Frase de Maria da Penha Boina Dalvi
O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção, presos em ondas de páginas imersas, afogados na ilusão da erudição. Não é no volume que a luz se encerra, nem na pressa de ler sem tocar, mas no sulco que a mente descerra quando ousa em um termo se demorar. Informação — um relâmpago raso, pisca e some na vastidão. Mas conhecimento é um rio ruidoso, esculpindo a pedra da compreensão. Dados, sementes dispersas ao vento, soltas ao léu sem raiz, sem chão. Somente o tempo e o pensamento podem fazer delas trigo ou grão. Leio um só verso e vejo universos, numa palavra um cosmos se cria. Quem devora mil tomos dispersos perde o ouro por fome vazia. Pois mais vale um livro vivido, um só conceito em carne gravado, do que mil, num oceano perdido, onde o saber se desfaz afogado.
No pensador.ai desde