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Frases de Maria da Penha Boina Dalvi

15 frases

⁠Autenticidade Cansei de ser julgada pela minha autenticidade na essência poética
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⁠Autenticidade Cansei de ser julgada pela minha autenticidade na essência poética Aos bravos e recolhidos seguidores dos meus perfis, não serei performática para agradar As suas escolhas pelo obscurantismo não me interessam Deixem de se preocupar com a minha escrita insólita busquem pelo fanatismo adulador e fantasioso das aparências que combinam com suas visões A minha poesia é ácida que até dói Diante do atual mundo tresloucado nunca praticarei uma escrita espúria Sempre estarei no limiar da minha mais profunda essência convicta das rasas interpretações As dimensões que ocupamos são antagônicas. Imagino como seria hoje julgado Manuel Bandeira Que do seu íntimo preconizou “Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem-comportado...” ... “Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

⁠Lacuna Estou saturada da tolerância e de desculpa rasa para qualificar o hiato cognitivo
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⁠Lacuna Estou saturada da tolerância e de desculpa rasa para qualificar o hiato cognitivo do estratagema do saber das pontas dos dedos do aprender célere e abominável como se o malabarista do circo não necessitasse ser perseverante do desprezível conjuminado do incompatível ensinar para fazer aprender lucubração de clã díspar à mercê do próprio capricho ah! Como estou farta da pergunta antecipada para conhecer a minha opulência para vir a traçar o meu hediondo destino.

⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir.
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⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir. Falaste em respeito, plantaste a união, Mas sob as pétalas, crescia a traição. Não foi por engano que me afastaste, Foi porque eu via o que tu ocultaste. Sabia demais, e isso te doía, Pois toda mentira teme a luz do dia. Colheste botões que nunca vingaram, Diplomas vazios que nada ensinaram. Lançaste ao mundo sem raiz, sem saber, Quem planta o engano, não pode colher. O tempo é espelho, reflete e condena, A farsa definha, a verdade envena. Quem vende a ilusão por medo ou por pão, Perde o próprio chão, já não é mais razão. E quando as folhas caírem ao fim, E a névoa esconder o que resta de ti, Não adianta rezar, teu medo é prisão, Tua queda se encerra abaixo do chão.

⁠Matemática e a estatística (ciência de dados) Um olhar desprevenido para a simplicidade do saber A matemática e a estatística são como mapas bem desenhados: quando temos as direções corretas, o caminho se torna claro e intuitivo. O que muitas vezes assusta não está na complexi…
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⁠Matemática e a estatística (ciência de dados) Um olhar desprevenido para a simplicidade do saber A matemática e a estatística são como mapas bem desenhados: quando temos as direções corretas, o caminho se torna claro e intuitivo. O que muitas vezes assusta não está na complexidade dos números, mas na falta de quem os apresente com a devida clareza. O medo nasce da cegueira de quem ensina sem preparar o olhar do aluno para enxergar os padrões, a lógica e a beleza que permeiam cada fórmula e cada dado. Com explicações bem construídas e exemplos próximos da realidade, a matemática e a estatística se revelam tão naturais quanto a própria vida, porque, no fundo, elas nada mais são do que a tradução dos fenômenos que nos cercam.

O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção,
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O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção, presos em ondas de páginas imersas, afogados na ilusão da erudição. Não é no volume que a luz se encerra, nem na pressa de ler sem tocar, mas no sulco que a mente descerra quando ousa em um termo se demorar. Informação — um relâmpago raso, pisca e some na vastidão. Mas conhecimento é um rio ruidoso, esculpindo a pedra da compreensão. Dados, sementes dispersas ao vento, soltas ao léu sem raiz, sem chão. Somente o tempo e o pensamento podem fazer delas trigo ou grão. Leio um só verso e vejo universos, numa palavra um cosmos se cria. Quem devora mil tomos dispersos perde o ouro por fome vazia. Pois mais vale um livro vivido, um só conceito em carne gravado, do que mil, num oceano perdido, onde o saber se desfaz afogado.⁠

⁠O dia em que as palavras se calaram Hoje sou terra sem chuva, sem brisa, um campo onde a semente se perde.
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⁠O dia em que as palavras se calaram Hoje sou terra sem chuva, sem brisa, um campo onde a semente se perde. O verbo me olha de longe, indeciso, e o silêncio, de súbito, me fere. A máquina observa, ávida e fria, cataloga, prevê, analisa. Mas não há código que resgate o dia em que a alma recusa a brisa. Nenhum cálculo encontra o caminho por onde o mistério da criação se lança. Não há padrão que ensine o destino do verso que nasce só na bonança. Sem inspiração, sou sombra dispersa, um eco no vácuo do próprio existir. A IA me observa, mas segue imersa num mar de dados sem me atingir. Que descanse a pena, que cesse o intento, não há atalhos para o renascer. Pois só no abismo do desalento é que a poesia volta a viver.

⁠O peso do medo Dizem que há sombras na esquina, sussurros frios na neblina,
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⁠O peso do medo Dizem que há sombras na esquina, sussurros frios na neblina, olhos que espreitam na escuridão, mãos que apertam sem compaixão. Tranque as portas, feche o peito, dobrem-se ao fardo do preceito. Há sempre um monstro à espreita, um castigo para a alma imperfeita. No deserto, a voz bradou: “O mar se abre a quem rezou!” E os que duvidam, sem piedade, são tragados pela tempestade. Na fogueira, a chama dança, queima o corpo, apaga a esperança. A fé impõe o seu decreto: “Negue-me e prove do inferno certo.” Coroas brilham, aço brande, o medo cresce e nunca expande. Pois só se vê o que convém, quem dita a lei nos faz refém. Um novo rosto, um novo nome, sempre há um lobo em meio ao homem. Ora justiça, ora nação, ora inimigo, ora oração. E assim seguimos, sem acerto, livres no corpo, presos por dentro. Grades que o tempo não desmancha, o medo pesa... e nos amansa.

Eu queria ter vivido Eu queria ter vivido quando o tempo era manso
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Eu queria ter vivido Eu queria ter vivido quando o tempo era manso e as palavras não corriam numa tela sem trato. Quando o vento escrevia nas janelas abertas, e o silêncio trazia respostas concretas. Eu queria ter vivido onde o olhar era carta, onde o encontro não era só um nome sem face. Quando a praça era o mundo, o degrau era escola, e a verdade não vinha mastigada em retórica. Eu queria ter vivido num instante sem pressa, onde a vida pulsava no compasso das eras. Mas vivo no ruído de um tempo sem tato, onde o toque é um vulto e a alma, um contrato.⁠

⁠Teia invisível Em seu altar de livros e esperanças, A mestra urdia, com mãos pacientes,
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⁠Teia invisível Em seu altar de livros e esperanças, A mestra urdia, com mãos pacientes, Uma teia feita de longas tranças, Ligando almas a mundos diferentes. Seus gestos eram como suaves brisas, Que moldam dunas sem deixar sinal. E suas palavras, em curvas precisas, Desenhavam rotas num mapa ancestral. Os alunos partiam em várias direções, Com sonhos que ela ajudou a nutrir. No Brasil profundo ou em novas nações, Levavam seus ecos, prontos a florir. Cada encontro era um fio entrelaçado, Que o tempo cuidava de esticar além. Mesmo longe, o elo jamais apagado Resistia ao sopro dos dias que vêm. A mestra sabia que a sala vazia Guardava histórias que não têm final. Pois o saber plantado um dia Flui como rios num curso imortal. E assim, sem alarde, deixou sua marca, Com passos firmes, mas quase sem som. Uma cátedra viva que nunca se apaga, E nos corações ressoa como um dom.

⁠Espelho partido Nasci sob o brilho de um espelho dourado, Que refletia o mundo como ela queria.
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⁠Espelho partido Nasci sob o brilho de um espelho dourado, Que refletia o mundo como ela queria. Mas a luz, tão falsa, trazia ao meu lado Sombras que o amor nunca preencheria. Sua voz era um cântico enfeitiçado, Ressoando louvores a si, tão vazios. E eu, pequena, em seu mundo moldado, Afogava-me em mares frios. Seu olhar me feria com indiferença, Como quem vê o outro e nada enxerga. Eu buscava seu amor, mas na ausência Só via a máscara que nunca se entrega. Minha dor era calada, um grito mudo, Pois quem ousaria a verdade contar? Que o colo materno, tão profundo, Era um abismo pronto a devorar. Eu, folha caída ao vento cruel, Tentava brotar em terra estéril. Mas ela, rainha de um falso céu, Pisava meus sonhos com garras de ferro. Hoje carrego cicatrizes invisíveis, Marcas de uma luta que ninguém vê. Pois ser filha de quem ama impossíveis É aprender a amar sem nunca receber. Mas há força no pranto que em mim brotou, Raízes que nasceram do chão quebrado. E o que ela negou, a vida me ensinou: Sou inteira, mesmo no espelho rachado.

⁠Amor algorítmico No futuro distópico, meu amor, serás um código, eu, um algoritmo,
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⁠Amor algorítmico No futuro distópico, meu amor, serás um código, eu, um algoritmo, nosso romance, uma função de valor, calculada em qubits, sem nenhum critério. Teu coração, um chip quântico, pulsa em superposições, frio e exato, enquanto meu peito, um circuito vazio, busca teu sinal no infinito abstrato. Prometemos eternidade em nuvens quânticas, mas nossa conexão falha, a rede oscila, o 6G do amor é instável, desigual, e o GPS da paixão nos leva à ilha de um mar de big data, onde afogamos nossos sentimentos em deepfakes vazios, enquanto IA generativas nos declamam poemas de amor, pré-treinados, sombrios. Ah, meu amor cibernético e irônico, será que ainda há espaço para o humano? Ou somos apenas mais um código eletrônico, perdidos no loop de um futuro insano? Talvez, entre tantos qubits e labirintos, ainda reste um sopro de verdade: um erro no sistema, um laço antigo, que nos salve da fria eternidade.

⁠Faces caídas No palco frio da hipocrisia, amizades nascem sem raiz,
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⁠Faces caídas No palco frio da hipocrisia, amizades nascem sem raiz, crescem à sombra da cortesia, mas morrem sempre por um triz. Sorrisos largos, gestos belos, promessas feitas sem calor, olhares falsos, frios, amarelos, vestidos todos de impostor. Enquanto a cena se desenrola, fingem afeto, juram ser leais, mas basta a queda da coroa, e os rostos mostram seus sinais. E quando enfim saio de cena, o brilho some, não há mais voz, a falsa amizade se condena, só resta o eco do vácuo atroz. Tantos anos, tantas trilhas, e ainda assim não compreendi, como há almas tão vazias, que somem quando já não há o que fingir.

⁠A idade certa Cheguei àquela idade em que os aforismos ganham vida própria, como pequenos faróis a iluminar o caminho que, enfim, escolhi para mim. Não descobri tudo — longe disso —, mas descobri que não preciso mais carregar o peso das expectativas alheias. A vida, como dizem,…
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⁠A idade certa Cheguei àquela idade em que os aforismos ganham vida própria, como pequenos faróis a iluminar o caminho que, enfim, escolhi para mim. Não descobri tudo — longe disso —, mas descobri que não preciso mais carregar o peso das expectativas alheias. A vida, como dizem, é breve demais para ser pequena. E eu, agora, entendo o que isso significa. Cheguei à idade em que o "não" sai com a leveza de quem sabe que dizer "sim" a si mesma é o maior dos luxos. Já não me importo em ser incompreendida, porque entendi que a única compreensão que importa é a que tenho de mim mesma. "Conhece-te a ti mesma", dizem. E que descoberta libertadora! Cheguei à idade em que o tempo não é mais um tirano, mas um aliado. Já não conto os dias, mas os saboreio. Cada momento é como um aforismo: breve, mas denso de significado. "A vida é o que acontece enquanto você faz planos", dizem. Pois bem, agora eu vivo os planos, e não apenas os faço. Cheguei à idade em que os erros não são fracassos, mas lições. E as lições, por sua vez, tornam-se sabedoria. "Queda após queda, a mulher aprende a caminhar." E eu, que já caí tantas vezes, agora caminho com passos firmes, porque sei que cada tropeço me trouxe até aqui. Cheguei à idade em que faço o que realmente gosto, não porque seja fácil, mas porque é autêntico. E a autenticidade, como dizem, é o único caminho para a paz interior. "Sê fiel a ti mesma", ecoa o velho conselho. E eu, finalmente, sou. Cheguei à idade em que os aforismos não são apenas palavras, mas a própria essência da minha existência. E, como dizem, "a vida é uma obra de arte que cada um pinta com suas próprias cores". As minhas, agora, são vibrantes, porque escolhi pintar com o que realmente amo. E isso, meus amigos, faz toda a diferença.

⁠A dança dos extremos Na praça do tempo, a extrema direita grita, Faz da espada seu verbo, da fúria sua escrita.
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⁠A dança dos extremos Na praça do tempo, a extrema direita grita, Faz da espada seu verbo, da fúria sua escrita. É um vendaval que ruge entre os campos de dor, Plantando espinhos onde o trigo já foi amor. Lá vem o cavaleiro, com bandeiras rasgadas, Ecoando promessas de glórias passadas. Mas são sombras de reis que nunca existiram, Fantasmas de um poder que tantos sucumbiram. E do outro lado, suave, a esquerda caminha, Com pés descalços sobre a terra que alinha. É o sopro da aurora no campo semeado, O canto das mãos que constroem o legado. Dos livros nascem pontes, dos sonhos, revoluções, É o abraço do povo contra as prisões. Mas a bonança tem curvas, também seus tropeços, Pois no campo das ideias, há espinhos nos começos. A história é mestra, nos sussurra ao ouvido: Já vimos extremos ferirem o perdido. Mas também vimos florescer, em terreno infértil, A coragem de lutar, ainda que em solo hostil. Que não nos guie o ódio, que não nos cegue o temor, Que a mão que aperta o punho também saiba dar flor. E que na dança dos extremos, o equilíbrio seja o fim, Para que a história cante o melhor de seu jardim.

⁠Libertação do ser Quando o véu se esgarça, e o mundo perde suas cores emprestadas,
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⁠Libertação do ser Quando o véu se esgarça, e o mundo perde suas cores emprestadas, a liberdade não é um rio, mas o oceano que não pede licença para ser vasto, profundo, salgado. Não há mais rédeas, nem mapas desenhados por mãos alheias. As regras, outrora prisões, agora são cinzas ao vento, e os valores, sombras desbotadas, refletem apenas o vazio que habita o cerne de tudo. É aqui, no abismo sem fundo, que o ser se revela: niilista, agnóstica, desnuda de certezas e dogmas. Não há mais o ter que, apenas o poder ser. E ser é existir sem véus, sem máscaras, sem a necessidade de pertencer a qualquer coisa que não si mesma. A liberdade chega como um silêncio, um eco que não responde, um horizonte que não promete. E no meio desse vazio, o ser se encontra, não como um ponto fixo, mas como uma dança contínua, uma chama que arde sem motivo, sem destino, apenas porque existe. E assim, no caos da existência, no deserto sem deuses ou sentidos, o ser se faz inteiro, não pelo que tem, mas pelo que é: livre, desamarrada, e infinitamente sua.