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Frases de Maria da Penha Boina

276 frases

Nirvana Sou meio abestada às artes manuais Engenho melhor as máquinas
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Nirvana Sou meio abestada às artes manuais Engenho melhor as máquinas Introspectiva fico diante delas, fico imbecil e o silêncio enche o meu mundo, meio estúpido Vivo sossegada, descompromissada Diante de mim, uma parede acinzentada um varal com peças de roupas penduradas alguns sons que veem de fora, inidentificáveis Desenredo o meu silêncio em palavras turvas, mudas, inexatas Desprezo os clichês e as suas cópias desordenadas que quebram o fascínio poético daqueles que bem escrevem os seus nadas Assim, passo as minhas horas, encantada entre turbilhões de ideias vou afugentando as ditas realidades dessa sociedade cheia de crendices Desculpai. Mas não nasci para os afazeres banais para costurar as roupas rotas e almoçar ao meio dia e meia a minha didática de vida é outra Sei, desiludo, não sou de bom trato boa companhia Vou, conforme vai o vento lamento por causar desapontamento sou obtusa diante do compreensível.

Verdugo Foram tantas as injurias Foram tormentas ensurdecedoras
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Verdugo Foram tantas as injurias Foram tormentas ensurdecedoras Que matou o prazer Em que se deliciava O imolado morreu, Gritar, não é mais preciso. Por certo, sente um vazio, Escapou entre os seus dedos A sua sensação mais deleitosa. Não sofra por essa perda Novos caminhos sempre se abrem Para outros desatinados. Viver de rancor é a sua bravura. Portanto, não fique abatido, Sua caça não será debalde. Para os seus gritos Outros ouvidos Entrarão em dissabores. E como carrasco que é Deliciar-se-á certamente Na perversidade que irás causar No próximo desavisado.

Segregada Por estar sentada, trabalhar, construir e pensar Escrever e exaltar sentimentos inerentes ao meu ser
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Segregada Por estar sentada, trabalhar, construir e pensar Escrever e exaltar sentimentos inerentes ao meu ser Decidir, externar, incomoda? Sim, torno-me inoportuna. Sei que sou pouco, quase nada, Diante de tudo que me circunda. Mas ser capaz de corroer minha essência Através da inveja e críticas infundadas Pela fala que fere mais que bala. Não, assim não vale nada, Não poderei tirar proveito desse juízo É ironia impensada De quem julga livros pela lombada. Diante de tão pequeno discernimento Dou imenso valor em estar segregada.

Monstro Homem que possui o domínio Eleva-se de formosa ternura
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Monstro Homem que possui o domínio Eleva-se de formosa ternura Com palavras simples e agradáveis Emana a delicadeza das plumas, Olhos claros, límpidos, Que encanta o feminino Com os louvores da doçura. Homem que o domínio perde No cume do ciúme enraivece Como fera ferida enlouquece. As paredes ressoam sons monstruosos, Torna-se pétreo à doçura E olhos matam as pessoas que mirar. Mentecapto na humanidade já insana.

Sem analogia de almas Sou puro sentimento, sou mulher, É na constância sentimental que alimento a minha alma,
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Sem analogia de almas Sou puro sentimento, sou mulher, É na constância sentimental que alimento a minha alma, Os céticos que a lê, dizem que em mim não existe. Digo com solidez que a vida não é arbitrária, Tenho como princípio o antagonismo, Para alimentar o meu sentimento, ajo com a razão. Sou uma imperfeição de pessoa Tenho como causa primária às exceções Profano as regras capazes de eliminar a minha abstração. Quem comigo conjumina, leva-me a uma triste impressão, De tirar-me o privilégio do desvio, do habitual. Quem clarividência minha alma, elimina a minha consciência sutil. Não aceito esse dogmatismo que dissimula a minha regalia Sou uma semideusa, assim, onipotente, Tenho uma alma conceitual sem similitude.

Arlindo Vida’Boa Arlindo Vida’Boa fugiu da crise econômica de seu país, Veio tentar, outra vida boa, aqui pelo Brasil.
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Arlindo Vida’Boa Arlindo Vida’Boa fugiu da crise econômica de seu país, Veio tentar, outra vida boa, aqui pelo Brasil. Fincou pé numa metrópole, de águas quentes e boa brisa, Esqueceu-se de se abstrair da realidade convincente, das grandes capitais. Os arredores são cruéis, não são pintados a pincéis. Arlindo Vida’Boa! Não é de brisa que se vive em terras de coronéis.

Espírito Santo Espírito Santo, Estado da região sudeste, Que no mapa do Brasil quase não aparece,
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Espírito Santo Espírito Santo, Estado da região sudeste, Que no mapa do Brasil quase não aparece, E que deve mesmo ter o “espírito santo” Para não ser engolido pelo Atlântico. Tem por capital o nome de rainha Vitória, vulgarmente, Vitorinha, Menininha lindinha Misteriosa, uma ilha. Aqui nascidos, somos tupiniquins, Capixabas do roçado para milho e mandioca. Os nativos com os imigrantes se entrelaçaram Formando uma raça compatriota. Dos imigrantes, o quê dizer? Português a procriar Formando a etnia popular. Raças puras... Os alemães a labutar A beleza italiana Para o mundo se encantar. Têm as praias, que lindeza! A Bacutia, com a sua elegância, É das pessoas belas da nobreza É de entusiasmar. Quem aqui vem, nunca mais volta, Porque aqui, Deus não escreve por linhas tortas, É o “espírito santo” a comandar.

Criticidade Aos tolos e iletrados Falsos leitores de poesias
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Criticidade Aos tolos e iletrados Falsos leitores de poesias Julgam-se interpretes inatos Na sua horrenda analogia. As artes nascem de esforços hercúleos Da solidão à perseverança Engaiolada num verão de janeiro Desabrocha a criação. Muitas vezes vivo o que escrevo Momentos que trago à clausura Outras vezes do nada sai o pensamento São palavras que se amoldam com formosura. Os asnáticos nunca saberão O que escrevo é somente à minha interpretação O que eles leem... Não é mais a minha poesia.

Corrupto No mais nobre terno de linho branco Caminhando no deserto vazio
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Corrupto No mais nobre terno de linho branco Caminhando no deserto vazio Cabeça alucinada A duna era um palco. No seu topo e decentemente A boca seca como depois de um porre De aguardente Declamou versos de Bandeira Às areias infinitas. Testamento era o poema Sentimento agonizante da vida Malfadado, desventurado Calamitosa sina. Reina o condenado Com acabrunhada colheita Dum monólogo terminado Sem aclamação.

Amor II Seu amor, amor! É amor frágil
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Amor II Seu amor, amor! É amor frágil Amor possessivo Amor pequeno demais. Seu amor, amor! Não é amor de luta Amor consistente É amor de pouca labuta. Seu amor, amor! É amor para as "Helenas" Pessoas pequenas Com pequenos dotes que lhes interessam. Seu amor, amor! É amor arranjado Amor dependente Amor de boteco. Seu amor, amor! É amor passageiro Amor de agradecimentos Não é amor das Marias Meu amor, amor! É amor que suplanta as suas baixas ideologias Que perdoa a sua insignificância É amor cá de dentro. Para o seu futuro amor, amor! Não serão os haveres aos quais pertence Que superarão as suas dores Sempre serei eu, que estarei aí dentro.

Amor I Sinto por ti, amor sobre-humano, Amor que estas palavras não descrevem
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Amor I Sinto por ti, amor sobre-humano, Amor que estas palavras não descrevem Amor de sentimento mais que profundo Amor que o próprio Deus desconhece. Sinto por ti, amor! Amor cá de dentro... Amor de loucura e sofrimento Num campo de força intransponível. É tão grande o meu amor, amor! Que não admite o teu sofrimento Amor que fala tão alto e sem orgulho Que é incapaz de deixar-te sem alimento. Sinto por ti, amor! Amor acima do meu tormento Acima da dor que o meu corpo recente Sinto por ti, amor! Amor cá de dentro...

Silêncio perverso Ações são acontecimentos naturais, São as previsibilidades conforme as assimetrias
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Silêncio perverso Ações são acontecimentos naturais, São as previsibilidades conforme as assimetrias Que quando passados algum tempo Tornam-se plausíveis. Quando a fala articula argumentos Extravasam-se inquietudes perturbadoras Entra-se ao final em cooperação mental Num entendimento consensual. A voz deve dizer o que não se quer escutar Ao anunciar muitos dissabores Mas, pior é o mistério e inação, Que prepara golpes aniquiladores. Atormenta muito, o mundano silêncio, Feito, integro por perversão, Porque quem cala, consente a alguém imaginação, E nessa calada, escuta-se golfadas de intenção.

Pano de fundo Saltei da tristeza à alegria Qual foi a magia?
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Pano de fundo Saltei da tristeza à alegria Qual foi a magia? Foi o meu blefe à cilada. Resgatei a variável Do modelo, já descartada. Foi no aguçar do pensamento Que reformulei todo o problema Com interações complexas do esquema Simulei a resposta mais convicta De não mais dar o próximo passo. Deixei o estratagema intacto Devolvi sutilmente o drama ao íntimo Do infeliz criador do artifício, Ficando por inteiro enredado.

Perturbação Eis que se abriu a primeira cortina Nada vi naquele palco
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Perturbação Eis que se abriu a primeira cortina Nada vi naquele palco Fiquei a espera e observando O velho tecido que não sacudia. Eis que se abriu a outra cortina E nada vi naquele palco Escutava a música de fundo Inalando o mofo que ali envolvia. Eis que se abriu a terceira cortina Nada vi naquele palco Um zum zum zum acontecia na plateia, Reduzi-me a ler o encarte da peça de teatro. Eis que se abriu a última cortina Novamente, nada vi naquele palco, Agora havia um silêncio aterrorizante Mas era esta, a peça no teatro.

Peinha Muito prazer sou Penha Intitularam-me Peinha
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Peinha Muito prazer sou Penha Intitularam-me Peinha Uma coisinha sem senha Que não se embrenha. Muito prazer Sou quem equilibra a barrenha Na péinha Não tem quem detenha. Muito prazer Gosto da sombra da carrasquenha, Tampouco me importo De vestir-me com estamenha. Muito prazer Sou pequenininha Se contenha... Que não sou inhenha.

Elegância Senta-te a mesa mais sofisticada Com os talheres postos à francesa,
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Elegância Senta-te a mesa mais sofisticada Com os talheres postos à francesa, São tantos os adornos sobre o corpo Que confunde o brio da nobreza. O que queres dizer com tanta altivez? Guardados nos inúteis pensamentos acres Com gritos no olhar silencioso E semblante de vileza? Perdeste a faculdade de julgar, Não sabes conceber a elegância Que se apresenta como atributo mais sutil Na mímica da prudência e da leveza.

Saída da vitrine Não pense que eu vou dizer um sim Só para te agradar.
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Saída da vitrine Não pense que eu vou dizer um sim Só para te agradar. Não pense que o meu não Será para te prejudicar. Só pretendo ser assertiva Não estou no mundo para satisfazer. Não sou perfeita Para que todos me admirem. Não tenho vaidade ao ponto De querer ser unanimidade. Não gosto do que não gosto Não vou admirar o que não admiro. Não tenho que aceitar a tua opinião E isto não me causa constrangimento. Meu íntimo é libertário Igualdade para todos. Não preciso de aceitação Escravizando-me por opiniões. Parece sentimento tirano O sincero é ofensivo. Mas, se assim eu não pensasse, Seria uma hipócrita só para ter A tua aprovação.