Frase de R. Cunha
Persistência Procuro a promessa de um dia que talvez seja meu, mas tropeço na dúvida de sequer me pertencer. Habito a solidão que me assusta, e nela acredito — injustamente — que não mereço ser amada. Será? Falta-me o ar. As palavras me dizem verdades nas quais já não sei crer. Adormeço. E só no amanhecer desperta o gosto amargo de desejar o que não existe. Persisto na indiferença que me move, no gesto automático de seguir. Que sentimento é esse que não sei nomear, não sei acolher, nem resignificar? Sou prisioneira do tempo que insiste em provar que mereço ser vista. Por que amar e ser amada me aflige tanto? Então retorno à vida constante: compromissos, horários, dias previsíveis. Ali, onde o amor não pesa, eu me convenço: sou feliz.
No pensador.ai desde