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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

EU, EU MESMO (soneto) Eu, nos cansaços, as saudades quantas as lembranças estilam
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EU, EU MESMO (soneto) Eu, nos cansaços, as saudades quantas as lembranças estilam que o passado no exato pilam assim, cheios de passividades Afinal, tudo no tempo expilam eu, eu mesmo nas fatuidades duvidei, imperfeito, vontades me levaram, na baixa bailam Pois tudo é eu, sem metades eu sou eu, e nada anteviram e do meu eu, sai as verdades E eu, que no eu, me inspiram dele um passado, variedades que do uno eu, “áses” extraíram © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

CÉLERE (soneto) E lá se vai o tempo, portentoso Onde não vai a lentidão do fado
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CÉLERE (soneto) E lá se vai o tempo, portentoso Onde não vai a lentidão do fado E de longe, eu distante, saudoso Envio suspiros daqui do cerrado Para os teus anos, eu já anoso A pressa não é, certo ou errado É tão a sorte no estado zeloso Rio a baixo no leito apropriado E, então, pelo espaço untuoso Desliza cada sonho ali alado Dando a vida agrado piedoso Assim, os amores, encantado Flores dadas, gesto impetuoso Matizam o gozo ao ser amado © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2017 Cerrado goiano

SONETO QUE TE DOU Escute este soneto que te dou, cerrado o fiz sob o céu com o olhar envolvido
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SONETO QUE TE DOU Escute este soneto que te dou, cerrado o fiz sob o céu com o olhar envolvido o coração aturdido no pasmo prendido versos os farei, pra ti, chão articulado Se são poucos para lhe ser servido hei de fazê-los pra te ser anunciado poema dum sublime a ser mediado de suas variações que aqui alarido São sons repletos do vário, moldado nos cascalhados e no vento corrido entre arbusto de esgalho aveludado Versos meus, os faço seus, provido de admiração, dum sertão alumiado onde o diverso no cotidiano é vivido © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

TERRA DO CERRADO (soneto) O diverso agita o cerrado em dança Em ventos místicos em um gorjeio
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TERRA DO CERRADO (soneto) O diverso agita o cerrado em dança Em ventos místicos em um gorjeio A primavera lhe dá variegado seio Na secura és de bravio possança Do teu chão feraz nenhum receio Velho planalto generosa usança Vastidão, em arbustos em trança O encantamento daqui me veio Qual a tulha de preciosa faiança Terra mestiça de vário devaneio Ó sertão, do édem semelhança E entre ovação, aplausos carreio Tua luz, céu, horizonte, bonança Na fascinação és de amor cheio © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

nota fora do tom o cerrado, seco, árido som é fado
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nota fora do tom o cerrado, seco, árido som é fado um megaton tumultuado nota fora do tom que nele fala que se maquia sem batom arrasta em alarido, em ala cheios de vozes espinhos que rala ferozes para um verão de gala que na alma debrua ilhoses de chuva, quimera podando a estiagem pra brotar a primavera © Luciano Spagnol Poeta do cerrado Setembro de 2017 Cerrado goiano

SONETO DO VELHO AMIGO Então, depois de tanto andar trilhado Pesar rasgado nas retaliações, malícia
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SONETO DO VELHO AMIGO Então, depois de tanto andar trilhado Pesar rasgado nas retaliações, malícia Eis que a amizade súplica por carícia De amparo, dos tantos erros, passado Enfim, se calado, deixai de ter sevícia E sentai tu, amigo, aqui do meu lado É tão bom novamente em ter-te amado Nunca abandonado, do afeto imperícia E no abraço antigo, não fomos garrano Perceba ao nosso arfante a se comover Pois deixe na quimera o nosso engano Amigo que é amigo nada e então explica Estamos sempre reencontrando no viver Necessidade e, no coração se multiplica... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

ALMA DESERTA (soneto) A minha alma está deserta Oca de silêncio, de barulho
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ALMA DESERTA (soneto) A minha alma está deserta Oca de silêncio, de barulho Deserta de presença, oferta O sonho tornou um engulho Desabou em andarilha, referta Esquecida em um embrulho Num deserto e ali descoberta O teu mapa virou um entulho Minha alma tornou-se deserta Lembranças vazias, um arrulho Sem sombra e sem um alerta Minh'alma está um pedregulho De mim mesmo está deserta Eu sem ela, estou um bagulho © Luciano Spagnol poeta do cerrado 01 de maio, 2017 Cerrado goiano

PALAVRAS ALADAS (soneto) Os juramentos jurados nas palavras aladas Entrelaçadas nas promessas do amanhecer
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PALAVRAS ALADAS (soneto) Os juramentos jurados nas palavras aladas Entrelaçadas nas promessas do amanhecer Envolvam nosso afeto no firmamento de ser E não somente ao vento, ao serem faladas E se vão ficar, que permaneçam no haver Cheias de magia e quimera, encantadas Fazendo parte de carícias, tão camaradas Soprando brisa afrodisíacas no bem querer E nos atos ardentes das frases chamadas Que nos queime de fascínio e de tal prazer Que possamos crer, nas vontades elevadas Firmamo-las no doce leito e, ali então a reter A paixão no peito, e seduções apaixonadas Que só palavras aladas, de amor, podem trazer © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, abril. 05'40" Cerrado goiano

SONETO DO LAMENTO Quando, o acaso na má sorte vem O lamento soluça no tal sentimento
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SONETO DO LAMENTO Quando, o acaso na má sorte vem O lamento soluça no tal sentimento Que maldigo o fado sem entendimento Das lágrimas do azar que consomem Sou tal sofredor deste encoscoramento Que invejo o estado de quem não tem Da bonança e fortuna dos que vão além Descontente é o meu porte sem portento Se a amargura é algo que me convém É, pois, de desprezo feito meu momento Tal quem destinado à vida com desdém E nesta lama, enlameado é o meu contento Pois triste é lembrar que sorte não contém Mas sereno, tenho a Deus como fomento © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

AMO-TE (soneto) Amo-te no meu maior, largo e profundo sentimento da alma, é amor, mais nada
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AMO-TE (soneto) Amo-te no meu maior, largo e profundo sentimento da alma, é amor, mais nada Te uivo no peito em graça entressonhada onde paz, calma, faz-se em cada segundo Amo-te no ringir da noite por ti poetada que verseja a paixão de que me inundo deste afeto que é o maior do meu mundo num regozijo duma felicidade estacada E é tão puro e é tão feliz e é tão fecundo que as lágrimas são preces transfigurada de fé ingênua e fausta, neste amor rotundo Amo-te na pequenez de minha morada tão simples, mas cheia de zelo jucundo Pois tu és rogo da vontade tão desejada © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

MINHA RUA (soneto) Das tuas sombras dos oitis a saudade ficou És a rua do príncipe dos poetas, laranjeiras
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MINHA RUA (soneto) Das tuas sombras dos oitis a saudade ficou És a rua do príncipe dos poetas, laranjeiras Coelho Neto, onde sonhei de mil maneiras E alegre por ti minha felicidade caminhou Das tuas pedras portuguesas, o belo, cabeiras Ao chegar de minas só fascinação me criou Se triste em ti andei também o jubilo aportou Me viu ser, indo vindo emoções verdadeiras Em tuas calçadas a minha poesia derramou Criando quimeras, quimeras tais derradeiras Da Ipiranga a Pinheiro Machado o tempo passou Em ti a amizade os vizinhos em nada mudou Carrego tua lembrança, lembranças inteiras Rua da minha vida, estória comigo onde estou... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro, 16 de 2017 Cerrado goiano ao dia 16 de fevereiro 1976, quando chegamos ao Rio de Janeiro...

REFLEXÕES DE UM ADEUS (soneto) Calado, ouvindo o silêncio ranger Imerso no pensamento solitário
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REFLEXÕES DE UM ADEUS (soneto) Calado, ouvindo o silêncio ranger Imerso no pensamento solitário Gritante no peito o medo a bater Do adeus, e que no fado é vário Agora, cá no quarto, a me deter Angústias do cismar involuntário Que o temor no vazio quer dizer E a aflição querendo o contrário São duas pontas do nosso viver No paralelo do mesmo itinerário De ir ou ficar moendo o querer E neste tonto e rápido breviário Que é o tempo, me resta varrer Os espantos, pois imutar é diário © Luciano Spagnol poeta do cerrado Mês de maio, 2017 Cerrado goiano

Canção para o cerrado Não basta ser anunciado é preciso dele perceber
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Canção para o cerrado Não basta ser anunciado é preciso dele perceber o teu chão encantado diversos no seu haver misterioso e intrigado Não basta cantar a aurora sem a volúpia do vário do belo que é sua flora cerrado, velho santuário peão do sertão, pandora Não basta uma olhadela é essencial o banquete amor doido fado canela se doar em ramalhete tal uma virginal donzela Pra apreciar o cerrado! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

SONETO À DEUS Louvor, Senhor, meus versos são pra ti Ainda que os homens te vejam ausente
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SONETO À DEUS Louvor, Senhor, meus versos são pra ti Ainda que os homens te vejam ausente E os olhos mortais, no pecado pendente O meu crer te demanda por toda a parte Tu que habitas o amor, nos céus assente Tenhas compaixão de mim, ó Pai baluarte Alveje a minha razão pra assim adorar-te Evitando coração perverso, vorazmente Que és necessário pra eu ser comparte? Nos ensinamentos e, assim, cabalmente Envolvendo de luz numa fé que me farte Oh! Dá-me conselho ao corpo e a mente Pra a alma, que não morre, o céu dessarte E me conduz à Tua vontade, integralmente © Luciano Spagnol poeta do cerrado 31/03/2017 Cerrado goiano Em agradecimento

SONETO DA DIFICULDADE Multíplice é fazer um soneto Sonoro, na rima por assim ser
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SONETO DA DIFICULDADE Multíplice é fazer um soneto Sonoro, na rima por assim ser Soltos na métrica dum fazer Ensambladas em um sexteto Não pensei que fosse nele crer A imaginação num voo completo Descrevendo o versejar secreto Da trama do amor e a do sofrer Difícil, almático e tão concreto E da emoção expressa o viver Em um teor de venusto repleto Sempre em movimento, haver Em um bale de senso e afeto Árduo é idear ao te perceber © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano