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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

Despercebido o céu azulado, agigantado maravilha, o chão desfalecido
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Despercebido o céu azulado, agigantado maravilha, o chão desfalecido no cerrado... com nuvens, algodoadas encantado! e estrelas estacadas o sertão do cerrado... na esplanada. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 18 de setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro.

SONETO SEM AMOR Meu amor pouco ao meu alcance Nas nuances até hoje em segredo
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SONETO SEM AMOR Meu amor pouco ao meu alcance Nas nuances até hoje em segredo Não tive uma chance, pouca chance Dele, surpresa, desilusão e tal medo Meu amor, o olhar foi de relance Na vida o desencontro foi enredo Andou por andar, nenhum elance Confiando no amor pra amar, ledo! Pedinte viver, atravessou sem ter A glória de um amor para amar Passou por passar, pobre viver! Aí de mim, na sina de encontrar Nem digas, ó implacável haver Nem sorriso, gesto, pra poetar... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 06 de setembro de 2019 Cerrado goiano

ACORDA CERRADO Acorda cerradinho... É tudo já amanhecer E os pássaros, cantam, podemos ouvi-los!
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ACORDA CERRADO Acorda cerradinho... É tudo já amanhecer E os pássaros, cantam, podemos ouvi-los! Desperta o teu sono, árido, a vida à viver! Com teu diverso, seriemas já em seus trilos... Acorda... Há sol no horizonte. Venha ver! Eu te asseguro, já recolhidos os grilos No dia alto, como variado dia há de ser Em sua vastidão, e langores tranquilos O vento está chiando no buriti da estrada O vento redemoinhou-se chão a chão Acorda cerradinho.... já é de madrugada Só o teu silêncio... E não tão leves são Já em arruaça as maritacas em retirada Desenhando o alvorecer do teu sertão... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 05 de setembro, 2019 Cerrado goiano Quintaneando

EM UMA TARDE DE INVERNO Inverno, em frente ao cerrado, frio singelo Sobre a secura calada, e o céu, absorto.
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EM UMA TARDE DE INVERNO Inverno, em frente ao cerrado, frio singelo Sobre a secura calada, e o céu, absorto. Inverno... de esplendoroso ipê amarelo Pintalgando, o cinza do árido vivo horto Escancaro a janela, um devaneio, tão belo Desta visão, de ilusão dum campo morto Abre o vento, sopra, no horizonte paralelo Num rodopio feiticeiro de um som corto As folhas dos buritis em canto, um tranco Nos flancos das queimadas, e floco branco Dançando pelo ar o amarelado da fumaça Olho à frente, e vejo o cerrado, que insiste E contemplo o sertão ressequido e tão triste Banhado de teimosia e cheio de airosa graça... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, setembro, 03 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VELHAS LAMURIAS Secura. Que tristura lá fora! Tristura! Embrusca-se o cerrado, os olhares
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VELHAS LAMURIAS Secura. Que tristura lá fora! Tristura! Embrusca-se o cerrado, os olhares Craqueleja. Árida a aquosa candura Nos seus velhos e eternos pesares... Sinto o que a terra sente, desventura A mágoa que diviso, nos reles azares O inverno. Frio e queimado, mistura Fulgurando o cinza, anuviando os ares Ah! Porque ordenaste este tal fado Fazendo de minha alma tua criada Ouvinte, ouviste os prantos, cerrado! Meus e teus, na sequidão embaralhada Tem pena de mim, deste pesar mirrado E as velhas lamurias por mim poetada! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 04/09/2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VELHAS SAUDADES Olha as velhas saudades, tão cáusticas Do que as saudades novas, menos antigas
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VELHAS SAUDADES Olha as velhas saudades, tão cáusticas Do que as saudades novas, menos antigas Tanto mais agridoces do que as ortigas Derradeiras na alma e assim tão fubicas A lembrança, a dor, tristura em futricas Que o tempo não as corroem nas fadigas Tão casmurras e se abrigam nas cantigas Dos amores perdidos e com as suas tricas Não choremos, camaradas, a saudade! Vivamos a cada segundo! E vivamos! Como a esperança que não envelhece Na felicidade, e também na bondade E assim com o riso e harmonia vamos Dando conforto aos que dela padecem! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

A MORTE Oh! dor negra! O adeus tal breve fumaça Chora o pesar, a despedida em romaria
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A MORTE Oh! dor negra! O adeus tal breve fumaça Chora o pesar, a despedida em romaria E vê despedaçar, amealhar a mágoa fria Por onde o cortejo da saudade passa... Mói o aperto no peito, sentenciado dia A noite sem sossego, o acosso devassa E só, trevoso, e o silêncio estardalhaça No horror desta ausência, lamúria vazia Oh! Jornada! A sofrer, fado de hino forte Olhar molhado, e a alma cheia de pranto Tinhas junto a vida, tendo tão junto a morte Partiste! Denotando está infesta loucura Trocaste o vital por este sossego santo Desenhando na recordação tanta tristura © Luciano Spagnol poeta do cerrado 03/09/2019, cerrado goiano Despedida de meu irmão Eugênio Olavobilaquiando

SEM DITA Num poema todo criado de incerteza De noturna inspiração e de tristura
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SEM DITA Num poema todo criado de incerteza De noturna inspiração e de tristura É que eu vi a insônia em desventura E ( mais que desventura) de rudeza Ditar em vulgar estro da aspereza Um ardor na trova sem suavidade Sem luz, sem brisa da venustidade Que até nem sei se há tal fel frieza Uma malícia, mística, uma mistura Desta feita de medo, de amargura E da lágrima duma dor derradeira Ó lampejo, visão aflita e nervosa Crias a poesia agasta e chorosa Sem deixar provar a sorte inteira! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 27/08/2019, 05'35" Cerrado goiano Olavobilaquiando

CHORO OCULTO Se me escorre bochornal pesar Da alma inquietada e tão sofrida
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CHORO OCULTO Se me escorre bochornal pesar Da alma inquietada e tão sofrida Parece-me afliges querendo voar Dos lamentos desta copiosa vida E a minha triste cisma dolorida Em lágrimas opacas põe a rolar Nas tristuras e do silêncio saída Não esquecida, insiste em pisar E fico, cabisbaixo, olhando o vago No peito o gosto pálido e amargo E minha emoção duma cor marfim Assim, eu choro, um choro velado Ninguém os vê brotar de tão calado Ninguém os vê arando dentro de mim! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 29, agosto de 2019 Cerrado goiano

DUALISMO Ora sim, ora não, variável cotidiano Vivo ansiando, em dúvidas e prece
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DUALISMO Ora sim, ora não, variável cotidiano Vivo ansiando, em dúvidas e prece Num dualismo, a arder, e assim tece A alma, tumulto e clamor, vil insano Fatal, no rir como no chorar, padece E, como num sorvedoiro, o profano Moro entre a crença e o desengano Como se o azarão assim o tivesse Pobre, capaz de maquinal ousadia Temores, e das virtudes insatisfeito Nem das alegrias, gorjeta e cortesia E, no logro da obsessão do agora Devora a maravilha do meu peito Em assombros que a poesia chora © Luciano Spagnol poeta do cerrado 26/08/2019, 05'10" Cerrado goiano Olavobilaquiando

LITERATO Como quisesse erudito ser, poetando As brancas paginas da imaginação
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LITERATO Como quisesse erudito ser, poetando As brancas paginas da imaginação As quimeras, vestidas de inspiração Inventaram asas e partiram voando Forasteiros rumos, dores, nefando Cores e sabores, o amor e a paixão Choros, risos, escoados do coração Criando, o tempo vário ortografando Estranhos os nomeio da serventia Os desígnios com os seus caminhos Compungido, vi que distinto é o dia Assim, por longo tempo fui perdido Nos versos nem sempre os carinhos A poesia, da vida, nem tudo é vivido! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 25/08/2019, 05'55" Cerrado goiano Olavibilaquiando

CONTENTAS Contentas... Mas que enfado perturba A alma inquieta? Que dor esta serva
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CONTENTAS Contentas... Mas que enfado perturba A alma inquieta? Que dor esta serva Que ao peito aperta, e pouco se eleva A fé, casta, vibrante tal o som duma tuba É o banzé! Que palpita como uma turba Nos devaneios, e os sonhos de mim leva Do meu seio, e vão, desenhando treva Assim aos luzidos pensamentos deturba Aquietes, com o juízo nu, no travesseiro Solto as quimeras... e ei-las, aligeirar Nos caminhos da serenidade por inteiro Alegra-te na concórdia doce e macia Da vida, leve, com o desejo de amar O bom hálito do prazer subleva o dia! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 23 de agosto de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

TUDO LONGE (fado) Tudo longe, tudo vazio, tudo sem encanto do teu canto, teu olhar, no peito no entanto
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TUDO LONGE (fado) Tudo longe, tudo vazio, tudo sem encanto do teu canto, teu olhar, no peito no entanto que se põe a suspirar... as tuas lembranças! Que são lágrimas em rodopios e em danças na minha saudade. Você está ausente! Só o cheiro dos teus beijos nos lábios presente Insistente: - num poema, num verso, num canto uivando o acalanto, tanto, me jogando num canto Nem o teu calor, o teu amor, aqui posso tocar Você está longe... como nostálgico não ficar? Ai está dor, este pranto, este manto, ai...ai... ai... não me deixes tão distante, solidão... vai... vai... A dor do amor sozinho, é tristura grande que invade a alma, de quem é amante Tudo tão longe, tão grande, tão emudecido aqui neste gemido em sofrido alarido... Me ponho ao vento por ti clamar: - como é bom poder te amar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 23 de agosto de 2019 cerrado goiano

CICLOS Tempo. Segue avante, agridoce gomo Delírios ardentes, o destino e liminar
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CICLOS Tempo. Segue avante, agridoce gomo Delírios ardentes, o destino e liminar O coração pulsa, o amor em assomo Do desejo primeiro, olhar... Sonhar! Fado. Sede, - querer o beijo, como se quer o perfume a nos encantar O afeto abre-se em riso, doce pomo E declama a voz do prazer... Amar! Sina. Messe e baixa, fausto e tributo Nascimentos e também alma de luto Nada é eterno, metamorfose. Pensar! Sorte. Oh! Madrasta!... assíduo drama Das trilhas aflitas pelo chão derrama As dores, risos e lástimas... Meditar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 17 de agosto, 2019 Araguari, MG Olavobilaquiando

PROMESSAS DE PAIXÃO As promessas de paixão perecem como fumaça São versos que adoçam e azedam o pensamento
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PROMESSAS DE PAIXÃO As promessas de paixão perecem como fumaça São versos que adoçam e azedam o pensamento Palavras dispersas da empolgação em uma caça Uma quimera, que no sonho do poeta, um invento Perfumes imersos nas lembranças que devassa A alma, vapor em um sopro ao torvelim do vento Raios de ilusão que na noite cravejam a vidraça Dos sonhos, e vivem em um único e só momento Mas as que passam para o amor, em um feito Ah! estas ao coração em um clarão alucina Acalmam e fazem na emoção a sua morada Acaloram os ouvidos e adentram pelo peito É saciar a sede em riacho de agua cristalina Tornando camarada a vida em sua caminhada © Luciano Spagnol poeta do cerrado 31 de julho de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

HORAS TANTAS Horas tantas, aterrado e um tanto aflito Confidenciei para a lua o meu detrimento
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HORAS TANTAS Horas tantas, aterrado e um tanto aflito Confidenciei para a lua o meu detrimento Do acaso, que com as desditas foi escrito E se a fito, ainda o sinto no pensamento Atroa, n'alma um pávido e nuvioso grito Titilando dores em um amofino violento Arremessando os anseios para o infinito Tal o choro do cerrado aflado pelo vento Clemente lua, que o meu azar sentiste! No firmamento confessei o meu pranto Enfardado pelas nuvens transparentes E no meu peito, uma solidão tão triste Onde o poetar a soluçar em um canto Escorre silenciosas lágrimas ardentes © Luciano Spagnol poeta do cerrado 30 de julho de 2019 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VERSOS E REVERSO Retornei ao ponto de partida Vou procurar por outra saída
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VERSOS E REVERSO Retornei ao ponto de partida Vou procurar por outra saída Para este desenlace de amor Mesmo que possa dar em dor Vou estar na posição oposta Qualquer que seja a proposta De não esquecer o seu olhar Ainda que eu esteja a lhe amar Vou voltar a ser o que era Sem ter que ficar na espera Destas almas se entenderem Transformadas em quimera Meu coração vai ser o revés De minha vontade, ao invés De correr para seus abraços Vou é estar em outros laços Desmistifico nestes versos O avesso de meus sonhos Estes pesadelos enfadonhos Pra harmonia que proponho Não quero opor a verdade Que hoje fala meu coração Com toda sua ambiguidade Pra não reverter à situação Hoje eu quero o anverso De um amor no reverso Pois eu vou ter e mereço Por um amor com apreço © Luciano Spagnol poeta do cerrado sábado – 17/05/2008 Rio de Janeiro

SURDINA No ar ressequido o joão de barro canta Um joão de barro no ar do cerrado
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SURDINA No ar ressequido o joão de barro canta Um joão de barro no ar do cerrado Encanta, na madrugada que se levanta Que encantado! Um joão de barro canta. Um rosário Longe, entre o mangueiral, tece... Operário, que trabalha solitário Musicando a sua prece. Que encantado! Soa na sua sina De poético, de pássaro bravio Tomando a sua amada, inquilina No seu covil! Silente. O sol no seu nascente Vazado pelo canto de tua benesse João de barro, que cantas docemente Musicando a sua prece Que belo, na magia em oferta O olhar melancólico e vazio Desperta a alma tão deserta Aos ouvidos este canto luzidio Já tanto ti ouvi! Já ti ouvi tanto! Coração, por que estais emocionado? Por que chora, ao ouvir-te o canto, João de barro que musica no cerrado. E com que júbilo o joāo de barro canta No ar sossegado, no ar do cerrado Encanta, na madrugada que se levanta. Que agrado! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando