Frase de Leonardo R. Pessoa
Fontana do Trevi Caem as moedas como migalhas de brilho, partem das mãos com o desejo de se tornarem sonhos, e o fundo as acolhe como silêncios, esperando que o tempo lhes devolva voz. A fonte, imensa em sua mudez, de costas, recebe pedidos que não ousam gritar. Em Trevi, o desejo pactua entre águas, como se um murmúrio pudesse concretizar o devaneio. Cada moeda que afunda carrega um preço, um desejo que custa a esperança. É um pacto entre a moeda e o homem: ele joga, e a fonte o dissolve em segredo, restituindo-lhe um pouco de vazio, como se o vazio fosse tudo que temos. O que desejamos, na verdade, não é sermos atendidos — mas sim que o mistério siga impenetrável, e, no reflexo da fonte, o que buscamos ver é apenas o eco de nós mesmos, profundo e mudo.
No pensador.ai desde