Frase de Michele Canário
Em vez de fugir, mergulho fundo, nas águas turvas da memória, onde os fantasmas dançam em silêncio, e o tempo dissolve sua história. Não há bússola neste abismo, apenas o eco do que fui, mas sigo, devagar, sem pressa, colhendo os cacos de mim. A dor é um peixe prateado, que brilha e some na corrente, e eu, aprendiz de navegante, aprendo a ser paciente. Mergulho e saio com algas nos cabelos, e o sal queimando na pele, mas trago nos olhos um brilho novo, e nas mãos, um pouco mais de fé. As ondas me cospem na areia, mas já não sou o mesma mulher, o mar me devolveu em fragmentos, e eu os guardo como um poema. Agora respiro, agora existo, com menos medo e mais verdade, pois quem mergulha nas sombras, encontra também a claridade.
No pensador.ai desde