Frase de Michele Canário
Cada passo profana o chão. O mundo não consente, apenas suporta. Sempre acreditei que cada passo mostra um mapa invisível, um destino que se desenha nas linhas da palma vazia. Carrego marcas que não escolhi, símbolos gravados antes do nome, juramentos feitos num lugar onde a luz não entra. Não sou acaso. Sou resto de algo antigo. Mas o norte apodrece quando é tocado. Caminho lendo sinais falhos o corpo que falha, o pressentimento que sangra, o silêncio que nunca responde. A intuição não guia ela empurra. É lâmina cega na carne, força que chama sem revelar o preço. O coração não é templo. É ruína. Oráculo quebrado que fala em ecos e cobra em medo. Como distinguir o chamado da condenação, se ambos usam a mesma voz? Talvez a missão seja cair fundo, errar o rito, quebrar o círculo e ainda assim continuar respirando. Talvez seja escrever o caminho com falhas, com carne, com culpa. No fim, não há salvação. Há movimento. Viver é atravessar sem sinal, sem bênção, sem garantia. E o coração esse órgão obscuro bate não por fé, mas por insistência
No pensador.ai desde