Frase de Maria da Penha Boina Dalvi
O peso do medo Dizem que há sombras na esquina, sussurros frios na neblina, olhos que espreitam na escuridão, mãos que apertam sem compaixão. Tranque as portas, feche o peito, dobrem-se ao fardo do preceito. Há sempre um monstro à espreita, um castigo para a alma imperfeita. No deserto, a voz bradou: “O mar se abre a quem rezou!” E os que duvidam, sem piedade, são tragados pela tempestade. Na fogueira, a chama dança, queima o corpo, apaga a esperança. A fé impõe o seu decreto: “Negue-me e prove do inferno certo.” Coroas brilham, aço brande, o medo cresce e nunca expande. Pois só se vê o que convém, quem dita a lei nos faz refém. Um novo rosto, um novo nome, sempre há um lobo em meio ao homem. Ora justiça, ora nação, ora inimigo, ora oração. E assim seguimos, sem acerto, livres no corpo, presos por dentro. Grades que o tempo não desmancha, o medo pesa... e nos amansa.
No pensador.ai desde