QUANDO VOCÊ VOLTAR
Nas asas da saudade você partiu
Na bagagem promessas de voltar
Acenando com o seu triste olhar
Com um sorriso você despediu
Eu sozinho, angustiado, calado
Num vazio enorme sem você
Meus pensamentos só a ti vê
Meu sentimento está enlutado
Amor cuide-se pela estrada
Por nós, nesta ausência delirante
Saiba o que sinto é forte e constante
E quando você voltar!
Traga consigo o nosso amor
Enquanto no meu canto, velador...
Se buscar bem terás achado
Não os galhos (ressequidos) do cerrado
Não o chão (cascalhado) do cerrado
Mas a diversidade (inexplicável) do cerrado.
(Parodiando Carlos Drummond de Andrade)
Pedaços
Parte de mim tem medo
Parte coragem no enredo
Da vida, pois quero arte
Na alma em total parte
Se da fala eu faço grito
Do silêncio eu faço rito
Palavras, poesia, frase
Ora calado, ora quase
Nos meus falantes pedaços
Sonante é o amor, os abraços
Pedaços que contudo acredito
Todos juntos num só infinito
Pra estes sonhos em devaneios
Peço desculpados aos alheios
São apenas pedaços de emoção
Expelidos do poético coração
Ambição está, fatiada em pedaços
Nunca em nó, e sim suaves laços
Distante, perto, chegada ou partida
Os pedaços juntados são guarida
Sou parte dos pedaços num todo
Que tento transformar em denodo
De anseios e de boas lembranças
E nestes pedaços pouco fui usanças
Pedaço de mim é poesia
Escritas em pedaços de vigor ou melancolia
Pedaço de mim é paixão
Nos pedaços do afeto onde sempre fiz alusão
Pedaço de mim é dor
Antagonizada nos pedaços da alma em louvor
Sou pedaços, parte, um todo no amor
DESEQUILÍBRIO
Se entre nós existe
palavras cerradas
o não que insiste
o frio das madrugadas
um olhar triste
debruçar-se na janela
um horizonte enriste
paisagem com cancela
distância vindo a pé
o que me resta, dela
é eu passar um café!
Luciano Spagnol
Junho de 2016
Cerrado goiano
Quando eu for no meu fim
Sentiram saudade de mim:
o cerrado, o Joca, o jardim
Bagatelas
Nem dou trelas
Velarei sem velas
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Maio, 2016
Araguari
(Parodiando "Cante lá que eu canto cá" de Patativa do Assaré)
Ô Araguari, arguem já te poetô
Eu sempre tenho poetado
E ainda poetando eu tô
Cadquê, chão amado
Ocê é trem bão dimais
E óio aqui os sêus mistério
Tão difícil, decifrá jamais
Tal arrilia é tão sério
Que o poeta proseia, proseia
E ainda fica o quê proseá...
que trova há de trovar o desamor?
é cru na crueldade, dor com rancor
é debruçar sobre o merecer
sem ver e sem querer ter
amor é aliança
é esperança
é razão
é sangrar-se em gratidão...
Amor... Amor... Amor...
Chamo-te sem dor... Nada a interpor
Com emoção... paciência... paixão
Transcendendo a razão
Que seja eleito...
Escolhido, repartido, perfeito
Maiúsculo na dimensão
na manifestação...
Minúsculo na contramão
Desejado, esperado, clamado
Onde sempre estarei...
De prontidão ou adormecido
ali ficarei padecido
no torpor de sua existência
anestesiado pela permanência
De coração desprotegido
garrido... Serei alvo perdido
Se ferido que não seja sofrido
apenas compreendido...
De opinião... Tom maior... Valor
Chamo-te... Amor... Amor... Amor
Luciano Spagnol
Rio, 24/2010, Agosto
5’06”
Mulher... Maria... Mãe!
Mulher!
Que sofre por nós
Intercede a quem recorre a vós
Acolhe um coração sem ídolo
Combate com oração o proibido
Ponto de encontro com o amor
Fonte de inspiração e louvor
Ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo
Protege a todos com seu manto
Estro do seio materno
Sentimento eterno
Mulher invocada
Maria de Nazaré
Mãe amada...
Mãe das Mães... Mãe da fé!
Rio, sábado, 08 de Maio de 2010
15’00” - Véspera do dia das Mães
Mulher... Mãe.
Mulher... Nos gera a vida
Nos alimenta precavida
Protege os nossos passos
Ampara os nossos fracassos
Nos acolhe em seus braços
Agasalhando nossa emoção
Afagando o nosso coração.
Neste seio de esposa, amiga,
Disposta a qualquer briga
Por nós. Defensora da cria
Incansável, selvagem, amável
Arrojada no ensinamento de amar
Especial na condução de se doar...
Esta mulher sem medo, em missão
É que chamamos de Mãe...
Em nossa existência eterna razão!
Rio, 30 de Março de 2010
08’03”
A minha mãe
Mãe não morre, ausenta...
Partiste!
Ficou o seu abraço
Ensinamento, laço
Seu amparo maternal
Lembranças sem final
Um poema inacabado
Adormecidos em sonhos
E por teu valor adubado
Fieis momentos risonhos
Nossa vida, nossos acanhos
Fortalecendo nossos passos
Inspirando superar os fracassos
E assim, por nossa existência
É amor que sempre nos acalenta
Mãe não morre, ausenta...
Rio, 02 de maio de 2010
Domingo, 11”32”
O relógio marca
12 horas no cerrado
não sei de qual arca
só sei que estou calado
quantas mais vou precisar
pra esquecer,
e novamente ser amado?
Quem viverá vai ver!
15/05/2016, 12'00"
Cerrado goiano