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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

AMANHECÊNCIA Na manhã do cerrado, a amanhecência O sequioso sol escorre numa enxurrada
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AMANHECÊNCIA Na manhã do cerrado, a amanhecência O sequioso sol escorre numa enxurrada Dissolvendo a noite numa transparência Do azul visceral do alto céu da esplanada O dia flana no horizonte com paciência Onde a luz sem um pouso certo, calada Suga o primeiro brilho, adiante essência Da mão de Deus traçando a madrugada Deglutindo o breu, o espasmo nascente Beija o dia virgem do alvorecer inocente Devagarinho qual uma gentil namorada O pólen do raiar se espalha tão ardente No enxuto sertão do chão árido vigente Num espectro mágico e Deia iluminada © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

bafios eu era simplista bastava a valeria
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bafios eu era simplista bastava a valeria na agonia fui artista poetando com maestria na busca de conquista baixas, também alegria sem querer ser alarmista no é fugaz, até a ousadia abaixou a crista e as dores em cortesia fizeram da queixa ritmista... e o dia, leveza vadia. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 8 de outubro, 2016 Cerrado goiano

Pequizeiro no caminho Há um pequizeiro ali No cerrado, solitário
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Pequizeiro no caminho Há um pequizeiro ali No cerrado, solitário Onde canta a Juriti, Num doce cenário... Onde o vento, venta bom Onde o tempo tem razão E o coração cala no tom, No horizonte do sertão... Cá tudo é calma, espera Quem testa, a alma adoça O gosto é de quimera, E o povo, gente da roça... Na poesia, agridoce canção Deste seco chão, de cheiro De primavera, de inspiração, No caminho, há um pequizeiro... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2018 Cerrado goiano

INANIA VERBA Ah! Quem há de querer, meus versos vazios O que a emoção não diz, e a mão não poeta?
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INANIA VERBA Ah! Quem há de querer, meus versos vazios O que a emoção não diz, e a mão não poeta? Cânticos numa só tormenta, em uma só reta Que lamenta, sangra, porém, se tornam frios... A quimera agita, regurgita, e na alma espeta A rima espessa e torta, sem simétricos feitios Abafam a ideia leve, sem os olhares gentios Que, calam o espírito, num augúrio profeta Quem o molde o terá pra encaixar no fado? Ai! quem há de expor as frustrações malditas Do sonho? que anina e não mais se levanta... E a inania verba muda, e o amor ali calado E as confissões que talvez não sejam ditas No silêncio, emudecem, atadas na garganta. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, início de outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

sagitariano novembro, ah essa gente fogo que chamusca o olhar
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sagitariano novembro, ah essa gente fogo que chamusca o olhar engole a alma vorazmente ah! tão difícil faz-se escapar este polvo que nos contorna nos tantos braços, abarca e numa franqueza nos enforna cálidos, que no corpo marca (gente com tal certo amor diário um ameno amorável... de Sagitário!) © Luciano Spagnol poeta do cerrado setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

velhice a hora que o tempo tem com tanta pressa se vai
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velhice a hora que o tempo tem com tanta pressa se vai disparou, e nela contém um suspiro que desvai o prazo que ainda resta nada sei, e pouco abstrai então, nesta tal aresta não adianta ser samurai antes que finde a festa uai! E vire o que seria orquestre a tua seresta e viva cada verso da poesia antes que se torne indigesta pois não terás está cortesia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 30 de setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

vai tal qual a companhia busca por um olhar
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vai tal qual a companhia busca por um olhar lá vai o silêncio solidão e apesar tal qual a poesia no uso da inspiração lá vai o poeta ilusão e emoção tal qual o amor quer um doce amar lá vai a paixão fugaz e salutar Tal qual o poeta finge sinceramente lá vai a caneta trova e a rima inocente tal qual o fado é traçado no florecer o amanhã é desafio novo sol, outro amanhecer lavai... vai © Luciano Spagnol poeta do cerrado setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro paráfrase prima Líria Porto

nascente nem dia ainda é nem escuridão
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nascente nem dia ainda é nem escuridão nesta hora de silêncio, fé o sono já em vão e a alma já de pé mansidão neste momento aflito agoniada a solidão que suspira num agito num grito, em oração será meu este delito ou será do coração? não importa a importância não importa o cravo o amor é relevância o poeta da poesia escravo a poesia pro poeta substância: prosa, cria, aroma, desagravo... © Luciano Spagnol poeta do cerrado setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

a chegada já a quarta estação me rodeia tece sua cadeia de flores
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a chegada já a quarta estação me rodeia tece sua cadeia de flores as trepadeiras na ameia da temporada dos amores florescendo toda a aldeia cada canto, todas as cores no cerrado o ar perfumado em um festival derredores coroando o ciclo propalado ameno, pintado, amadores de um tempo dulcificado mais que bela, quimera com seus abraços, laços em botões em espera da diversidade em maço a chegada da primavera! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

intuição todo conto tem um ponto toda treta um desconto
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intuição todo conto tem um ponto toda treta um desconto os versos tem diálogos todos eles seus catálogos todo olhar tem emoção e as palavras convulsão da ilusão se tem o sonho do silêncio o som enfadonho toda inspiração as suas trovas de quem do amor tenha provas e assim se valsa na ilusão do limite de o sim e do não... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, setembro Araguari, Triângulo Mineiro

restauração à beira de uma saudade um olhar de lembranças
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restauração à beira de uma saudade um olhar de lembranças adquirido duma fatuidade embalado por mudanças e depois pela imensidade do vazio das tardanças os sonhos pela metade... quiseram fazê-la moldada tiraram-lhe os pés, as mãos puseram tua poesia calada e tuas quimeras em vãos sem asas e sem morada insistiram em demãos e em uma nova fornada um dia nuvem eu busco repleta duma esperança sem que só tenha fusco onde eu possa ser dança também, mais que rabusco meu eu, sonhadora criança poeta, alquimista, patusco © Luciano Spagnol poeta do cerrado 27, setembro, 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

SAGRAS Há os sonhos ocultos dizer o que? Vultos...
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SAGRAS Há os sonhos ocultos dizer o que? Vultos... Há a poesia derrocada calhorda a sua fornada O dedo em riste, olha insiste, a alma desfolha Não há poetar sonegado: - o verso nunca é calado Há desencontro na colisão também o meu e seu perdão O fado tem vida peculiar o amor não, tem de amar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 25/09/2019 Araguari, Triângulo Mineiro

perdição no outono tal as folhas secas
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perdição no outono tal as folhas secas perdição. Entono! o sertão perde a cor o pequizeiro o sono o cerrado vira pecador... a poeira perde o rumo a chuva vira escassez o vento se torna insumo e a vida se perde no talvez... pra noutro ano, perder-se outra vez! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 26 de setembro de 2019 Araguari, Triângulo Mineiro

madrugada a noite afora a insônia escancarada
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madrugada a noite afora a insônia escancarada o urro do silêncio chora a alma despedaçada as teclas mudas, e vai-se a hora... o sino da igreja calado os amantes não sussurram o relógio amofinado pro peito os anseios empurram e a secura do cerrado e o tempo não passa. Murmuram! exausta a cama e o vazio de sua ausência acordado. Olhar na lama e me engole, sem paciência está noite um drama! amanhã reticência... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 19/09/2019, 03’05” Araguari, Triângulo Mineiro

ERRANTE sonho tornei-me assim devaneador
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ERRANTE sonho tornei-me assim devaneador quando o anseio, enfadonho despiram as quimeras em dor de mim então fracassei me achei e me perdi nesta vontade, chorei! ficou a frustração comigo criou raiz na imaginação tal um áspero castigo indignação... os olhos de tristura choviam pela emoção escoando amargura sou tal qual um incessante enxurro, transbordo, derramo teimosia, um pescador andante sangro, e no amor me esparramo (nesta turra, errante!) © Luciano Spagnol poeta do cerrado 19/09/2017 Araguari, Triângulo Mineiro