Sobre a literatura comercial, permeiam-se dois tipos de poeta e escritor.
Há aquele que reverbera o discurso em voga, cujo a crítica precisa ouvir. Hoje, por exemplo, destaca-se o discurso identitário para abrir portas. É o atalho ao púlpito dos intelectuais.
Outro, ainda que não dê vasão ao que a crítica e burguesia intelectual convenciona, possui capital financeiro podendo bancar sua obra independente. Talvez não comercial, mas igualmente palatável.
A escrita não deve complacência às convenções da elite intelectual. Ela é, em si, fomento do grito encerrado dos marginais.
A literatura comercial sob a égide de sua crítica.
Possui fins seletivo
Todo aquele que não denotar obediência à sua sintaxe.
Logo serão versos pobre.
Podendo ser comparada à arca da aliança
Ou, quiçá, a área 51
Não mostre sua arte aos tolos...
São secos, sem júbilo.
SEM RÓTULO
A minha curiosidade e atrevimento ao escrever às vezes me custa responsabilidades.
Em um dia daqueles que a gente não espera, um jovem poeta me aborda pelo Instagram e para minha imensurável surpresa me faz um questionamento.
- Eu leio seus textos sempre!
Eu lhe respondi.
- Quem bom, fico feliz por isso.
E, surpreendentemente, ele me interpela.
- Eu tenho muita vontade de lhe mostrar meus escritos mas tenho medo que detecte algum erro.
Em êxtase lhe respondi
- Eu também morro de medo do seleto intelecto corretivo da literatura comercial.
No entanto, a escrita é minha, a leitura sou eu que faço.
De certo, no universo virtual eles também me lêem, embora não me comprem
O restante é só o restante caro poeta.
Eu tive que mudar meu poema
Vocês só compram na doçura da letra.
Aquele ardente ou amargo por si só
Não lhes é palatável.
Meu verso se parece amargo, infesto.
INSÓLITA CAMINHADA
Cadenciadamente,
Braços e pernas
Paralelamente
Se cruzam.
Numa insólita caminhada
Onde uns involuntariamente
Se vão.
Outros ficam
Na incerteza de um reencontro.
Nesse séquito
Todas as crenças, etnias e diferenças
Entrelaçam-se
Os que vão, ficam.
E os que ficam, voltarão.