Pular para o conteúdo

Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

ANOITECER (soneto) Desmaia o dia no árido cerrado Num adeus de luz e esplendor
Continuar lendo

ANOITECER (soneto) Desmaia o dia no árido cerrado Num adeus de luz e esplendor É Deus com o seu recompor Do céu azul ao negro estrelado E eu, aqui num mero espectador Sob este tão espetáculo, admirado Não sei se rio, choro ou fico calado Inerte... no âmago belo do criador É um rosário pelo encanto desfiado Conta a conta, infinito e acolhedor D'amor, benção, no tempo denodado Está hora, do ângelus, do cair multicor Enteando saudades, dor ao enevoado Vem a noite, para vida por ela transpor © Luciano Spagnol poeta do cerrado Dezembro, 2016 Cerrado goiano

Linha Eu poeto de mim, daqui nesta câmera surreal
Continuar lendo

Linha Eu poeto de mim, daqui nesta câmera surreal por este fio vocês dai numa transmissão corporal por esta linha dual, agruras em diversas camadas solidão sem gravuras felicidades sem risadas assim, nesta comunicação de passa e repassa, a voz camuflada de significação em versos mansos ou feroz que se imprime da emoção num linguajar em cadência lembranças e boa paixão na alma em total evidência em cada trova um avesso do reverso do meu daqui cada verso o meu confesso para vocês daí... Instantâneos do meu poeta imerso... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

SONETO NO CREPÚSCULO Morre o dia. Aqui no cerrado goiano Dizemos-nos adeus silenciosamente
Continuar lendo

SONETO NO CREPÚSCULO Morre o dia. Aqui no cerrado goiano Dizemos-nos adeus silenciosamente À meia luz do entardecer confidente O sol no horizonte desfalece profano Em um purpureado lôbrego poente O céu é degustado pelo breu ufano Num longo abraço de um cotidiano Do sol e a terra num valsar ardente Da vidraça, o crepúsculo soberano Invade o quarto numa luz pendente Vindo do luar voluptuoso e fontano E, como uma orquestração silente A noite se prostra num olhar arcano Embalando o dia misteriosamente... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2016, novembro Cerrado goiano

ESTIAGEM NUM SONETO Eu grito por chuva, intensa e forte pra encharcar o cerrado ressequido
Continuar lendo

ESTIAGEM NUM SONETO Eu grito por chuva, intensa e forte pra encharcar o cerrado ressequido tão sofrido, que clama num alarido por gota d'Água, num altivo porte Eu vozeio pelo vento desmedido soprando humidade num suporte pra este chão carente e sem sorte chovendo vida, e o vivo permitido Também a natureza uiva de morte aos céus, que acabe o sofrer infindo tombando a chuva sem ter recorte O sol regente do sertão, intervindo se faz ufano, intenso, num aporte... E a chuva, ah! Essa, não vai caindo! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro, 2016 Cerrado goiano

SONETO NA CONTRAMÃO O badalo bate, o sino da igreja soa Qual navalha o som corta a solidão
Continuar lendo

SONETO NA CONTRAMÃO O badalo bate, o sino da igreja soa Qual navalha o som corta a solidão Chiando no silêncio pesar e aflição E no relógio a hora a ligeireza ecoa Num labirinto de saudade e emoção A lembrança de asas no tempo voa Desgovernando o sentimento a toa Num vácuo de suspiros no coração Então, o seu ganido invade a proa Da alma, que se sente sem razão E cansada de tantos ruídos, arpoa Nesta quimera de dor e de paixão Os olhos são cerrados pela garoa Pingada das lágrimas na contramão © Luciano Spagnol poeta do cerrado Dezembro, 2016 Cerrado goiano

Tudo Tudo, são metamorfose,
Continuar lendo

Tudo Tudo, são metamorfose, e também sanhudo. Se é grão, se é chão, criador e criado, do todo, expressão, desamor e amado... Porém, se é do coração, o afeto é apropriado, e a poesia eterna canção... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro, 26 de 2016 Cerrado goiano

PRESENTE DE NATAL (soneto) Noite de Natal, de alegria reluzente Abraços confraternizando, luzeiro
Continuar lendo

PRESENTE DE NATAL (soneto) Noite de Natal, de alegria reluzente Abraços confraternizando, luzeiro Presépio, preces, bolas no pinheiro Pro céu, a mesura ao ente ausente Meia noite... - chamem o fogueteiro! Pra aleluias à Deu menino, onipotente Manou o Salvador, do amor vertente Que trouxe amizade ao mundo inteiro Que a palavra na vida seja presente Como firmamento do valor obreiro Na fé de ofertar o zelo diariamente E que assim, possa ser mais certeiro Na paz e bem, e nos corações assente O maior presente: - o amor verdadeiro! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Dezembro de 2016 Cerrado goiano

SONETO COM CHARME Moço, se no tempo, velho eu não fosse Onde a dor da saudade a apoderar-me
Continuar lendo

SONETO COM CHARME Moço, se no tempo, velho eu não fosse Onde a dor da saudade a apoderar-me As recordações a virarem um tal carme E a lentidão em mim se tornarem posse Ah! Aquelas vontades já me são adarme O que outrora me era tão suave e doce Num gosto acre o meu olhar tornou-se O espelho, um revérbero, a desolar-me O meu espírito a tudo acha tão precoce Já o corpo, cansado, soa em um alarme Na indagação a juventude que o endosse Da utopia ao caos dum tão triste arme Envelhecer, como se não fosse atroce Então, vetusto, tenhas arrojo e charme! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2016, 18 de novembro Cerrado goiano

SONETO ABSTRATO Na prosa do poeta, não só tem poesia às vezes de tão vazia, o abstrato pinda
Continuar lendo

SONETO ABSTRATO Na prosa do poeta, não só tem poesia às vezes de tão vazia, o abstrato pinda arremata cada imaginação, e aí, ainda nada lhe completa, nada tem harmonia Tu'alma inquieta, o verso na berlinda a solidão, a lágrima, a dor em romaria se perfilam no papel em uma rima fria e assim, a privação na escrita brinda Neste limitado querer, sem simpatia o silêncio, o belo, no feio prescinda e a inspiração, então, fica sem orgia Aí, o soneto sem quimera, não finda e os devaneios perdidos na ousadia sem fantasia, a ausência é provinda © Luciano Spagnol poeta do cerrado Dezembro, 09 de 2016 Cerrado goiano

SONETO NA LAMA (Mariana, MG) Basta! A quem assistiu o insuportável O funeral de teus sonhos, tua quimera
Continuar lendo

SONETO NA LAMA (Mariana, MG) Basta! A quem assistiu o insuportável O funeral de teus sonhos, tua quimera Enlamear-se na lama sem que quisera E em suas vidas, unidas, inseparável Como acostumar ao lodo que espera? Moldar-se no barro de jarrete miserável Deitar-se na insônia, sentir o inevitável Da mendicância, impune, e de espera É véspera do escarro. Vês! O inaceitável Total necessidade também de ser fera Nas mãos dos que afagam o insaciável Rio Doce, azeda lama, e sem primavera Indecência dum indecente confortável... Sou Minas Gerais, somos, gente sincera! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro, 2016 Cerrado goiano

Papel e Tinta Laivei o meu pincel no cinza do cascalhado
Continuar lendo

Papel e Tinta Laivei o meu pincel no cinza do cascalhado no entardecer fogueado no chão ressecado no desbotado areado... Laivei o meu pincel na luz do horizonte na sombra atrás do monte no suor da fronte... E no branco do papel vão aparecendo inquinações: de folhas secas, chão árido amarelados ipês, buritis, ar cálido pequis, céu divino e estrelado num desenho do cerrado... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2016 Cerrado goiano

Alforria Seria bom, eu queria Ter uma afeição tua
Continuar lendo

Alforria Seria bom, eu queria Ter uma afeição tua Uma palavra à revelia Nada ouço ou vejo na rua Noturnal, duma noite vazia Só a lua solitária, fria e nua me fazendo companhia... Mas a saudade é sua ou é minha? Não importa a quem valeria se a vida é torta e reta é a sabedoria do tempo. Se viva ou morta a prosa da poesia. O que voga é o que o amor reporta aí sim, a paixão tem harmonia e a permissão, na solidão, exporta... Alforria! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Dezembro, 2016 Cerrado goiano

Tua lembrança Tua lembrança foi um sonho deletado Um e.mail na lixeira do computador
Continuar lendo

Tua lembrança Tua lembrança foi um sonho deletado Um e.mail na lixeira do computador São literárias de um ignoto passado E apenas memórias de um antigo amor Tua lembrança é gemidos e soluços No meu poetar respingado de lágrimas Já lavados dos meus vários embuços E das liras de murmúrios e lastimas Aqui do cerrado te digo que prossiga Que mesmo sem o teu prazeroso olhar Teu nome não mais escreve cantiga Pois o meu verso árido pôs a ressecar Aqui do cerrado te digo que esqueça Não te soletro mais em noites de luar Pois mesmo que meu pranto aconteça No peito ficou só saudade de te amar © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

Manjedoura Recém-nascido na palha Coberto de simples velo
Continuar lendo

Manjedoura Recém-nascido na palha Coberto de simples velo De pedra e areia soalha A chegada do Divino elo É o Menino Deus encarnado No fundo da pobre realidade Mártir, Majestade, Filho amado No estábulo fez-se verdade Nem ouro reluz tanta conformidade Nem a pobreza anuncia infelicidade É o Salvador cicatrizando a obscuridade Tem em si o caminho, toda resposta Na manjedoura aposto, é fé disposta Homem, Deus, na humanidade aposta © Luciano Spagnol poeta do cerrado 15/10/2010, 09’54” Rio de Janeiro, RJ

Ao mestre com carinho Este Ser do livro, do saber, do ensinar Que as nossas primeiras letras vêm formatar
Continuar lendo

Ao mestre com carinho Este Ser do livro, do saber, do ensinar Que as nossas primeiras letras vêm formatar É sábio que divide o que possui Ao aprendizado contribui Com amor, dedicação, coração Sacerdote da verdade, abnegação Ao pupilo a passagem da experiência Os degraus da filosofia As palavras, a escrita, a poesia Do tempo, dos valores, da graduação Obstinação incontida Existência dividida Com todos repartida Que em nossa vida traz luz Em nossa alma... “De truz” Aqui todo o nosso louvor Ao amigo, companheiro, professor! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 15/10/2010, 6’00” Rio de Janeiro, RJ

VOCÊ CRÊ (soneto) Quando nos vemos nos olhos que não vê A incerteza nos traz o desespero, solidão
Continuar lendo

VOCÊ CRÊ (soneto) Quando nos vemos nos olhos que não vê A incerteza nos traz o desespero, solidão Temos um bem maior que é a consagração Tudo pode naquele que fortalece, você crê? Acredito no amor paternal, na Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo, amém! Pois Ele venceu a morte, e o mau também Acredito no verbo eterno, a única verdade Ele veio e anunciou trazendo a vida nova Acredito! Pois o seu amor no amor renova E em sua compaixão, nos ama com paixão Que a fé nossa de cada dia seja a prova Do perdão que se clama em hino e trova Eu acredito na Cruz de Cristo, a salvação! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

BEM E MAL (soneto) Tal qual gente que vive sem pressa na correria do tempo, eu vou assim
Continuar lendo

BEM E MAL (soneto) Tal qual gente que vive sem pressa na correria do tempo, eu vou assim e nessas de ter-me um, nesta peça atuo um dia de cada vez, até o fim Na alta complexidade que não cessa a turves rompida pela luz do camarim da vida, reluz o amor que ele expressa tingindo o cetim do afeto na cor marfim Sou feliz! É como minh'alma confessa! Na tristura, a remessa de sorte pra mim é paz, pois, tenho na verdade, etc e tal... Então, na falsidade que nada a impeça a pureza do amor sempre é um clarim proclamando que o bem vence o mal... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Agosto/ 2016 Cerrado goiano