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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

Ausência Hoje eu permitirei que a saudade morra em mim Os teus olhos, agridoce, me engulam de solidão
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Ausência Hoje eu permitirei que a saudade morra em mim Os teus olhos, agridoce, me engulam de solidão Porque nada te poderei dar, senão, está dor sem fim Exausto me vejo na janela, e o quarto na escuridão Ao fundo, uma melodia ao som de bandolim Assim, me sinto na tua lembrança e tu na minha emoção Não te quero ter por apenas te ter, quero ir além Porém, cada gesto, palavras, suspiros, a alma em convulsão Então, não diz nada porque o teu silêncio me convém Os teus abraços em outros braços enlaçaram Sinto que estas distante e sem uma tal essência Eu deixarei... tu irás, e as madrugadas companhias serão E assim, eu serei e você será... ausência! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho de 2018 Cerrado goiano

Bolero de inverno no cerrado No cerrado, seco, o sol da manhã Nos tortos galhos, o ipê, a cortesã
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Bolero de inverno no cerrado No cerrado, seco, o sol da manhã Nos tortos galhos, o ipê, a cortesã De um inverno, em uma festa pagã Desperta o capricho do deus tupã Degustando a aurora tal um leviatã E numa angústia, o orvalho, num afã Do céu azul, num infinito, de malsã Craquela o dia no seu tão árido divã Do duro fado, tão pouco gentleman E tão árido, tal uma agridoce romã E vem o alvor, com o frígido de hortelã Bafejando poeira cheia de balangandã Tintando a flora em um rubro poncã Zunindo o vento tal um som de tantã Num bolero ávido por um outro amanhã... São gemidos, uivos, sofreguidão Correndo pelo sulco do cascalhado chão Emergindo desse pântano, ressequida solidão. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, 27 julho 2018 Brasília, DF

para a mãe que já não está entre nós hoje é o dia de visitar a recordação, onde a celebração da vida é saudade.
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para a mãe que já não está entre nós hoje é o dia de visitar a recordação, onde a celebração da vida é saudade. do vazio o meu, parabéns, em oração, e neste abraço que se faz pela metade, minha saudação. nesta data querida, de descontinuidade... a gratidão, o amor, em contas dum rosário, de lembrança, de afeto, onde a dor brade. onde estiver, mãe, feliz aniversário! © Luciano Spagnol poeta do cerrado julho Cerrado goiano

INVERNO (soneto) Inverno, gélidas manhãs e noites Dias curtos, saudades em açoites
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INVERNO (soneto) Inverno, gélidas manhãs e noites Dias curtos, saudades em açoites Sentimento coroado de melancolia Acanhamento do sol, nublado dia Flores embaçadas e transfiguradas Trovejantes são as luas nas madrugadas Embaladas pelos ventos e seus uivos Aos sentimentos, os brilhos ruivos Quem és, que trêmula o afeto assim Nos pingos crepitantes do confim Das estrelas, dos céus e seus querubins É o convite aos odores enamorados Aos amores nos lençóis entrelaçados Calefação a alma, ao amor, apaixonados. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 12 de junho, 22’45”, 2012 Cerrado goiano

A SOLIDÃO QUE INQUIETA (soneto) A solidão que inquieta, pesar repicado Da distância, que a lamentar me vejo
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A SOLIDÃO QUE INQUIETA (soneto) A solidão que inquieta, pesar repicado Da distância, que a lamentar me vejo Não basta o choro por estar separado São infortúnios do fado que lacrimejo Tão pouco é saber que sou amado Nem só querer o teu olhar: o quero Muito. Este sentimento tão delicado Onde os versos rimam no teu beijo São saudades que no peito, consomem Que não me acanham, e é tal pobreza Do vazio, por eu não ao teu lado estar Mas eleva o afeto dum piegas homem Ser de erros sempre e, na maior pureza Existir no amador e humanamente amar... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2018, agosto Cerrado goiano Olavobilaquiando

O amor persiste, tudo passa O ciclo lunar A saudade a apertar
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O amor persiste, tudo passa O ciclo lunar A saudade a apertar O medo do obscuro O pensamento descuro A solidão a atormentar A ofensa a machucar A tempestade que amedronta A ignorância que afronta A felicidade em gomos A diversidade que opomos A ingenuidade que acredita O xingamento que irrita O ato que envergonha A moral sem vergonha O desamor que insiste Tudo passa! O amor persiste… Então, aos que desconfiaram Revelo: amei e me amaram! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 03/03/2009 Rio de Janeiro

CÉU DO GOIÁS (soneto) Agiganta as nuvens no alvo encarnado Do céu do Goiás, da vontade de gritar
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CÉU DO GOIÁS (soneto) Agiganta as nuvens no alvo encarnado Do céu do Goiás, da vontade de gritar O horizonte longínquo tal qual o do mar Se estende em rede por todo o cerrado O sol no amanhecer rubra de encantado Mantém-se altivo após o confidente luar Desfolhando em quimera pro nosso olhar Tingindo o entardecer dum avermelhado No breu da noite a céu se veste estrelado Cintilando na escuridão e nele a poetizar Poemas tão singelos num silêncio calado Então, a alma ao testemunhar, põe a chorar Um choro portento dum puro e só agrado Onde o poeta das Gerais aprendeu a amar... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2018 Cerrado goiano

SONETO EM REVERENCIA Evocar o tempo, e nesta saudade em rudez as lembranças são qual suspiros de tua ida
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SONETO EM REVERENCIA Evocar o tempo, e nesta saudade em rudez as lembranças são qual suspiros de tua ida o silêncio invasor na casa após a tua partida pra morte, igual, desfolho outonal em palidez Fatal e transitório, a nossa viveza é vencida pelo sopro funesto, ao sentimento a viuvez Julho, agosto, setembro, vai-se mês a mês ano a ano e outro ano a recordação parida Da saudade filial, que dói numa dor doída de renovação amarga e de vil insipidez que renasce na gelada ausência sofrida No continuar, o vazio, traz pra alma nudez chorada na recordação jamais esquecida... Neste soneto solene: - sua bênção outra vez! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 13 de julho, 2016 Cerrado goiano morte de meu pai Naquela madrugada, o seu silêncio escreveu saudades e com ele sua morte trazia... Acordaste do sonho da vida, e tuas lembranças, nos acolhia. copyright © Todos os direitos reservados. Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

A Poesia E foi no cerrado, veio a poesia pra me buscar
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A Poesia E foi no cerrado, veio a poesia pra me buscar Me trouxe do mar, de lá cheguei verão, inverno, do chão comigo emoção, contigo chorei Não sei de onde pariu se do silêncio ou comoção só sei que nunca mais saiu Não, não eram visões nem palavras enfileiradas nem a lua nas suas estações Nem tão pouco inação... pois, não mais ficaram caladas desde então, só submissão e no papel estão estacadas E fui ficando ao teu lado e ela balbuciando sentido e eu de olhos fechado nos sonhos me vi perdido Alucinação? Ou asas da meditação? E daquele vazio o mistério se fez constante, pura sabedoria escrevi a primeira linha, galdério crivada de flechas, dor e arrelia e assim me levou a sério... E foi nessa idade, chegou à poesia para me buscar... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano Paráfrase Pablo Neruda

debilidade inflexível é o tempo, dança que passa, Maria fumaça
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debilidade inflexível é o tempo, dança que passa, Maria fumaça deixando na lembrança marcando a carcaça... - tudo fica mais frágil o ágil perde a esperança as engrenagens pagam pedágio e o pouco no mínimo, danos neste naufrágio, um só adágio: capengamos! que siga os anos! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 24/10/2019, quinta feira Cerrado goiano

VITRAL, CERRADO (soneto) O cerrado é tal um vitral multicor Se olharmos do horizonte é sombrio
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VITRAL, CERRADO (soneto) O cerrado é tal um vitral multicor Se olharmos do horizonte é sombrio Se aproximarmos é denso e luzidio Seivoso nas partes e cheio de fulgor E, é assim no seu sagrado feitio Ornado de diversidade, senhor Desigual, mas nos causa ardor Verão pluvioso inverno seco e frio Cerrado, igual vitral, encanto maior Vento ao vento orquestrando assobio Súbito, misterioso, da flora mediador Regulai os olhos, ao olhá-lo vadio De repente é tudo aos olhos, sedutor E ao encanto, presságio e arrepio © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

Mutante As chuvas que vem e vão sobre a sequidão do cerrado
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Mutante As chuvas que vem e vão sobre a sequidão do cerrado Dos ipês, atapetando o chão enfeitando o pasmo encantado No horizonte o céu encarnado flor de pequi e buritis na enseada Trafegam entre o pó ensebado dos galhos, folhas e cor desbotada Na vastidão as luas de prata das noites cheia de tudo e de nada E nesta estrada tão pacata mutante o vem e vai da esplanada © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, outubro Cerrado goiano

Cerrado Erudito II Andei sobre o cerrado Como os bandeirantes
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Cerrado Erudito II Andei sobre o cerrado Como os bandeirantes Pelo vale cascalhado Tortos galhos, gigantes De pôr do sol encarnado Imaginei uma poesia Como poeta do cerrado Devaneei na tua magia E o teu cheiro foi inalado... Saudades, choro e alegria Pelo memorial empoeirado Então, como Cora Coralina Eu cantei versos ao luar Neste chão, e céu anilina Pra a sedução fascinar Aí, me curvei Relembrei... na recordação Da infância que aqui me criei Espalhadas por este sertão. Andei sobre o cerrado (...) © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano Abril, 2018

SONETO AMEDRONTADO O medo amedrontado está em mim Poetando sombras de uma tristura
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SONETO AMEDRONTADO O medo amedrontado está em mim Poetando sombras de uma tristura É um vazio cheio duma vil amargura Num silêncio: mudo, surdo, sem fim E neste vácuo sem a essencial figura Entrajam faltos ornados de serafim Dum temor com seu satírico festim Assestando o poetar na ossatura Então, do medo se alimenta, assim, Cada vez mais tétrico fica, e procura Um tal arrimo, sem doçura, carmim E a ousadia onde fica? E a ternura? Se o medo no medo, é trampolim! E o fado sem medo, é vã ventura... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

APENAS UM VERSO (soneto) Enquanto o dia no cerrado embotava Em mim cavava o emotivo submerso
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APENAS UM VERSO (soneto) Enquanto o dia no cerrado embotava Em mim cavava o emotivo submerso Dos porões dos medos que eu meço Nas incertezas, que dá sorte brotava Na aridez da saudade, ali disperso No soluço d'alma a sofrência rolava E na linha da recordação eu deitava Aí, o sertão se tornava meu universo Neste vazio a solidão por mim urrava O destino rimava quimeras no averso Então o coração amortecido chorava Assim, eu com um olhar transverso Devaneava sonhos, e lacrimejava Pedaços de mim, forjando o verso! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

SONETO PARA MARIA DO CARMO Quando à milícia silente do carecer Te algema no infortúnio do passado
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SONETO PARA MARIA DO CARMO Quando à milícia silente do carecer Te algema no infortúnio do passado Pranteando o tempo já desperdiçado Um olhar ressurge no ardido viver De tão rara generosidade, e agrado Pôs-se ouvinte no ato de se oferecer Derramou palavras a me entorpecer De carinho, afago, ali tão adequado Assim, presença amiga no anoitecer Posso então, dizer, és laço apertado Tornando o revés doce, não salgado Maria do Carmo, prima, excelso ser Ides as perdas, fica o verso versado Pra ti, expressando o meu obrigado © Luciano Spagnol poeta do cerrado 16 de julho Cerrado goiano pra prima Maria do Carmo Magalhães

UM POEMA DE AMOR (soneto) Onde escrever um poema de amor Se branco está o papel sem pauta
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UM POEMA DE AMOR (soneto) Onde escrever um poema de amor Se branco está o papel sem pauta E é preciso senti-lo sem sugar dor Falando das partes sem sentir falta Quero escrever um poema de amor Rima-lo tal a poesia da luz da ribalta Com acordes tão suaves de uma flor E o perfume da cor duma doce flauta Quero torná-lo cada vez mais viçoso No silêncio de estar eterno amoroso Sereno, para a longa noite do mundo Onde escrever este poema carinhoso Sentindo circular num verso desejoso Expressando este tal amor profundo © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

IPÊ ROSA (soneto) Cálice róseo de fugaz formosura Donde vem teu matizado, o tom
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IPÊ ROSA (soneto) Cálice róseo de fugaz formosura Donde vem teu matizado, o tom Que o árido cerrado te escultura No agreste, num veludo crepom Sois volúpia em flor, tal bravura Doidas da "sequia", audaz dom Onde catou a tua cor, ó candura Belo buquê em poema tão bom Teus segredos ao olhar rouxinol Em um canto dum verso e prosa O teu frescor abrigo no avido sol Ó almas feitas, casta, tal estriga Copiosas a esvoaçar ipês, rosa Na savana goiana toada cantiga © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

apenas um breve no invernado do cerrado, ipês, flóreo num gesto leve, pintando o dia
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apenas um breve no invernado do cerrado, ipês, flóreo num gesto leve, pintando o dia a surpresa do encanto deste arbóreo redigi no devaneio, sutil poesia matizado o chão de fugaz fragilidade onde decanta a vida em romaria e a natureza recita-se em suavidade num cântico breve de doce magia © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

ROGO (soneto) Senhor, Senhor, fugaz passa, e outrora Sonhei sonhos sonhados, tive fantasia
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ROGO (soneto) Senhor, Senhor, fugaz passa, e outrora Sonhei sonhos sonhados, tive fantasia Como jamais poderia sonhá-lo agora Algum ter que fora, acervo na poesia Passou o inverno, primavera e a hora Passou o verão, também a noite, o dia E na espera, me perdi no tempo a fora E na quimera, o querer então persistia Senhor, o meu poetizar está desnudo Sem brado, cansado, o coração mudo E neste vazio torpor, o amor é averso Nada vem, porém, rude foi o destino Ele marchou, Senhor, foi com destino E comigo o desejo do incitador verso © Luciano Spagnol poeta do cerrado 07 de outubro, 2017 Cerrado goiano

sem cena quando menos se espera o tempo nos aponta
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sem cena quando menos se espera o tempo nos aponta fugaz foi a primavera e damo-nos conta sem que se queira - ficamos velhos sentados nesta cadeira as dores nos dando relhos a tempo sem eira nem beira a solidão querendo ir e não vai e a vida só de bobeira... vai um vai outro um parente aqueloutro e de repente vai a gente! e a cena já era... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2019 Cerrado goiano

13 de outubro fisioterapeuta, doutor do movimento,
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13 de outubro fisioterapeuta, doutor do movimento, auxílio na dor, no alívio atento mãos que redigem manobra, alento ao aflito: regente, especialista, insistente... perito da saúde, do amparo, da evolução profissional presente no socorro da superação. Feliz dia! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

VERSOS ESCRITOS DAS MARGENS DO CERRADO (soneto) Bem pode ser que o cerrado desmedido Golfou uivos na minha poesia dolorosa
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VERSOS ESCRITOS DAS MARGENS DO CERRADO (soneto) Bem pode ser que o cerrado desmedido Golfou uivos na minha poesia dolorosa Craquento tal a um deserto ressequido Escrevinhando saudades tão trabalhosa E neste livro do destino assim esculpido Em passos no sertão de tristura tortuosa O choro e o riso do entardecer tão dorido Na minha alma era de lembrança furiosa Pode ser que, neste cenário fementido De uma melancolia árida e tenebrosa A lira da solidão tenha grifado gemido E assim, num mistério em verso e prosa O meu poetar se fez na quimera fundido Entre espinhos, e flor singela e mimosa © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, outubro Cerrado goiano