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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

EVOCAR (soneto) Meu amor diz-me como chamas - 0 nome que deixei de recitar
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EVOCAR (soneto) Meu amor diz-me como chamas - 0 nome que deixei de recitar Diz-me para não mais me calar Nada além, diz-me se me amas Diz-me apenas se tenho lugar Ainda no teu peito em chamas E nas lembranças se tu reclamas Ou se no ignoto vou assim ficar Minhas lágrimas são só saudade Nesta felicidade que desaprendi E os versos tornaram-se metade Para que o coração lembre de ti Então, diz-me teu nome, brade! Antes que eu seja, nada, por ai! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 28/03/2020, 10’42” – Cerrado goiano

Ironia De tanto pensar na desilusão Mais de cem vezes desiludi
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Ironia De tanto pensar na desilusão Mais de cem vezes desiludi De tanto chamar a solidão A solidão chamou-me a si Deu-me dor e a contramão E muito deste revés, senti Ferindo o crédulo coração Eu chorei, ri, e assim segui Escrevi emoção e loucura Nos devaneios da euforia Cheios de teimosia, eu vi! Hoje, ainda insiste na procura O versar. Por essa tal poesia Do que ainda não sofri... (Oxi!) © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 28/03/2020 – Cerrado goiano *paráfrase Pedro Homem de Mello

ÚLTIMOS VERSOS (soneto) Na poesia luzente, hoje triste e fria Onde os versos eram para a gente
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ÚLTIMOS VERSOS (soneto) Na poesia luzente, hoje triste e fria Onde os versos eram para a gente Na poesia feliz, que ti trovei um dia Para sonhar, já perece, eternamente Achei (ia perpetuá-la) à nossa valeria Intocada a rima de amor contundente Aquele olhar, sussurrado em melodia Que nos fez delirar a alma ferozmente E doravante, chora, a prosa na solidão Que, outrora, era de convivo tão leve Agora, cheias de rancor e de embraço Aquele abraço que escrevia emoção Que trazia sintonia, e hoje tão breve Ó inolvidável amor, desatou-se o laço! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 27/03/2020, 10’57” – Cerrado goiano

IDENTIDADE (soneto) Não sou assim nem assado, sou! É o que tenho no fado, por agora
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IDENTIDADE (soneto) Não sou assim nem assado, sou! É o que tenho no fado, por agora E, às vezes, tão poético vou afora Que eu nem chego a ser.… estou! Não sou isto ou aquilo! Eu vou! Todavia, tento fazer de toda hora Brandura, esquecendo o outrora E das dúvidas um agradável voo... Se acabou, passou, o que importa Quero abrir no estro outra porta E assim, então, eu decorro vendo... A vida, que é curta, na sua temporada Tento de estar igual em cada morada E, ao poeta os devaneios pra ir sendo! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 26/03/2020, 09’34” – Cerrado goiano

JULGA (soneto) Ah.... o poeta procura A alma em cada verso
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JULGA (soneto) Ah.... o poeta procura A alma em cada verso Rimar o olhar disperso Num canto de ternura Porém, tem senso averso Também, na sua estrutura E de tal jura, na sua leitura Que faz do leitor submerso E, de momento a momento Que varia o sintoma diverso Levando-o na ilusão ter fuga E, é em vão só o sentimento: Se é alegre ou se é perverso. Pois, ao poeta não cabe julga! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 27/03/2020, 17’14” – Cerrado goiano

Simplicidade (soneto) Como eu gostaria Ter a simplicidade
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Simplicidade (soneto) Como eu gostaria Ter a simplicidade Olhar sem maldade Queria.... eu queria Ser igual as emas Rudes e elegantes Assim fascinantes Ser sem dilemas... Ser, simplesmente: - Igual uma poesia - Igual uma pureza E constantemente: Ah! gostaria, queria A vida em singeleza! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 24/03/2020, 07’01” - Cerrado goiano

CANÇÃO À AUSENTE (soneto) Pra te esquecer ensaiei minha saudade Deixei então de pronunciar o teu nome
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CANÇÃO À AUSENTE (soneto) Pra te esquecer ensaiei minha saudade Deixei então de pronunciar o teu nome Me escondi no silêncio que me consome Pra te esquecer ensaiei a minha vaidade Pra te omitir ensaiei diverso pronome Busquei na poesia uma profundidade E na maldade do verso tu me invade Pra te omitir ensaiei não ter de ti fome Pra te esquecer ensaiei a minha razão E no vão árduo o pensamento chorou Para te omitir ensaiei o meu coração Pra te esquecer e te omitir só sobrou Um prazer agridoce e amarga ilusão Para te omitir, esqueci.... acabou! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 24/03/2020, 19’10” - Cerrado goiano

CERRADO “IN CONCERT” Versei-te? Sim. Doidamente! Admirei-te com admiração
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CERRADO “IN CONCERT” Versei-te? Sim. Doidamente! Admirei-te com admiração No seu irregular da retidão Do rubro luzidio sol poente À beira de ti: - barbatimão Ipê e buriti, sim, presente! Esquecer-te, nunca, tente! É diversidade em dimensão Então, como não poetar-te? Se nos teus galhos retorcidos Que se tem a variegada arte! E, quando nos teus alaridos Das seriemas, tudo é parte Dos poéticos aqui permitidos... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 24/03/2020, 10’29” - Cerrado goiano

O AMADOR (soneto) Ser-se amante é ser-se abundante (- ou mais do que generoso talvez)
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O AMADOR (soneto) Ser-se amante é ser-se abundante (- ou mais do que generoso talvez) É doar-se em lealdade tão gigante E pôr-se ao total dispor na validez É olhar com um afeto importante Ciente de ser mais que uma vez Ao qual cada beijo é sussurrante E o amor, então, cheio de vividez É saber que o ardor nos consome A sede, do querer, saciada no bem Rir, cantar, e ter o escolhido nome É acertar no que não nos faz refém Que nos detém! e ter do outro fome Porque a gente ama, e quer ir além... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 24/03/2020, 14’01” - Cerrado goiano

SINO DOS PASSOS (soneto) No sertão do cerrado um sino canta 15 horas, um sino num dobre triste
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SINO DOS PASSOS (soneto) No sertão do cerrado um sino canta 15 horas, um sino num dobre triste Canta... evocando os Passos aluíste Do Senhor. Reclinai-vos é hora santa Um sino canta... A alma no crer levanta E ao vento soando em um dobre insiste O canto solitário, que no tempo resiste Em prece e o testemunho que encanta Ao longe, num ar sombrio, arde o sino Chora, e agradece com seus compassos E o céu se cobre com o repicar em hino E nesta hora de fé, ao chão os fracassos Nossos, e o perdão ao nosso Pai Divino No campanário, soa o sino dos Passos! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 23/03/2020, 15’20” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

NÃO CHORE O AMOR Não chore nunca o amor perdido No silêncio sombrio da sofreguidão
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NÃO CHORE O AMOR Não chore nunca o amor perdido No silêncio sombrio da sofreguidão Deixai ir, à solta, o luto da emoção Na dor de o afeto vão adormecido E quando, à noite, o vazio, for valido Abrolhai, no peito, a doce recordação Pura, e feliz, das horas em comunhão De outrora, e na história de ter vivido Lembrai-vos dos enganosos, dos idos Das sensações com haveres divididos E das maquinas que te fez quiçá doer E, ao considerar, então, a tua perca Vereis, talvez, como é frágil a cerca Da divisão. E que é possível esquecer! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 24/03/2020, 10’41” - Cerrado goiano

SONETO EM SILÊNCIO Este é o azarado malfeito no amor Que os sonhos afoga na garganta
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SONETO EM SILÊNCIO Este é o azarado malfeito no amor Que os sonhos afoga na garganta E, solitariamente, vive no dissabor Aos olhares outros nunca encanta Deixado, no escuro e sem assessor Vaga. E, ao cabo de solidão tanta No desejo pouco coexistiu amador E com o tempo o vazio só agiganta Coração deserto, lágrimas e pranto O silêncio no peito é um pesar tonto E aos lábios frios a carência acaricia Num beijo sem calor e sem manto Onde está sensação é sem pesponto E a emoção sem apaixonada poesia © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 23/03/2020, 06’45” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

ÔNUS Tantas vezes, chorei, no infinito da emoção Solto no silêncio áspero da pesada saudade
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ÔNUS Tantas vezes, chorei, no infinito da emoção Solto no silêncio áspero da pesada saudade E em soluços os sonhos caíram na solidão Tonto, vazio, e o pensamento pela metade Sem ti, a alma voa num espaço de ilusão A noite... atordoa sem a menor afinidade E os dias me parecem não mais ter chão A imensidão dobra para uma eternidade Para cada verso da inspiração parda, dor O meu universo cheio de pesar e de breu E o coração já não mais trova com ardor Tudo é rumor no ávido afeto que foi seu Confesso... - que não mais está ao dispor! Deste amor... - levo somente o que é meu... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21 de março de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

NARRATIVA (soneto) Ah! quem nos dera diferente ser, porvir Inda nos perdoasse! Ah! quem nos dera
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NARRATIVA (soneto) Ah! quem nos dera diferente ser, porvir Inda nos perdoasse! Ah! quem nos dera Que inda juntos pudéssemos mais sorrir Ver o pôr do sol e o florir da primavera Vivíamos com a leveza do simples sentir E os dias eram longos e felizes cada era Narrávamos as horas no prazer de existir: - os beijos, os olhares, restam na quimera E, no coração, a lembrança que implora E em cada suspiro a saudade que palpita E de visita o teu cheiro na difícil memória Ah! tão sem glória ver tudo isso ir embora O querer chora, e o amor não mais acredita Outrora contíguo... e agora, nossa história! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 22/03/2020, 04’49” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

SEM JURA (soneto) Nesse poetar sofrido e atado Refúgio da minha desventura
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SEM JURA (soneto) Nesse poetar sofrido e atado Refúgio da minha desventura Usando o trovar como mísula Nada consola ou é consolado A dor doída é sem o agrado E o coração sem ter ternura É um verso com amargura E que no peito é mastigado A voz da falta, nele falando Reluz com sofrer em gritos E que na saudade murmura E, porque ficar blasfemando Então, com os versos aflitos Se já não mais existe, jura! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 22/03/2020, 12’23” - Cerrado goiano Olavobilaquiando

CONSOLAÇÃO Penso às vezes na saudade, nos tempos idos Que inflamei na juventude, vida e inocência
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CONSOLAÇÃO Penso às vezes na saudade, nos tempos idos Que inflamei na juventude, vida e inocência Penso nas quimeras deixadas na reticência Levadas pelo vento, nos destinos repartidos Penso nos poemas nos vazios adormecidos Deixados ao léu. Sem qualquer referência Amargurados no peito e cheio de carência Penso nos prazeres nos perdidos contidos Talvez na dor pudesse ter sido diferente E de repente com flores fizesse diferença E a minha presença, importante vertente Porém... nada é como o que se pensa O destino é traçado na tenra semente Viver é amor, e amar é de vital crença! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20 de março de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

CERRADO ALVORECENDO Um raiar grande e luzidio, um alvoroço profundo O amanhecer no horizonte em histeria tremenda
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CERRADO ALVORECENDO Um raiar grande e luzidio, um alvoroço profundo O amanhecer no horizonte em histeria tremenda As maritacas nos buritis já se fartando da merenda E o cheiro do chão duro, do bafejo manso é oriundo Preme pela janela o raio de sol rachado na fenda O vento seco trovando suspiros vindos do fundo Da melancolia, que traz a saudade num segundo E que desperta no sertão com a mais bela legenda: De vitalidade, pois é a diversidade já alvejando Vê! Tudo é magia, leve, com toda a sua ousadia Brilha o capim dourado no campo, em bando... E tudo vai demudando, tal uma doce poesia Escritas com as mãos do Criador, ali rimando, A vida com a lida do alvorecer de mais um dia! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21 de março de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando *no olho do furacão do COVID-19

ÚLTIMO RAIO DE SOL Último raio do sol, rubro e belo No escurecer do excelso planalto
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ÚLTIMO RAIO DE SOL Último raio do sol, rubro e belo No escurecer do excelso planalto Ouro nativo, horizonte vai alto Entre o negror um aroma singelo Amo-te assim, o árido arauto Que tens o tom do amarelo Matizado ao vermelho, elo Entre o impetuoso e o cauto Amo o teu esplendor poético De brilho lhano e tão casto E o teu variegado frenético Amo-te fulgor do cerrado Encantado, de sonho vasto - um entardecer denodado! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20 de março de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

decesso... [...] pra que sofrer com despedida se quem parte não leva nada
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decesso... [...] pra que sofrer com despedida se quem parte não leva nada e quem fica... tem a medida do tempo, na sua jornada... todos nós temos o preço no feito, partida e chegada! "A vida e um ato e a morte o recomeço" então, que tudo seja camarada! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20 de março de 2020 - Cerrado goiano

EMOÇÃO VAZIA (soneto) Solitária, no silêncio do cerrado, um dia A inspiração, acorda em um aflito apelo
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EMOÇÃO VAZIA (soneto) Solitária, no silêncio do cerrado, um dia A inspiração, acorda em um aflito apelo Sente o falto e o logro num só pesadelo E sua trova no nada suspirava e restrugia Torvo o sentimento, tal qual um novelo Sentiu, que palavras ali não mais havia E que a sua devoção estava despida e fria A paz e o acaso sem voz, o senso um gelo Era o vão, a eversão do caos no ceticismo Do amor, em um desapego tão profundo A sensação estava largada em um abismo E no talvez de um poetar com harmonia Teve poema trapilho, pobre e moribundo E o revés em maldição da emoção vazia! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/03/2026, 06'56" - Cerrado goiano Olavobilaquiando

Orgulho de Minas Gerais Desvenda-se as serras azuis: nas Gerais As margens do brejo alegre, meu chão
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Orgulho de Minas Gerais Desvenda-se as serras azuis: nas Gerais As margens do brejo alegre, meu chão “Arraial da ventania”, enredo e refrão Leito do descanso eterno de meus pais Cerrado de encanto e esplendor, razão Do meu agrado, porto seguro, meu cais Em um recanto de silêncio, tão iguais Aos de outrora... as eras de predileção O édem de paz, de doce árido sertão Terra boa, do pôr do sol da cor rubi Eterna poesia, musicadas em canção Dos seus campos, flores e o buriti Que ornam o olhar, em admiração Orgulho de Minas Gerais, Araguari! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19/03/2026, 06'56" - Cerrado goiano Olavobilaquiando

ECLIPSE (soneto) Sei de uma saudade, tapera escura Onde meu coração anda penitente
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ECLIPSE (soneto) Sei de uma saudade, tapera escura Onde meu coração anda penitente Memória de uma dor, que perdura No peito, cheio de suspiro pendente Ó paixão, só me quer na sepultura Da solidão, amarrado em corrente Da agonia, me privando da ternura De ter-te... me tiranizando a mente Por que? Bates a porta do querer Quer me ver sofrer e em prantos E de sentimento rude e sem valor Arranca de mim este vazio a prover Versos toscos e tão sem encantos... Tal qual a quem... desluziu o amor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 19 de março de 2020 - Cerrado goiano Olavobilaquiando

ÁGUAS DE MARÇO (soneto) Na tarde do cerrado, tarde de chuvarada A vida, arfa das quaresmeiras o perfume
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ÁGUAS DE MARÇO (soneto) Na tarde do cerrado, tarde de chuvarada A vida, arfa das quaresmeiras o perfume Lilás, exalando aroma em um tal volume Espalhando pelo chão nuance desbotada Na tarde tropical, de quaresma, o lume Do dia, é embaçado, e a ventania riçada O ar, a criação, e a flora toda ela calada A hera faz que os pingos d’água espume O silêncio é partido pelo grito da seriema Num guincho alto de estalo e esto triste Melando o peito com melancolia extrema A tarde vai, num entardecer onde insiste A chuva, quase em pranto, sem dilema Pois, nas águas de março, poética existe! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 17/03/2026, 17'15" - Cerrado goiano Olavobilaquiando