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Frase de Maria da Penha Boina Dalvi

⁠A idade certa Cheguei àquela idade em que os aforismos ganham vida própria, como pequenos faróis a iluminar o caminho que, enfim, escolhi para mim. Não descobri tudo — longe disso —, mas descobri que não preciso mais carregar o peso das expectativas alheias. A vida, como dizem, é breve demais para ser pequena. E eu, agora, entendo o que isso significa. Cheguei à idade em que o "não" sai com a leveza de quem sabe que dizer "sim" a si mesma é o maior dos luxos. Já não me importo em ser incompreendida, porque entendi que a única compreensão que importa é a que tenho de mim mesma. "Conhece-te a ti mesma", dizem. E que descoberta libertadora! Cheguei à idade em que o tempo não é mais um tirano, mas um aliado. Já não conto os dias, mas os saboreio. Cada momento é como um aforismo: breve, mas denso de significado. "A vida é o que acontece enquanto você faz planos", dizem. Pois bem, agora eu vivo os planos, e não apenas os faço. Cheguei à idade em que os erros não são fracassos, mas lições. E as lições, por sua vez, tornam-se sabedoria. "Queda após queda, a mulher aprende a caminhar." E eu, que já caí tantas vezes, agora caminho com passos firmes, porque sei que cada tropeço me trouxe até aqui. Cheguei à idade em que faço o que realmente gosto, não porque seja fácil, mas porque é autêntico. E a autenticidade, como dizem, é o único caminho para a paz interior. "Sê fiel a ti mesma", ecoa o velho conselho. E eu, finalmente, sou. Cheguei à idade em que os aforismos não são apenas palavras, mas a própria essência da minha existência. E, como dizem, "a vida é uma obra de arte que cada um pinta com suas próprias cores". As minhas, agora, são vibrantes, porque escolhi pintar com o que realmente amo. E isso, meus amigos, faz toda a diferença.

Maria da Penha Boina Dalvi

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Pensador.com

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⁠Autenticidade Cansei de ser julgada pela minha autenticidade na essência poética Aos bravos e recolhidos seguidores dos meus perfis, não serei performática para agradar As suas escolhas pelo obscurantismo não me interessam Deixem de se preocupar com a minha escrita insólita busquem pelo fanatismo adulador e fantasioso das aparências que combinam com suas visões A minha poesia é ácida que até dói Diante do atual mundo tresloucado nunca praticarei uma escrita espúria Sempre estarei no limiar da minha mais profunda essência convicta das rasas interpretações As dimensões que ocupamos são antagônicas. Imagino como seria hoje julgado Manuel Bandeira Que do seu íntimo preconizou “Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem-comportado...” ... “Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

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⁠Lacuna Estou saturada da tolerância e de desculpa rasa para qualificar o hiato cognitivo do estratagema do saber das pontas dos dedos do aprender célere e abominável como se o malabarista do circo não necessitasse ser perseverante do desprezível conjuminado do incompatível ensinar para fazer aprender lucubração de clã díspar à mercê do próprio capricho ah! Como estou farta da pergunta antecipada para conhecer a minha opulência para vir a traçar o meu hediondo destino.

⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir.
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⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir. Falaste em respeito, plantaste a união, Mas sob as pétalas, crescia a traição. Não foi por engano que me afastaste, Foi porque eu via o que tu ocultaste. Sabia demais, e isso te doía, Pois toda mentira teme a luz do dia. Colheste botões que nunca vingaram, Diplomas vazios que nada ensinaram. Lançaste ao mundo sem raiz, sem saber, Quem planta o engano, não pode colher. O tempo é espelho, reflete e condena, A farsa definha, a verdade envena. Quem vende a ilusão por medo ou por pão, Perde o próprio chão, já não é mais razão. E quando as folhas caírem ao fim, E a névoa esconder o que resta de ti, Não adianta rezar, teu medo é prisão, Tua queda se encerra abaixo do chão.

O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção,
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O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção, presos em ondas de páginas imersas, afogados na ilusão da erudição. Não é no volume que a luz se encerra, nem na pressa de ler sem tocar, mas no sulco que a mente descerra quando ousa em um termo se demorar. Informação — um relâmpago raso, pisca e some na vastidão. Mas conhecimento é um rio ruidoso, esculpindo a pedra da compreensão. Dados, sementes dispersas ao vento, soltas ao léu sem raiz, sem chão. Somente o tempo e o pensamento podem fazer delas trigo ou grão. Leio um só verso e vejo universos, numa palavra um cosmos se cria. Quem devora mil tomos dispersos perde o ouro por fome vazia. Pois mais vale um livro vivido, um só conceito em carne gravado, do que mil, num oceano perdido, onde o saber se desfaz afogado.⁠