Frase de R. Cunha
Saudade A ausência — essa forma delicada do abismo — habita-me. Faz falta o que fui quando me reconhecia em teu corpo. Nunca imaginei sobreviver ao sem, mas o sem revelou-se lâmina: rasgou-me no limite do grito, no atrito exato do desespero. Por quê? Que gesto foi esse contra um coração ainda intacto, tão ingênuo quanto fiel, que já te sabia amor antes mesmo do início? A tua falta ecoa. Ecoa como febre. Desespero. Paixão. Delírio contido. Imobilizo-me para não ir atrás de ti, para não desfazer o pouco que ainda me sustenta. O que era tudo aprendeu a chamar-se nada. E no centro desse vazio tento reaprender o hábito de existir, entre ruínas silenciosas e consequências que fogem. Estou morta — não por ausência de vida, mas por excesso de perda. Morta estou. E não posso ter-te de volta. R.Cunha
No pensador.ai desde