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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

⁠SONETO D’ALVA Ao luzir d’Alva, vejo o céu do Triângulo Mineiro Num raiar tingido, diverso, e cheio de feitiços
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⁠SONETO D’ALVA Ao luzir d’Alva, vejo o céu do Triângulo Mineiro Num raiar tingido, diverso, e cheio de feitiços No entreabrir do cerrado em encantos noviços Ai! que rico cenário! ai! que cenário faceiro! Ao lusco fusco os pintalgados em reboliços Na mangabeira, no ipê, no jatobá e coqueiro Mesclando o espírito do sertão por inteiro Ai que afáveis viços! ai! que afáveis viços! Abarroto de encanto, olhos cheios d’água Ai que diversa aurora! ai! diversa aurora! Em suspiros, no fascínio dissipo a mágoa O dia raiando, numa mais que perfeita hora Raios de sol doirando e invadindo a purágua Fulgindo a imaginação na madrugada sonora © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Sertão da Farinha Podre Triângulo Mineiro, 09 de junho, 2020 Olavobilaquiando

⁠Cantinho... Sabe aquele lugar no cantinho, bem seu onde a sua inspiração habita
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⁠Cantinho... Sabe aquele lugar no cantinho, bem seu onde a sua inspiração habita Pois bem: é ali que fico eu, os sonhos, pedaços da minha escrita. Longe da vista de tudo e de todos... - meu cantinho, que a quimera edita os rodapés da página são sem lodos e, a poesia mais bonita... Ali tento ser melhor. Sem engodos! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Sertão da Farinha Podre Triângulo Mineiro, junho, 2020

⁠SOLIDÃO INQUIETA Inquieto no peito os soluços e os gritos Do silêncio que rege uma tal despedida
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⁠SOLIDÃO INQUIETA Inquieto no peito os soluços e os gritos Do silêncio que rege uma tal despedida Há choro, lamento, e tarares contritos Para, infeliz, galgar o prosseguir da vida Teu cheiro, nos meus dias viraram ritos O meu capricho está sempre de partida E os meus ineditismos estão proscritos Sem tu, o coração é uma imensa ferida Mas tua alma ficou, tatuada na poesia E assim os sonhos confidencias pra lua Das noites de devaneios, amor e magia E nas trovas de solidão inquieta e nua O poetar é de dor em forma de agonia De quem vagueia despovoado pela rua © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07 de junho de 2020, Triângulo Mineiro Sertão da Farinha Podre Olavobilaquiando

⁠Violeta De alma secreta a violeta:
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⁠Violeta De alma secreta a violeta: casta, delicada, serena tão bela, pequena e, grande no esplendor dos amores uma flor da paixão os afagos de doces pressagos beleza e poesia luzidia magia... Delicado cristal Ó formosura universal que acalma a alma inquieta és tu... Violeta! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 17’32”, 5 de junho 2020, Araguari Sertão da Farinha Podre

⁠Cheira o Cerrado O cerrado é desengonçado, e cheira bem Ipês, pequis, caliandra bom cheiro tem
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⁠Cheira o Cerrado O cerrado é desengonçado, e cheira bem Ipês, pequis, caliandra bom cheiro tem Na madrugada cheira o manacá Na queimada cheira fumaça, e o jatobá Cheiro bom, tem! Secura e chuvarada Cheira também. Aqui a saracura tem morada E o lobo guará, cheiro forte da mata vem É cheiro do cerrado, autocrata, cheira bem Quaresmeiras matizam o chão cascalhado E perfumam também, é encantado, alado: - O sol no horizonte um cheiro provém É o cerrado, cheira bem! Cheiro de vida tem! Saudade, infância, ao seu lado Inspiração detém, cheira o cerrado Um prezar refém, faz ir além Sentir o cheiro que ele tem... Cada canto tem cheiro e magia O cerrado exala cheiro de poesia © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 04/06/2020, 16’34” – Triângulo Mineiro Sertão da Farinha Podre paráfrase César de Oliveira

⁠SEPARADO (soneto) À saudade que sofre, em segredo De ti, no exilio o peito a suspirar
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⁠SEPARADO (soneto) À saudade que sofre, em segredo De ti, no exilio o peito a suspirar Palavras sem sentido e enredo Chora, e faz o poema lacrimejar Com que estro e aperto azedo Amargam os versos a lamentar Causando nas rimas tal medo Que fende com a dor a rasgar Nem só desejo poetar o amor Desejo, nem só canto de amar Me basta, trovas do teu beijo Assim, poder ter conto rimador E as estrofes do seu doce olhar Na esquina da poesia, almejo... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 03/06/2020 – Triângulo Mineiro, MG Sertão da Farinha Podre

⁠NUMA TARDE Dentro do crepúsculo no horizonte Do entardecer do cerrado luminoso
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⁠NUMA TARDE Dentro do crepúsculo no horizonte Do entardecer do cerrado luminoso No céu espalha o devaneio ramoso Encanto peculiar, e plural viva fonte Entrelaça-se, nas cores, em monte Em um sintoma mágico e viçoso Se vestindo de um atrativo fogoso Corando o ar no dia em desmonte O silêncio da tarde corre fugidio As pombas gorjeiam no beiral E o sol empalidece num arrepio É a noite saindo do véu virginal E o vento em um afiado assobio Poetando um entardecer casual... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado Numa tarde, 2020 Sertão da Farinha Podre, Triângulo Mineiro

Orquídeas [...] multicor ao vento bailarinas
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Orquídeas [...] multicor ao vento bailarinas na natureza ao dispor delicadas meninas seda da vida nos jardins inquilinas na medida tutus de rendas contidas... garridas... prendas tão belas, floridas as orquídeas, tom maior... preciosa flor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20/05/2020, Triângulo Mineiro

O BEM (soneto) Sim, no vaivém de querer ser alguém
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O BEM (soneto) Sim, no vaivém de querer ser alguém Sei de sobra que a vida cobra... Sei, que ir além requer ser, também! Ser, o que o jeito dobra e ter mão a obra... Sei, enfim, que todo tem porque e tem porém... Contudo, a vida se tem amor de partida o propósito terá o bem. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20/05/2020, Triângulo Mineiro

VISITA (soneto) Nos paralelepípedos das calçadas Leio os versos do viver de outrora
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VISITA (soneto) Nos paralelepípedos das calçadas Leio os versos do viver de outrora Meu, rimas sinuosas e poeiradas Numa memória tão fugaz e sonora Vou sozinho, outras as madrugadas A trama diferente, e outra a hora Outros destinos, e outras estradas Desassossegado, o que sinto agora... Choco na linha da vida, nas esquinas Fico calado. Desfaço o laço de fita Do fado. Tem cheiro de naftalinas Corri ao encontro da velha escrita Sorri, falamos, ofegantes narinas Segui andando, na revinda visita... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/05/2020, Triângulo Mineiro

Ser-se Poeta Ser-se poeta é ser-se sentimental ( - ou mais do que piegas talvez...)
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Ser-se Poeta Ser-se poeta é ser-se sentimental ( - ou mais do que piegas talvez...) É pôr-se no romantismo especial E ter a sofrência nunca em escassez É devanear sem arrecadar nada Consciente da redoma lhe posta Nos versos da poesia traçada Estar sempre em busca de resposta É saber rir e chorar sem por nome Ter no olhar um querer por alguém Um amor que sempre lhe consome E uma trateia que o leva para além... É enredar com perfume a dor E acha-la formosa e humana Porque lhe faz eterno amador Com sensações de rara porcelana Ser-se poeta é ser-se sonhador! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15/05/2020, Triângulo Mineiro

abajur mesmo estando escuro havia aquele abajur
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abajur mesmo estando escuro havia aquele abajur mesmo sem poesia havia o lusco fusco da lua iluminando o teu olhar que luzia na inspiração, com rima nua poetando o que não dizia a paixão... e onde era sua a minha vontade, o meu amor hoje, solitário pela rua os meus versos sem sabor vai... chora... calado por onde for e o abajur apagado... aí que dor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 16/05/2020, Triângulo Mineiro

Alvorada Raiar. Madrugada. O fulgor E mais cintilante talvez
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Alvorada Raiar. Madrugada. O fulgor E mais cintilante talvez E uma brilhante palidez O cerrado no seu alvor Não a beleza apenas Do horizonte multicolor Mas a das cenas plenas Que no delírio é revelador A voz do dia grita E da magia responde Numa formosura infinita Que no flexuoso esconde Mas quase sem ruído A alvorada no outono Deixa na noite o sono E do sublime é possuído! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15 de maio, 2020, 05’05” – Triângulo Mineiro

COVID (soneto) Madrugada. Silêncio. A agonia A treva no aflito recolhimento
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COVID (soneto) Madrugada. Silêncio. A agonia A treva no aflito recolhimento A ânsia dum outro momento Sacode a quietude da poesia Deveras outro sentimento Numa contaminação do dia E então outro tempo teria Nova era, novo nascimento A voz de Deus Pai grita E a das almas responde Nesta labareda infinita No peito o medo esconde Num ruído saído da escrita Dispersos, filhos de Eva... pra onde? © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Maio, 2020- Cerrado goiano

AME PRIMEIRO (soneto) Quem quiser ter poesia, que ame primeiro O poetar onde, total, caiba na haste da flor
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AME PRIMEIRO (soneto) Quem quiser ter poesia, que ame primeiro O poetar onde, total, caiba na haste da flor Ai dos que trovam, e dele não é por inteiro Se apartam das quimeras e do afável amor Os versos sorriem, enfim, ao ser certeiro No peito do poeta que está um amador No sonho passageiro, da ilusão é herdeiro O bardo romântico, um eterno sonhador Ai de quem, gerando-os, nada lhes trouxer Ai dos que tem o dom e não tem o afeto Hão de ali perder-te o que a emoção quer Aí, no silêncio do senso um rimar inquieto Coração sofredor e da ventura sem saber Então, redigi solidão no corpo do soneto! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/04/2020, 06’37” – Cerrado goiano

Poema perfumado O meu poetar anda na ilusão Mesmo assim, ele vai além
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Poema perfumado O meu poetar anda na ilusão Mesmo assim, ele vai além Sofrência? Não. Por onde for Nas rimas do seu amor És poesia, senso, refém! Não o tenho pra mais ninguém (só você) Tentaram detê-lo na saudade Mas abri-lhe a porta do bem Na trova solitária, humildade Porém, nas tuas linhas, sonhos E aquela romântica vontade Me fez ter temores medonhos De um amor com felicidade.... Ai! a lembrança! - dor doída Ai! Tu! - memória prazerosa Que acalma a alma sofrida E perfuma a vida com rosa! ... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15/04/2020 – Cerrado goiano

Encontro Inspiração, agarrei-te Pelo cangote da poesia
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Encontro Inspiração, agarrei-te Pelo cangote da poesia E, contigo, nesse deleite Ri, chorei, e na ousadia Dei ao meu eu devaneio Que a imaginação fantasia E os versos, dela recheio... Delirei passo a passo E tão pouco sabia Que ali seria laço Que a alma quisera Ter como compasso E a cada trova, nova era De colher cada meu pedaço Que vivia em espera Em segredo no coração Assim, então, achei-te Ó poesia, Divina criação E para cada afeite Uma emotiva razão! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 04/04/2020, 07’37” – Cerrado mineiro

SONETO INDOMÁVEL Ó pranto! À dor, quando, entranho Fico sem rumo certo pelo cerrado
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SONETO INDOMÁVEL Ó pranto! À dor, quando, entranho Fico sem rumo certo pelo cerrado O anoitecer, quando, chega calado Tudo é solidão, e em nada é ganho Tristura, fria, que pesa no passado O vento é poeira de ardor estranho E a hora lenta e tão sem tamanho Que o olhar vazio, alheia, fissurado No meu alvo silêncio, rude insônia Clamo por todo o arrimo, em vão Nada escuta, indigente cerimonia Invento um verso, tento, e tento E rasgo-o, continuas sem demão Tudo é indomável no sentimento © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 04 de março de 2020 – Cerrado goiano

Embate À volta de incerta inspiração Ocupei as minhas mãos.
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Embate À volta de incerta inspiração Ocupei as minhas mãos. .... e foi a poesia sua combinação! Brinquei de poetar a vida Só por tê-la. Ai! como é incontida Misteriosa e bela Cheia de medida! Em rima discreta, branda Fui poetando, fui poetando O que a emoção manda... E, o que o fado me foi dando Talvez fiquei devendo à poesia Um canto de delírio, trovando Ou talvez mais alegria! Quiçá! Uns versos amando. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 04/04/2020, 17’52” – Cerrado goiano

COBRA CEGA (soneto) Era a saudade, saudade crua que vela A solidão. Com a impostura do pranto
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COBRA CEGA (soneto) Era a saudade, saudade crua que vela A solidão. Com a impostura do pranto Que sente falta, partida em um canto Do coração, que se veste da dor dela Era a lembrança! Curvada na janela A esperar que se quebre o encanto E no horizonte desanuvie do manto Da noite vazia, e se torne leve e bela Era a angústia com a sua tristura cada Era o seu silêncio e o seu tempo lasso O desespero na negrura da madrugada Que brincam, com o desanimo crasso De olhos vendados, e a ventura atada De cobra cega com o prazer escasso... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 05/04/2020, 15’11” – Cerrado goiano