Frase de R. Cunha
Sob as Estrelas Sabe quando você olha para as estrelas e, por um instante, confessa a si mesmo um silêncio estranho? Não senti nada. Nenhum vestígio de sentimentalismo, nenhuma chama de amor, nenhum eco de paixão. Nem medo, nem solidão. Apenas o vazio, sereno e indiferente, ocupando todos os espaços. Como se eu estivesse suspenso num limbo descartável, entregando a vida à mercê de um tempo que nem sei se possuo. E, ainda assim, tanto faz. As nuvens, com suas formas imperfeitas, atravessam o céu como cicatrizes que não desaparecem. Elas me lembram que as desconstruções do amor também deixam ruínas. Talvez seja por isso que não sinto nada. Ou talvez eu sinta demais. Talvez o vazio não seja ausência, mas defesa. Porque, no fundo, não é que eu não possa sentir. É que, desta vez, eu não quero.
No pensador.ai desde