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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

NO TRONCO DO IPÊ (soneto) O ipê resplandece, na sede do inverno Árido e frio chão, resistir o seu nome
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NO TRONCO DO IPÊ (soneto) O ipê resplandece, na sede do inverno Árido e frio chão, resistir o seu nome Durar, no estio, que assim o consome A belicosa árvore, floresce no inferno Com o tal vigor generoso e fraterno Pária com honra, se a chuva lhe some Mingua a água, e, que a vida lhe tome: A ventura. Ainda é um aparato eterno Do próprio fel, do cerrado, é proveito Faz do atravanco, triunfo na desgraça E ao planalto central marca e respeito Possui, na rispidez da terra crassa A própria glória, o seu maior feito: Florindo em beleza, de pura graça. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 12 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

VERSOS GENUINOS (soneto) Não me devaneei na quimera... Perdi-me Na indecisão, entre os amores. E descobri-o
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VERSOS GENUINOS (soneto) Não me devaneei na quimera... Perdi-me Na indecisão, entre os amores. E descobri-o Junto de ti, vivo, bem vivo... E tão gentio! E na escolha do querer, ao coração sublime E há mais do que galgar, sem ser íngreme: Há o que no desejo, ao tocar, tem arrepio E no olhar, o tal brilho, aquele que é luzidio Que faz histórias, e aos sonhos não oprime Ah! Como é bom contigo estar, ó prenda! Tão ansiada. Onde a paixão não é fugitiva E entenda: - és tu a mais feliz das alegrias Se é uma terna ilusão, ou talvez uma lenda Assim possa, então, à inspiração ser cativa E ao amor, os versos genuínos, das poesias © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 09/01/2020, 06’35” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

POETANDO O VENTO (soneto) Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha
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POETANDO O VENTO (soneto) Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha Em tal prece, murmurando em suas madrugadas Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha Em um cântico de misto de tristura e de euforia E invade, o poema, empoeirado, com sua reza Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha O vento, poetando e quebrando a monotonia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

CREPÚSCULO DO TEMPO (soneto) Vê-se no espelho, e vê, pelo tempo fugaz Uma desconhecida face que ali se ilumina
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CREPÚSCULO DO TEMPO (soneto) Vê-se no espelho, e vê, pelo tempo fugaz Uma desconhecida face que ali se ilumina Decaída, expira a mocidade, e aí! termina A juventude mais pasmada, que agora jaz Outra ruína mais funda se revela... sagaz As marcas do andamento... uma heroína? Não... Furtou-me a idade, pérfida chacina Mais que ter beleza, foi-se o ânimo audaz Os fios brancos, e o amarrotado desgosto Abarrotado de opaco, o intrépido se ver Pondo no olhar, o luzidio de um sol posto Chora, o dispor, que não faz então esquecer Trêmulo no viver, de lágrima triste no rosto Põe a confidenciar... que estou a envelhecer. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

LUZIR D’ALVA (soneto) Ao luzir d’Alva, no cerrado, a saudação Ipês, buritis, lobos guarás, doce melodia
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LUZIR D’ALVA (soneto) Ao luzir d’Alva, no cerrado, a saudação Ipês, buritis, lobos guarás, doce melodia Ó que feitiços traduzidos em tal sinfonia Enchendo o olhar de espantosa sedução Ah! que rico sertão! ai! que rico sertão Viste meu pranto e também a alegria Ó árido chão, de horizonte em ousadia Cheios d’água, meus olhos, pura emoção Vendo-me em prantaria, ao vir a aurora Rubra... A voz da natureza já acordando Abarrota de contos a algibeira da poesia Ah! que linda hora! ... ai! que linda hora E o alvorecer, na fugacidade vai passando Bordando encanto, no raiar de mais um dia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07/01/2020, 05’25” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

CALABOUÇO (soneto) Ah! quem há de amar, amor inconstante e criado O que o coração sofre, e a poesia cria impotente
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CALABOUÇO (soneto) Ah! quem há de amar, amor inconstante e criado O que o coração sofre, e a poesia cria impotente Sangra, chora, pena e arde o sentimento da gente Nas lágrimas poetadas num recanto aprisionado O pensamento escreve, e o desagrado fica ao lado Catucando a alma com seu olhar tão descontente Quando nos versos teria que ser o trovar diferente E, insistente, se faz a melancolia hospedada no fado Ó palavra pesada, rude, fria e espessa, que penaliza Abafa a ideia leve, e do sonho põe-se num paralelo Onde refugia a solidão, numa escuridão governanta Quem pode achar a expressão tenra, tal afável brisa? Que sopre rimas que nunca foram ditas, de teor belo E venha ao amor confessar agrado preso na garganta! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07/01/2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

INTENSO (soneto) Tens, no abraço, o calor que não é engano Do amor: tão aceso no desejo, tal a pureza
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INTENSO (soneto) Tens, no abraço, o calor que não é engano Do amor: tão aceso no desejo, tal a pureza Que a minha razão permanece na certeza Do feitiço, da quimera e do anseio humano E, nos encantos da sensação, a total viveza Tristeza?... não. Pois, o querer é soberano E na alma é permanente, e de chama acesa Tão brando no verso: em cadência e beleza! És afago e carinho, sob os olhos: um abrigo! Amigo!... Intenso!... em acordes na emoção Tão dos sonhos, que parece um amor antigo E, te digo: - igual não há no trôpego coração! Se distante e na saudade, um severo castigo Flor amorosa, que perfuma e aderna a paixão. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 08/01/2020, 05’09” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

POR AMAR (soneto) Por tantos caminhos, aflito e perdido Imaginei nas venturas ter firmamento
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POR AMAR (soneto) Por tantos caminhos, aflito e perdido Imaginei nas venturas ter firmamento Que inda agora mesmo, neste sentido O soneto, insiste tê-lo no pensamento Tudo aquilo que trovo, na rima cabido: Pranto, sorriso, quando acaso: - bento! Se aqui ou infinito, até mesmo divertido São falas do senso advindas do momento Piedosa inspiração, que minha dor sente Poetada ao léu, e tantas vezes ao relento Se lastima, contigo vou também lastimar E sobre este poetar, se triste ou contente Rompendo as variedades de um talento Se com lágrimas, suspiros: é só por amar! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 06/01/2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

VERSOS DE AMOR (soneto) Os versos de amor não expiram, são eternos Adoçam a amargura e embala o pensamento
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VERSOS DE AMOR (soneto) Os versos de amor não expiram, são eternos Adoçam a amargura e embala o pensamento E nestes sentimentos, tão a sensação ternos Se ilusão ou loucos, não tem arrependimento São trovas mansas e com vocabulários fraternos De olhares, gestos, que se espalham pelo vento Que ao peito trazem afagos e gemidos imersos São palavras que vão além de um só momento É canção com sabor que embebe a lembrança A emoção. Se duvidoso de êxito ou sofrimento Se o sim ou o não, é reticência, sem conclusão Os versos de amor são uma variada dança Que bailam no coração nem sempre atento Musicados com suspiros e poesia da paixão... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 06/01/2020, 16’10” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

PRAVOS A POETAR (soneto) Estes, que a inspiração cruel poeta Marcando-os com tristonha tensão
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PRAVOS A POETAR (soneto) Estes, que a inspiração cruel poeta Marcando-os com tristonha tensão Estes ditados em má sorte na caneta Apenas, para dores trazer à criação De alma ferida grafa malícia secreta Do inconstante amor, dentro do coração Desabrocha tal erva má, e assim profeta Pensamento abaçanado, nato da solidão De melancólicas rimas, suspiros e luto E de senso cego, traz ao cântico espinho Áspero como o cerrado, e se põe a chorar E, pegadiços, entra na trova num minuto Sente, crespa, do sofrente que é sozinho De infeliz imaginação, pravos, põe a trovar! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 04/01/2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

campo santo lá tudo é saudade, as lembranças se cobrem de linho o eu, fica pequenininho, e a tristeza de olhos d’água
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campo santo lá tudo é saudade, as lembranças se cobrem de linho o eu, fica pequenininho, e a tristeza de olhos d’água lá tudo é manso, o silêncio se faz de flores e espinho num coração em pranto e em mágoa... os sinos os serafins bimbalham, tal prece que galgam os céus! lá tudo é suspiro, tão alvos... lá as almas resfolgam! e de lá somos réus... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 03 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano paráfrase Vinícios de Moraes

SURGIR O DIA (soneto) Tinge-me o horizonte do cerrado... Agora Rubro, no céu azul, num fascínio profundo
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SURGIR O DIA (soneto) Tinge-me o horizonte do cerrado... Agora Rubro, no céu azul, num fascínio profundo De fogo, tinge as nuvens em um segundo Nesta encenação, exibe, o raiar da aurora A madrugada, crespa, num ato facundo Poetando o sertão, e, pelo sertão afora Solta o véu do dia, numa lindeza sonora Revelando as curvas do cerrado ao fundo Mas antes busca a magia com que pinta Com o colorido diverso de tal grandeza Usando a quimera como abrasadora tinta Eclode, deixando a melancolia e a mágoa Aos pés da noite, cobrindo de luz e beleza E pondo pasmo os meus olhos rasos d’água © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 03 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

INSPIRAÇÃO (soneto) Foste a prosa melhor do meu poetar Ou talvez a desejada... sonho e agrado
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INSPIRAÇÃO (soneto) Foste a prosa melhor do meu poetar Ou talvez a desejada... sonho e agrado Contigo a inspiração me fez apaixonado Contigo o amor pôde a paixão rascunhar Chegaste, e o meu querer foi só amar Queima-me o pensar, tão enamorado Faz de meus versos um estilo dourado E da escrita, suspiros, de essencial ar Poema maior, meu prêmio e alegria Obra divina, de firmamento delirante É do teu gosto que alimento a poesia Sinto-te em cada estrofe, que escuto Está presente em mim a cada instante Na criação, na alma, és poético fruto... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 01 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

DÚBIO (soneto) Falei tanto de tristura!... de solidão Silêncio, tortura, nas rimas negaça
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DÚBIO (soneto) Falei tanto de tristura!... de solidão Silêncio, tortura, nas rimas negaça Ou ninharia fugaz, que vem e passa Na brisa breve que veio, duma ilusão O verdadeiro valor, é cheio de graça Simplicidade, afago, farto de emoção Todos lavrados e vindos do coração: O abraço certeiro, passeio na praça Falei tanto de melancolia! baixinho Ou até mesmo em um alto vozeirão Se bom era poetar somente carinho E nas tais rimas de delírio e barulho Só sofreguidão, me fiz pequenininho Na poesia infeliz, sem amor e orgulho... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 31 de janeiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

DEIXA... (soneto) Deixa que a poesia a dor devasse A dor de amor que não é segredo
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DEIXA... (soneto) Deixa que a poesia a dor devasse A dor de amor que não é segredo Pois, a todos tem o mesmo enredo Mais cedo, ou tarde, se mostrasse De todo o afeto, não tenhas medo Tenhas no esperar que tudo passe Aos desenganos encare a tua face Nas perdas nem tudo é só degredo Basta de pranto! enxugue a emoção Deste amor que o poetar consome Melhor o sofrer sobejo que ter ilusão Ouça o poetar do coração, imerso Que vocifera pelo certo sem nome No tempo, se revela, o exato verso © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 02 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

GRILHÃO DO AMOR (soneto) Tenho saudade e ardo em lembranças Dum amor que me endoida e me abate
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GRILHÃO DO AMOR (soneto) Tenho saudade e ardo em lembranças Dum amor que me endoida e me abate Quem há de me tirar destas esperanças? Quem há de os nós, quebre, me mate? Não sei que certeira e desiguais danças Me cravou no peito, dores deste quilate Sem que eu sentisse, as tais mudanças Do sossego. E agora neste vil combate... O amor adentrou tão cauto, silencioso Que eu nem me preocupei que estava Apenas vivi, um ser no haver amoroso E os lábios a sorrir e olhos cheios d’água Como dói viver, sentindo, estreita trava E chorar na solidão e trovar com mágoa! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 01 de fevereiro de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando copyright © Todos os direitos reservados Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

ESPERANÇA (soneto) Saudades de ti, me vem com ternura Teu nome, ao amor, não é indiferente
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ESPERANÇA (soneto) Saudades de ti, me vem com ternura Teu nome, ao amor, não é indiferente Entre o poetar, e nos versos murmura Recordação, nos suspiros, de repente! Longe de ti, o pranto, mísero, tortura Essa solidão, que geme tristemente Mas, as alegrias vividas, porventura Abalança o tormento, tão presente Nesse amargo sofrer, o teu nome A florescer na secura do cerrado No peito o saudosar, me consome Ao evocá-lo... agridoce atmosfera Que no desejo é mais que desejado E, na inspiração... ainda te espera! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 31/01/2020, 07’03” – Cerrado goiano Olavobilaquiando

MASMORRA (soneto) A vida expira assim como os ventos Tal a dor e alegria do pensamento:
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MASMORRA (soneto) A vida expira assim como os ventos Tal a dor e alegria do pensamento: Fugaz, vagos clarões, sentimentos Nas venturas, ausentes, eu invento Vidas que não tem vida, lamentos De pó, para o pó somos momento Em vantagens e em detrimentos Num sopro espalhado a portento Mas, as sensações sem ter vida Desengana, extermina e alucina São almas vazias, e com rancor Calam as quimeras, põe de saída A ilusão, numa inércia assassina Expropriando o coração do amor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/01/2020, 09’35” – Cerrado goiano Olavobilaquiando

CAMINHANTE (soneto) Há no tempo um momento de grandeza que é o de espera e de um saber bendito
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CAMINHANTE (soneto) Há no tempo um momento de grandeza que é o de espera e de um saber bendito tudo passa, e a alma não mais fica presa voa, e o sentimento regressa ao infinito Um tal mistério do viver e de surpresa estala a felicidade, do outrora tão aflito rasga-se o amanhecer em ventura acesa e da dor sentida, esvaem-se em um grito Há no amor outra chance aos amantes cada dia é mais um dia a um novo dia e a sensação de perda se torna em vão porque, entre desencontros soluçantes terá aquele olhar tão cheio de harmonia que irá trazer o esquecimento ao coração... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 29/01/2020 – Cerrado goiano

MUDAR O RUMO (soneto) Muda-se o ontem, o hoje outras vontades Muda-se o rumo, outra é a tal esperança:
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MUDAR O RUMO (soneto) Muda-se o ontem, o hoje outras vontades Muda-se o rumo, outra é a tal esperança: E neste andejar, o destino é de mudança E no ser e ter, nas tralhas: as dualidades Se nas histórias permanecem as saudades Em cada linha traçada, tem a criada aliança Também, afinal o bom é ter boa lembrança Fugaz, pois o viver não é só de felicidades Mudam-se as verdades, e o encanto Do mal as mágoas numa tristura fria E a poesia num eterno agridoce canto E assim neste mudar tanto no dia a dia Já não há espanto no diverso recanto Portanto, é bom afazer-se com tal folia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 28/01/2020, 05’55” - Cerrado goiano paráfrase Luiz Vaz de Camões

POR QUE (soneto) Por que me vens, com o mesmo olhar Por que me vens, com a mesma sina
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POR QUE (soneto) Por que me vens, com o mesmo olhar Por que me vens, com a mesma sina Dos dias tão vividos vens me lembrar Se outrora a ventura dobrou a esquina O que não vive mais, deixai repousar Por que o angustiante sossego rapina? Por que, acordar o que quer silenciar? Se o coração já está inerte na resina Ah! deixai como está, esqueçamos Que fomos um, e no nós, eu fui teu Largue na poesia que nos amamos! Deixemo-lo sem beijos e sem pranto O cobiçado amor já não é mais meu Pois, no querer, já quis tanto... tanto! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 27/01/2020, 14’47” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

Surdina No cerrado, lá no alto um sino canta Da capelinha, num badalar soturno
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Surdina No cerrado, lá no alto um sino canta Da capelinha, num badalar soturno Canta um sino e a melancolia pranta Finda o turno! Canta, pranta o sino no campanário Como se assim se quisesse Benesse, no chuvoso dia solitário Resplandece... Na messe! Canta e pranta silente Na torre da igrejinha sem estresse E o dia adormece, docemente 18 horas: - tal uma prece! O coração abafado e vazio Num acalanto o sino canta Nebuloso dia... Que frio! Triste melodia, triste mantra... Sina! Bate o sino... surdina! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 25/01/2020, 19’47” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

A POESIA QUE CHORA A poesia que chora, desinspirada Na solidão, que padecer me vejo
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A POESIA QUE CHORA A poesia que chora, desinspirada Na solidão, que padecer me vejo Na realização, e tão despovoada: Sofre, implora, por um puro bafejo Não basta ter a rima apropriada Nem só desejo de lampejo: desejo Assim, tê-la, no versar que agrada Não, no amor findo, oco e sem beijo No exílio e no vazio que me consome Não basta saber que no tempo passa Que tudo passa, quando só quero estar A poesia que chora, ficou sem nome Separada do sagrado e tão sem graça Quando a trova teria de ser de amar... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 25/01/2020, 05’53” - Cerrado goiano Olavobilaquiando