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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

noite fria de nada vale orelha de cobertor sem ter companhia...
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noite fria de nada vale orelha de cobertor sem ter companhia... a companhia do meu amor. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Cerrado goiano, 13 de dezembro de 2015

E, Por Falar de Amor Hoje acordei com o coração aos espinhos De uma saudade
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E, Por Falar de Amor Hoje acordei com o coração aos espinhos De uma saudade Sem os teus carinhos Imensidade Esta solidão Que poeta pela metade Versos de emoção... Pelas lágrimas um aroma rijo Do árido sertão Um esconderijo D’Alma na contramão Do teu olhar... Me agarrei no timão E a navegar No mar de suspiros Pus-me a chorar! Hoje acordei com o dia empanado Escuro Você não estava ao meu lado Tudo era vazio, impuro Coalhado Duro Propalado... Desconjuro! Eu só queria ser carregado Dali Pelo desejo imaculado Que sempre tive de ti E não essa dor Que hoje senti Ao falar de amor Aqui! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Cerrado goiano, 10 de dezembro, 2019

Carta de um poeta ao Papai Noel Papai Noel como criança neste cordel
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Carta de um poeta ao Papai Noel Papai Noel como criança neste cordel te peço! um presente no sapatinho com apreço um pouquinho de tudo que é generoso dos povos: o amor, o ato misericordioso sabedoria, onde possamos dar graças afeição, fé, saudando todas as raças muita paz, oração, muita alegria nos livrando de todo o mal embalados pelo coro celestial de Boas Festas e, um Feliz Natal! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Cerrado goiano, dezembro

Natal Defronte As ruas corridas, muito estresse No dia lotado de apressado rumor
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Natal Defronte As ruas corridas, muito estresse No dia lotado de apressado rumor E o meu pensamento desvanece No muito fragor e no pouco amor Já é Natal, cheio de luz de fulgor O brilho da fé, opacou-se, afinal De aparência o hoje é o mentor Nestes tempos, de só fútil ritual Valeu-me o olhar dum pedinte Que brilhava mais que tudo isto Era príncipe e farto de requinte A face que lembrou a de Cristo © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Cerrado goiano, 12 de dezembro, 2019

SEM INSPIRAÇÃO Às vezes uma poética me entala Nesta lacuna em que eu ando
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SEM INSPIRAÇÃO Às vezes uma poética me entala Nesta lacuna em que eu ando Sofro, cá no cerrado, quando A saudade dentro do peito fala Inspirações sufoquei nefando Sem as trovas numa luz sincera Ah! Cada rima com força quisera No senso, e não o cântico calando Sinto que nas quimeras fui rude Choro cada outrora desta sandice Já alquebrado, foi-se a juventude Os versos que não criei por tolice Por desventura escrever não pude E assim tornar a prosa na mesmice © Luciano Spagnol- poeta do cerrado Cerrado goiano, 09 de dezembro, 2019 Olavobilaquiando

RONDA SILENCIOSA Solidão cerrada, aquietada, escura Afora a janela, o cerrado tão calado
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RONDA SILENCIOSA Solidão cerrada, aquietada, escura Afora a janela, o cerrado tão calado Na imensidade do céu não fulgura Um só brado, um ermo imaculado Cá dentro, a mudez flébil murmura E a melancolia no vento é fustigado Escoriando a alma, áspera candura Em um rasgar do silêncio denodado Ecoa surdamente sôfrega bofetada De escora frouxa, completamente Aflando ali a apertura tão abafada E, a letargia, assim, vorazmente Faz tácitos claustros de morada Em ronda silenciosa, lentamente © Luciano Spagnol- poeta do cerrado Cerrado goiano, 5 de dezembro, 2019 Olavobilaquiando

FIADO (soneto) Espiando na janela, a sorte vai em bando E as nuvens levedando o pensamento
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FIADO (soneto) Espiando na janela, a sorte vai em bando E as nuvens levedando o pensamento E pelo vento a rapidez vai multiplicando E a poesia urdindo o vário sentimento: Pranteio, rio, apresso, acalmo.... Ando Descanso, me cubro, e fico ao relento Assim, cada tento, tento sem mando Neste lugar secreto, óbice e fomento Apressa-te, sonho, amanhã é seguinte Um novelo em turbilhão e de requinte Pois, o que mais importa é estar amado Não te fies da dor nem da arrogância O destino tem a sua real importância E a vida, não, e nunca negocia fiado! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10/07/2020, 07’29” – Triângulo Mineiro

⁠ARRÍTMICO (soneto) Amar você foi coisa de espaço A sofrência é mais que uma dor
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⁠ARRÍTMICO (soneto) Amar você foi coisa de espaço A sofrência é mais que uma dor Foi tão bom ser teu, o teu laço Trançado ao teu querer, amor! Aqui num silêncio, falta pedaço Pouco me resta do que foi, calor Também falta! Falta o compasso Abraços, afagos teus, aquela flor! E aqui neste poetar derramado A morte é menos que a saudade E pelos olhos o pesar é vazado... E ao ver o teu cheiro na solidão Então, vejo que sou só metade E arrítmico o matuto coração... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 10/07/2020, 14’35” – Triângulo Mineiro

⁠O BEIJO (soneto) Adoça-se-lhe os lábios, num afago preciso E adelgaça-se o olhar em magia verdadeira
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⁠O BEIJO (soneto) Adoça-se-lhe os lábios, num afago preciso E adelgaça-se o olhar em magia verdadeira De amor, do meu amor, em aflante sorriso Como para lambear a satisfação por inteira Esvoaça-lhe o perfume pelo ar num paraíso De prazer, de amparo, aquecidos na lareira Do coração, desviando da alma o sério juízo E alucinando o sentir como a paixão queira Ternura melhor, a poesia, o maior instante Meu firmamento ao luar e doce imaginação E do querer, mais, foste o mais importante Nesse louco vagar, de carícia e de emoção Cada gesto, sensação, o toque no ir avante Teu beijo no meu beijo se fez poética razão! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 09/07/2020, 07’02” – Triângulo Mineiro Olavobilaquiano

⁠SINO DOLOROSO (soneto) Plangei, sino! O cerrado chora essa dor vasta Ecoado no infeliz peito e no soneto solitário
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⁠SINO DOLOROSO (soneto) Plangei, sino! O cerrado chora essa dor vasta Ecoado no infeliz peito e no soneto solitário Dessa realidade vil de uma tirania tão casta Do afeto que um dia foi por nós necessário Cantai, sino! A sofrência no cortejo arrasta Verdugos sentimentos solução no itinerário Escorrem lágrimas que ao pranto não basta Arde a emoção e a alma neste árduo relicário Em repiques de pesar, em desilusão a finados Tilintando rancores, ó carrilhões, que aí tala Em campas de sanhas, e de renhidos brados Toe, sino doloroso, que no silêncio devasta Badala, bimbalha, e num soar o aperto exala Brandindo o amor com uma emoção nefasta © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 08/07/2020, 12’10” – Triângulo Mineiro Olavobilaquiando

⁠FASCÍNIO (soneto) Beija-me! O teu beijo ardente e brando Entra-me o sentimento, intenso e forte
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⁠FASCÍNIO (soneto) Beija-me! O teu beijo ardente e brando Entra-me o sentimento, intenso e forte De arrepios e de suspiros, vivo, entrando No afeto, e assim, acontecendo a sorte Olha-me! O teu olhar, na alma radiando Felicidade, luz, em um cálido passaporte De ter-te aqui, e no querer ter-te amando Onde a poesia e o poeta têm o seu Norte Fala-me de sonho, de um límpido recanto Onde o trovar conversa com a lua cheia E o teu fascínio adentra em meu verso Beija-me! Olha-me! Fale-me! Ó encanto: - de amor... de paixão. Prenda-me na teia Do teu magnético e tão delicioso universo © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07/07/2020, 05’45” – Triângulo Mineiro Olavobilaquiando

⁠UM AMOR CERRADO (soneto) Cala-se o triste olhar. Anina o sentimento E a deslizar pelo rosto mudo, a dor vencida
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⁠UM AMOR CERRADO (soneto) Cala-se o triste olhar. Anina o sentimento E a deslizar pelo rosto mudo, a dor vencida No exilio tão áspero dum vazio sentimento Em uma lágrima de choro e de cor abatida O horizonte se põe, nublado, suspira o vento Algente, as sensações estão assim de partida Pura! Frutificando na paz o ardente sofrimento E a alma incrédula, ainda, não está convencida Das gotas do pranto, abrasador as lembranças E pela saudade a sofrência em estreitas tranças Amarra o peito, apouca, e pelo clamor escorre E sob o pesar tão cavado e magro, que tortura Do sonho e as privações dos planos, - fulgura, A dor, do derradeiro amor que cerra. E morre. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 06/07/2020, 06’45” – Triângulo Mineiro Olavobilaquiando

⁠NUMA MANHÃ DE INVERNO (soneto) Inverno. Defronte a inspiração. Cato por quimera Sobre os sentimentos calados, e a agasta solidão.
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⁠NUMA MANHÃ DE INVERNO (soneto) Inverno. Defronte a inspiração. Cato por quimera Sobre os sentimentos calados, e a agasta solidão. Devaneios, perturbação. E a sensação na espera No frio... tudo solitário, e desgarrado da emoção A vidraça da janela, embaçada, úmida atmosfera Tal uma tela em branco, aguardando uma demão De imaginação, e perfume da delicada primavera Aí, assim, adornar a epopeia devotada ao coração E logo, ao vir do vento, gelado, ao abrir a janela Invade a alma a sensação dum vazio subalterno No horizonte cinza e tão sem uma luzida estrela E eu olho o céu deserto, e vejo com o olhar terno Absorto, com uma oca ideia de uma cor amarela Que priva o estro poético, numa manhã de inverno © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 03 julho de 2020 – Triângulo Mineiro Olavobilaquiando

⁠CAOS (soneto - II) Do fundo da minha poesia, ouço e canto Uma inspiração em suspiros e peugadas
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⁠CAOS (soneto - II) Do fundo da minha poesia, ouço e canto Uma inspiração em suspiros e peugadas Da imaginação, nas sofrências magoadas Em um pélago de devaneio e de encanto Às vezes, um torpor de o meu pranto Escorre pelas rimas e pelas calçadas Dos sonetos, são saudades coalhadas Clamor da dor que retintim no tanto Da alma ... assim agonia, glória e luto Poetam choro e hosana, no meu fado Numa fermentação de um senso bruto Então cá pelas bandas do seco cerrado Os uivos do peito que aqui então escuto Transforma o caos em um poema alado © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 29, junho de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

⁠BARCOS DE PAPEL (soneto) Na chuva da temporada, pela calçada A enxurrada era um rio, e o meio fio
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⁠BARCOS DE PAPEL (soneto) Na chuva da temporada, pela calçada A enxurrada era um rio, e o meio fio O teu leito, com barragem e desafio Na ingênua diversão da meninada Bons tempos felizes, farra, mais nada Ah! Os barcos de papel, inventivo feitio Cada qual com um sonho e um tal brio Navegando sem destino, a sua armada Chuva e vento, aventura e os barquinhos Tal qual a fado nos mostra os caminhos E a traçada quimera no destino velejada Barcos de papel, ah ideais, são poesias Que nos conduzem nas cheias dos dias No vem e vai, no balanço, da jornada... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 27/06/2020, 11’05” – Triângulo Mineiro

⁠TUA AUSÊNCIA (soneto) Sofro, ao recordar-te, com minha saudade Da tua ausência. Meu poetar se transporta
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⁠TUA AUSÊNCIA (soneto) Sofro, ao recordar-te, com minha saudade Da tua ausência. Meu poetar se transporta Minha alma se vê numa penúria que corta E meu sossego, nervoso, cheio de vontade É verdade, toda essa minha infelicidade Que percorre está poesia, aqui tão torta Escorrendo por motivo que não importa Largando os versos, árduos, na ansiedade Aí, que confuso clamor que transtorna Das orgias das trovas de outrora fausto E agora, penosas e tão malfeito se torna Ofensiva sensação, funesto holocausto Que na solidão figura, e na dor amorna A vazia inspiração e, o silêncio exausto © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21/06/2020, 09’43” - Triângulo Mineiro Olavobilaquiando

⁠SEXAGENÁRIO Velhice. Um novo horizonte num outro amanhecer Lúrida, o vigor sem luz, roto e frágil; o pensamento
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⁠SEXAGENÁRIO Velhice. Um novo horizonte num outro amanhecer Lúrida, o vigor sem luz, roto e frágil; o pensamento No ontem, a tremer, e o olhar revoando pelo vento Cambaleando na encosta do tempo, e ali a descer... Passa. Passando. Sucessivo, um novo sentimento Que sombreia a fronte, o eu e o querer nesse ter Sentir, ser, afinal, ainda no roteiro do poder viver Amparando os passos, desamparados, sofrimento E neste encanecido silêncio, a cada passo a ilusão Volta, evocando o sentido do velho terno coração Deixando a saudade solta pela lenta madrugada E cochila o olhar: e o olhar alucinado, tão calado Cabeceia nos segundos empoeirados do cerrado Incomodado, tal um leão em uma furna apertada © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 26/06/2020, 09’33” – Triângulo Mineiro Olavobilaquiano

⁠IMPRECAÇÃO (soneto) Se por falta de inspiração, numa furna escura Me vejo adormecido no vazio e na imprecação
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⁠IMPRECAÇÃO (soneto) Se por falta de inspiração, numa furna escura Me vejo adormecido no vazio e na imprecação - Agora, solitária e inerte, cheia de amargura Minha poesia suspira e rascunha sem demão E, em versos tortos e com uma certa loucura Devaneia nas linhas sem qualquer emoção Onde o silêncio escreve agonia que tortura Em trovas choradas e sangradas do coração Maldita sejas pelo lampejo sem sentido Pelo vão que toma conta do meu prover Pelo romântico versejar no falto perdido Pelos amores deixados sem deles ser Pelo prazer que passou a rimar doído Pela poética essencial tirada do viver © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 24/06/2020, 10’43” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

⁠NUMA TARDE DE INVERNO NO ARAGUARI Inverno. Em frente ao cerrado. Está frio A nevoa espessa na calçada, miro absorto
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⁠NUMA TARDE DE INVERNO NO ARAGUARI Inverno. Em frente ao cerrado. Está frio A nevoa espessa na calçada, miro absorto Pela janela. Rodopia o vento, num assobio Vai e vem, arrepio, tá frio, um desconforto O silêncio aqui dentro, lá fora um vazio Sinto calafrio, que frio, à tarde no orto E o pensamento em um devaneio vadio E o sentimento angustiado num aborto Ai que frio! Tá frio! E a poesia por aí Numa tarde de inverno em Araguari E a noite mansa chega assim tão triste E eu olho o céu deserto, avermelhado É de frio! O inverno é todo o cerrado Banhado deste frio, tá frio! Que insiste! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21/06/2020, 16’12” - Araguari Olavobilaquiando

⁠⁠Flor amarela... A uva passa, a rosa murcha, o retrato amassa, o vidro quebra, o papel queima, e a flor amarela, sempre viva... viva ela! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado
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⁠⁠Flor amarela... A uva passa, a rosa murcha, o retrato amassa, o vidro quebra, o papel queima, e a flor amarela, sempre viva... viva ela! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Junho de 2020, Triângulo Mineiro Sertão da Farinha Podre.