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Frases de R. Cunha

12 frases

Que luto é esse? O que é pior? Esquecer alguém que morreu
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Que luto é esse? O que é pior? Esquecer alguém que morreu ou enterrar alguém vivo? As lembranças vêm à tona o tempo todo… Ele está ali. Existe. Respira. Caminha no mesmo mundo. Mas eu não posso vê-lo, não posso senti-lo, não posso tocá-lo, nem ao menos ouvir a sua voz. Que luto estranho é esse que não tem velório, não tem despedida, não tem última oração? É o luto de quem precisa eliminar da própria vida alguém que ainda vive. Não apenas nas memórias, não apenas nas fotografias — mas vive, aqui, na realidade. E o pior de tudo… vive aqui dentro de mim. Como uma presença silenciosa que o tempo ainda não levou.

Luto Vivo Lutar contra um luto vivo não é tão simples assim.
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Luto Vivo Lutar contra um luto vivo não é tão simples assim. São dores profundas que atracam a capacidade de viver, como âncoras pesadas presas no fundo da alma. Você se sente viva… mas ao mesmo tempo sente a própria pele consumindo os ossos. Porque a carne que ainda respira vai se desfazendo lentamente na angústia e numa solidão devastadora. E quando alguém aparece com amor nas mãos tentando te alcançar… você o puxa também para esse buraco escuro, avassalador, sem fundo. Como se o vazio engolisse tudo que ousa se aproximar. E assim, sem querer, talvez você elimine uma das poucas chances de voltar a ser feliz.

Gosto Amargo Sabendo que eras veneno, ainda assim bebi.
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Gosto Amargo Sabendo que eras veneno, ainda assim bebi. Gole por gole, como quem tem sede de infinito. Era amargo — mas eu disse a mim mesmo que era amor. Afundei-me nesse sabor fugaz, ardendo na língua, queimando por dentro, e mesmo assim não larguei o copo. Tinha tanta sede que me afoguei em ti. Inocente fui, ao acreditar que era eterno o brilho do teu sorriso — sorriso que, pouco a pouco, devastou o que havia em mim. Hoje restam solidão e dor, filhas de uma tragédia veloz, sem aviso, sem direção. Caminho agora entre ruínas, recolhendo pedaços de um eu que já não existe. E o que sobrou de mim não sonha, não espera, não ama — apenas respira no silêncio pesado de quem aprendeu que o veneno às vezes tem gosto de eternidade.

Imensidão Contento-me na tua presença, como quem encontra abrigo
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Imensidão Contento-me na tua presença, como quem encontra abrigo sem ter pedido morada. Tua atenção me alcança com a suavidade rara de quem escolhe ficar. Sei das minhas imperfeições — dos fragmentos que ainda buscam forma — mas, quando me olhas, deixo de ser dúvida e me torno sentido. Há grandeza no teu permanecer, sobretudo depois das tempestades, das profilaxias difíceis que a vida impõe para testar quem realmente ama. Desejo tuas conquistas com a ternura de quem ama livre: quero te ver crescer, florescer, ultrapassar horizontes — porque tua felicidade, de algum modo, também ilumina a minha. E é nessa quieta admiração que te guardo: não como sonho distante, mas como presença doce que o coração escolheu amar.

Madrugada Na madrugada, meus olhos não se fecham.
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Madrugada Na madrugada, meus olhos não se fecham. Deito — o corpo cansado, o dia ainda preso em mim. Pés gelados. Olhos marejados de saudade. Solidão. O sono vem pesado, profundo, mas breve. Cinco minutos. Desperto. Solidão. Os olhos se enchem outra vez. A boca seca. Levanto. O silêncio da casa é um vulto — assusta, me reprime, a alma quase abandona o corpo. Deito. Levanto. Deito. Repetição. A madrugada passa. E nasce um novo dia.

Insuficiente Dizes-te presente — mas permaneces?
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Insuficiente Dizes-te presente — mas permaneces? Há um vazio que não se cala. E ele pergunta com a voz que não tens. Se te ofereces, por que não te revelas? Se te dizes suficiente, por que te ausentas no gesto? Não peço excesso. Peço constância. Um corpo que fique. Uma presença que não oscile. Alguém capaz de preencher o espaço vasto que se abriu em mim e aprendeu a chamar-se morada. Se és esse alguém, não tardes. O tempo aqui é lâmina. Age. Socorre-me. Estou à beira de um abismo que não promete retorno. E se não vens, se não és, se não ficas — Adeus. R. Cunha

Saudade A ausência — essa forma delicada do abismo —
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Saudade A ausência — essa forma delicada do abismo — habita-me. Faz falta o que fui quando me reconhecia em teu corpo. Nunca imaginei sobreviver ao sem, mas o sem revelou-se lâmina: rasgou-me no limite do grito, no atrito exato do desespero. Por quê? Que gesto foi esse contra um coração ainda intacto, tão ingênuo quanto fiel, que já te sabia amor antes mesmo do início? A tua falta ecoa. Ecoa como febre. Desespero. Paixão. Delírio contido. Imobilizo-me para não ir atrás de ti, para não desfazer o pouco que ainda me sustenta. O que era tudo aprendeu a chamar-se nada. E no centro desse vazio tento reaprender o hábito de existir, entre ruínas silenciosas e consequências que fogem. Estou morta — não por ausência de vida, mas por excesso de perda. Morta estou. E não posso ter-te de volta. R.Cunha

Desamparo Eu só queria alguém que cuidasse de mim.
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Desamparo Eu só queria alguém que cuidasse de mim. Um colo. Um abrigo contra o mundo que me expõe como pele sem defesa. A solidão chega sem ruído, instala-se aos poucos, ocupa os vazios, faz morada no peito — e dói. Dói como peso contido, como um aperto que não encontra saída. O ar falta. Afundo devagar, sem resistência, como quem desce ao fundo do mar em silêncio. Ainda assim, há em mim uma consciência: preciso voltar à superfície. Retorno. E nada mudou. A solidão permanece. Então pergunto, não em voz alta, mas por dentro: vale a pena? Se vale, revela-me o porquê. O silêncio se estende como um vento que uiva sem me tocar. Há um vidro invisível entre mim e o mundo: vejo o movimento, a correnteza, mas não posso atravessar. Estou presa num espaço estreito, insonoro, onde a ausência de saída me torna cativa. Desperto. E ao me reconhecer desperta, compreendo: ainda estou só. R. Cunha

Escurecer Entre as dores obscuras da noite, a solidão.
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Escurecer Entre as dores obscuras da noite, a solidão. Paira — como a escuridão que antecede a lua, sem dó, sem aviso. Chama a ausência de amor, convoca o vazio do prazer. Espira no ar um perfume amargo, arde nos olhos de quem apenas deseja ser amado. Há confusão no fogo dos sentidos, desespero contido no peito. Abomino o escurecer. Infinito desespero. R. Cunha

Persistência Procuro a promessa de um dia que talvez seja meu,
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Persistência Procuro a promessa de um dia que talvez seja meu, mas tropeço na dúvida de sequer me pertencer. Habito a solidão que me assusta, e nela acredito — injustamente — que não mereço ser amada. Será? Falta-me o ar. As palavras me dizem verdades nas quais já não sei crer. Adormeço. E só no amanhecer desperta o gosto amargo de desejar o que não existe. Persisto na indiferença que me move, no gesto automático de seguir. Que sentimento é esse que não sei nomear, não sei acolher, nem resignificar? Sou prisioneira do tempo que insiste em provar que mereço ser vista. Por que amar e ser amada me aflige tanto? Então retorno à vida constante: compromissos, horários, dias previsíveis. Ali, onde o amor não pesa, eu me convenço: sou feliz.

Sob as Estrelas Sabe quando você olha para as estrelas e, por um instante,
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Sob as Estrelas Sabe quando você olha para as estrelas e, por um instante, confessa a si mesmo um silêncio estranho? Não senti nada. Nenhum vestígio de sentimentalismo, nenhuma chama de amor, nenhum eco de paixão. Nem medo, nem solidão. Apenas o vazio, sereno e indiferente, ocupando todos os espaços. Como se eu estivesse suspenso num limbo descartável, entregando a vida à mercê de um tempo que nem sei se possuo. E, ainda assim, tanto faz. As nuvens, com suas formas imperfeitas, atravessam o céu como cicatrizes que não desaparecem. Elas me lembram que as desconstruções do amor também deixam ruínas. Talvez seja por isso que não sinto nada. Ou talvez eu sinta demais. Talvez o vazio não seja ausência, mas defesa. Porque, no fundo, não é que eu não possa sentir. É que, desta vez, eu não quero.

Enfrentar o Medo Passei a vida atrás de uma cortina de cetim, acreditando que fugir da dor era viver.
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Enfrentar o Medo Passei a vida atrás de uma cortina de cetim, acreditando que fugir da dor era viver. Preenchi vazios com presenças, confundi amor com abrigo, e fiz da prioridade dos outros a medida do meu valor. Até que a vida abriu a cortina. E lá estava ele: o medo da solidão. Hoje caminho sem amuletos, sem esconderijos, sem alguém para preencher os silêncios. Dói. Mas entre o medo e a coragem, descobri uma verdade: os vazios que tentei preencher com pessoas foram feitos para serem habitados por mim. E, pela primeira vez, em vez de fugir, eu fico. 🌿