Autorretrato Faço apologia do inútil, fomento as desimportâncias.
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Autorretrato Faço apologia do inútil, fomento as desimportâncias. Não vivo sobrevivo apenas com o indispensável. O sonho e a loucura são essenciais. Faço oposição ao não amor. O oposto do amor não é ódio, é indiferença. Numa sociedade indiferente, prefiro ser o antônimo. Minhas palavras descalçam-se em chão fértil de miudezas, onde o desimportante vira raiz. Sem pressa, sem aprisionar o tempo, sigo plantando o improvável. Combato o óbvio, a pobreza da descrição cheia de certezas turvas, com um segundo olhar. Troco o fato pela frase, para abortar extremistas e ditadores. Economizo a informação, aumentando o encantamento. É o jeito que encontrei de revisitar o Éden. Utopia ajuizada não é utopia. Penso que, melhor do que uma verdade escrita, é uma beleza bem contada.