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Frases de Paulo José Brachtvogel

16 frases

Sentado, observo: indiferentes, passam todos, e ela ali, lúgubre...
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Sentado, observo: indiferentes, passam todos, e ela ali, lúgubre... Das leivas úmidas esvoaça Sobre as calçadas pisoteadas, Ela voa em fuga, As cores se misturam No predomínio do azul, Timidamente pousa, Sem ruflar, Apenas silêncio... Não há movimento, É o último voo, E aquela que fora casulo, e voou belamente, Agora se despede da vida, Apenas curta, curta o seu voo...

Meus olhos sentem a tua ausência, Fostes tão depressa, Nem pude me despedir.
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Meus olhos sentem a tua ausência, Fostes tão depressa, Nem pude me despedir. Ainda lembro dos teus risos inocentes, De tuas brincadeiras e travessuras... Sei que de mim te escondes, Por detrás dessa face já punida pelo tempo... Te sinto viajar pelos meus olhos, Te carrego nos meus mais profundos desejos, Nas minhas esperanças mais inocentes, Nos meus mais doces sonhos. Gosto de ti, não te cales, Não te queixes, Ri, pois teu riso fascina, Continuais alegre e feliz, Continuais com tuas travessuras, És criança, sempre serás!

Clausura Sentado na ponta da mesa Eu e minha habitual taça de vinho
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Clausura Sentado na ponta da mesa Eu e minha habitual taça de vinho Recluso, angustiado... A cidade escura e tímida As calçadas vazias, sem passos, Sem alma De súbito, todos se foram. No outro continente: dor e choro... Nos jornais, o mesmo refrão... A humanidade chora. Dias turvos... Na playlist toca “Estamos quase sempre otimistas Tudo vai dar quase certo...” Estás triste poeta? Pela janela, a beleza do luar e do céu estrelado. Os lábios untados de Merlot Oro para que esse pesadelo acabe Para que possamos sair da clausura abraçar, beijar, cantar, dançar no ritmo e no enlace dos corpos Por ora, deixa arrelvar tua alma de carícias, para que eu possa me manter longe das sombras... As trombetas alarmam, sim, Mas ainda temos a ciência, a fé e a esperança! E nossa quota de versos para dar alento e alegria pro futuro!

O Vento Sinto falta do teu alento, dos teus sussurros...
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O Vento Sinto falta do teu alento, dos teus sussurros... do teu balanço suave, de quando me tocavas a face! Por onde te perdestes? Por ti guardo meu amor em segredo Minuciosamente te observo, poderia desenhar-te nesse instante! Como bom amante me chamas: “Vamos viajar por entre esses muros, correr pelos jardins, tocar as flores e as árvores, ver as cachoeiras, ouvir os pássaros, Deslumbrar-mos com o pôr do sol e com a lua cheia...” Leva-me contigo, que as horas depressa se vão... Deitado sobre o gramado eu imóvel, sonho acordado!

A despedida e o reinício Beijou-me a face Com ar de despedida
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A despedida e o reinício Beijou-me a face Com ar de despedida Com os olhos acompanhei-a partindo Fomos felizes, eu sei... Rimos, cantamos, dançamos, brigamos e até choramos... Mas agora é o fim... Volto o olhar para o horizonte Há um novo interesse, Um novo desafio, uma nova conquista, Novas oportunidades... Tão lasciva, ali em minha frente, O momento me convoca a provar, Não há como negar Embriagado pelo seu encanto Serão 366 dias de pura tentação, de amor, de inspiração! Cante poeta... dance, cultive esse novo romance, não te negues... deixai que esses encantos te levem... sabe lá pra onde!

Esta noite, quero-te da cabeça aos pés, Quero perder-me nas curvas do teu riso, Ei-de cuidar-te e amar-te...
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Esta noite, quero-te da cabeça aos pés, Quero perder-me nas curvas do teu riso, Ei-de cuidar-te e amar-te... Perdido em seus sussurros seu corpo tomado em brasas, eu, compenetrado em seus lábios, com um pulsar rítmico, Agitado como as ondas do mar que se chocam na areia, em meio à ressaca. Te seguro em minhas mãos como um cálice de vinho, coloco-te suavemente sobre o piano, o som das notas se misturam num prazeroso balanço nupcial... Ergo a cabeça, os versos dançam diante dos olhos, lábios cerrados, olhos fechados, estou entre as estrelas, em um looping ardente... vejo florescer o sorriso nos teus lábios, Então a lua, nua, me acolhe: "Deita-te em meu ventre, Poeta"! Ah se ela soubesse, Que nele queria eu morar E como se fora um vinho...me embriagar...

O despertar No anoitecer gélido, acomodado junto ao supedâneo
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O despertar No anoitecer gélido, acomodado junto ao supedâneo contemplo a construção simétrica e harmoniosa, com colunas e pórticos jônicos, circunvalado pelo jardim recoberto de hera, as luzes, reverberadas por candeeiros concatenados, proporcionam beatitude! Absorto nas obras helenísticas: as aspirações, a razão e o irracional, os questionamentos socráticos, a busca das verdades pelas suas ideias, as perguntas frequentemente reveladoras... O saber, injustamente retribuído com uma taça de cicuta! “Acalma-te poeta, a intenção não é a de emular nem exortar... Quais as perguntas que te fizestes ultimamente? Do que tens medo? Pergunta-te, sê um crítico, não hesites! Eis o ardil, conhece-te a ti mesmo, é fundamental...” Na presença da solitude, refutando imagens icônicas, repleto de perguntas. Repasso o epítome que desafia... Recolho-me às mais profundas nuances do ser. As luzes, impetuosas, irrompem... Uma epifania... É o despertar da filosofia O triunfo da Eudaimonia... Compreensível? Está indo a fundo? Não... Tudo acaba no silêncio reflexivo deste poema...

Deusas No silêncio noturno, pestanejando, Audível tão somente o ruído da ampulheta,
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Deusas No silêncio noturno, pestanejando, Audível tão somente o ruído da ampulheta, Memórias da temporalidade, Tessituras da areia e do vento, Conflitos prementes da razão, Uma tempestade de partículas, Juntas, formando consciência... Irresignado com o legado cultural, Entrevi, dentro do Panteão mitológico, Vênus, a Deusa do feminino. Ela, envolta de requinte arguto e versado, Pôs-se a recitar... “Existe uma verdade cientifica, filosófica, A mentira, quando repetida gera crenças profundas, conforta. A verdade, por sua vez, inquieta...” Eu, com o cálice na mão, Condiciono-me, compenetrado, Ela, com magistral beleza, prossegue: “Afloramos arguidas, Distintas biologicamente, Provemos a vida, Únicos contrastes. No corpo social, Estipêndios menores, Sem enaltecer o intelecto, O inventivo, a inovação. Quanto mais à “alta roda”, Menos varoas encontramos. Queres tua prole assim, fadada a essa herança? Ensina-lhe o caminho da revolução! Equidade, Respeito, Sem possessividade...” Desperto, observo a ampulheta, A transitoriedade dos grânulos, As âmbulas intermeadas Com a consciência formada... Há tempo, quero te recrutar, Ativista da causa, Não me Kahlo! Paulo José Brachtvogel

O Monte Sentindo o frio na espinha, O vento levemente sopra a face,
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O Monte Sentindo o frio na espinha, O vento levemente sopra a face, Os pássaros alvoroçados cantam, Diante dos olhos, um foço de luz, Um extenso vale molhado da névoa, De cores, aroma e sabores... Naquele monte escarpado, Um tesouro às escondidas, Onde o sol não brilha, se põe... Um interlúdio para reverenciar Eu com minha alma em chamas, Batimentos desalinhados, Volúpia e simetria... Tocando as pétalas desabrochadas, A passo e passo, adentro ao vestíbulo, Desajuizado a explorar, Desembainhado a dançar... Abrandando os sussurros dos ventos, Osculações abrasadas na cerviz, Os pomos, belos e bem delineados, Aprecio-os com devoção, contemplam o Éden Como eles, o colo embebido... No enlace dos corpos, ofegantes, os amantes entregam-se lascivamente, sobre o outeiro, suspirando em brasas, do sonho ao apogeu... Ah, a natureza e sua beleza misteriosa... As fímbrias a vascolejar As borboletas a voar, O deleite do poeta, A moldura do artista... Apego-me às memórias daquele Monte de Vênus!

Enlevo Com um ruído estrídulo, a sineta soa Apressurados, todos correm,
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Enlevo Com um ruído estrídulo, a sineta soa Apressurados, todos correm, O encontro é no pátio relvado e sempre bem aparado, Na ciranda, ordenados em círculos, O ponto máximo é expressado através de um “verso bem bonito, um adeus e vá-se embora”! As alocuções proferidas acanhadamente, tinham objetivo: A menina dos olhos, doce de jabuticaba, Da pele macia e abrasada, Longos cabelos negros e lisos, De vestido rúbido E sorriso exibido. A timidez ingênua camuflava o romantismo temporal, Muitas vezes declarada em manuscritos anônimos, Entregues pelo comparsa que, no primeiro momento, não revelava o autor... Cerrando os olhos, sinto a fragrância das cópias azul- arroxeado, Quanto mais álcool no mimeógrafo, mais clara era a impressão. Ah, a fonética e a fonologia, a variedade linguística, Os substantivos, adjetivos e pronomes... Lugar, espaço e paisagem, mapas, escalas gráficas e numéricas, Litosfera, atmosfera e seus fenômenos... Por que o tempo muda? Egito, Grécia, Roma e seu legado cultural... Biodiversidade, cadeia alimentar, decompositores, A terra e o universo, álgebra, as formas e medidas... Acrônico... Eu e esse meu cacoete de sentir o tempo, Esse hiato abstrato, Observando pela janela os sonhos juvenis, Rememorando a poesia e o romantismo das rodas de ciranda...

A madrugada está fria. Meus pensamentos, como as nuvens, pairam sobre o mar, Ouço sua poesia de sons...
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A madrugada está fria. Meus pensamentos, como as nuvens, pairam sobre o mar, Ouço sua poesia de sons... Meu sono navega em meio às culapadas, à procura da calmaria... Passa das três, ela deve estar dormindo Procuro a constelação de Órion, o caçador e seus dois Cães... As estrelas brilham cintilantes, como refletissem a beleza dos seus olhos... Passa das três, e no balanço das ondas deixo-me levar... no conforto do travesseiro, meu parceiro, que tudo sabe. É ele que sopra os versos enquanto sonho... São oito e oito. A contragosto, do sonho desperto. Mesmo acordado, continuo enamorado, Perco-me subitamente nas curvas do riso daquela pequena... Sem perder-se da vigília o coração pulsa... A razão estremecida de vaidade, ergue e revela-se: “Acorda-te, já te perdestes de novo? Essa alma de poeta, coloca amor e paixão em tudo...” Olhar quimérico, complacente, Vejo a pedra sob a cachoeira, Impacta sobre ela a pressão das águas, Com o tempo ela muda, Torna-se resvaladiça, lapida-se! Se ela pudesse, sairia dali? Se saísse, continuaria mudando? Voltaria a ser bruta? “Desadormece-te poeta desta abstração! Ama e observa a natureza, Pertences a ela, pertences a ti... Sinta o perfume das flores, Senta-te na sombra da figueira, Fica aqui, no alto rodeado de verde, Observa lá longe e sem saudade Os muros de concreto que a humanidade tanto ama”! Paulo José Brachtvogel

Março, é Outono É março de dois mil e vinte É outono no Brasil
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Março, é Outono É março de dois mil e vinte É outono no Brasil O verde se funde ao vermelho castanho Nuanças gradativas, nada linear A tarde arde A brisa do entardecer refresca, causa arrepios É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil Meu coração se aquece com as lembranças dos beijos cálidos e do olhar sereno e doce dela É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil As flores se desprendem e caem lentamente... Dançam como bailarinas, suavemente, até encontrar a superfície É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil As ruas estão vazias As famílias se reúnem em torno da mesa Já não somos os mesmos e temos medo até de respirar... É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil Temos que abdicar dos abraços, dos beijos... aguardando para demonstrar afeto... Por hora, sinta a poesia que alimenta a alma É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil Apesar da solidão, tudo é intenso, pensamentos caem na alma Observo a liberdade dos pássaros E preso a esse papel, escrevo! É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil Vamos lá poeta Soou a trombeta para humanidade A solidariedade agora é ficar Observar de longe teu riso nos jardins Sei que ficaremos bem Juntos seremos um só novamente É março de dois mil e vinte É Outono no Brasil Não teremos despedidas Nem agradecimentos pela companhia Nossa luz permanecerá acesa, tenha fé! Mais alguns dias e a primavera virá E tudo voltará a florir...

⁠𝑻𝒂𝒃𝒖𝒍𝒆𝒊𝒓𝒐 Sobre a dramática mesa de mogno, Esculpida com grifos estilizados,
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⁠𝑻𝒂𝒃𝒖𝒍𝒆𝒊𝒓𝒐 Sobre a dramática mesa de mogno, Esculpida com grifos estilizados, Onde figuram criaturas míticas aladas De estilo gótico De peças pulcras, ouradas Majestosamente disposto Encontra-se o tabuleiro de xadrez Sentados em lados opostos, Dois senhores corpulentos, Vestidos com tecidos nobres Sobre suas cabeças, cartolas acinturadas De rara seda de confecção francesa, Ambos com uma das mãos apoiadas em bengalas, ornadas com pedras preciosas Guiados por suas paixões insensatas Movem as peças com precisão, Uma a uma Peões contra peões Quando, por ventura, algum destes se lança Com sucesso, Ameaçando o rei, A torre, o bispo, o cavalo ou a rainha Movem-se sem piedade: Em punho, a lâmina do ataque amolada O peão não queria outra coisa senão a vida, Achava-a desejável, Só queria saciar seu desejo, A vontade ávida de vida Mas cometeu seu erro fatal: Passou a querer mais... Quem espiava, Jamais aceitaria um peão ascender Quem comandava era a ganância, Não havia lugar ao sol para o peão O tabuleiro continuará a existir, Como se o mundo fosse O que não existirá mais será o peão sacado, Para o escárnio do vencedor Caberá aos peões, Que não se opuseram à luta dos seus entre si, Assistir, mais uma vez, À vitória dos reis que comandam o jogo! *𝘗𝘢𝘶𝘭𝘰 𝘑𝘰𝘴é 𝘉𝘳𝘢𝘤𝘩𝘵𝘷𝘰𝘨𝘦𝘭

⁠Singeleza Meus pensamentos são como pássaros: Livres!
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⁠Singeleza Meus pensamentos são como pássaros: Livres! Voam por toda parte De muitas naturezas, Planam com diferentes asas, Veem o mundo com mais cores Para eles, as flores não carregam apenas cores Veem-nas, sempre, como se nunca as tivessem visto antes Levam suas sementes – há mais flores nas sementes, Disseminam toda a sua beleza... Voam para conhecer, explorar Nunca negarão a poesia que há nas coisas Planam em meio à solidão Acompanham-nos apenas a filosofia e os sentidos Tudo que olham, fazem-no com suas ideias Mas só uma outra vontade – não a das ideias – que forma o pensamento Um pensamento pode se tornar uma ideia Uma ideia nunca será apenas um pensamento Minha alma é a causa dos meus pensamentos, Como quando sonho: Meus pensamentos são reais, mas também podem ser sonhos Os sonhos podem ser a satisfação de um desejo – ou não Escrevo e, até aqui, seria esse poema um pensamento? Ou seria ele um sonho? Talvez uma ideia? Quem sabe, à medida em que o escrevo, torne-se real Assim como os pássaros... Paulo José Brachtvogel