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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

MORRE POR INTEIRO Tem os que nunca partem Vive em nossas lembranças
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MORRE POR INTEIRO Tem os que nunca partem Vive em nossas lembranças Da nossa nostalgia vão além Alimentam nossas esperanças Nesta passageira caminhada Tecem fios de teia de amor Forrando por toda estrada O carinho, o afago, o calor À distância nesta separação É temporária, bem breve Que conforta o coração Faz desta ausência leve Se partiu, deixou verdades Norteou de afabilidades... (a vida!) A emoção! Perpetuando afinidades Pois morre por inteiro quem não deixa saudades. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho, 01 de 2010, 09’13” Rio de Janeiro, RJ

CHOVE Acordei E vi que chove
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CHOVE Acordei E vi que chove Observei Que não era só lá fora Revestido de breu Minha alma Também chora Dengosa Amorosa Reclama do olhar Da sua beleza singular Sua essência Desta sua silenciosa ausência Não importa os desencontros A sua irreverência Não diminui o meu amor Nem a dor De sua indolência Onde está? Os sonhos sonhados Os beijos por nós calados Curvo-me diante desta ferida Aberta Sofrida Tocada sem nenhum pudor Nenhuma compaixão Nenhum valor Acho que foi só ilusão! Agora solidão... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Rio de Janeiro, 30/08/207 05'30"

DESTERRO Já do amor findo? Chega! Na tristura sou exilado Irei, trôpego, embriagado, no amor assim sozinho
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DESTERRO Já do amor findo? Chega! Na tristura sou exilado Irei, trôpego, embriagado, no amor assim sozinho O silêncio em coro, nas rosas também há espinho Choro, angústia, no cerrado, vazio no peito calado Neste amor, como num sonho, sonho sonhado Sorrisos, as alegrias espelhadas pelo caminho Serão guardadas nas lembranças com carinho Como quem guarda o tesouro um dia achado Adeus, generoso afeto, prazer do meu desejo! O mar onde navegou sonegados antigos idílios Berço onde a quimera desenhou cada beijo! Adeus! Esta partição, há de pesar-me tanto Como quem na solidão suplica por auxílios Jogado num canto, encharcado de pranto... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 18/07/2019, 05’05’ Cerrado goiano Olavobilaquiando

VITA NUOVA Deste de outrora prazer me convidas Se ao mesmo desejo me faz desejos
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VITA NUOVA Deste de outrora prazer me convidas Se ao mesmo desejo me faz desejos Nestas tão insensatas vindas e idas É amor abrasador e de doces beijos Não me poete das lágrimas perdidas Não me troves os olhares em cortejos Há neste amor, o amor de liras ouvidas E dos pecados cem mil são os pelejos Amo-te! A distância, apenas uma porta Entreaberta. Deixe-a assim, eu volto! Se a nós nada importa, o que importa... Ainda te amo, o amor, amor que canto E o tenho na poesia, teu cheiro envolto VITA NUOVA! Sempre cheia de encanto. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 14 de junho de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

FRIO (cerrado) Quem o contentar dirá destas noites de frio? Corre no cerrado de galho a galho, arrepio
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FRIO (cerrado) Quem o contentar dirá destas noites de frio? Corre no cerrado de galho a galho, arrepio Dum vento seco e bravio. E eu, aqui tão só Em queixas caladas, calafrios, é de dar dó Recolhido na tristeza do invernado cerrado Cheio de solidão, de silêncio e de pecado... Que corrosiva saudade! Esquisita e estranha Uma está lembrança forjada na entranha Do inverno, caída de outrem, fluindo amargor Onde, em sombrio sonho, eu vivendo a dor Sem querer, na ingratidão, com indiferença No vazio da retidão, da ilusão e da crença Que acirrado frio, sem piedade, ofensivo Que me faz reclusivo, neste cárcere cativo Insano, em vão, duma melancolia lodaçal Que braveja, me abraça e me faz tão mal... Por que, pra um devaneador esta paragem Que ouriça, e é tão deslocada de coragem? Ah! quem pode me dizer pra que assim veio? Se está tortura é passageira, assim, eu creio. E a minha miséria aberta, escorre pelo olhar Receio... e mais gelado fica em mim o pesar. Uma prosa alheia, uma penitencia escondida Se é só o frio, por que esta insânia homicida?... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 14 de julho de 2019 00’17”, Cerrado goiano Olavobilaquiando

CÍCIO Em mim um cício, que esmorecer escava Entristecido e desiludido o bom encanto
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CÍCIO Em mim um cício, que esmorecer escava Entristecido e desiludido o bom encanto Jogado no murmúrio em qualquer canto Uiva e faz da queixa uma enfada escrava Mas amastes, profundamente, portanto Olhais com leveza a tristeza que trava O peito, e outrora não em ti ela forjava Cousas tristes, e aqui te torturem tanto O amante encena o palco em que vive E, em contraponto de abrandar, abrasa Numa nova guia, outro pesar, e avive... E assim, a quem possa saber, eu ando: Solitário e no silêncio da alma sem asa Numa sofreguidão, a andar chorando... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 11 de julho de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

SONETO MALFERIDO Foste a quimera maior da minha vida ou talvez a irreal... Evidente e ausente
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SONETO MALFERIDO Foste a quimera maior da minha vida ou talvez a irreal... Evidente e ausente contigo o amor foi no ter vorazmente contigo, também, a alma foi repartida Partiste, e a trova não mais te ouvida: arde-me a inspiração, lota o presente no cerrado agoniado fica o sol poete num amargor da memória malferida Amor extremo, minha perda e ganho penitência e regozijo, dor sussurrante um anacoreta de sentimento estranho Sinto-me vazio, e na noite te escuto delirante anseio, sentir sem tamanho na vastidão do suspiro de um minuto... © Luciano Spagnol- poeta do cerrado Cerrado goiano, 08 de dezembro, 2019

DE VOLTA Aqui vai o meu olhar de volta, pro vazio pois pra mim o céu aquietou, emudeceu
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DE VOLTA Aqui vai o meu olhar de volta, pro vazio pois pra mim o céu aquietou, emudeceu depois que o seu silêncio me escreveu a distância e, a poesia ficou com fastio Se tudo tem seu tempo, em mim doeu ao deixar o seu gosto sem o seu feitio ao sentir que já me esqueceu, arrepio e que no seu amor, não tem mais o meu Olha pra mim, só restou a minha metade dum coração solitário, onde, eu sou réu e neste cancioneiro, está triste fatuidade Se ainda ouve de mim uma canção, eu ouço o seu suspirar na minha saudade... Que grita, uiva, na poesia deste plebeu. © Luciano Spagnol- poeta do cerrado Cerrado goiano, 5 de dezembro, 2019

SONETO PARADOXAL Como quisesse poeta ser, deixando O estro romântico, espaço em fora
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SONETO PARADOXAL Como quisesse poeta ser, deixando O estro romântico, espaço em fora O amor, ao reconhecer sem demora A seleta face, abriu o ser venerando Encontros e desencontros, cortando Caminhos e trilhas, percorri: e agora Que nasce a poesia, o poema chora E chora, a rima passada, recordando Ó, estranha sensação despropositada Tão saudosa como se fosse “In Glória” Invade o poetar sem ter um comando Assim por larga zanga aqui pousada Me vejo perdido, triste nesta oratória Quando poderia êxito estar versando © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 04 de dezembro de 2019 – Cerrado goiano Olavobilaquiando

Lágrima e um verso Quando no cerrado o silêncio vozeou De uma solidão, gemendo, todo faceiro
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Lágrima e um verso Quando no cerrado o silêncio vozeou De uma solidão, gemendo, todo faceiro Dentro do coração a dor assim zombou E ofegou o bafejo do suspiro primeiro E a sofrença sentiu os olhos rasos d’água A boca sequiosa, cheia de fel e ardume Ali brotou a flor da aflição e da mágoa E no peito, a tristura em alto volume E no árido chão, por onde ele passava A desventura espalhava feito sementes E na terra, o padecer então empoeirava E germinava com as lágrimas ardentes Foi então que ali me vi na via dolorosa Tão chorosa a poesia triste de saudade Com espinhos e perfume, como a rosa Num cortejo, fúnebre, sem a felicidade Enfadando na alma os gritos e soluços Ia a noite assombrada e não dormida E os sonhos esfalfantes e de bruços Avivado, e a tecer a insônia ali na lida E assim se fez o oráculo sem encanto E num canto o destino algoz e largado Entre lamentos e um poetar em pranto Lágrima e um verso, penoso e chorado © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 18 de novembro de 2019 – Cerrado goiano Olavobilaquiando

NATAL, amor - Para todos os que coabitam os fartos, os que necessitam
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NATAL, amor - Para todos os que coabitam os fartos, os que necessitam - Pelas mãos que dão asilo a aquele que está intranquilo - Pela dor que é compartilhada na dificuldade vivenciada - Pela velhice respeitada é sabedoria, tem de ser assimilada - Pela mágoa que abriu ferida indulgência deve ser oferecida - Pelas guerras iniciadas as armas devem ser arriadas - Pelo tempo, em sua moderna corrida abrace mais, sorria mais, mais vida - Pela inconsciência desatinada a natureza deve ser preservada - Pelo amor, a diversidade em harmonia vamos comemorar união, força, hegemonia - Pois a nossa fé não pode ser fatal oremos ao Menino Deus, é Seu Natal! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado cerrado goiano - Natal.

NÃO DIZ NADA! Não diz nada! Nem a poesia vã
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NÃO DIZ NADA! Não diz nada! Nem a poesia vã A ventura está selada Suave está a manhã Em nada se dizer Se tem o amanhã Há tanto prazer No sossego De sentir e ver Nenhum apego Deixa acontecer Sinta o aconchego Talvez em outra trova Há tudo para puder Sem reprova Ou somente crer No tudo vale a pena Se forte é a fé no viver Então, fique em cena Só tenha a agradecer O ato de ser aprendiz... Estamos nesta estrada Para ser... - sou feliz! Não diz nada! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 17 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

em pranto... […] é na viscosidade do suspiro que a lágrima escorre pela face
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em pranto... […] é na viscosidade do suspiro que a lágrima escorre pela face redemolindo a alma num só giro a ferro e fogo, a dor num enlace agregando o sofrer em um retiro de silêncio, de um usurário repace que sonoriza o aperto em um coro no peito e, amargor em trespasse vazando o tormento num turvo choro... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 12 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

SONETO DO FAZ DE CONTA Agora vou fazer de conta que sou poeta Hoje a melancolia, não terá a rima certa
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SONETO DO FAZ DE CONTA Agora vou fazer de conta que sou poeta Hoje a melancolia, não terá a rima certa O céu alvoreceu poético e com harmonia E em meu dia tudo será somente poesia A minha existência não é mais só o eu Cada verso trará o laço, o meu e o seu O que outrora era somente ociosidade Agora, o som da vida, é pura realidade O silêncio deixei na solidão, no canto Não sabia onde estava, para onde ia Eu só queria um sentido, algum valor E na busca de um pouco de acalanto Parecia que o fado, gargalhava e ria Até tu chegar, com o generoso amor... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 11 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

SONETO AMORÁVEL Eu disse a mim mesmo que viveria sem você Ledo engano, o meu coração não me obedece
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SONETO AMORÁVEL Eu disse a mim mesmo que viveria sem você Ledo engano, o meu coração não me obedece Não sou forte o bastante, como se quisesse Ser. Repito a cada instante, mereço? Por quê? Às vezes o tempo fica sem o dia, ali vazio E a obscuridão da noite me traz a solidão Nada digo, nada tenho, eterna imensidão Sem você, o querer escorre pelo beiral frio Não sei mais ser forte, no horizonte a alma E eu aqui perdido num labirinto de trauma Quanto mais tento sair, mais a desarmonia Eu menti para mim mesmo, até machucar Que eu saberia poetar sem poder te amar Aqui eu, ainda, lhe poetando amor na poesia... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 09 de novembro de 2019 – Cerrado goiano copyright © Todos os direitos reservados Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

SONETO DA ALMA GÊMEA Nós num só eu, na presença dividida Por duas existências, as duas numa
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SONETO DA ALMA GÊMEA Nós num só eu, na presença dividida Por duas existências, as duas numa Que do plural ao singular, se resuma Numa só pessoa, conjugando a vida Eu e tu, tu e eu, somos nós, em suma Dois num, juntos, numa quimera repartida Somando essência, na afeição nascida Evolucionando, e que o amor assuma Num duplo coração, em uma una batida De fidelidade ímpar, sem ilusão alguma Acendendo chama diversa e desmedida E neste amor onipotente, não haja bruma E se houver, que a batalha seja vencida Num amor de alma gêmea, ao amor ruma © Luciano Spagnol – poeta do cerrado Junho de 2016 – Cerrado goiano

Poesia do amor Deixe-me imaginar Sorrisos no ouvido
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Poesia do amor Deixe-me imaginar Sorrisos no ouvido Abraço em forma de laço O calor da tua voz, murmurado No meu olhar atento, no compasso Do passo das batidas do coração Do meu, do seu, onde cada pedaço Nos faz um todo na emoção... Deixe-me sonhar, num só traço Que liga o meu eu a sua paixão. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado fevereiro de 2016 - Cerrado goiano

Abandono Depois de teu olhar triste Nada mais se alegrou sem você
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Abandono Depois de teu olhar triste Nada mais se alegrou sem você A noite se fez dia, quando partiste E o sol se disfarçou de lua em turnê O relógio parou naquele momento Cada segundo de dor era clichê De saudade, de solidão, de tormento A poesia ficou sem poeta, à mercê As ruas sem calçadas, sem pavimento E a vida, ah a vida ficou sem você Depois que partiste, olhar triste. E eu aqui no abandono do porquê. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/03/2016, 16'33" - Cerrado goiano

Declaração Tal como no cerrado O pôr do sol é belo
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Declaração Tal como no cerrado O pôr do sol é belo Tal como ser ousado O bom é ser singelo Querido e arrebatado Tal como noite de luar Afeto tem de ser enleado Assim também é aceitar Sem tê-lo nada se tem Pra ser tem que incidir Não se é nada além Sem alguém no existir Para se amar, também! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 2016 – Cerrado goiano

Outono no cerrado Cerrado. Ao horizonte escancarado. Escancaro o olhar Sob o céu acinzentado, admirado chão de cascalho calçado
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Outono no cerrado Cerrado. Ao horizonte escancarado. Escancaro o olhar Sob o céu acinzentado, admirado chão de cascalho calçado O vento rodopiando, a poeira empoeirando a anuviar O minguado frio sequioso outono dos planos do cerrado As folhas bailam, rodam, caiem em seu leito ressequido A chuva se esconde, onde o céu não pode chegar Os sulcados arranham e ondulam o ar emurchecido Do desconforto calado entre os cipós e galhos a uivar Olho o céu purpúreo desenhar o frio chegando ao porto Os arbustos rodeados de cascalhos num único flanco Rangendo o outono no amarelado e árido cerrado torto Num verdadeiro espetáculo de pluralidade saltimbanco © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 28/04/2016, 14'25" – cerrado goiano

poente no cerrado encarnado sob o mesmo valsar
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poente no cerrado encarnado sob o mesmo valsar o dia vai sendo arrancado por seres alados que se põe a pintar os sons das cores ali ilustrado pros sensores apagarem, e vir o luar num só tom, escrevo, todo arrepiado neste silêncio que faz poetar o poente no cerrado... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 26/03/2016, 18'25" – Cerrado goiano