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Frase de Maria da Penha Boina Dalvi

⁠Teia invisível Em seu altar de livros e esperanças, A mestra urdia, com mãos pacientes, Uma teia feita de longas tranças, Ligando almas a mundos diferentes. Seus gestos eram como suaves brisas, Que moldam dunas sem deixar sinal. E suas palavras, em curvas precisas, Desenhavam rotas num mapa ancestral. Os alunos partiam em várias direções, Com sonhos que ela ajudou a nutrir. No Brasil profundo ou em novas nações, Levavam seus ecos, prontos a florir. Cada encontro era um fio entrelaçado, Que o tempo cuidava de esticar além. Mesmo longe, o elo jamais apagado Resistia ao sopro dos dias que vêm. A mestra sabia que a sala vazia Guardava histórias que não têm final. Pois o saber plantado um dia Flui como rios num curso imortal. E assim, sem alarde, deixou sua marca, Com passos firmes, mas quase sem som. Uma cátedra viva que nunca se apaga, E nos corações ressoa como um dom.

Maria da Penha Boina Dalvi

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Pensador.com

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⁠Autenticidade Cansei de ser julgada pela minha autenticidade na essência poética
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⁠Autenticidade Cansei de ser julgada pela minha autenticidade na essência poética Aos bravos e recolhidos seguidores dos meus perfis, não serei performática para agradar As suas escolhas pelo obscurantismo não me interessam Deixem de se preocupar com a minha escrita insólita busquem pelo fanatismo adulador e fantasioso das aparências que combinam com suas visões A minha poesia é ácida que até dói Diante do atual mundo tresloucado nunca praticarei uma escrita espúria Sempre estarei no limiar da minha mais profunda essência convicta das rasas interpretações As dimensões que ocupamos são antagônicas. Imagino como seria hoje julgado Manuel Bandeira Que do seu íntimo preconizou “Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem-comportado...” ... “Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

⁠Lacuna Estou saturada da tolerância e de desculpa rasa para qualificar o hiato cognitivo
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⁠Lacuna Estou saturada da tolerância e de desculpa rasa para qualificar o hiato cognitivo do estratagema do saber das pontas dos dedos do aprender célere e abominável como se o malabarista do circo não necessitasse ser perseverante do desprezível conjuminado do incompatível ensinar para fazer aprender lucubração de clã díspar à mercê do próprio capricho ah! Como estou farta da pergunta antecipada para conhecer a minha opulência para vir a traçar o meu hediondo destino.

⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir.
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⁠Os ecos da traição Regaste a amizade, fizeste florir, Com gestos suaves, soubeste fingir. Falaste em respeito, plantaste a união, Mas sob as pétalas, crescia a traição. Não foi por engano que me afastaste, Foi porque eu via o que tu ocultaste. Sabia demais, e isso te doía, Pois toda mentira teme a luz do dia. Colheste botões que nunca vingaram, Diplomas vazios que nada ensinaram. Lançaste ao mundo sem raiz, sem saber, Quem planta o engano, não pode colher. O tempo é espelho, reflete e condena, A farsa definha, a verdade envena. Quem vende a ilusão por medo ou por pão, Perde o próprio chão, já não é mais razão. E quando as folhas caírem ao fim, E a névoa esconder o que resta de ti, Não adianta rezar, teu medo é prisão, Tua queda se encerra abaixo do chão.

O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção,
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O peso das páginas Navego em mares de letras dispersas, onde tantos naufragam sem direção, presos em ondas de páginas imersas, afogados na ilusão da erudição. Não é no volume que a luz se encerra, nem na pressa de ler sem tocar, mas no sulco que a mente descerra quando ousa em um termo se demorar. Informação — um relâmpago raso, pisca e some na vastidão. Mas conhecimento é um rio ruidoso, esculpindo a pedra da compreensão. Dados, sementes dispersas ao vento, soltas ao léu sem raiz, sem chão. Somente o tempo e o pensamento podem fazer delas trigo ou grão. Leio um só verso e vejo universos, numa palavra um cosmos se cria. Quem devora mil tomos dispersos perde o ouro por fome vazia. Pois mais vale um livro vivido, um só conceito em carne gravado, do que mil, num oceano perdido, onde o saber se desfaz afogado.⁠