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Frases de Maria da Penha Boina

276 frases

Novos tempos Não estamos mais no tempo dos coronéis Naquele tempo que o homem tudo podia
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Novos tempos Não estamos mais no tempo dos coronéis Naquele tempo que o homem tudo podia Em que as mulheres escravizadas Aceitavam as regras por intimidação, As pobres Amélias consumidas. Ainda existe por aí, homens coronéis, Que vivem no passado Achando que indo aos bordéis Ainda serão reverenciados. Pobres ignorantes do planeta Irão ficar somente embriagados.

Rato Foge como um rato de esgoto Corre de um jeito meio torto
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Rato Foge como um rato de esgoto Corre de um jeito meio torto Mesmo todo desengonçado Pula com facilidade os obstáculos De um lugar fétido para o outro, Come o que vier ao alcance E ainda acha que é gostoso. Mandrião cheio de talento Na hora da guerra Vira herói escondido Em meio ao que está putrefato. Aumenta o seu portfólio de cobiça Para ter muitas crias Agigantando seu exército de nojo. Seu cantar é um guinchar De dar arrepios Que só pode encantar Outros ratos do mesmo escoadouro.

Casamento Hoje resolvi me casar Não com gente
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Casamento Hoje resolvi me casar Não com gente Gente é coisa indecente Magoa, fere e mata. Não faz companhia quando se necessita Perturba na hora do silêncio Bate a porta no momento indevido Tira a concentração. Gente é dependente É o mais para o menos Condiciona o pensamento Subtrai o pouco que tenho. Principalmente determinadas gentes Que são as agentes sanguessugas Que não leem os parênteses No seu claustro foge pela tangente. Casarei-me com a literatura De todos os tipos As de brilho às aventuras Àquelas que desafiam o pensamento. Essas sim são de grande valia Causa provocação ao sentimento Faz crescer e desenvolve muito Muito o conhecimento.

Mulher de escorpião Profunda e misteriosa Com seus olhos penetrantes
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Mulher de escorpião Profunda e misteriosa Com seus olhos penetrantes Até ao acender um cigarro Magnetiza qualquer homem. Mas o mesmo olhar que enfeitiça Descobre os segredos dos mais reservados. Os seus elogios, para ela não cogitados Serão analisados para as verdadeiras intenções. Sua fúria incontrolável Ciumenta e possessiva Profundamente vingativa. Perdoa com facilidade Atos e fatos provados não intencionais E manda no relacionamento. Se existe uma inquietação por traí-la Não há compaixão por ela medida. Irá alimentar várias mentiras Para fazê-lo sofrer até o chão. Manhosa como uma gatinha Carente fragilizada Ao perder o controle das emoções O furacão entra em atividade. Ela poderá odiar amargamente Sua tamanha dedicação E ignorá-lo totalmente Depois de tê-lo destruído.

Licença poética Escrever É a essência da liberdade
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Licença poética Escrever É a essência da liberdade Ousadia de pensamento sutil. Não quero valores de gêneros e estilos O barroco, o trovadorismo, O lirismo, o narrativo ou dramático, Nem mesmo o romantismo, Nada contesto destes e outros, São escritas de cada época no seu tempo Que escondem com sutiliza os sentimentos Associado a uma ética social. Não quero a função poética As rimas e emoção para encantar Não me importa se vem em prosa ou versos, Metafóricos para imaginar. Quero os momentos de criatividade Com os sentimentos em devaneios Dar-me licença à poesia Que nasce da autenticidade.

Vergonha Tenho vergonha de ter acreditado em quem eu não podia Tenho vergonha de ter reverenciado perante mentes frouxas
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Vergonha Tenho vergonha de ter acreditado em quem eu não podia Tenho vergonha de ter reverenciado perante mentes frouxas Tenho vergonha de me ter deixado iludir Tenho vergonha de não ter compreendido no momento Tenho vergonha de ter amado o ser fracassado Tenho vergonha de ter fraquejado perante o simplório Tenho vergonha de ter sido cúmplice de algumas pessoas Tenho vergonha de ter sido substituída pelo vulgar Tenho vergonha da minha falta de esperteza Tenho vergonha de não saber decifrar no tempo certo Tenho vergonha dos meus momentos de ignorância Tenho vergonha de ter dito verdades a quem não merecia Tenho vergonha de ter tentado fazer crescer quem não queria Tenho vergonha de ter tirado o prazer de pessoas fora do meu alto nível Tenho vergonha de ter feito sofrer por isso Tenho vergonha de ter investido mal os meus sentimentos.

Cinquenta anos Sempre estive com o bit ligado Isto a mim sempre foi dito
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Cinquenta anos Sempre estive com o bit ligado Isto a mim sempre foi dito Esta analogia não foi um desatino, Acompanhou a minha anatomia. A mente a mil estava conectada A construir a cada momento. À inércia, só por estar sentada, De resto, nem melancolia. Eis que os anos se passaram O bit de paridade foi interrompido. Agora me oriento pelo reverso E o foda-se foi disparado.

Ócio Sempre foi vigilante para o ócio Para fazer o que bem queria
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Ócio Sempre foi vigilante para o ócio Para fazer o que bem queria Ficar com a sua amada todo o dia Viajar e viajar. Grandes são os prazeres inicialmente Com o tempo um repente O ócio passa a incomodar Todos os dias tudo sempre igual Sem trabalho para realizar Com pouca habilidade para criar. As mesmas anedotas Os mesmos diálogos O senso comum Discutindo novelas Futebol e pouca aquarela A mesmice de fartar. O dinheiro ficando escasso A vida passando ao acaso Um enjoo de matar.

Faça Está se lamentando de e do quê? Leia o livro que ainda não leu
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Faça Está se lamentando de e do quê? Leia o livro que ainda não leu Escreva a carta que nunca escreveu Dê a mão a quem nunca deu Faça o elogio que nunca fez Desculpe a quem nunca desculpou Agradeça a quem nunca agradeceu Use a tecnologia para o bem Lamente menos e faça mais Olhe menos para o seu umbigo Olhe mais para o seu cérebro Ainda dá tempo Ame incondicionalmente

Mulher Porque estás ao meu lado? Escolhi a ti sem pensar
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Mulher Porque estás ao meu lado? Escolhi a ti sem pensar Num espasmo de loucura Com medo da solidão Afoito e imediatista Agonizo na mesma situação. Hoje noto que, não tens a idade que eu queria, Não possuis o corpo que eu pretendia, Não me agarro a ti com os olhos da paixão. Mulher Tira-me deste dilema Ainda preciso de ti, Que pretensão, Mas, o meu esquema, Por linhas tortas foi traçado. Não vês mulher Que o teu sorriso e outro sorriso marcado em minha memória Teu cabelo não tem a seda que eu imaginava O teu cheiro vem de aromas artificiais, E o teu dançar não o da minha bailarina. Mulher, o que te fiz, e agora não consigo, Ser honesto em dizer-te Vai-te embora.

Confortavelmente Escuta, falo baixinho... Estás confortável?
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Confortavelmente Escuta, falo baixinho... Estás confortável? A dor está menos intensa? Tente um sinal para que eu perceba Faça um movimento com os olhos Se não consegue por outra maneira. Deseja que eu levante mais a cama? Quer ver a luz da janela? Por favor, dê-me um sinal, A minha ânsia e muita A sua não é? Como é? Agora estou mais curiosa, Como se sente agora? Tem luz, tem frio ou calor? Tem cor? Estás confortavelmente Em sua nova dimensão?

Porto Maior O meu éden O meu lugar de ócio, criativo.
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Porto Maior O meu éden O meu lugar de ócio, criativo. O menor mundo O mais vasto. O que não atormenta Não lamenta Que sustenta a alma Que faz viajar ao paraíso. A cada segundo uma cor Com as suas nuances loucas. Histórias que nunca se repetem Num movimento contínuo Dando a cada instante O início à felicidade. E como melhor privilégio Todos os caminhos levam Ao Porto Maior.

Esperança Não nego que tenho esperanças Fico a espreita para uma brecha
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Esperança Não nego que tenho esperanças Fico a espreita para uma brecha Alucino à beça. É o meu estágio de loucura Permanecer aqui sentada Toda de verde e imóvel A pugnar o nada. Vejo a luz É vermelha Mas afunda lentamente E vai ficando cada vez mais negra. Qual a cor que se apresente? Não, não sou inconsequente, Tem de ser a transparente, Que nas profundezas do mar Sobrevive resplandecente.

Meio caminho O laço está apertado demais? Não consegue fazer com que a corda deslize nas polias?
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Meio caminho O laço está apertado demais? Não consegue fazer com que a corda deslize nas polias? Folgue um pouco, a escalada é longa. Mas não folgue tanto assim Você poderá escorregar E você já fez um terço da escalada E não sabe das dificuldades que virão. Faça uma coisa de cada vez no seu estribo de um degrau E bem planejada. Olhe para cima e veja os obstáculos. Não verificou o tempo? Chove e a pedra está escorregadia? Verificou o sistema de ancoragem? Você tem tantas primaveras Mas é um novato. Você sai rápido demais para as suas aventuras. Agora já tão alto está com fobia. Olha para o lado e não vê ninguém para ajudar. Ficou a meio caminho pendurado Entrou num dilema sem conseguir subir Não consegue descer. Tome qualquer decisão Já que nunca decidiu por nada. E hora de mostrar o seu valor. Grite peça socorro Desvincule-se da sua altivez Ou prefere continuar na corda bamba Para não ferir a sua soberba.

Muros da vida Você deveria saber que para as pessoas civilizadas E em mundos civilizados,
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Muros da vida Você deveria saber que para as pessoas civilizadas E em mundos civilizados, Existem tendências de derrubar muros. Então como você pode imaginar-se civilizado Possuindo a vertente contrária? Criando um muro tão elevado Que é impossível transpor. E se um dia o seu muro cair? Como você irá olhar para o outro lado? Com a mesma estupidez, coragem insossa, e imperícia que o fez construir? Ou já tem na ponta da língua As evasivas para o diálogo? Possui tanta presunção de achar-se assim tão diplomático? Você acredita que para a sua indulgência Encontrará complacência? Você deveria saber, Que em todo ato de indiferença Não existe a possibilidade de encontrar Do outro lado do muro Pessoas solícitas e afáveis.

Homem de rua Depois de anos continuava ele ali sentado Sempre a observar o nada
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Homem de rua Depois de anos continuava ele ali sentado Sempre a observar o nada Ou a pedir uns trocados. Sujo, imundo e maltrapilho, Na sua liberdade ambulante De súbito viu distante Um brilho desconcertante. Levantou com certa preguiça dada pela fome, Caminhou lentamente, Abaixou e pegou o diamante. Ele não tinha por certo o que era, Mas a intensidade do brilho Fez guardar nos seus trapos. Assustou-se com o que ali perto ocorria, Aquietou-se nos seu espaço. Era uma batida policial por um assalto. Mandaram que se levantasse E acharam a pedra maldita. Perguntando quando a roubara Ele nem chegou a abrir os lábios, Colocaram nos seus pulsos e pés as algemas. E o levaram ao delegado. O desgraçado apanhara e fora preso, O pobre que nem sabia o quanto valia A pedra que achara ao acaso. Agora lá sentado a olhar para as paredes Que nunca tivera um dia, Por causa de uma estranha pedra brilhante Que para ele pouco valia. A pedra lhe tirou a vida de vagamundo A única liberdade que tinha.

Mané Nasceu ignorante Sem berço para levá-lo adiante.
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Mané Nasceu ignorante Sem berço para levá-lo adiante. Sem esforço Descambou para a vida errante. Teve muitas amantes. Sua felicidade? Deitar-se com as Maneias, Eram as suas odisseias. Pensava só com o falo O que de mais honroso tinha, Só poderia se tornar inábil. E agora Mané, que o seu corpo, Chegou ao desmonte? E desmoronou. Mas, o caminho já foi percorrido, A herança é da inconsequência Restando os poucos fragmentos Da vida que você traçou.

Voo Se alçares voo Deverá ser para chegares o mais alto dos ares
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Voo Se alçares voo Deverá ser para chegares o mais alto dos ares Para ver com outros olhos os mares. E sonhares. Mesmo que esteja longe a terra Não tenhas medo da queda Que um dia estará por vir. Se não conseguires pousar Então permaneça na correnteza quente dos ares Com as asas paradas E irás a outros lugares Sem te cansares. A vista de cima é das mais belas É lúdica, é singela. E quando conseguires um bom pouso Pousa suave Outros voos assim São seculares.

Sem destino Você deseja chegar? Você sabe que o caminho é longo
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Sem destino Você deseja chegar? Você sabe que o caminho é longo E sabe que existe várias formar de ir. Mas não será assim dão fácil. Traça os objetivos e as metas para cada ato E você vê que é sofrível. Busque, o projeto está traçado. Já está em exaustão? Ou é medo da ação? Potencialize as energias Deixa de lado a aflição. Não será mais um decadente Juntando angústias e inquietação. Sei, o esforço é hercúleo, A ânsia é muita Que causa náuseas E ainda nem deu o primeiro passo. Vai de bote? Decidiu, Fico aqui a ver da praia. Você foi, Vejo você distante A sumir no horizonte.

Bem-te-vi Bem-te-vi, bem-te-vi... Bem me viu e eu não te vejo?
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Bem-te-vi Bem-te-vi, bem-te-vi... Bem me viu e eu não te vejo? Não quero este bem, não o desejo, Que me vês e eu não o vejo. Abra as tuas asas Pouse na minha arcada Saia do anonimato. Não sou assim tão tolerante Para que fiques de longe Fustigado a minha alma. Se assim continuares Vou armar o meu arco E a esmo, disparo, Levando na ponta da flecha de aço O que será o seu último abraço.

Psicopata Leva anos e anos Delineando a sua armadilha
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Psicopata Leva anos e anos Delineando a sua armadilha Estudando a sua vítima. Falante, charmoso, simpático, sedutor, Capaz de impressionar e cativar rapidamente as pessoas. Bonzinho, educado e inofensivo, é impecável. É só fachada, um teatro muito bem engendrado, Que esconde seus atributos perturbadores. Capaz de enganar com suas mentiras repetidas, À obtenção de seu lucro ou prazer. Desrespeitador e imprudente, Até da sua segurança e a dos outros. Irresponsável de suas obrigações. Sem nenhum sentimento de remorso, Culpa por ferir, maltratar, Roubar, enganar ou mesmo matar. Nada disso faz parte do seu íntimo. Inteligente, mas insensível, frio manipulador. Fingidor de sentimentos perfeitos. Quando descoberto? Mestre inversor do jogo. Agora vítima de convencer De que foi mal interpretado. É consciente de todos os seus atos. Não desiste é incansável e Com seu charme e bem humorado Vem o golpe da sua lâmina fatal. Vai-se embora dissimuladamente Parte para a próxima ação, sacrificar.

Sem destino II Viveu e viu as façanhas da vida Armou-se em seu campo de força
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Sem destino II Viveu e viu as façanhas da vida Armou-se em seu campo de força Arrebanhou todas as ovelhas Caricaturou a própria vida. Fumou, bebeu, iludiu Construiu e destruiu Sem arregaçar as mangas. Vida fácil, vida bruta, Enquanto encontrou certezas Que não fez por merecer. Agora, homem, chegou a verdade Das incertezas incondicionais. Ontem o seu passado Hoje o seu futuro impensado Resultando na sua tormenta. Escreveu a vida e criou os próprios tropeços Devido o seu desajeito e negligência Da sua bússola desordenada Que insistiu seguir. Não tem como seguir mais caminho Vai navegar sozinho No mundo único que construiu.

Sem destino I Não, não é assim que você é, Você é mais, muito mais de tão pouco,
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Sem destino I Não, não é assim que você é, Você é mais, muito mais de tão pouco, É o verão que está a consumir o seu pensamento. O outono já vem, E logo, logo o inverno, para esfriar a sua irreflexão. Quando fores refletir no inverno Sentirás como foi o inferno De como o verão te encolheu. Não te aflijas por enquanto O inverno tem os seus encantos De curar os desencantos, De um verão discricionário. Não, não é culpa sua, Faltou-lhe a decência plena De um homem que não cresceu.