Frase de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado
Lágrima e um verso Quando no cerrado o silêncio vozeou De uma solidão, gemendo, todo faceiro Dentro do coração a dor assim zombou E ofegou o bafejo do suspiro primeiro E a sofrença sentiu os olhos rasos d’água A boca sequiosa, cheia de fel e ardume Ali brotou a flor da aflição e da mágoa E no peito, a tristura em alto volume E no árido chão, por onde ele passava A desventura espalhava feito sementes E na terra, o padecer então empoeirava E germinava com as lágrimas ardentes Foi então que ali me vi na via dolorosa Tão chorosa a poesia triste de saudade Com espinhos e perfume, como a rosa Num cortejo, fúnebre, sem a felicidade Enfadando na alma os gritos e soluços Ia a noite assombrada e não dormida E os sonhos esfalfantes e de bruços Avivado, e a tecer a insônia ali na lida E assim se fez o oráculo sem encanto E num canto o destino algoz e largado Entre lamentos e um poetar em pranto Lágrima e um verso, penoso e chorado © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 18 de novembro de 2019 – Cerrado goiano Olavobilaquiando
Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado
No pensador.ai desde