Frase de Paulo José Brachtvogel
A madrugada está fria. Meus pensamentos, como as nuvens, pairam sobre o mar, Ouço sua poesia de sons... Meu sono navega em meio às culapadas, à procura da calmaria... Passa das três, ela deve estar dormindo Procuro a constelação de Órion, o caçador e seus dois Cães... As estrelas brilham cintilantes, como refletissem a beleza dos seus olhos... Passa das três, e no balanço das ondas deixo-me levar... no conforto do travesseiro, meu parceiro, que tudo sabe. É ele que sopra os versos enquanto sonho... São oito e oito. A contragosto, do sonho desperto. Mesmo acordado, continuo enamorado, Perco-me subitamente nas curvas do riso daquela pequena... Sem perder-se da vigília o coração pulsa... A razão estremecida de vaidade, ergue e revela-se: “Acorda-te, já te perdestes de novo? Essa alma de poeta, coloca amor e paixão em tudo...” Olhar quimérico, complacente, Vejo a pedra sob a cachoeira, Impacta sobre ela a pressão das águas, Com o tempo ela muda, Torna-se resvaladiça, lapida-se! Se ela pudesse, sairia dali? Se saísse, continuaria mudando? Voltaria a ser bruta? “Desadormece-te poeta desta abstração! Ama e observa a natureza, Pertences a ela, pertences a ti... Sinta o perfume das flores, Senta-te na sombra da figueira, Fica aqui, no alto rodeado de verde, Observa lá longe e sem saudade Os muros de concreto que a humanidade tanto ama”! Paulo José Brachtvogel
No pensador.ai desde