Pular para o conteúdo

Frases de Leonardo R. Pessoa

243 frases

⁠Se o pensamento cria a realidade como você ainda não se materializou? Na ausência do material o imaterial tomou lugar. Meu pensamento criou asas e foi te visitar. Pensamentos felizes esse é nosso segredo.
Continuar lendo

⁠Se o pensamento cria a realidade como você ainda não se materializou? Na ausência do material o imaterial tomou lugar. Meu pensamento criou asas e foi te visitar. Pensamentos felizes esse é nosso segredo. O papel é o meu passaporte para o nosso lugar. No lá... já existimos e o somos o que quisermos. A poesia é o nosso ventre.

⁠Mulher de fases, tais como a lua. Tem fases de querer se fazer sentida igual a força exercida em homens e marés.
Continuar lendo

⁠Mulher de fases, tais como a lua. Tem fases de querer se fazer sentida igual a força exercida em homens e marés. Fases de dar sentido criando destinos como quem faz um mapa astral. Fases de doação se fazendo clarão para iluminar a noite escura dos apaixonados. Fases de reconhecimento querendo o olhar atento dos que lhe escrevem versos de amor. Ela é como a lua, só faz o que quer. Ela é como a lua, tem fases e fusos próprios. Míngua, Cresce e se re_Nova. Ela é como a lua... Cheia de vontades.

⁠Mente livre, ventre livre Não era liberdade completa, é certo a lei mantém a condição de objeto.
Continuar lendo

⁠Mente livre, ventre livre Não era liberdade completa, é certo a lei mantém a condição de objeto. A liberdade não veio das mãos de quem escravizou. Nem escravo, nem livre foi o que o negro se tornou. Mas a liberdade caçou seu jeito de acontecer. Quando o ingênuo viu que a verdadeira alforria era o acesso ao saber.

⁠Quando abraço alguém, fecho os olhos e demoro pelo menos uns trinta segundos antes de soltar. Neste tempo, consigo ouvir exatamente cada pulsar do coração. Acredito que cada coração tem um ritmo, como se fosse um timbre vocal. Convido-te a ouvir! Para isso, é preciso que eu saia…
Continuar lendo

⁠Quando abraço alguém, fecho os olhos e demoro pelo menos uns trinta segundos antes de soltar. Neste tempo, consigo ouvir exatamente cada pulsar do coração. Acredito que cada coração tem um ritmo, como se fosse um timbre vocal. Convido-te a ouvir! Para isso, é preciso que eu saia da superficialidade dos sentidos. No último abraço que dei, pude escutar as palavras mudas de um coração: "Obrigado por estar aqui."

⁠A sacralidade nas refeições. Há certa equidade no rito das refeições. Sob a toalha, já não se vê quem é maior. A mesa esconde nossas deficiências. Sentados, a única urgência é pela comunhão, que é repartida juntamente com o pão e a manteiga. O sagrado tem sabor de café.
Continuar lendo

⁠A sacralidade nas refeições. Há certa equidade no rito das refeições. Sob a toalha, já não se vê quem é maior. A mesa esconde nossas deficiências. Sentados, a única urgência é pela comunhão, que é repartida juntamente com o pão e a manteiga. O sagrado tem sabor de café. Quando nestes encontros falamos, rimos e recordamos, as horas voam diante da saudade acumulada, e notamos que, pelo menos por alguns instantes, conseguimos arranhar a eternidade. Algum aparelho sempre toca e, espantados com o horário, sabemos que é o momento de partir. Na porta, ao nos despedirmos, alguém intencionalmente sacode a toalha do café, assim as aves também poderão se alimentar com as migalhas dos nossos momentos.

Entre águas e encantos O Boto Deslizando
Continuar lendo

Entre águas e encantos O Boto Deslizando Entre águas e encantos Sigo navegando pelo Solimões Não estou bicho nem homem Estou À tua espera Num tempo Suspenso na correnteza Remos parados no momento De tua ausência Não preciso de rede A me prender Tua falta é corrente mais eficaz A me segurar Sou soma de encantos Amontoado de lendas Esperanças e sombras Tudo o que me resta Pesado numa balança De um só prato Seguindo O curso de um rio de histórias Não desisto De te buscar entre as águas Teu amor É o que me leva a existir A Virgem Meus passos ecoam as margens do Rio Negro Minha voz já é parte da floresta Meu coração habita entre vitórias-régias Busca-me Perco-me em ti Para me tornar inteira O espetáculo Na junção de nossas águas Lenda viva Amazonas Existiremos Como o encanto perfeito Horizontal Assim como o rio que rasga a floresta Nossa fertilidade Garantida Na umidade dos dias Ecos de canções Rios, igarapés e os guardiões da flora serão testemunhas Os peixes e as feras verão Nosso mistério Existo, existiremos Apressa-te, Leva-me Para dentro da lenda

Amor à primeira vista, mistério súbito, Que surge sem aviso, como um sopro, E, de repente, tudo é novo e mágico,
Continuar lendo

Amor à primeira vista, mistério súbito, Que surge sem aviso, como um sopro, E, de repente, tudo é novo e mágico, Mas, ah!, quando só um sente, há um hiato. No encontro breve, o coração se abre, Um fio invisível que não se explica, Mas às vezes só um ama, e o silêncio invade, Do outro é um vazio que tudo avisa. Ó amor, que nasce num único olhar, E nos deixa, às vezes, perdidos no ar, Na doce e dolorosa ilusão de um solitário desejo.

⁠À margem, aguardo o repouso do rio. Ao ouvir o murmúrio de suas águas, aquieto-me. Sinto um amalgama de esperanças futuras
Continuar lendo

⁠À margem, aguardo o repouso do rio. Ao ouvir o murmúrio de suas águas, aquieto-me. Sinto um amalgama de esperanças futuras e temores imediatos. Transbordo. Rompo diques, mas nunca é o suficiente. Estou exausto! Reprimo-me. Sustento um pequeno universo. Será que algum dia alcançarei minha margem? E, ao lá chegar, poderei finalmente descansar? E, nesse merecido repouso, encontrarei ouvidos ávidos por meus murmúrios, com o intuito de descobrir neles a sua própria serenidade? À margem, aguardo o repouso do rio...

⁠⁠Um passarinho na janela Era uma manhã como tantas outras, quando minha atenção foi capturada por um pequeno pássaro que, com graça e leveza, pousou na janela de minha casa. O passarinho, em sua serena vivacidade, parecia trazer consigo um mundo de reflexões. Suas asas delicad…
Continuar lendo

⁠⁠Um passarinho na janela Era uma manhã como tantas outras, quando minha atenção foi capturada por um pequeno pássaro que, com graça e leveza, pousou na janela de minha casa. O passarinho, em sua serena vivacidade, parecia trazer consigo um mundo de reflexões. Suas asas delicadas tocavam o vidro com a leveza de quem afaga o próprio destino, e seus olhos, dois pontos brilhantes, refletiam a quietude de um espírito livre, como quem tem um céu inteiro dentro de si. A presença daquele pássaro revelou-se como um oráculo silencioso, sugerindo-me que a vida, em sua essência, é uma eterna contemplação do invisível. Enquanto o passarinho perscrutava o horizonte, pensei nas vezes em que nós, humanos, presos em nossas angústias, deixamos de perceber as belezas simples que nos cercam. Ignorância é acharmos que pássaros, só porque têm asas, não caem ou que nunca descansam nos tapetes de Deus durante o seu percurso. Essa liberdade não tem nada a ver com invencibilidade. O pássaro, em sua graciosa indiferença, ensinava-me a arte da quietude, a contemplação do instante presente, a sabedoria de viver sem pressa. E assim, naquele encontro fortuito, compreendi que a janela não era apenas uma barreira física, mas uma metáfora da alma, uma passagem para a introspecção e para o entendimento do nosso lugar no mundo. O passarinho, ao pousar na janela, não apenas a tocava, mas convidava-me a abrir as portas do meu próprio coração para as sutilezas da vida.

⁠Esperança é um menino de pés descalços brincando entre nós. Não se contenta em esperar, mas age com a simplicidade dos pequenos gestos. Vive o presente como quem descobre um inseto no quintal, agradecendo ao passado sem se deixar aprisionar por ele. O passado é um rio. A vida se…
Continuar lendo

⁠Esperança é um menino de pés descalços brincando entre nós. Não se contenta em esperar, mas age com a simplicidade dos pequenos gestos. Vive o presente como quem descobre um inseto no quintal, agradecendo ao passado sem se deixar aprisionar por ele. O passado é um rio. A vida segue. O futuro deve ser olhado com a calma de quem observa nuvens. Algumas coisas mudam com nossas mãos; outras, como o tempo, nos cabe aceitar. Isso é esperança.

⁠Viver por vezes parece ser apenas adiantar o trabalho do dia seguinte. No domingo, já estamos pensando na segunda-feira, na terça-feira, já estamos de olho na quarta-feira, e assim por diante, sempre um passo à frente do dia presente. Com tanta antecipação, acabaremos vivendo um…
Continuar lendo

⁠Viver por vezes parece ser apenas adiantar o trabalho do dia seguinte. No domingo, já estamos pensando na segunda-feira, na terça-feira, já estamos de olho na quarta-feira, e assim por diante, sempre um passo à frente do dia presente. Com tanta antecipação, acabaremos vivendo um mês a menos. Nossa mente, assim como a vida, é uma tecelã desatenta que não distingue entre fios de ouro e fios de sombra. Ela não seleciona memórias como boas ou más; simplesmente as deixa dançar ao sabor do vento da lembrança. Daí o perigo de se viver de amanhã. O tempo, esse trapaceiro imprevisível, teima em desafiar nossas noções de permanência, sempre nos lembrando de sua natureza efêmera. No entanto, no meio desse emaranhado de efemeridades, o amor emerge como um oásis de eternidade. É nele que residem todas as histórias que o tempo já arrastou consigo, como conchas preciosas depositadas na praia do coração. Sempre que puder desperdice simpatia, pois é o amor que empregamos no cotidiano dos nossos dias que nos fará celebrar não apenas o tempo que já vivemos, mas também o tempo que ainda teremos para tecer novas memórias e se encantar com suas infinitas possibilidades.

⁠Crescer é Perder-se Se soubesse, criança, como passa o tempo, Voltavas a brincar com pedrinhas no rio,
Continuar lendo

⁠Crescer é Perder-se Se soubesse, criança, como passa o tempo, Voltavas a brincar com pedrinhas no rio, Continuavas a sorrir para as borboletas, Aproveitavas o viver como passarinho. A vida adulta é pura lamúria, Tem gosto de saudade e cheiro de chuva. Queria ter ainda a confiança do abandono, Quando me esquecia nos braços de Deus, E era feliz nos desvãos do quintal. Hoje, crescido, com o controle nas mãos, Não vivo, apenas existo, Prisioneiro dos meus próprios medos, Carregando o peso das responsabilidades. Se pudesse voltar ao ontem, Onde o futuro era apenas uma ideia distante, E cada dia uma nova aventura, Entregar-me-ia à pureza da infância. Na simplicidade dos dias antigos, Encontrava a verdadeira alegria, E na inocência do meu olhar de menino, Revelava-se o segredo da vida. Hoje, vejo-me perdido em meio ao concreto, Nas rotinas sem cor e sem brilho, E anseio pelo riso fácil, Pelo despreocupado viver. Se soubesse, criança, que crescer é perder-se, Voltavas a brincar com as formigas, Continuavas a sorrir para o vento, Aproveitavas o viver em plenitude. Hoje que cresci e assumi o controle, não vivo. Tudo é se der, Tudo é quem sabe, E o coração ainda sonha ser menino.

⁠Ecos de uma Nova Estação É inverno, e sinto o frio se aproximar. Há um sussurro gelado que dança nas folhas que restam,
Continuar lendo

⁠Ecos de uma Nova Estação É inverno, e sinto o frio se aproximar. Há um sussurro gelado que dança nas folhas que restam, como se as árvores se vestissem de ausências, despindo-se de folhas, como almas diante do inevitável. Suas sombras alongam-se, guardiãs de um silêncio que só o inverno traz. Os pássaros emigram, levando sonhos e canções para terras distantes, enquanto nós, aqui, envoltos em mantos e lembranças, esperamos a temperatura cair, como quem espera o nascer de um poema. Os bancos do parque, agora vazios, guardam histórias de verões passados, memórias aquecidas pelos sorrisos que se foram, tal qual lembranças escondidas em caixas de sapatos. E há, sempre, a estátua do herói, imóvel em seu bronze e sua glória, silenciosa testemunha de nossa transição, do calor para o gélido aconchego das novas manhãs. Nas ruas, a pressa dos passos se transforma em lentidão, como se o frio pedisse um compasso diferente, um momento para refletir, para sentir a terra e o tempo. Internamente, ecos de uma nova estação. Chove bastante aqui dentro, venta forte e inverno-me. Mas, ao invés de praguejar, varro as folhas caídas, agradeço o beijo da brisa, e tento preservar os galhos, até o meu próximo florescer.

Carrego nas costas algumas décadas e, no peito, a certeza de que há muito a caminhar. Desejo ainda ser lido, mesmo depois de, enfim encontrar minhas origens. Até lá, espero que meus olhos pareçam mais sábios aos que me descobrirem. Não sou proprietário do que é meu. Tudo o que te…
Continuar lendo

Carrego nas costas algumas décadas e, no peito, a certeza de que há muito a caminhar. Desejo ainda ser lido, mesmo depois de, enfim encontrar minhas origens. Até lá, espero que meus olhos pareçam mais sábios aos que me descobrirem. Não sou proprietário do que é meu. Tudo o que tenho e fiz só faz sentido se puder ser apropriado pelos outros, de alguma forma. Sou poeta, e a poesia não tem dono; cada um que a ressignifica torna-se coautor. Essa é a forma que encontrei para me tornar eterno, cada vez que for recontado.

⁠Além das Sombras de Ontem Não me julgues pelo ontem, onde sombras habitavam um passado distante,
Continuar lendo

⁠Além das Sombras de Ontem Não me julgues pelo ontem, onde sombras habitavam um passado distante, como uma saudade que não sabe ser presente. Não moro mais lá, meu ser se desvencilhou das correntes antigas, como a lua se liberta da noite. Ao meu passado, devo o saber e a ignorância, as necessidades e relações, a cultura que o moldou e o corpo que me guia, como um rio que aprende a ser mar. Não sou mais escravo de seus ecos, nem de suas sombras persistentes, que tentam se fazer eternas. Hoje, sou um novo começo, liberto dos grilhões que já me prenderam, caminho firme na estrada presente, sem olhar para trás, apenas em frente, como um sonho que aprende a ser real.

⁠Voei Foi assim: Coração acelerado, isso ocorreu perto das dez.
Continuar lendo

⁠Voei Foi assim: Coração acelerado, isso ocorreu perto das dez. Quando o avião decolou, eu subi junto. A alma foi atrás. Quanto mais alto ele ia, menos medo eu sentia. Foi a primeira vez que não me senti ameaçado pelo medo. Abriu a porta, 12.000 pés. Engraçado como tudo fica pequeno daqui. Tudo fica... Na aparente loucura causada pela adrenalina, fiz as pazes com a lucidez. Saltei e, mesmo no ar, relutei. Quando percebi que não tinha mais chão, voei. Logo, nós três éramos apenas um: eu, a alma e o ar. Engraçado, tudo fica tão pequeno daqui. De repente, um grito! Mudo. Apesar do maxilar travado, dava para sentir o eco reverberando em minha cavidade torácica. Qualquer som silencia diante dos céus. Engraçado como tudo fica pequeno dali. Foi lá que percebi algumas coisas: Que o amor não é gaiola e céu, que é para o alto que nascemos e que o colo de Deus é infinito. Não foi salto, foi entrega, foi retorno.

⁠Quando o sonho alcança o céu A poeira atesta a vontade do chão de ganhar os céus em sua lida.
Continuar lendo

⁠Quando o sonho alcança o céu A poeira atesta a vontade do chão de ganhar os céus em sua lida. A flor realiza-se em seu pólen vão, pegando carona nas abelhas. Seu fruto não nasce sem antes sentir a suave sensação dos ares. O mar aspira também aos céus, nas ondas que se erguem e depois caem. Cada gota sonha em ser nuvem, renascer no ciclo eterno da criação, flutuar e chover liberdade. E nas noites claras, onde estrelas brilham, meus sonhos se elevam em constelações, buscando no alto o brilho eterno, a essência pura das canções. É quando o sonho alcança o céu. Tudo que existe anseia às alturas. Assim, meu coração entrega-se ao vento, em versos que ao vento se lançam, tentando tocar o infinito, onde reside o teu pensamento. Meu pensamento criou asas, fez minha alma ao alto voar. Minhas palavras, essas sim, caminham. Por isso, no poema, quando você é o tema, nunca sei se vou ou se voo.

⁠Fotossíntese Assim que a vida floresce, dissipa-se a névoa, Sentimento de raiz, movimento de folha.
Continuar lendo

⁠Fotossíntese Assim que a vida floresce, dissipa-se a névoa, Sentimento de raiz, movimento de folha. Aprofunda-se na terra, água e sais. Embriaga-se e se perde em si. No tocar dos raios, folha e fruto, A luz que amadurece o verde, Alimenta a distância. Clorofila. As folhas umedecem as margens. Deixe-as, Em silêncio, crescendo. A luz não carrega limites. Transcende e vira sentido. Sacralidade. Para a savana de herbívoros pastando, Alimento. Para um rio sem correnteza, Continuidade. Serve de abrigo nas copas, Sombra em seus meios. Em feixes e cores, no desabrigo de Imagens encontra-se o manto verde.