Frase de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)
POETANDO O VENTO (soneto) Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha Em tal prece, murmurando em suas madrugadas Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha Em um cântico de misto de tristura e de euforia E invade, o poema, empoeirado, com sua reza Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha O vento, poetando e quebrando a monotonia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano Olavobilaquiando
Luciano Spagnol (poeta do cerrado)
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