Frase de R. Cunha
Gosto Amargo Sabendo que eras veneno, ainda assim bebi. Gole por gole, como quem tem sede de infinito. Era amargo — mas eu disse a mim mesmo que era amor. Afundei-me nesse sabor fugaz, ardendo na língua, queimando por dentro, e mesmo assim não larguei o copo. Tinha tanta sede que me afoguei em ti. Inocente fui, ao acreditar que era eterno o brilho do teu sorriso — sorriso que, pouco a pouco, devastou o que havia em mim. Hoje restam solidão e dor, filhas de uma tragédia veloz, sem aviso, sem direção. Caminho agora entre ruínas, recolhendo pedaços de um eu que já não existe. E o que sobrou de mim não sonha, não espera, não ama — apenas respira no silêncio pesado de quem aprendeu que o veneno às vezes tem gosto de eternidade.
No pensador.ai desde