Frase de Samuel Eduardo Fortes
As Rodoviárias No ventre de concreto e aço, a rodoviária se revela Um portal para o labirinto do asfalto, onde o tempo se congela Cacofonia de vozes, almas em trânsito, anseios e despedidas Um microcosmo humano, onde a vida pulsa em batidas Sob o teto, a luz, sombras inquietantes Viajantes e fardos, histórias errantes. O cheiro de café e saudade no ar E a melodia melancólica de um violão a ecoar Nos painéis, destinos se anunciam Cidades distantes, sonhos que se adiam Embarques e desembarques, abraços apertados Lágrimas contidas, sorrisos forçados Nos rostos, a marca da jornada A esperança de um novo amanhã, a alma desnortada. Corpos cansados, mentes em devaneio Na rodoviária, a vida se revela em seu roteiro Ônibus serpenteiam como feras famintas Devorando quilômetros cruzando estradas infindas No horizonte, o sol se põe, tingindo o céu de sangue E a rodoviária se ilumina, como um farol que nunca se extingue Em cada plataforma, um drama Em cada rosto, uma epifania A rodoviária, palco da existência Onde a vida se mostra em sua essência E eu, poeta peregrino contemplo este cenário Eternizando em versos este itinerário Na rodoviária, a alma humana se desnuda E a poesia encontra sua musa
No pensador.ai desde