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Frases de Nicola Vital

392 frases

⁠Série: Minicontos EFEITO PANDÊMICO 2020. A retórica era um futuro mais humano. 2022. Guerra..
MEU ALENTO: Quando eu morrer, Não me facultem alarde ou risos!
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MEU ALENTO: Quando eu morrer, Não me facultem alarde ou risos! Não me chorem amargos sisos! Eu não chorei nem sorri. Quando eu morrer, Se assim, o for meu querer, Os ouvidos, guardai em potes de vidro Pra que não possa te ouvir. Sobre os meus olhos, Plantai no mais alto dos outeiros De frente pro mundo inteiro Para eu ver, quem chora ou sorrir. Quando eu morrer, Só a língua deixai ao relento Pra não calar o que sinto E reportar o porvir. E só quando eu morrer, Separem do corpo o nariz Esse aos eflúvios condiz Guardem-no, nos florais,aos jardins.

POEMA TRISTE: Quando me procurar E não me encontrar
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POEMA TRISTE: Quando me procurar E não me encontrar Deveras se fará tarde Não chores! Nem muito alarde... Deixeis que o tempo enterre As mágoas, as intempéries, Aos sonhos que não se mede Risos que antecedem Soluços que há de vir. Ah!... Quando me procurar E não me encontrar Verás que a tudo inexiste E assim eu te escrevi Esse poema triste.

QUIMERA TARDIA: Numa tarde chuvosa e fria Liderava imaginário veiculo
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QUIMERA TARDIA: Numa tarde chuvosa e fria Liderava imaginário veiculo Lotação de fêmea maioria Não era catamarã ou chalana Nem anfíbio, nem marítimo A maquinha bem discreta Não tinha teto! Não tinha assento! Tampouco se tinha nexo... Sem encharque, sem sangria Sob a chuva que caia A nau que submergia. Do outra lado da margem Minha quimera tardia Muitos a mim recebia ... De volta ao mundo real Findava minha fantasia.

SER!... Dorme, dorme! E parem tudo!
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SER!... Dorme, dorme! E parem tudo! Tudo, tudo o que? Tudo que parece ser... O universo que existe Também o que não se ver. Os astros bem pequeninos As estrelas que não se veem No minúsculo universo Do meu magistral ser...

AMOR COMERCIAL: É fria e úmida a chuva que cai Madrugada adentro.
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AMOR COMERCIAL: É fria e úmida a chuva que cai Madrugada adentro. E eu a senti-la aqui sozinho Encontro esse poema, meu alento, Esse poema comercial... Ele versa o amor Fala do amor? Ou de amor? Ah! Quem falar do amor seria capaz? Sobre a vidraça em brumas que nos separa Eu posso exprimir seu rosto, Meu sonho é comercial!... Porque assim são iguais todos os textos, Todas as cenas, e todos os temas, De amor... São iguais. Do amor que se expele que se explicita. Eterno (...). Que como o ódio, e como a libido, O homem prova para reprovar E falar de amor é comercial. Também é comercial, A criatura que não é do criador. Deveras minha poesia é comercial.

REVENDO CONCEITOS: Vou fazer uma faxina em meu jardim Vou guardar com zelo a razão
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REVENDO CONCEITOS: Vou fazer uma faxina em meu jardim Vou guardar com zelo a razão Vou abrir sem métrica o coração Hoje eu vou cuidar de mim! Vou anular de vez a solidão Quero ver chover em meu "cantim" Eu vou regar o amor, enfim, Vou sorrir viver com emoção. Tô revendo meus valores Minha vida, meus atores, Hoje eu vou cuidar de mim! Vou limpar a minha casa Vou cortar as minhas asas Vou podar o meu jardim.

MEU FORMIDÁVEL LADRAR: Este formidável silêncio noturno Muito me apraz.
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MEU FORMIDÁVEL LADRAR: Este formidável silêncio noturno Muito me apraz. Quando estou dormindo para o nada... Quando nada sinto que sou Enquanto vivo... O sossego da noite que orvalha Minh ‘alma, Acentua-se no silêncio das coisas que se acalma O que mais se acentua me atordoa, O silêncio que murmura aos meus ouvidos, Coisas que não há no escuro da madrugada. Ah, não me é formidável ou apraz-me, O esparso ladrar de cães de guarda noturno Por fazer quebrar-se o noturno murmúrio do nada (...). Como eu queria ladrar à noite! Para não ser fiel aos que ladram sociedade a fio. Contudo me é formidável o estrepe essencial, De ser consciente.

NADA SABEMOS SOBRE... Que alma não almeja Conhecer a alma?
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NADA SABEMOS SOBRE... Que alma não almeja Conhecer a alma? Quem ao menos sonhará? O coração de outrem é outro orbe A quem não se vê, nem comunica-se, Com quem não se há entendimento. Nada sabemos sobre... Quando de nossa própria Aquelas que são alheias Veem, gesticulam, e falam apenas, No mais supomos alguma semelhança, Ou mera coincidência.

CANSADO DE SER VIL!... Eu estou trêmulo de agonia Cheio de cansaço... Todo o cansaço
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CANSADO DE SER VIL!... Eu estou trêmulo de agonia Cheio de cansaço... Todo o cansaço Que o mundo me pode ofegar, Cansaço do labor, Cansado de fragrâncias... E seus fregueses, Cansaço da leitura que não se ler, Dos mestres a mestrear a metafisica, Cansado de pecar Pelos crentes que não pecam à vida, Por um deus de igualdade. Que deus não sei... Eu... Pechoso? Incógnito? Divinal? Eu... Assim como a noite ofusca-me o brilho do olhar Cansado sinto-me da vileza de todo eu... Na incógnita do existir e ser. Cansado de tudo que nada somos Cansado de me ser vil, reles, imperfeito, Ao que me parece, não há gente no universo! Todos perfeitos, nobres, magníficos. Eu sou eu, Permaneço eu.

A CRIANÇA QUE PERDI: Esta noite eu não dormi, com meu siso, Decidi... Viajei no passado (...).
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A CRIANÇA QUE PERDI: Esta noite eu não dormi, com meu siso, Decidi... Viajei no passado (...). E presente me encontrei com a criança Que havia deixado a chorar na estrada sem tino Do alto do consciente, a vi... E entendi. Pra rever meus sonhos, planos, e desejos... Eram todos fúteis! Nasciam da fértil e quimérica imaginação Daquela homérica criança. Neste instante, inexoravelmente anseio Seu resgate Porém não me é dado êxito Ah! Meu mundo surreal Ofusca a aura clara Do régio ser que um dia fui. E dormi apenas eu...

ESCRITA. A ODE DA VIDA: A bela arte de escrever. Recorrente à beleza da solidão,
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ESCRITA. A ODE DA VIDA: A bela arte de escrever. Recorrente à beleza da solidão, Vertente de sutil inspiração. Manifesto de amores e atores, Quiméricos personagens, Precursores da paixão. Quiçá, antagonistas da razão. Escrever, seja talvez migrar Ao infindo... Universo prosaico, Que emana Da alma do infinito crer, Que respira a ode. Que inspira o ser. Vê-se à escrita, poética ou prosaica O plasma! O nume! Assim diria o bardo Em seu brado poético. Não há alfa e nem ômega! Quando se abre os olhos, E respira-se a atmosfera, Dar-se início a vida! Ao fecha-los sem atmosfera, Nada se consuma, a vida enfim, Inicia-se. Assim, à realidade da escrita, Nem princípio, nem fim.

Às vezes, eu penso que quero, Repasso... Bem mais, muito mais, que demais
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Às vezes, eu penso que quero, Repasso... Bem mais, muito mais, que demais No passado... Nos bancos da sala de aulas. Na igreja, ou no carro, Se macho ou fêmea, Se branco, negro ou mulato. De posse, ou sem sorte. Se mora no gueto, na praça Ou resort. Está em cartaz! No fardo dos imparciais Sob o crivo do “coitado” Que fere, não mede, O quinhão dos iguais.