Pular para o conteúdo

Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

SONETO RESOLUTO Daí ter que ter decisão, se desejais Não deixai o sonho vivo na solidão
Continuar lendo

SONETO RESOLUTO Daí ter que ter decisão, se desejais Não deixai o sonho vivo na solidão De que vale de a felicidade ter fração Se sentado estás na beira do cais Do anseio e da fé não se abre mão Qual rumo tiveres, quantos e quais A sorte conquistada vale muito mais O que tem importância é a questão Se contra o vento estão os seus ais Arremesse as ilusões do coração Semeie as quimeras de onde estais Então, só assim, o viver terá razão Daí o que tu queres, dará os sinais E numa proporção, terás realização © Luciano Spagnol poeta do cerrado 08/08/2016, 06'20" Cerrado goiano

SONETO NA PRIMEIRA PESSOA O nosso eu, está em constante luta Que eu em mim, agora vai portento?
Continuar lendo

SONETO NA PRIMEIRA PESSOA O nosso eu, está em constante luta Que eu em mim, agora vai portento? Se sou quem sou, não sou momento Pra ser quem sou, no eu tive conduta Em nada fiz pro eu estar desatento De fora ou de dentro, da vida recruta Se não vago, eu, sempre na labuta Pois, o tempo é eterno ensinamento Quem é este em mim que o ser imputa Pois, o diverso é mais que juntamento É sentimento, num tal zelo sem disputa Não hei sabê-lo se houver "divisamento" Afinal, se há partilha há também permuta E meu eu: é fé e amor num só complemento © Luciano Spagnol poeta do cerrado 10 de agosto, 2016 Cerrado goiano

CHOROSO SONETO Daqui deste rincão do cerrado Quisera de a saudade apartar
Continuar lendo

CHOROSO SONETO Daqui deste rincão do cerrado Quisera de a saudade apartar Mas os ventos só põem a chiar Quimeras percas no passado Não sou um poeta de chorar Mas choro um choro calado Amiúde e assim comportado Paliando soluços no poetar Tão menos viver pontificado No sofrer, brado, quero voar Lanço meu olhar ao ilimitado E pelo ar vai o desejo represado Liberando as fontes do amar Livres e do suspiro desgarrado © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

Haver Gestos que a vida fez o ouvido não quis ouvir
Continuar lendo

Haver Gestos que a vida fez o ouvido não quis ouvir replicou mais de uma vez e o olhar não pôs a sentir... Falar, é fácil de dizer crer, é que é difícil a palavra tem poder e entender, ofício... Não se deixe dissuadir a quem não diz tudo mais vale muito sorrir que um coração mudo... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

SONETO À ARAGUARI Os pés da infância de te é distância O olhar ainda em ti é de lembrança
Continuar lendo

SONETO À ARAGUARI Os pés da infância de te é distância O olhar ainda em ti é de lembrança Que veem e choram na sua fiança Dentro do peito com significância És cidade mãe, de minas a aliança Em ti sou vinda, a mim és rutilância De alusão, quimeras e substância Desenhando e roteirizado herança Vida que morre, é tal, a vida que vive Caminhando comigo, assim, mantive A minha história, que eu nunca perdi Menor dos meus desejos, de te tive Boas memórias, em ti sempre estive És flor na lapela: altaneira Araguari! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto de 2016 Cerrado goiano 128 anos de Araguari (MG)

PAI (soneto) Trago no coração sinais de abrigo são sentimentos de protetor laço
Continuar lendo

PAI (soneto) Trago no coração sinais de abrigo são sentimentos de protetor laço num nó em lembranças e abraço daquele que levo sempre comigo É quem apoiou o passo no passo no compasso fora do ter perigo É o valente amigo até no castigo que no cansaço expõe o regaço Eis o lar, pai, que assim eu digo: o provedor que nunca é escasso num rude amor, sem ser oligo O braço em um dilatado espaço de colunas eretas que bendigo: - numa saudade que não afaço. © Luciano Spagnol poeta do cerrado agosto de 2016 Cerrado goiano

POEMA EM SILÊNCIO (soneto) Meu verso está amordaçado As palavras dentro da vidraça
Continuar lendo

POEMA EM SILÊNCIO (soneto) Meu verso está amordaçado As palavras dentro da vidraça Represadas e tão sem graça Estou calado, o poetar calado Inspiração diluída na fumaça O vazio estridente e arestado Ácido em um limo agargalado Inebriando tal qual cachaça Meu pensamento está suado Ofertado como fel numa taça E na solidão, então, enjaulado O poema em silêncio, bagaça Oh! Túrgido sossego enfado Diz nada, só tira a mordaça... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

MANACÁ DA SERRA NO CERRADO (soneto) Plantei um manacá no cerrado Para o chão ressecado florescer
Continuar lendo

MANACÁ DA SERRA NO CERRADO (soneto) Plantei um manacá no cerrado Para o chão ressecado florescer Em flores bicolores, a irromper Matizando o árido cascalhado Já não me sinto só, o alvorecer Tem um doce aroma de agrado Com jeito de bafejo tão airado Que abraçam todo o meu ser O manacá da serra no cerrado Trova com o vento um verter Poético, se fazendo admirado Árvore em flor, a transcender O vazio num ato contemplado Balsamizando os dias de prazer © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto, de 2016 Cerrado goiano

pacote ... cada ruga, um poetar do tempo. Envelhecer é o embrulho do viver. Use papel da gratidão, assim, terás mais o que ser... do que só se ver. © Luciano Spagnol
Continuar lendo

pacote ... cada ruga, um poetar do tempo. Envelhecer é o embrulho do viver. Use papel da gratidão, assim, terás mais o que ser... do que só se ver. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 20/10/2019 Cerrado goiano copyright © Todos os direitos reservados Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

MÁSCARA (soneto) Bem sei das lágrimas na existência Das dores ferinas no frágil coração
Continuar lendo

MÁSCARA (soneto) Bem sei das lágrimas na existência Das dores ferinas no frágil coração Onde o sangue se põe em ebulição E a tristura traja de aflitiva aparecia É onde borbulha em febre a emoção Os devaneios são conflitiva essência O peito atormentado quer clemência E a vida chora ao se achar no chão Nesta taça de amarga providência O olhar no olhar, a doce compaixão Pra ter esperança, tendo paciência Então, da ventura fugaz, a ligação Do amor com o amor, é sapiência Sem máscara, pra existir a razão © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

SONETO DO MEU POETAR Basta-me apenas um verso Onde seu gesto fale de amor
Continuar lendo

SONETO DO MEU POETAR Basta-me apenas um verso Onde seu gesto fale de amor E comigo venhas sem dor E nele eu me torne imerso Pra sempre, sem nenhum pudor Sem palavras caídas do universo Do dissabor, e que seja inverso A trovas desbotadas e sem cor É só ter um deslize no disperso Pra que ele fale o que é perverso Em linhas omissas e sem frescor E nem por isto deixo de ser diverso Num poetar que gosta de ter odor Aos olhos do doce amoroso leitor © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho de 2016 Cerrado goiano

SONETO DE INVERNO Frio, uma taça de vinho, face em rubor No cerrado ivernado pouco se aquece
Continuar lendo

SONETO DE INVERNO Frio, uma taça de vinho, face em rubor No cerrado ivernado pouco se aquece Um calor de momento, o vinho oferece E a alma valesse neste desfrutar maior Arrepio no corpo, do apego se apetece Pra esquentar a noite, tornar-se ardor Acalorando o alento do clima ofensor Tal é perfeito, também, o afeto tece E na estação de monocromática cor De paixões, de misto sabor, aparece Os mistérios, os desejos, os sentidos Assim, embolados nas lareiras, o amor Regado de vontades, no olhar floresce Pra no solstício de novo serem acolhidos © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho de 2016 Cerrado goiano

SONETO DO IPÊ O cerrado se prepara para a primavera No chão cascalhado, a florada anuncia
Continuar lendo

SONETO DO IPÊ O cerrado se prepara para a primavera No chão cascalhado, a florada anuncia Os ipês amarelos ornando de luz o dia E o horizonte se vestindo de quimera Sai o inverno, setembro, vem a ventania E mal surgia, e caem sem assim quisera Em implacável jornada, acatando a era Atapetando o chão de matizada magia E neste, veste e despe, a beleza gera Espanto da sina acirrada em tirania Do ipê ser algoz na sua pouco espera No processo que penaliza a flor fugidia Em ser uma desgarrada na atmosfera Faz-se o prosseguir a vida em romaria © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho de 2016 Cerrado goiano

RENOVO (soneto imperfeito) Quisera eu o dissabor fosse menor que os dias tivessem só harmonia
Continuar lendo

RENOVO (soneto imperfeito) Quisera eu o dissabor fosse menor que os dias tivessem só harmonia acalmando meu coração tão aflito e na convicção ter dito: obrigado! Quisera ser no fado um reto caminho de suavidade, além do fatal conflito necessário pra evoluir na infinidade do, porém, e portar afeto bem intenso Quisera que o imenso dom do viver na magia do é e ser, encantasse pra eu mergulhar nas glórias da fé E assim, como errante e reles mortal no final, o ardor da esperança restar e todo dia, fosse, renovo neste amor! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Julho de 2016 Cerrado goiano

ESPERTINA (soneto) O cerrado está frio, lenta é a hora É tarde da noite, o vento na vidraça
Continuar lendo

ESPERTINA (soneto) O cerrado está frio, lenta é a hora É tarde da noite, o vento na vidraça Pendulando o tempo, tudo demora E o relógio, em letargia não passa A espertina virou no dormir escora Tento escrever, mas a ideia está lassa A vigília do olhar não quer ir embora Viro, e reviro no liso lençol de cassa Dormir? O sono no sono faz ronda O frio na minha alma faz monda E o adormecer em nada me abraça Que insônia! O sino da igreja já badala O galo da vizinha o canto já embala E o sol pela janela a noite ameaça! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Julho, 2016 Cerrado goiano

SONETO DO VERBO POETAR Da oração inspiração o verbo poetar conjuga-se com amor, dor, ínclito
Continuar lendo

SONETO DO VERBO POETAR Da oração inspiração o verbo poetar conjuga-se com amor, dor, ínclito uma flexão enunciada do espírito um evocar eclodindo de um versar Vem primeiro o dito pelo não dito pra no manuscrito ter ato de criar o invisível em tangível no lapidar e o sendo se ordenando em rito Nesta norma gramatical vem amar numa proposição avessa, um delito também enumerado, sofrer, chorar E assim, na conjugação do inédito une-se sentimento e muito idear... O verbo poetar vai além do infinito © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho de 2016 Cerrado goiano

SONETO DE UM AMOR EXCÊNTRICO Estranho amor este que hoje eu sinto a saudade incorporou a coisa amada
Continuar lendo

SONETO DE UM AMOR EXCÊNTRICO Estranho amor este que hoje eu sinto a saudade incorporou a coisa amada acorda comigo depois de ser sonhada e de mãos dadas paira pelo ressinto E quando lembro, a alma fica apertada o coração acelera triste num instinto que não sossega nada o que pressinto e as tais lembranças põe-se na risada Carrasco este amor meu, já extinto me lança aos desejos sem morada me fere com o passado tão faminto E numa paixão delirante de um nada me faz poetar pra este amor destinto num acorde de excêntrica doce toada © Luciano Spagnol poeta do cerrado 14 de junho, 2016 Cerrado goiano

Adeus junho Junho, despede-se Agasalhado no inverno
Continuar lendo

Adeus junho Junho, despede-se Agasalhado no inverno Vai-se tão terno Brindado com vinho Bem de mansinho Um novo recomeçar Doce é poder estar Dádiva da vida a girar Vivificando a cada manhã Em um novo amanhã Adeus junho das festas Das madrugadas em serestas Na despedida a evidência De dia vencidos, reverência Sai junho, mortulho... Vem julho... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Junho, 2016 Cerrado goiano

SONETO SOLITÁRIO Ó tu, que pelo fado, onde te encontrar? pode se achegar, estou aqui sozinho
Continuar lendo

SONETO SOLITÁRIO Ó tu, que pelo fado, onde te encontrar? pode se achegar, estou aqui sozinho por aqui vais deparar com meu carinho e no não ter amado, serás tu o meu amar? O cerrado da solidão me fez um ninho seus tortos galhos, cenário pra eu chorar tuas folhas secas papel para eu poetar: o silêncio, as agruras, a dor e o desalinho Segredados a lua em tristes noites de luar largando o meu árido peito num pelourinho ali só, nu, macambúzio até o último sangrar E se você chegar, já tenho a taça de vinho pra brindarmos, e a ti vou então declamar meus versos que pra te fiz no meu caminho © Luciano Spagnol poeta do cerrado 11/06/2016, 06'22" Cerrado goiano

SUSPIROS (soneto) Um pesar tão mais saudoso, assim não vejo! Um vazio no silêncio, barulhento, sem pudor
Continuar lendo

SUSPIROS (soneto) Um pesar tão mais saudoso, assim não vejo! Um vazio no silêncio, barulhento, sem pudor De tão é a infelicidade, que terebrante é a dor Que vagar algum pode ofuscar o tal lampejo Dias rastejam, noites em romarias no andor Da angústia, que enfileiradas num cortejo Levam preciosos instantes, pra num despejo Jogá-los ao luar, sem quer um pejo, amor Ah! Que bom seria, eu ter qualquer traquejo No dom da oração, e me ouvisse o Criador Através do meu olhar, rogando por ensejo Essa saudade tão mais triste, ainda é clamor! Inda estão nos versos que no poetar eu adejo Tentando recreio, para os suspiros transpor © Luciano Spagnol poeta do cerrado Julho de 2016 Cerrado goiano

CHAMAMENTO (soneto) Mãe Senhora, das boas obras benfeitora Mãe Senhora, do manto de esperanças
Continuar lendo

CHAMAMENTO (soneto) Mãe Senhora, das boas obras benfeitora Mãe Senhora, do manto de esperanças De ti a ternura da graça as almas mansas De ti o perdão nascido na manjedoura Doce olhar, e no auxílio não descansas Em toda a parte, és a virgem protetora Em teu seio o meio à urgência vindoura És frugal vereda das bem-aventuranças A mim, pois, filho de escareado desatino Que aflige o coração em ingrato engano Olhai com sua piedade o meu vil destino Assim, neste chamamento de filho insano Advogue por este pecador, ao Pai Divino Soberano, nas aperturas deste mundano © Luciano Spagnol poeta do cerrado Julho de 2016 Cerrado goiano