Frase de Maria da Penha Boina Dalvi
A dança dos extremos Na praça do tempo, a extrema direita grita, Faz da espada seu verbo, da fúria sua escrita. É um vendaval que ruge entre os campos de dor, Plantando espinhos onde o trigo já foi amor. Lá vem o cavaleiro, com bandeiras rasgadas, Ecoando promessas de glórias passadas. Mas são sombras de reis que nunca existiram, Fantasmas de um poder que tantos sucumbiram. E do outro lado, suave, a esquerda caminha, Com pés descalços sobre a terra que alinha. É o sopro da aurora no campo semeado, O canto das mãos que constroem o legado. Dos livros nascem pontes, dos sonhos, revoluções, É o abraço do povo contra as prisões. Mas a bonança tem curvas, também seus tropeços, Pois no campo das ideias, há espinhos nos começos. A história é mestra, nos sussurra ao ouvido: Já vimos extremos ferirem o perdido. Mas também vimos florescer, em terreno infértil, A coragem de lutar, ainda que em solo hostil. Que não nos guie o ódio, que não nos cegue o temor, Que a mão que aperta o punho também saiba dar flor. E que na dança dos extremos, o equilíbrio seja o fim, Para que a história cante o melhor de seu jardim.
No pensador.ai desde