Há uma luz antiga no fundo do abismo, não chama, mas acolhe. Quando os pés param à beira,
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Há uma luz antiga no fundo do abismo, não chama, mas acolhe. Quando os pés param à beira, é a terra que respira sob eles, lembrando: nenhum salto é sem mãos invisíveis. Que o vento venha, não para derrubar, mas para sustentar. Que ele ensine o corpo a confiar no movimento que não fere. O erro não é maldição. É abertura. Ferida por onde o amor esquecido retorna ao sangue e faz pulsar o coração. Que aquilo que sangrou seja lavado não pelo medo, mas pelo tempo certo. Que essa pele nova endureça. As defesas podem descansar. Que as muralhas se tornem portais, que os fantasmas dissolvam seus nomes. Coragem não é ataque: é permissão. Que o amor seja lembrado. Não como promessa, mas como presença. Que o sol não seja negado mesmo quando a noite ainda pesa. Que os ossos desaprendam a dor que não lhes pertence. Se houver sombra, que ela seja abrigo, não prisão. Que o silêncio não engula, mas escute. E ao caminhar, mesmo sem mapa, que cada passo seja bênção. Que o passado não seja apagado, mas se torne aprendizado. E que novos e bons caminhos surjam onde antes só havia medo. Assim seja no corpo. Assim seja no fôlego. Assim seja no agora.