Frase de Michele Canário
O amor é um dedo que desenha o contorno do teu ombro descalço, é o sol que se esconde na tua nuca antes de se perder no abraço. O resto são cartas sem remetente, palavras que o vento leva embora, promessas de gelo, derretidas no calor da tua boca agora. Há quem fale de amor como de números, como se coubesse em fórmulas exatas, mas o amor é o silêncio que habita entre duas pálpebras fechadas. O que vem sem pele, sem cheiro, sem o tremor de um fio de cabelo, é só um eco de outros amores, um fantasma vestido de anelo. Eu não quero o amor que se escreve, que se diz, que se guarda em gavetas, quero o que arde sem explicação, o que nasce da tua carne inquieta. Porque o frio até parece ternura, mas é só a sombra do que importa: o amor vive onde os corpos se encontram, e o resto é história mal contada.
No pensador.ai desde