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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

“SPLEEN” O céu do cerrado, hoje, amanheceu plúmbeo Sobre o espírito meditabundo, só e chuvoso
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“SPLEEN” O céu do cerrado, hoje, amanheceu plúmbeo Sobre o espírito meditabundo, só e chuvoso E, ungido toda a reta do horizonte, nebuloso O dia virou noite, e o meu fausto olhar, ateu Neste temporal escuro tal calabouço lodoso Onde a vontade quer encontrar o êxito seu Espavorido, o acaso coloca asas de fariseu Em um voo infeliz, tão enfado e impetuoso A chuva a escorrer as traças da melancolia Imita as aranhas tecendo sua espessa teia No beiral do vazio, numa angústia sombria O trovão dobra, de repente, e furibundo E a alma encarcerada em lúgubre cadeia Chora o verso, suspirando e gemebundo © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro, de 2018 Cerrado goiano

À MINHA MÃE Sei que a saudade, mãe! é bastante... A esta, que não estou mais a teu lado
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À MINHA MÃE Sei que a saudade, mãe! é bastante... A esta, que não estou mais a teu lado O aperto no peito, sentir, é constante Vazio em vazio, um coração repicado Aflição! Recordação! a cada instante Ter... Volver, é um perceber replicado De lembrança, no suspiro soluçaste De ti, a falta, do teu amor tão amado Minha mãe! Minha mãe! só saudade! Estou com saudade! Cá lamentando Passo a passo, a mais dura realidade E aqui nestes versos tão maltrapilho Minhas mãos, trêmulas, chorando Lacrimejam saudades de teu filho... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

GARIROBA Folhas, entre os ventos, em lufada uivante De um agudo murmurante de uma ladainha
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GARIROBA Folhas, entre os ventos, em lufada uivante De um agudo murmurante de uma ladainha Sacerdotisa em reza, imponente e rutilante Do cerrado, amarguenta, a palmeira rainha Rezas sobre os pequis, de sabor vibrante Sobre o sertão, e o no regional da cozinha E, degustada, pasma a delicia suplicante No fogão de lenha, a branca senhorinha Amarga, em um holocausto de sabores Amores e ódio, dura a satisfação bravia Para as várias receitas, que a acolhê-las E invade, como anfitriã, nos seus olores E a principal soberana do prato do dia... No Goiás, gariroba, primeira das estrelas! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

VANITAS Só, em silêncio, a inspiração tímida e fria Poeta... A prosa sai tremulante e inquieta
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VANITAS Só, em silêncio, a inspiração tímida e fria Poeta... A prosa sai tremulante e inquieta Rascunhando a estrofe em uma linha reta De ilusão secreta, dor e suspiro em agonia Febril, sua o devaneio, amotina a euforia Bravia a alma grita, palpita, e então espeta O nada, por fim, quer ser qual um profeta Iluminado, falante e de alucinada idolatria Poeto... cheio da minha imaginação cheia Nascente do meu mais abismo profundo E desagregada das paredes da teimosia... Farto, agora posso descansar a cavalaria: As mãos nervosas e o coração moribundo. Arranquei-ti-ei pra vida, vivas tu ó poesia! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

BENQUERER Tal qual a chuva no cerrado caída Molha a terra: sedenta, e no estio
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BENQUERER Tal qual a chuva no cerrado caída Molha a terra: sedenta, e no estio Coração ressequido: seca é a vida E o sonho sonhado é ato sombrio Feliz a quem pode curar a ferida Da alma. Sem querer amor vadio Fecundado de luz, e ter acolhida Na ventura de um correto luzidio É preciso mais que o só querer Pra colher o bom fruto maduro Não é ser... é ir além da fé ter... Crer: que nos da visão no escuro Saber é quem semeia benquerer Pois benquerer, que colhe futuro! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano

O POEMA A obra de um poema é tal a imaginação Evolam do agridoce de um pensamento
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O POEMA A obra de um poema é tal a imaginação Evolam do agridoce de um pensamento Em disperso vapor, e cintilante explosão De palavras e quimeras, em um evento Vidas que saem da vida, em universos Pó de uma idéia, ao torvelim do vento Içadas do porão da alma, ali imersos Grifadas no tempo num só momento Inventa, tenta, o certo e o imperfeito Reinventa: fala e cala, o sim e o não Emaranhadas dentro de um cântico Mas o verso certeiro este sai feito Do peito... em salmos do coração Imortal: em testemunho semântico! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, 20 de outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

REGRESSO Irei! Que importe o engano? Desate deste nó Sobre o dúbio está o ousado ensaio. Então!
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REGRESSO Irei! Que importe o engano? Desate deste nó Sobre o dúbio está o ousado ensaio. Então! Arda em chamas o medo, evole deste chão Os teus segredos, uive as feras, sem ter dó Vamos! Ignoto, um botão entreaberto, e só! Regue este deserto com outra tua emoção Leve tudo: felicidade, amor; infortúnio não! Pois, o que for perdido, no tempo, vira pó... Depois que o pecado ao mudo é revelado Nada importa, todo regresso tem direção Ah! E tu, má sorte, aí, fique do outro lado! E se, a vida com seu crime não for ilusão Redimido e sublime, não fique ultrajado Errar, é falta, e não a perene contrição! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano

SER (soneto) Sou o devaneio que crasta, que crasta Sem governança, sem fim, sem medida
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SER (soneto) Sou o devaneio que crasta, que crasta Sem governança, sem fim, sem medida Vou empurrando a ventura que arrasta As vaidades, isolando o mérito da vida Sou o tempo no tempo que vergasta Os segundos, e os pondo de partida E em cada minuto o minuto se vasta Formando o destino na direção parida Nada pode cessar os meus danos Tão pouco modificar esta corrida Passo adiante, assim vão os anos! E nesta tal avenida, tudo é ousadia Pois a temporada é muito reduzida E ser, a única importância de valia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Insanidade Servente ao pensamento dormente Ora em lampejos de lucidez, ora
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Insanidade Servente ao pensamento dormente Ora em lampejos de lucidez, ora Em apagões da balela traidora Logo, chorais, amarguradamente Desejais regressar... tarde a hora Entristeceis... árida é a corrente Angústia e desejo, é recorrente Quando a insensatez te devora Sofreis do aluamento, lembrança Pois da sua tão pouca sanidade Fura-te o peito, ferido por lança Triste engano! agita-se a fatuidade Te rouba a tua sedenta esperança E te jogam no porão da falsidade... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano olavobilaquiando

CONTRAMÃO Como a maldade egoista, sombria Que do homem o bem lhe é tirado
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CONTRAMÃO Como a maldade egoista, sombria Que do homem o bem lhe é tirado Qual apenas, o ruim, é seu brado De falseta, e cuja a ação é tirania Não aguenta nunca a luz do dia O qual, de amor, não é adornado O teu peito pra glória é fechado No cruel interesse: a idolatria! E hoje, entre tantos, muitos são De um coração ermo, ressecado Horrendo, traindo na contramão Pulsam cobiça, e seus espinhos Repugnam a honra de outrora Empedrando de ira os caminhos © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

SONETO CHOROSO Choroso soneto, meu, tão chorado Sem leveza, sem arte, sem ternura
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SONETO CHOROSO Choroso soneto, meu, tão chorado Sem leveza, sem arte, sem ternura Traçados pela sorte em desventura Em vagidos manhosos desentoado É tristura na trova, e desesperado O estro. No papel cheio de ranhura Sem condição de uma doce leitura Afrontando o coração desgraçado E nesta tal tirania de infeliz criatura Ditosos algozes. No peito abafado Surgindo da sepultura da amargura Ó sátira mordaz, de sentido perverso Deixe o teu jugo imóvel e silenciado Guie só fausta melodia ao meu verso © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano

Xis Não me perdi numa ilusão. Perdi-me Na incoerência, entre os devaneios
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Xis Não me perdi numa ilusão. Perdi-me Na incoerência, entre os devaneios E no poço sem razão encontrei-os Débeis, onde a cortesia os oprime E num inconsequente e fatal crime Duma imaginação, tive sonhos feios Onde a inspiração de olhares cheios Da mesmice, deixou de ser sublime Mas há tempo no bem, compreenda Não só os que se tem, - os fugitivos Os da fé do amor que não nos infama São tais como o andejar de uma lenda A alma terá sempre os homens vivos No afeto, ardentes como uma chama © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018, 14 Cerrado goiano

DEVANEIOS Quantas vezes, em sonho, as asas da ilusão Flechado pra onde estás, e fico ali no vazio
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DEVANEIOS Quantas vezes, em sonho, as asas da ilusão Flechado pra onde estás, e fico ali no vazio Me perdi nos devaneios, e então a solidão Em um deserto agridoce: de amargor e frio Angústia, minh’alma voa, quer outra direção Soluça na treva, triste realidade que arrepia Sonhos que mais parecem querer confusão Estirado sob o céu, do cerrado, árida folia Quantas vezes, a imensidão, assim calada De cada canto passado, o olhar espantado Via minhas lembranças no beiral debruçada Quantas vezes, quantas vezes, a passividade Da noite, num luar tão sedento e desfolhado Fez lagrimejar cada versar de uma saudade... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

CHUVA (soneto) Chove lá fora. O meu peito também chora São suspiros de velhos e eternos pesares
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CHUVA (soneto) Chove lá fora. O meu peito também chora São suspiros de velhos e eternos pesares Da alma que desapegando quer ir embora Uma tristura que diviso, repleta de azares Chove... Que agonia se percebe de outrora Ah! Quem falou pro agrado voar pelos ares Em preces de ira, com o chicote e a espora Deixando as venturas laçadas pelos alares... Chove lá fora. Minh’alma também aflora E eu sinto o que o cerrado também sente O pingo quente, e abafada a aflição afora E esta tal melancolia que no temporal uiva Tão impiedoso e ruidosa, que vorazmente Tem a sensação: - choro! E chove chuva! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano

PERFEIÇÃO Subjuguei, preteri e te fazia sucinto No esplendor em que és na escala
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PERFEIÇÃO Subjuguei, preteri e te fazia sucinto No esplendor em que és na escala Muito mais que um irregular recinto És diversidade, és riqueza e de gala Da beira mar fui cego... e faminto Deixando de dar-te a devida pala Onde todos os aromas aqui sinto Em cores e o céu que te embala Tu cerrado ao meu olhar deveras Todo o encanto, maravilha e belo Adarvado do horizonte e quimeras E à noite, estrelas, que nos venera Em conto e causo, ah! tão singelo Como o Perfeito, assim, quisera!... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

A HORA Sou a poesia que se veste de assa Sem forma, ou fim, sem tal medida
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A HORA Sou a poesia que se veste de assa Sem forma, ou fim, sem tal medida Escrevo com o coração em arruaça Nos versos escorrem a minha vida No tempo que passa, num segundo Se ventura ou desgraça, vai e vem São os devaneios de meu mundo Que compasso, sem ter desdém A correr, vou levando com graça O meu destino se vai de partida Deste modo vou sem a ameaça E na emoção ter a boa acolhida Passo adiante, tudo é fecundo Não há demora por vir, porém Na estória o pouco é profundo No caso das horas, sigo além! © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Lembro-te: Saudade: - o choro de outrora chora Rola no pranto aquele olhar certeiro
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Lembro-te: Saudade: - o choro de outrora chora Rola no pranto aquele olhar certeiro O teu cheiro, impregnado no roteiro Das minhas lembranças, que evola ... Inquieto romance: - de muita parola Do doce encontro, o nosso primeiro Abraçar, cheio de sabor, por inteiro Tudo neste duro poetar se desenrola Acende um lembrar deste passado: Quanto mais o tempo, e nele receio Mais prazenteio de ter sido amado Me vem a tua imagem sem rodeio O teu triste olhar ali ao meu lado Findo no curso, e não mais veio. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

CAOS No fundo do meu eu, o meu efeito São noites, entardecer e alvoradas
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CAOS No fundo do meu eu, o meu efeito São noites, entardecer e alvoradas Enlevos, suspiros e dores sepultadas Devaneios engasgados no meu peito Retas alongadas, curvas e lombadas Mas, de repente, o esperado desfeito Refeitos, rajadas do eu ser imperfeito Clamor, as regras, retintim das ciladas E nos motins, glórias e nada absoluto Choro e hosana... Com o dito estrovo Numa sina dum salmo agreste e bruto E há no poetizar, de que me comovo Gritos, festa, agonia, meu eu matuto Incertezas, e o recomeçar de novo! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, outubro Cerrado goiano Olavobilaquiando

Subversiva A solidão Quando vem
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Subversiva A solidão Quando vem Respeita nada não... Nem lembranças tem. Quando ela fica sem noção Há suspiros, também. De qualquer de seus abismos Desconhece o coração E é cheia de egoísmos Relincha Nos seus fanatismos, Então, a alma guincha. Só depois da sofregdão Reconsidera: no silêncio E deixa a ventura na mão Em um poema sombrio... De farta imaginação. No vazio! E promete incendiar a razão. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Paráfrase Ferreira Gular

ALMA INQUIETA Quem o cerrado dirá à alma inquieta no vazio? De tortos em tortos galhos queixas soltas no ar
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ALMA INQUIETA Quem o cerrado dirá à alma inquieta no vazio? De tortos em tortos galhos queixas soltas no ar De estrelas em estrelas o pensamento a voar Num calafrio, recolhido e só, eu, aqui sombrio... Ergo os sonhos do chão seco, do pó a jorrar Jorro angústias murchas do peito sem feitio Cheio de desagrado, de pecado. E mal gentio Que saudade doída! - Recordação sem paladar. Pra purificar a sensação, um coração piegas Livre da ingratidão, livre da trava indiferença Onde, em perpétua quimera, devaneio cativo Não posso então ter na ilusão as tais regras E tão pouco nas lembranças cética crença Amor e esperança vivem no cárcere que vivo! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro, 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando

Hino à Tarde (soneto) Do sol do cerrado, o esplendor em chamas Na primavera florada, entardecendo o dia
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Hino à Tarde (soneto) Do sol do cerrado, o esplendor em chamas Na primavera florada, entardecendo o dia Fecha-se em luz, abre-se em noite bravia Inclinando no chão o fogo que derramas Tal a um poema que no horizonte preludia Compõe o enrubescer em que te recamas Rematando o céu em douradas auriflamas Tremulando, num despedir-se em idolatria Ó tarde de silêncio, ó tarde no entardecer De segreda, as estrelas primeiras a nascer Anunciam o mistério da noite aveludada Trazes ao olhar, a quimera do seu entono Cedendo à vastidão e à lua o seu trono Sob o véu de volúpia da escuridão celada © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2018 Cerrado goiano Olavobilaquiando