Frase de Michele Canário
O silêncio é um lenço úmido no rosto, um peso que escorre pela garganta, como o inverno que se recusa a ir embora, deixando os ossos doloridos. A espera vira um copo vazio na mesa, o barulho do nada ecoa nas paredes, e os dedos, inquietos, desenham círculos sobre a pele que já não lembra o teu toque. O telefone dorme como um animal doente, sem latidos, sem pulsação, sem calor, e o coração aprende a bater devagar, como quem conta os segundos de um adeus. As horas se arrastam como remédio amargo, cada minuto um grão de areia nos olhos, e o peito guarda o frio das manhãs sem sol, onde até a luz parece desbotada. Quem diria que o vazio tem sabor de ferrugem, que a ausência é um espinho na língua, e que o amor, quando não responde, vira uma cicatriz que nunca sara? Mas um dia, talvez, o corpo desaprenda essa dor que se aninha como gripe antiga, e o silêncio deixe de ser uma casa vazia onde só os ecos sabem o seu nome.
No pensador.ai desde