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Frases de Nicola Vital

392 frases

⁠Infortúnio Às vezes, a gente se pega fazendo aquilo que não nos é aprazível Não que seja primazia a ociosidade
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⁠Infortúnio Às vezes, a gente se pega fazendo aquilo que não nos é aprazível Não que seja primazia a ociosidade Esse sentimento se manifesta na falta de oportunidade Quem não gostaria de sentir prazer no que se propõe a fazer? Muitos estão ali imbuídos Por mera necessidade de sobrevivência. Mas o mercado é indolente e não nos faculta escolhas.

⁠Série Minicontos Amor maternal Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta
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⁠Série Minicontos Amor maternal Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta De repente encontra o gavião faminto que também caçava seu próximo jantar. Mamãe coruja implora - Compadre, se encontrares meus filhinhos poupe-os! - Mas como vou identifica-los em meu a tantos bichos? - perguntou o gavião - quando encontrares as mais belas criaturas da floresta serão os meus filhinhos. E nunca mais sinhá coruja os encontrou.

⁠⁠Minha criança Eu fui criado menino buchudo. Não tinha medo de nada
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⁠⁠Minha criança Eu fui criado menino buchudo. Não tinha medo de nada Do escuro, da chuva ou papangu Cresci assim Como Deus criou batata Em meio aos jogos de bola de gude Futebol, gata maga, enfinca, barra-bandeira Amarelinha... Sim, amarelinha! Qual o problema? Ouvia Gonzagão de mamãe na vitrola do vinil Contos que noite a noite conta da saudosa rádio cariri. Tomando banho nos barreiros de água barrenta e enlameada Nu, no frescor da inocência. À noite batia um prato de tambica antes da reza que era irrefutável na cosmo visão de Paim. No dia seguinte, os pés amanhecia limpos e mamãe dizia que era o capiroto que lambia Só assim lavamos os pés antes de dormir pelo menos por alguns dias. Talvez não fosse recomendado para a saúde física. Mas, de certo, era lenitivo à alma. Saudade do meu tempo de criança Passado que não se encontra mais.Nicola Vital

⁠Ao pé da letra Sob a mesa estava o radinho sem pernas E sobre ele havia uma única espiga de milho
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⁠Ao pé da letra Sob a mesa estava o radinho sem pernas E sobre ele havia uma única espiga de milho E ela à espreita sentadinha no braço do sofá, Quando, o pé da mesa atingiu a bola do olho. Que não satisfeito, arrancou os cabelos do milho que voou para o céu de sua boca. A bichinha ficou com as maçãs do rosto rosadas E foi parar no céu da boca do malvado. Por fim, sua historinha permaneceu ao pé da página. Ou é apenas uma língua de trapo? Pobre bichinho.

⁠⁠Autorreflexão Prefiro encarar as dificuldades que a vida nos faculta como o rio. Simples assim.
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⁠⁠Autorreflexão Prefiro encarar as dificuldades que a vida nos faculta como o rio. Simples assim. O rio atinge seus objetivos porque possui a capacidade de contornar obstáculos. E nunca caminha por estradas retilíneas. Porque aquele que anda somente em linha reta Nas curvaturas da vida se Dana

⁠⁠CARTA DE AMOR Virá o dia Em que meu sonho estará repouso sobre a escrivaninha
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⁠⁠CARTA DE AMOR Virá o dia Em que meu sonho estará repouso sobre a escrivaninha Em⁠ que não te pedirei para o julgar Em que não te convidarei para o jantar Em que não te direi para brincar na areia Em que não elevarei sobre teu corpo o cobertor Porque a noite se arvora fria Então Só nos meus versos encontrarás minhas juras de amor eterno Não chores! Nem muito alarde! Apenas me entorpeci de luz e mistérios.

⁠EXÍLIO Quando você começar a compreender e aceitar sua companhia. Quando você entender que não há mal algum em estar contido em sua solidão.
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⁠EXÍLIO Quando você começar a compreender e aceitar sua companhia. Quando você entender que não há mal algum em estar contido em sua solidão. E quando você se locupletar, aceitando que o que importa antes de estar bem com o outro, é estar bem consigo. Isso é solitude. Lenitivo à alma.

⁠Quando morre um rio. Para onde vão seus encantados? E se todos os insetos fenecerem?
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⁠Quando morre um rio. Para onde vão seus encantados? E se todos os insetos fenecerem? De certo, em seis meses a natureza jazia. Se todas as árvores sucumbicem Não haveria novas gerações. Todavia se os humanos fossem extintos Seria a hora da natureza brilhar. Em bem pouco tempo Árvores cresceriam por entre os arranha céu. A fauna distanciaria-se da extinção. E a flora abraçavam -se em festa.

VOU CUIDAR DE MIM ⁠Hoje, olhando para trás Percebo que tenho menos tempo de vida para viver
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VOU CUIDAR DE MIM ⁠Hoje, olhando para trás Percebo que tenho menos tempo de vida para viver Do que o que já vivi. Possuo mais passado que futuro. Nem mesmo o presente me é tão aprazível. Assim, não devo perder tempo com coisas fúteis. Com convenções sociais que não chegam a lugar algum. ⁠Hoje, eu possuo idade para enxergar com mais sutileza as coisas. E podar o meu jardim

⁠POEMINHA A ELES Não, ser avô não é ser pai duas vezes. Há uma linha tênue que divide esses dois únicos momentos.
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⁠POEMINHA A ELES Não, ser avô não é ser pai duas vezes. Há uma linha tênue que divide esses dois únicos momentos. Ser pai, às vezes, deixa respingar um certo grau de toxidade. Ser avô, não! É liso, doce... Contar história é o método mais eficaz e eficiente de educação. Avós contam histórias aos netos. No entanto educam a alma

⁠Meu corpo fadigado na frieza marmórea que os dias me facultam. Só mesmo as letras seriam capazes de desvelar esse meu ínfimo ser. Esse rude estado de proeminência que às vezes cintila em mim.
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⁠Meu corpo fadigado na frieza marmórea que os dias me facultam. Só mesmo as letras seriam capazes de desvelar esse meu ínfimo ser. Esse rude estado de proeminência que às vezes cintila em mim. Serve-me apenas para velar a escuridão que me sonda

⁠Escrever é conceber um filho. Encontramos prazer no fazer e no nascer O limite do gozo é sempre o mesmo
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⁠Escrever é conceber um filho. Encontramos prazer no fazer e no nascer O limite do gozo é sempre o mesmo No primeiro, no segundo e doravante Assim como os filhos biológicos, Amamos um a um mesmo em momentos distintos De certo, alguns ganham maior destaque Apenas para o mundo exterior. Ao olhar genitor todos possuem O mesmo cheiro e a mesma beleza. Assim como a coruja disse ao gavião que seus filhos eram as mais belas criaturas da floresta É o poeta para seus rebentos

MEDO DE MORRER Eu tenho medo de morrer. Porque só em pensar que não vou mais ver o nascer do sol
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MEDO DE MORRER Eu tenho medo de morrer. Porque só em pensar que não vou mais ver o nascer do sol Acordar com o abraço dos netinhos. Comungar a natureza em sua leve brisa da manhã. Se eu pudesse falar com Deus, uma proposta lhe faria. Uma pequena troca... Eu abriria mão de um ano de minha vida para ele me deixar voltar uma noite na minha infância. Na casa de mamãe onde tudo era possível, mesmo que na medida exata. Todos nós cantávamos à mesa para uma ceia nutrida de carinho e afeto. O cheiro de café na trempe viaja comigo. Mas àquela hora só os adultos tinham acesso Mamãe achava pouco e fervia uma chaleira de flor de laranja Que era para a gente dormir cedo Éramos sete, às dezoito horas, Paim no auge de sua devoção religiosa nos obrigava a rezar Logo todos também religiosamente teriam que ir dormir. Sem sono, começávamos a brincar no escuro do quarto e mamãe comecava a contar histórias de Trancoso para despertarmos só no outro dia. Por fim, perguntava-lhe. Por que as mães precisam nos deixar?

⁠MANHÄ DE DOMINGO Sobre a mesa redonda adornada com uma velha toalha de renda vermelha Um prato de sobremesa com arroz branco e uma pequena poção de Strogonoff.
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⁠MANHÄ DE DOMINGO Sobre a mesa redonda adornada com uma velha toalha de renda vermelha Um prato de sobremesa com arroz branco e uma pequena poção de Strogonoff. Um sachê de algodão estéril Dois esmaltes de cores preta e laranja. Algumas lixas de unha e outros acessórios para adornar as unhas do mais velho. Missangas enfeitavam as bonecas passadas da netinha. À minha frente um copo de cristal cica amealhado de cerveja me dava inspiração. Uma garrafa plástica de refrigerante indaiá sabor limão discretamente desamparada. O óculos de grau redondo fechado ao centro da mesa Paralelamente o chaveiro com a chave do carro que mais tarde levaria todos deixando a saudade e o sonho de um novo reencontro. Era assim o domingo da vovó