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Frases de Maria da Penha Boina

276 frases

Fuga a esmo Fez juras que não pode cumprir, Agiu como se conhecesse o futuro,
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Fuga a esmo Fez juras que não pode cumprir, Agiu como se conhecesse o futuro, Criou expectativas no outro, Conjeturou promessas em devaneios, Gritou com sentimento único, Humilhou-se, Iludiu-se, Destituiu-se, Faltou-lhe o poder de mostrar a própria força, À sua amante prepotente. Atou de fato, Uniformizou o ato Tornou-se dependente de haveres. Impotente, buscou a própria acepção. Foi certo na escolha, Estás agora no seu impressionante cenário, Hilário. Não tens mais juras a fazer. Uniu-se a pessoa de iguais atributos, Num Estado de quinta classe, No país de terceiro mundo, Florescendo da história de um passado Das coisas habituais. Nada notável, Escondeu-se.

Insignificância Cura a sua dor meu caro Assim sai da latência do imaginário,
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Insignificância Cura a sua dor meu caro Assim sai da latência do imaginário, Honra-te da insignificância. O trabalho é pouco, Mas tens um teto com palmos medidos, A abrigar os teus prazeres. És tão apoucado Que esta choça O torna ancho. Não lutaste pelo abundante, E a pouca monta em que tu te apoias Irá satisfazer-te.

Lembrança III É tarde de outono, O oceano, da janela do apartamento, se apresenta mais cinzento.
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Lembrança III É tarde de outono, O oceano, da janela do apartamento, se apresenta mais cinzento. O homem nada todos os dias no mesmo lugar, Deve ser norma do seu médico, pois água está fria. Mergulha e, em cada braçada quando, A cabeça vem à tona para respirar É você a nadar no meu mar. Corro à varanda Fixo bem os olhos para distinguir quem realmente é, Leva tempo para decifrar. O cérebro está condicionado Para enxergar o que desejo Que deveria além do horizonte estar. Depois de algumas horas Com olhos a transmitir ao cérebro a real imagem, Conscientiza a interpretação, É outra pessoa a se exercitar e, já caminhando, Ele sai do meio da nuance preguiçosa da estação. Achei que seria possível ser você vindo a nado, Mas você já cá está a nadar em outro mar. Talvez, mesmo sendo outono, Seja um mar mais significante e mais brilhante Que o mar que lhe tenho a ofertar.

Lembranças perfeitas I O seu mundo não se move mais pelas lembranças? Estão por que, se sentir assim todo o tempo?
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Lembranças perfeitas I O seu mundo não se move mais pelas lembranças? Estão por que, se sentir assim todo o tempo? E tenta corromper com esse sentimento de angústia. Mas não consegue! É mais forte que você. Vai ao mar? Estou lá Vai à montanha? Também estou lá Vai à beira do rio? Sentes falta de mim. Deita-se na cama e pela janela vês as estrelas? Eu sou uma delas. Atravessou o oceano para sentir a mesma coisa de antes? Errou. Nada é igual. O cheiro é diferente O diálogo é diferente A música é diferente E então, a poesia? Bem diferente. É débil demais, não é? São muitas as tentativas do esquecimento, Mas você não consegue me esquecer.

Eu e a mariposa Estou hoje de frente ao oceano cinzento, Lindo
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Eu e a mariposa Estou hoje de frente ao oceano cinzento, Lindo Dentro deste apartamento com o físico esquálido Observei novamente a mariposa que na parede da sala Estava há mais de semanas pousada Imaginei que ela, como eu Estava meio morta Ao remexê-la Ela se apossou de outro sítio. A expressão da mariposa e a minha Deveria ser retratada em um filme.

Lápide Lapidei durante toda uma vida As coisas mais coloridas
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Lápide Lapidei durante toda uma vida As coisas mais coloridas Nas artes que criei. Hoje, já quase morta, Em preto e branco vou tentar deixar em minha futura porta Os dizeres que nunca pronunciarei. - Aqui jaz uma niilista agnóstica que almas fez sofrer e nem se deu por isso-. Nenhum dizer será mais importante Incrustado no granito frio Que também da natureza vem. E se abrirem a minha nova porta Não terei como recebê-los, pois em nenhum lugar estarei.

Meus homens Estou cansada das reverências Tenho como liberdade
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Meus homens Estou cansada das reverências Tenho como liberdade A antissocial A minha própria forma de pronunciar. Não quero nada que seja comedido. Quero a relevância do meu próprio ato. Quero os meus homens E desejo amá-los a todos. E nada que seja singular e exclusivista. Nada de domínio público Que exaurem os meus recursos mentais. Não os quero fisicamente Desejo-os de pés assentes Mas sem muita intelectualidade. Imagino-os com as suas esposas e amantes Suas ternurinhas errantes e eu, Os quero pelas suas melhores partes, Aos meus pés pela minha genialidade Na libertinagem de pensamentos, Para que tenham sonhos De um dia possuir, a mim, A mulher intensidade. E que ambicionem a minha extravagância, Para que não morram as minhas nostalgias E alimente as suas agonias Daquilo que lhes é imparcial. Que minha autenticidade Sempre os deixem na busca Da minha real personalidade.

O relacionamento acabou mas existe amor? O ódio, a vingança se apresenta. E o vazio? Que tormenta!
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O relacionamento acabou mas existe amor? O ódio, a vingança se apresenta. E o vazio? Que tormenta! E chora-se e ri-se. O corpo fica esquálido. Os olhos não veem os campos, as ruas e as cidades. Não se escuta os cumprimentos, são sussurros desnexos. Quer-se a amizade? Não, não existe possibilidade – É amor. Sente-se a senhora de cetim negro, mais próxima. Caminha junto a todos os passos. Então o que é melhor? Lembrar-se que a vida é uma peça de teatro, E o vivido não foi mais que meio ato.

Odisseia Levantou Alçou voo
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Odisseia Levantou Alçou voo Viu com encanto Todos os recantos As maravilhas dos campos As luzes das metrópoles Os índios, as florestas, As acrópoles Os oceanos. Aterrissou. Viu a guarda inimiga O sangue e a falta de comida A doença, a má sorte.

Setembro de 2003 em Portugal Está um lindo dia O sol brilhante o céu sem nuvens
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Setembro de 2003 em Portugal Está um lindo dia O sol brilhante o céu sem nuvens Dá vontade de sair. Imagino o mar deve estar magnífico Mas estou presa as raízes Dos meus sonhos infantis. Coisas que idealizei Momentos que revelei Decisões que tomei Estão agora reflectidos Em minha face lânguida Da perversidade que não imaginei. Sofro ora agora Pelo destino que me dei Que outrora não consegui, livrar-me. Chora meu coração Pela empatia que concebe Pelo outro sofrimento. O quê deu errado? Quem foi o culpado? Que magia negra foi esta? Que consegue sempre me consternar Colocando-me com o ego arrependido Daquilo que não quis fazer? Foram erros de placenta Que a regressão não consegue explicar. Concepção talvez indesejada Que reflecte na pessoa mal amada De forma desesperada Mas não consegue se livrar. Passo agora este mal presságio Para os entes mais queridos Que no futuro se acharão esquecidos Do ventre que os gerou Moribundos e mal amados Na mesma cadeia de valor.

SOFRIMENTO VIRTUAL (10/1999) Nas noites escuras e frias Não se faz mais barquinhos de papel
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SOFRIMENTO VIRTUAL (10/1999) Nas noites escuras e frias Não se faz mais barquinhos de papel Como antigamente se fazia Para encher de satisfação e alegria Esta vida de aluguel Hoje nas noites, finge-se Fazer amigos virtuais Amigos, amantes e tudo mais Para encher mais de saudade os corações Pois eles, assim como os barquinhos não voltam jamais. Ficando no coração O frio denso de uma ilusão Que talvez em uma noite de verão Possa tornar realidade os sonhos dos amantes virtuais. Sufocando toda uma vida Acreditando em curar uma ferida Que na verdade não será vencida E cresce cada vez mais Em cada noite de despedida. Mas quando se torna realidade Que satisfação! Até amedronta Ficando registrado nas faces A alegria do dado impasse De vencer o que aparecia vencido. Mas a tormenta não termina A dor é mais intensa Quando na despedida Vendo um amor que fica Na dura hora da partida. Quanto arrependimento E que no íntimo do ser vem o lamento Sabendo assim que era menor o sofrimento Da despedida virtual E a maldita ferida nunca será vencida.

POETISA FERIDA (03/2001) Sempre fui poetisa da alegria Das grandes virtudes e glórias
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POETISA FERIDA (03/2001) Sempre fui poetisa da alegria Das grandes virtudes e glórias Como um poeta deve ser. Mas uma grande decepção Sem compaixão e com precisão Feriu as palavras do meu ser. Neste momento escrevo as tristezas Que a vida nos prega De maneira irônica e desprezível. Os sonhos e realidades incompletas Por minha insensatez Pregou-me esta peça. Que fraqueza a minha Cai na própria armadilha De que tanto dava gargalhada e contestava. Cedo ou tarde Nunca faltará essa realidade No íntimo de cada ser. Esta droga maldita Que me colocou em delírios Que não é injetada e nem bebida. A ânsia me devora Mas no grito da vitória Vou me safar dessa agonia. Mas neste momento Desafogo em lamentos Minha dor contraída. Perdoai então Meu momento sofrível De poetisa ferida.

TEMPO (1979) Mestre e correto é o tempo Todas as coisas norteiam o tempo
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TEMPO (1979) Mestre e correto é o tempo Todas as coisas norteiam o tempo Até o sobrenatural depende Do tempo O querer é algo com que sonhamos O querer é o precisar O morrer não é o querer É o ter é o depender. Maldito tempo Faz-nos mendigar na vida E traz-nos o necessitar Por ser um cruel inimigo em apoiar. Deveríamos fugir Do maldito tempo Pois dele não podemos Vingar.

TESTAMENTO DO AMOR DE UMA MULHER (02/2001) Mulher não pode amar na essência da palavra
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TESTAMENTO DO AMOR DE UMA MULHER (02/2001) Mulher não pode amar na essência da palavra Somente pode ser amada na fadiga doutrinária. Por isso compreendo agora o meu grande erro na vida Erro ou experiência? Erro, experiência é a degradante escusa do desacerto. Amei, então errei na essência da palavra No desacerto perdi o amor da pessoa amada. Quando a mulher ama verdadeiramente Torna-se cúmplice de um amor decadente. No âmago do ser amado depois do alcance da conquista pleiteada exaure da sua alma todo o amor , e logo depois vulgariza sua amada. Quer ele ser o caçador perpétuo da pureza nunca conquistada Que desatinado e exasperado é este ser que jamais poderá ser amado? Amei, então errei e sofro na essência da palavra, mas Sou feliz por ter amado Mesmo sendo vulgarizada por deixar-me ser conquistada.

PERTENCER (05/1979) Santo, peregrino faceiro Peco e tu perdoais-me
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PERTENCER (05/1979) Santo, peregrino faceiro Peco e tu perdoais-me Forma que tu, qualidade divina Mostras o que és. Brilhar na vida Ser faceiro peregrino É ser Santo? Ou pertencer a satã? Com crueldade e pertinência Usando da nossa inocência Faz com que sejamos pecaminosos Talvez para fazer mostrar sua qualidade de Santo. E nos coloca em uma roda viva Envolvendo o mundo com justiça Para ser Rei hoje e amanhã E em cada manhã seguinte é Santo pelas idiotices. Como há séculos Peregrino e Santo faceiro, Pertenço a Ti Assim como a humanidade diz pertencer. De um farsante Peregrino Que se diz Cristo Em cada amanhecer.

TELEFONE (03/2001) Estou escravizada Por este aparelho maldito,
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TELEFONE (03/2001) Estou escravizada Por este aparelho maldito, Fico constantemente a espera Que ele me chame do longínquo lugar. Aquele toque lusitano Que só eu sei decifrar. O som mais lindo que já pude ouvir em minha vida, Sem instrumentos, mas é uma verdadeira sinfonia Que me faz delirar. Os prazeres já me tocam Quando em seu visor maloca O número além mar. A prata da voz que sussurra do outro lado, Transforma em ouro o meu coração. É uma magia este som de notas poucas Que atinge um grau de maestria E transforma-se em melodia E quando silencia me faz chorar.

É Tarde (16/08/01) De que adianta seu amor agora Se quando te amei você nem ligou
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É Tarde (16/08/01) De que adianta seu amor agora Se quando te amei você nem ligou O quê me importa seu carinho agora Se já é tarde para eu te amar O quê me interessa seu sofrimento agora Se quando eu lhe quis você nem mesmo soube dar amor O que me leva a pensar da tristeza em seu olhar Têm-se mais tristezas no meu De que valem suas palavras agora Se quando as disse você nem ouviu De que valem seus sentimentos agora Se os meus já se esvaíram De que vale meu perdão agora Se não existe mais essência para perdoar O que me leva ter que sofrer por você agora Se sempre sofri e você nunca percebeu O que me vale ser cedo para você agora Se para mim você já morreu.

31/08/2004 Novos tempos Acordo e começa o corre-corre
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31/08/2004 Novos tempos Acordo e começa o corre-corre Para chegar, não sei aonde. Durante o dia, trabalho A noite também. Nos pequenos espaços diários Estudo Depois o “stress” o cansaço Por não saber se o dinheiro vem… As vezes vêm o mal presságio Será que amanhã vou ter trabalho? Então, estudo Mesmo sem o dinheiro para fazer o itinerário. Não tenho tempo, sem tempo Mas com tempo Não concentro Hoje isso, amanhã aquilo. Para relaxar, escrevo Perdendo tempo Deveria mesmo estar lendo Reverenciando os mestres. Mas não me façam críticas Eu gosto dos novos tempo Mesmo sem tempo, dê-me tempo Para ler poesias.

CONDENAÇÃO (03/2001) É ímpar, é demais poder amar Mas amor é como o satanás
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CONDENAÇÃO (03/2001) É ímpar, é demais poder amar Mas amor é como o satanás Faz proteger o nome do condenado Precisando usar codinome para o ser amado A sociedade não permite Um amor assim tão alvo Tão leve, tão solto, tão verdadeiro Mas que nada tem de arbitrário O satanás quem criou o dinheiro Quem criou os valores materiais Mas Deus criou o amor Para combater o satanás Quem é o homem? Que se julga capaz de condenar Um amor assim tão presente No íntimo de um ser? A liberdade existe Mas na insensatez A sociedade Protege-se com Deus E ama o satanás Como um carrasco Usando sua lâmina afiada Cravando no coração amante Mata morbidamente este amor tão presente.

TELEFONE Estou concentrada e, num disparate, o susto Um trim, trim, trim
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TELEFONE Estou concentrada e, num disparate, o susto Um trim, trim, trim É o telefone a tocar Esvazia-se momentaneamente o meu cérebro Inusitadamente, inconscientemente Como um afogamento é a sensação Raiva, ódio, sofrimento Mas tenho que falar Alô, Oi, Sim, sei lá o quê Do outro lado, um “como vai você”? Então reflito, falar Como vou? Nada mudou Vou indo, sem pensar Num presente indecente Com um muro a minha frente Mas o que interessa, como vou? Vou a pé, de trem, de ónibus Vou como bem me apetecer Como posso também, não ir Vou bem, vou mal Que diferença faz Que farás por mim Independente da resposta que receber? Mas depois que me deixou por um momento, no vazio Minhas respostas se tornam monossilábicas Como tu queres ser perfeito Com seu tosco telefonema? Atrapalhando o meu estado criativo Minha concentração perfeita Meu invólucro intransponível Quebrado por um telefonema inútil.