Frase de Leonardo R. Pessoa
Timoneiro Se me fosse imposto optar Entre a pedra do chão que sangra E o céu que engole o dia, Eu ficaria com o mar, Onde o tempo se desfaz em ondas E a eternidade é apenas um sopro. Nos braços do meu barco — solidão que navega — Paro em portos de ausência E parto levando memórias Que ainda não gestaram. Longe do ruído do mundo, Sou um vulto que vaga e sonha. O balanço do mar é um relógio, E remo, rezo e remo até que a noite Cante em meu braço cansado. Quando não puder mais suportar, Soltarei os remos, Redirecionarei a rota dos silêncios. E se não souber o que fazer, O vento, antigo mestre, saberá, Pois ele é voz do que em mim nunca cessa.
No pensador.ai desde