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Frase de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

POETANDO O VENTO (soneto) Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha Em tal prece, murmurando em suas madrugadas Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha Em um cântico de misto de tristura e de euforia E invade, o poema, empoeirado, com sua reza Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha O vento, poetando e quebrando a monotonia... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

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Outras frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

⁠poema de finados hoje é dia de finados de estar no cemitério
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⁠poema de finados hoje é dia de finados de estar no cemitério de pesares anexados e de um olhar etéreo hoje é dia de finados de tributo, de oração de prantos sufocados apertura no coração hoje é dia de finados da tristura que brade dos viveres passados hoje é dia de saudade... ... é dia de finados! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 02/11/2020, Araguari, MG Finados

VIRADA Começa a haver meia noite, memoração Como se tudo no tilintar das taças finda
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VIRADA Começa a haver meia noite, memoração Como se tudo no tilintar das taças finda Calam-se os corações, os fogos falam Abraços hão de haver, de haver ainda E o universo inteiro sozinho... O meu fadário calado e na berlinda Do silêncio na inspiração d'um ninho Ruídos da rua, passos de ida e vinda E os festejos sussurrando baixinho E sozinho o universo inteiro... Felicitações me são dadas do vizinho Pelo ar ecoam acumulação de cheiro Então deixo ilusões na taça de vinho E velo solenemente o meu cativeiro E inteiro sozinho o universo... No rés do chão ter esperanças é roteiro Já o pensamento na saudade disperso Esperando, escutando, leve e sorrateiro Qualquer coisa, antes de dormir, averso Sozinho, solitário não, romeiro... Vou dormir! Amanhã, dia outro e diverso. Luciano Spagnol Cerrado goiano Poeta do cerrado

ADEUS ANO VELHO Deste que passaram-se horas Do velho ano
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ADEUS ANO VELHO Deste que passaram-se horas Do velho ano Do ano que já é outrora Agora recordação, tempo profano A cada segundo, minuto, hora Dia após dia, quotidiano O tempo vai, vai embora Sorrateiro e ufano Muito antes, antes de mim Veloz e insano Sem parar, até o fim... No diverso plano Vida que segue, "Quixotesco" no seu rocim Adeus velho ano! Luciano Spagnol Cerrado goiano Poeta do cerrado