Que serra Cordilheira Travessia Com Trenheira Lá Bem onde Tudo fica Bem alí Região Terra De Curraleiro Sempre-viva Tirijum Tem De tudo Quanto há Sobe serra Desce serra Mora aqui Mora acolá Paredão Grotão Mora onde Que Deus Deu Mora onde Que Deus Dá De Gaitada Espontânea Molho Do que Juntá É trem Danado De bão E deixa A vida Levá

⁠Da Eloquência à Loucura Hoje Um dia a menos
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⁠Da Eloquência à Loucura Hoje Um dia a menos Saudade Sentimento longínquo Atração pelo inevitável No Atravessar de eixos Vigor Físico Já Não muito Quando Muito Caminhá Segue Em frente Vai Bestano Anda Para Para Anda Fantasias Quando Ainda Do plausível Ao provável Até mesmo O absurdo Por vezes Até Distrai Toca Em frente Assuntano E deixa Que A vida Vai

⁠⁠A mar Rápido estado Ancestral de um indivíduo
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⁠⁠A mar Rápido estado Ancestral de um indivíduo Que vem do vento Um sossego, uma unção Estado leve anuncio seu lugar Leve estarei parado aqui No seu lugar E eu te espio da varanda Indo embora Mas você vem Hoje a janela Me ofereceu a paisagem Ressuscitando formas Era um sujeito Realmente distraído Na hora de dormir Beijou o relógio, deu corda no gato E Enxotou o olhar pela varanda Venha pra cá deixe de ser Bem acanhado Do seu ditado Agitado Cabelo ao vento Do saculejo Dessas roupas No varal A mar De onde Que tu tiras tantas ondas De onde Que tu tiras vai e vem De onde Que tu vens tão descolado Prá onde vai só do seu jeito Descansado Volte amanhã bem de manhã Aqui estarei Prá ver de perto Seu molejo Arretado Agitando o ar No Seu espaço confinado Tomando a fresca Tomo o ar Quarando o corpo Em alguns lugares estratégicos Já foi mar Voou por sobre as montanhas e cabeças Fez dali seu Espinhaço Passou por cima Do seu mundo Seu lugar Busca Bem de lá De onde vem seu infinito Se esperar Possa estar marcado em horas Rochas E no nascer De Espectativas fulminantes Lá vem o mar Trazendo a fonte e o defronte Cavalga ventos E a voz do sussurrado Ginetes pronto aparado A cavalgar Alados ventos Sobe e desce das areias Ao espairecer espalha Espuma em seu olhar Já sinto aqui O seu perfume estrangeiro Bebendo em tua boca O perfume dos sorrisos Que o vento forte acaba aqui De me entregar

Assimétrica ⁠Hoje, Sonhei que existia
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Assimétrica ⁠Hoje, Sonhei que existia Mais um estágio De relacionamento Chamado significante Ali, sentado na cadeira de balanço Como um pêndulo Silêncio de uma sala E no silêncio A sensação exata Nascem ondas de amor Que Se desfazem O silêncio corre lentamente Na dura esquina Estracalha a vidraça E deu De sonhar Que sonhar É coisa Do absurdo Possível Cada um No âmago De sua Singularidade A longeva saudade Guardou a felicidade Quando se perdia No andar em círculos A estrada é um labirinto Em Todos os dias da semana Na dúvida Em um dia qualquer Quanto menos alguém entende Mais quero discordar Em um aperto de mãos Do inevitável intocável Estrangeiro Na natureza do visível Sensatez individual Passageiro Que Não passa por aqui Eu me sinto passageiro Eu me sinto um estrangeiro

⁠Seja Como For & Venha Como Quiser Sem pedir licença Nem para tentar
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⁠Seja Como For & Venha Como Quiser Sem pedir licença Nem para tentar Adentrou Assustando a sombra Daquele Que não quer ver Sem Conferir o que é seu No Entusiasmo de maré calma No balanço De velejar Os olhos Perdidos no naufragar De ondas cansadas Atentado ao mar Que chega à vista Norte ou sul Colorido nas luzes À piscar No sabor do vento No exagero Da vida eterna Agora Essa força contida De nenhum ser Aqui vou eu Se é assim que se vai Sem nenhum pudor Sem medo qualquer Sempre por amor Sem desistir agora Assim é o amor Tece a verdadeira trama Vive cada segundo Como Nunca o fez No velho papel De embrulho Embaixo assinado Ninguém Sabe de quem Sem medo qualquer Seja como for Seja por favor Sempre à seu dispor Venha como quiser

Volatilidade & Hominídeo ⁠Em uma semana de 8 dias Onde
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Volatilidade & Hominídeo ⁠Em uma semana de 8 dias Onde Confundo a Sexta Como um sábado passado Não consigo distinguir Um campo verde De um dia em que a noite Trouxe cinzas frias No corredor de ferro Um trilho de aço frio Talvez Um gosto de saliva quente Do corpo de uma assanhada Uma fumaça De Um navio distante Para um novo horizonte Um tijolo enquadrado Perfeitamente Parece por si só O aluno na sala de aula O conteúdo nativo O sarcasmo velado Nós somos apenas Mais um tijolo Encantado em um muro Estampado na sala O conforto frio Para A mudança A destruição do cerne À remontar Nossas cinzas quentes Para árvores Na ancestralidade do Homem Talvez de novo o mistério Morasse em seus olhos fundos Um desgosto incoercível Com seios moços no colo Que sentem a ida e a vinda Ainda, não sejam bem vindos Não deixem marcas visíveis Qual perfil que ele gosta? Que não foi destruída Por diversas Gravidezes consecutivas? No amargo da máscara Na doce máscara menina No imaginário deixar Crescessem ventres E Não deixasse passar Mais do que tristeza íntima Pelo canto do olho Tive uma visão fugaz E virei para olhar Mas Já havia ido

⁠O Grito Toda felicidade Numa vontade danada
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⁠O Grito Toda felicidade Numa vontade danada De bem viver Quem fala o que quer Ouve O que precisa ouvir Se poeta foi E és De entre papéis Quem sabe onde andará Fui também Tu és um estado De Espírito Igual a Bahia Aonde vai nossa atenção É Onde nossa energia flui E Não há beleza rara alguma Sem Algo de estranho nas proporções São demais os perigos Desta vida E Se ao luar Que Atua desvairado Vem o espaço Desvairado eloquente Que esculpiste No arder da lucidez Das Coisas frias Chegamos Onde passaremos à noite Abrigados

⁠Saber & Razão ⁠O vazio não Nos persegue
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⁠Saber & Razão ⁠O vazio não Nos persegue Com o seu hálito E é na imensidão Canto Que se sente o timbre O Homem Ser de casca e rédeas longas Não teria alcançado o possível Se repetidas vezes Não tivesse o impossível A política É como a perfuração Lenta De tábuas duras verdes Aliás Existe tanto paixão Como perspectiva Bons chutes Precisam ser firmes No chão em que se pisa

⁠Tem lugar Que Só é sagrado
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⁠Tem lugar Que Só é sagrado Enquanto é silencioso Mas Quando o vento passa Arranha a memória Até que um dia A gente volta E Já não é tudo O altar era a infância O chão Promessa viva O vento traz lembranças Mas Leva a voz das coisas Mas Quando a luz se inclina Mostra a poeira do tempo

⁠A fotografia, onde o tempo em pedra reside A memória, qual névoa sutil que persiste No cérebro reside, jardim onde a vida
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⁠A fotografia, onde o tempo em pedra reside A memória, qual névoa sutil que persiste No cérebro reside, jardim onde a vida Cultiva lembranças, em sombra e em luz se veste O jardineiro interno, com arte e cuidado Poda o que não nutre, o que é vão e passado Deixando florescer o essencial Livre o espaço da alma de um fardo pesado Assim, a mente dança, leve e serena No ritmo do tempo, que cura e acena Guardando em seu âmago a beleza plena E o esquecimento, em paz, a erva daninha acena

⁠O menino que Vendia Palavras Na esquina, Nesta pedra de Assuntá,
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⁠O menino que Vendia Palavras Na esquina, Nesta pedra de Assuntá, Rabiscava o chão Escrevia em muros Vendia versos Por trocados de lua Palavras miúdas Que o vento dispersava Quem compra um sonho? Gritava à tarde Enquanto a cidade Passava sem ver Nas mãos, Só lhe restavam sílabas gastas E o eco das frases Que ninguém levou. Mas ele, teimoso, Escreveu letras no chão E assim, Entre riscos e poeira O menino poeta Se fez eterno

⁠Lá Nem Longe Era uma vez Lá nem longe
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⁠Lá Nem Longe Era uma vez Lá nem longe Num tempo Em que As tardes tinham cheiro De ontem Bem Que havia Já não mais Um quintal Onde o mundo Cabia Num pé de goiaba E a vida Era medida Pelo ritmo Da rádio Noite adentro Vozes baixas Contavam O que o dia Não ouviu Agora Só sobra O vento Que toca À porta vazia E um relógio Que teima Em marcar Horas exatas Que não existem mais Era uma vez Lá nem longe O que restou Como saudade De coisa Que nem chegou A acontecer E no álbum sem fim do vento Um retrato de mim Sem ninguém E no canto esquecido da estante Um abraço que nunca se desfez E no relógio parado da cozinha Os ponteiros Ainda marcam tua hora

⁠Inelutavel Modalidade do Visível Se tem uma coisa Que
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⁠Inelutavel Modalidade do Visível Se tem uma coisa Que Acaba com o meu dia É a noite Não aguento mais a ânsia de ter Bendita seja a ultima gota Que transbordou E fez você sair De onde não merecia ficar A existência Agora, um eco vazio Onde a nostalgia pinta O céu de ausência Em labirintos De Memórias e silêncio A noite Antes palco de sua presença Agora Um espelho que reflete imagem Onde Seu reflexo Dança Em cada sombra E o tempo Cruel Insiste em não voltar E a existência Enfim Encontrará sentido Agora O silêncio ecoa Não mais o som Da sua voz Do arrastar de pés casados Nem a sombra da sua presença Apenas O vazio que nos deixou A sombra do que foi, memória vã Na alma, um eco que jamais se finda A saudade, um rio que não deságua Em margens onde o tempo não se abriga