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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

VERSOS DE AMAR (soneto) O poetar que sofre, desgarrado Da emoção, no exílio sem pejo
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VERSOS DE AMAR (soneto) O poetar que sofre, desgarrado Da emoção, no exílio sem pejo Da inspiração, ali tão separado Calado, e sem nenhum desejo Não basta apenas ser criado Moldado na doçura dum beijo Nem tão pouco ser delicado Se o cobiçar, assim me vejo O poetar que tolera, e passa Sem se compor com pureza Não há quem possa ele criar E mais eleva e ao poeta graça É trazer na poesia a grandeza E a leveza dos versos de amar. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

TÉDIO Sobre o meu poetar, como uma sina Tal ave de rapina, pesa a monotonia
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TÉDIO Sobre o meu poetar, como uma sina Tal ave de rapina, pesa a monotonia Despovoando os versos, na surdina Ilustrando a poesia de turva predaria Oh! Escrever no silêncio, e inquilina A solidão, sem sonho e sem alegria Sem uma idéia e sensação cristalina Faz o tédio ao poeta sua companhia Ah! Deixar de fantasiar este ensejo O pensamento no vão, a alma fria Se a luz está escura e assim velada Como posso avivar o meu desejo? Se dorme numa catedral tão vazia E lá fora a vida está abandonada! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 30 de setembro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

REMORSO Hoje, eu sei, a contrição com a dor Te beijei na saudade, e assim ando
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REMORSO Hoje, eu sei, a contrição com a dor Te beijei na saudade, e assim ando Forjando e padecendo, até quando O teu cheiro será o meu condutor? Às vezes, eu me vejo te chamando Nas lágrimas versadas sem expor Da alma, me calo, e torno sofredor Cansado, neste tal sentir nefando... Sinto o que no tempo desperdicei Choro, no início da minha velhice Cada seu, que eu não aproveitei… E nesta ilha de suspiros e de tolice No teu breve adeus, tarde cheguei Sem que desta falta remorso visse! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, fim de setembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

Com licença poética Quando nasci um anjo barroco, desses rechonchudos, disse:
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Com licença poética Quando nasci um anjo barroco, desses rechonchudos, disse: - ide e seja devaneador e louco trovador, saia da mesmice. Aceito está sorte, tampouco, serei neste fado só sandice, terei, também, a imaginação. Não sou tão eu de maluquice que venha sem a razão. Acho o cerrado uma beleza ora sim, ora não, darei adeus ao sertão. Mas o que sinto, e que seja pureza ponho a inundar o meu coração. Dor tenho não. Só leveza! Se choro ou lamento é de emoção. Cumpro a sina! Já a inspiração a levo aonde vou. Se é maldição, eu, ave de rapina. Poeta é fingidor. Eu sou. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro, 29, 2018 Cerrado goiano Paráfrase.

NATAL No ermo cerrado, árido, na noite, toca o sino De esperança, pressaga enche nosso ouvido
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NATAL No ermo cerrado, árido, na noite, toca o sino De esperança, pressaga enche nosso ouvido Em uma toada de paz e bem, no céu subido Anunciado o Natal do Deus Menino, um hino. O presépio em glória, reza ao Filho Divino A árvore alindada, ornam o amor instituído Num armento em esplendor num só alarido Há elevar do opróbrio ao halo o pequenino E nesta lembrança onde se vence ao destino O teto de palha, a estrela, os Reis, os pastores Dobrarás os eleitos, em um respeito peregrino Humilde, mãe, Maria, das Graças, das Dores Traz o rebento de afeto, e um amor cristalino Seu Filho, na manjedoura, todos os louvores! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, dezembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

SOMBRA Sofro... Vejo envasado numa angústia furiosa Todo a poesia que tive na intenção esmerada
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SOMBRA Sofro... Vejo envasado numa angústia furiosa Todo a poesia que tive na intenção esmerada Abandona-me o criar, e a alma ficou calada No ter a exaltação, e a inspiração é vagarosa Criei... Mas tive prosaico, e trama enleada O desdém que sufoca, e a simetria penosa, Sombria, numa chama ardente e dolorosa. Que fazer pra ser bom, nesta vil jornada? - Amar? - Perdoar? Eu ser apenas prosa? Não sei, sei que amei, perdoei, mais nada, Porém, não tive todo este mar de rosa... Em sangue e fel, o coração me só é cilada Remordo o papel, branco, em ter gloriosa Chamada. E só vejo a quimera em retirada. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

GRILHÃO Por que hei, desta solidão, o memorial Por que hei, do silêncio, o chamamento
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GRILHÃO Por que hei, desta solidão, o memorial Por que hei, do silêncio, o chamamento Se o caminho tem o seu início e o final E o fado nunca é só descontentamento Fosse possível ser apenas um ato fatal Depois de tanto e tanto aborrecimento A vida seria apenas passagem acidental E no acaso não teríamos o sentimento... Vária lembrança no tempo, nunca lento De vias que nos parecia uma eternidade E que nos foi reservado no esquecimento Por que? Me encadeias sem piedade No grilhão do vil ignoto e do tormento No cárcere dum martírio da saudade? © Luciano Spagnol poeta do cerrado 25 de setembro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

PRIMAVERA (soneto) Ah! Chegou a estação da primavera Quimera, com seu perfume multicor
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PRIMAVERA (soneto) Ah! Chegou a estação da primavera Quimera, com seu perfume multicor Que sejamos tal. Ah! Quem nos dera, Assim desabrochar no botão do amor! Pelo chão musgos, nos troncos a hera Em cada haste, a prenda do Deus cultor Traz à poesia cor. O belo assim quisera, E o afável em espera, cheiro acolhedor; Cantam os pássaros, na doce aurora O sol então suspira, e a vida ao dispor Cada tempo, encanto, de hora em hora; A qual a alma da terra gorjeia chão a fora. Nasce a primavera... e neste tenro andor: As flores diversas, ornam a variada flora... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 23 de setembro, 2018 Domingo, Cerrado goiano

FOGO-FÁTUO Cabelos brancos! Dá-me calma no espanto A esta tortura de sonhador, tolo e sofista:
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FOGO-FÁTUO Cabelos brancos! Dá-me calma no espanto A esta tortura de sonhador, tolo e sofista: No tempo o desdém ao tempo, veloz tanto, E assim perdido pelo mais que não exista; Tal fogo, que no espírito me é pranto Me enregela e logo encalma, sou artista De quimeras, reveses, e que no entanto, Deste fado, que ao criar tenho luz à vista: Dando a melancolia remédio de alegria, A razão saudade, e a loucura esperança Assim, ardendo no peito a doce fantasia; Se absurdo, absurdo é não ter teimosia Pra fugir com a ilusão onde ela alcança E então, ter a realidade cheia de poesia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

AS PAIXÕES As paixões se expiram como um nevoeiro São como versos que saem do pensamento
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AS PAIXÕES As paixões se expiram como um nevoeiro São como versos que saem do pensamento Em vapor de aromas dispersos, por inteiro, De ilusões, tais plumas voejando pelo vento; São como tintas que caem de um tinteiro Tal o pó ressequido no cerrado sedento, Em um toque são absorvidos tão ligeiro E tão ligeiro vivem em um só momento... Mas os verdadeiros, os correspondidos O “sim” que fica, o “Okay!” que alucina, Estes ao coração nunca serão sofridos, Abrasam-nos o ouvido, não são temidos: Ficam no peito, e numa euforia assassina, É afeto, é agrado, e ao amor são permitidos. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Setembro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

DESEJO O silêncio que brada, desnorteado No cerrado, que a chorar me vejo,
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DESEJO O silêncio que brada, desnorteado No cerrado, que a chorar me vejo, O peito na dor que sofre, separado Do outrora, na saudade me protejo. Não me basta saber do passado, Se, se amei ou fui amado; desejo Mais que afeto simples e sagrado, Quero olhar, laço e um doce beijo. Ao coração que tolera, só ousadia Não me acanha: pois maior baixeza Não há que paixão sem ter o calor; É a justa ambição que eleva a poesia Ser poeta sempre e, na sua pureza, Deixar seus versos cheios de amor. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 20 de setembro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Á Virgem Santíssima A teus pés, tal fé de incerteza, O coração cheio de inquietude.
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Á Virgem Santíssima A teus pés, tal fé de incerteza, O coração cheio de inquietude. Posto o meu olhar de solicitude, No teu doce alento de pureza... Mais que piedade, é plenitude, Que nem sei se há mais riqueza. Tal o amor, tal luz, tal grandeza, Que ao nosso clamor, servitude... No rosário, desfio minha rudeza. Mãe feita de perdão, pura beleza, Cheia de graças, a reza primeira... Da paz, divina piedosa dolorosa, Silenciosa, fita-me assim chorosa... Auxílio em nossa hora derradeira. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, setembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

QUASE REVELAÇÃO Deixa que o rimar da poesia enfim devasse A tua emoção tão íntima e tão sem enredo
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QUASE REVELAÇÃO Deixa que o rimar da poesia enfim devasse A tua emoção tão íntima e tão sem enredo Que terias posto de lado, se, mais cedo, Toda covardia que sentes se revelasse... Chega de ilusão! Pronuncie-as sem medo As tais prosas, já tão visíveis em tua face Deixadas em teus passos por onde passe Marcadas, e tão apontadas com o dedo. Então: não posso mais! Chega de rodeio Estou cheio, em devaneio, e tenho fome No coração, aprisionado, e tão imerso... Escuto o dito nome, o amor, leio e releio E já fatigado, que no peito me consome. Que quase confesso neste patético verso! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, setembro Cerrado goiano Olavobilaquiando

A Morte Oh! a saudade é fato! E tudo passa A alma em procissão faz despedida
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A Morte Oh! a saudade é fato! E tudo passa A alma em procissão faz despedida E na lápide fria, repousa ali recaída Por onde o dia dos mortos devassa Do céu os entes queridos nos espia No chão a emoção assim despedaça E vê ir embora, tal sopro em fumaça Na dor da lembrança tão cruel e vazia Tristura! por que sofrer, assim, tanto Se no entanto tudo é apenas questão De tempo, a vida e a morte é encanto Paixão! deixe em paz a paz do coração Chore! e não temas o escarpado pranto A morte é início da prometida ascensão © Luciano Spagnol poeta do cerrado novembro de 2018 finados, cerrado mineiro. Araguari.

REI VERÃO O teu mandar verão!... Está cheio Cheio de suor e alta temperatura
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REI VERÃO O teu mandar verão!... Está cheio Cheio de suor e alta temperatura Como arde o sol na sua quentura Que calor estroina e sem receio... Como brilha o dia sem algum freio Sob o reflexo do ardor, árida figura De pé, no cerrado, flagra em fartura Como um cálido fumoso no enseio Que abrasador fogo no céu ardente Morre o desejo, outro almejo roga Em febre, teima o chão recendente Reino de suspiros!... incandescente Reino esbraseante! de picante toga Sossega este calor, vil e indecente!... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 02 de janeiro de 2019 Cerrado goiano

RELÓGIO Sou as horas que anda, que anda Segundos, sem fim, sem dimensão
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RELÓGIO Sou as horas que anda, que anda Segundos, sem fim, sem dimensão Vou levando verás, agridoce ilusão Sonhos, e o teor na sua demanda Sou o tempo, a correr, indagação A realidade adestrada da varanda Do viver, sem fingida propaganda Minutos no vai e vem da emoção Ninguém pode parar meus anos Nascem e morrem, sem medida Desse modo, acertos e os danos E não há rebelião pra hora corrida Há vida, tudo passa, sem planos Então, não desprezais minha batida... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, fevereiro, 03 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Sou… A flor da pele transpirando emoção A mão que fuça a doce ilusão
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Sou… A flor da pele transpirando emoção A mão que fuça a doce ilusão Uma duradoura paixão... Sou... A noite que se faz dia A madrugada de pura revelia A chegada, a partida, fantasia Sou o olhar estendido Sou o coração partido Sou alma de uno sentido Sem hora nem lugar... Sou um eterno amar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 07’39”, 04/06/2013 cerrado goiano

FAREWELL Vai morrendo assim! Morrendo a cada dia Assim! de um vazio assim!
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FAREWELL Vai morrendo assim! Morrendo a cada dia Assim! de um vazio assim! A força, tácita e fria Fria! silenciando tu e eu, olhos calados Esvaindo dos meus os teus beijos gelados E numa hora assim! Um assim! E assim não quisera Tudo acaba, tal o bucólico fim da primavera Sonhos, inspiração, rasgando o fundamento Flores pelo chão, solidão, o som do vento A alma apertada em um canto despencada... E, aqui no peito... medos, quimera em retirada Nós dois... e, entre nós dois, o austero adeus Decompondo os desejos meus e os teus... Eu, com o coração retalhado, - tão ocupado De ti, e no desespero, de não mais ter-ti do lado amarguradamente, Me vejo com sentimento tão ardente Estes que um dia foi nosso! E eu afastando! E afastando... posso! não posso! A noite, o dia, a doce poesia, num troço E tão solitário, em um palpitar de despedida Despeço de ti, e me ponho de partida! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, junho São Paulo Olavobilaquiando

TEMOR Sofro... vejo o vão e o desespero envasando Os pensamentos inventivos, agora são atoa
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TEMOR Sofro... vejo o vão e o desespero envasando Os pensamentos inventivos, agora são atoa Abandona-me a fé, pouca, fé que me atraiçoa Chora o peito e, o olhar, em lágrima sangrando Me perdoa! Que fazer pra ser os de sorte? Os de boa! Se a ambição na lama, neste poetar nefando Fala em glória, com aspereza de ser brando Quando na verdade a sofreguidão amontoa O tempo expirando! Choro... sofro... sobre a desdita e a oração Padeço no silêncio engasgado na garganta Amarga a ilusão que na inspiração agiganta Haja emoção! O que se fazer neste infortúnio, sem enredo? Sacripanta! A piedade não se fará de infanta Deixe este poetar poetando, e levanta! Que medo! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 31 de maio, 2019 São Paulo, SP Olavobilaquiando

Cardoça na roça Na roça se vai de carroça O burro puxando a joça
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Cardoça na roça Na roça se vai de carroça O burro puxando a joça A moça ao lado da choça Se protege da cardoça Que na palhoça cai Numa estridente coça E dali ninguém sai Com tanta cardoça E poça no terreiro, ai... ai... Pois de carroça se volta da roça © Luciano Spagnol poeta do cerrado Maio de 2016 Cerrado goiano

Palavras Conjunto de sons articulados Quando de gestos de amor
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Palavras Conjunto de sons articulados Quando de gestos de amor Ao coração tem significados Quando de brilho no olhar Ao espírito vem acariciar Quando redige sorriso Aquece a alma, tira o griso Quando repleta de emoção Denota histórias de paixão Quando de lágrima furtiva Vem da operação acusativa Quando sem sensibilidade Ao medo traz autoridade Quando nos da liberdade Dá asas, sonhos, finalidade Sempre expressando a nós Diversidade. Desatando os nos Que deixa o nosso viver calado Aí então grifa elocução ao fado... Palavras, sentimento ortografado © Luciano Spagnol poeta do cerrado

Mãe que partiu Tanta palavra partiu com sua materna luz Tanta dor no peito das lágrimas roladas
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Mãe que partiu Tanta palavra partiu com sua materna luz Tanta dor no peito das lágrimas roladas Hoje são lembranças eternamente amadas De tantas distrações e aflições por ti resignadas Tanta saudade insiste em apertar o coração Sufocando cada pedaço que resta de emoção Que dorme na memória recente do seu abraço Que ainda caminha embalada por seus passos Para aliviar o brutal rompimento deste laço Tento buscar na ausência algo para amenizar Mesmo na distância que nos separa imaginei Mil formas de afeto e amor pelo vento mandar E novamente nos seus carinhos me encontrei Levaste pedaço de mim para a sua eternidade Marcada com cada lágrima desta cruel realidade Consoladas nos ombros que na vida eu cruzei Dos meus vazios momentos que de ti lamentei Mãe, mesmo ausente é ensinamento presente É caminho com as suas pegadas ainda recentes De força, ação, amor, doação, calor, confiança Agasalhando-me com seu manto de esperança O céu festeja sem que eu ainda seja convidado Seu filho por ti amado exalta o dia em oração Por gesto singelo vai a minha voz de saudação De eterno dia das mães entre nós ou sobre nós Nos seus conselhos de mãe recorremos a vós Em meditação, em nossos momentos de aflição Mãe que partiu... Sua bênção! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Rio de Janeiro 19 de dezembro de 1987 à minha mãe

Regresso I Lá vou eu com a saudade na mão Sendo levado ao sabor do fado
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Regresso I Lá vou eu com a saudade na mão Sendo levado ao sabor do fado Respingando as lembranças pelo chão Triste tormento este suspiro calado Pobre dor esvaída Roja no afeto como tudo No pesar lhe dando vida E no sonho uivo agudo Agora jaz na direção Do fado em seu acato Parte comigo na emoção O me dar ( ao pai) que me alimenta De gratidão e esperança numa volta Vou embora. Regressar me acalenta © Luciano Spagnol poeta do cerrado 05/08/2012, 05’59” Cerrado goiano

Assim é e assim será Se eu pudesse andar descalço Na terra, pra voltar neste paladar
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Assim é e assim será Se eu pudesse andar descalço Na terra, pra voltar neste paladar Teria evitado algum percalço Pois na falta, pede-se mais amar E neste fio de tal equilíbrio Morre a noite e morre o dia Pra poder nascer sem ludíbrio A vida, na diversidade em parceria Assim é e assim será Entre pedregulhos e relva A nossa também findará É a continuidade desta selva Pois o amanhecer é mágico e mágica a noite que fica... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Paráfrase Alberto de Campos cerrado goiano