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Frase de R. Cunha

Imensidão Contento-me na tua presença, como quem encontra abrigo sem ter pedido morada. Tua atenção me alcança com a suavidade rara de quem escolhe ficar. Sei das minhas imperfeições — dos fragmentos que ainda buscam forma — mas, quando me olhas, deixo de ser dúvida e me torno sentido. Há grandeza no teu permanecer, sobretudo depois das tempestades, das profilaxias difíceis que a vida impõe para testar quem realmente ama. Desejo tuas conquistas com a ternura de quem ama livre: quero te ver crescer, florescer, ultrapassar horizontes — porque tua felicidade, de algum modo, também ilumina a minha. E é nessa quieta admiração que te guardo: não como sonho distante, mas como presença doce que o coração escolheu amar.

R. Cunha

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de R. Cunha

Luto Vivo Lutar contra um luto vivo não é tão simples assim.
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Luto Vivo Lutar contra um luto vivo não é tão simples assim. São dores profundas que atracam a capacidade de viver, como âncoras pesadas presas no fundo da alma. Você se sente viva… mas ao mesmo tempo sente a própria pele consumindo os ossos. Porque a carne que ainda respira vai se desfazendo lentamente na angústia e numa solidão devastadora. E quando alguém aparece com amor nas mãos tentando te alcançar… você o puxa também para esse buraco escuro, avassalador, sem fundo. Como se o vazio engolisse tudo que ousa se aproximar. E assim, sem querer, talvez você elimine uma das poucas chances de voltar a ser feliz.

Que luto é esse? O que é pior? Esquecer alguém que morreu
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Que luto é esse? O que é pior? Esquecer alguém que morreu ou enterrar alguém vivo? As lembranças vêm à tona o tempo todo… Ele está ali. Existe. Respira. Caminha no mesmo mundo. Mas eu não posso vê-lo, não posso senti-lo, não posso tocá-lo, nem ao menos ouvir a sua voz. Que luto estranho é esse que não tem velório, não tem despedida, não tem última oração? É o luto de quem precisa eliminar da própria vida alguém que ainda vive. Não apenas nas memórias, não apenas nas fotografias — mas vive, aqui, na realidade. E o pior de tudo… vive aqui dentro de mim. Como uma presença silenciosa que o tempo ainda não levou.

Gosto Amargo Sabendo que eras veneno, ainda assim bebi.
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Gosto Amargo Sabendo que eras veneno, ainda assim bebi. Gole por gole, como quem tem sede de infinito. Era amargo — mas eu disse a mim mesmo que era amor. Afundei-me nesse sabor fugaz, ardendo na língua, queimando por dentro, e mesmo assim não larguei o copo. Tinha tanta sede que me afoguei em ti. Inocente fui, ao acreditar que era eterno o brilho do teu sorriso — sorriso que, pouco a pouco, devastou o que havia em mim. Hoje restam solidão e dor, filhas de uma tragédia veloz, sem aviso, sem direção. Caminho agora entre ruínas, recolhendo pedaços de um eu que já não existe. E o que sobrou de mim não sonha, não espera, não ama — apenas respira no silêncio pesado de quem aprendeu que o veneno às vezes tem gosto de eternidade.

Madrugada Na madrugada, meus olhos não se fecham.
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Madrugada Na madrugada, meus olhos não se fecham. Deito — o corpo cansado, o dia ainda preso em mim. Pés gelados. Olhos marejados de saudade. Solidão. O sono vem pesado, profundo, mas breve. Cinco minutos. Desperto. Solidão. Os olhos se enchem outra vez. A boca seca. Levanto. O silêncio da casa é um vulto — assusta, me reprime, a alma quase abandona o corpo. Deito. Levanto. Deito. Repetição. A madrugada passa. E nasce um novo dia.