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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

⁠MÁS SORTES Minha saudade é uma casa abandonada por cujos solitários e vastos corredores
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⁠MÁS SORTES Minha saudade é uma casa abandonada por cujos solitários e vastos corredores volteia o silêncio por toda madrugada das lembranças e questões dos amores Certa vez a essa estada mal ajambrada varrendo o ar pesado e seus horrores adentraste sorrateira quimera alada num devaneio aos desejos pecadores E, então, tão cruento e insistente querer um afeto cheio de poesia nessas incertezas, só perguntas! Ah! o vazio no carma eternamente na desilusão da paixão erma e fria a verdade de más sortes conjuntas! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 10/09/2020, 04’47” – Triângulo Mineiro

⁠INFORTUNO Falas de solidão, eu ouço tudo e calo Ó saudade! Rude e regateira caipira
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⁠INFORTUNO Falas de solidão, eu ouço tudo e calo Ó saudade! Rude e regateira caipira É. E é por isto que o vazio me imbuíra A alma, no silêncio, infortuno vassalo Viver! Quando virei por ter intervalo Entre a dor e o sofrer que não espira No tempo, e me põe nesta mentira Da esperança dum amor para amá-lo Pois é agridoce sentimento sagrado Que leva a noite insone no cerrado Messalina sensação, refutado fulcro Falas de amor, e eu me desalento Paixão na minha sorte é tormento Intento para eu levar pro sepulcro © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 09/09/2020, 13’43” – Triângulo Mineiro

⁠NIHIL Se ao amor amando, vivi meus dias Nas venturas de o acerto tomando
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⁠NIHIL Se ao amor amando, vivi meus dias Nas venturas de o acerto tomando Do convívio longo fui me afastando Das alegrias afins e as boas fantasias Enganava-me assim, me enganando Fiz da desdita arrebatadas poesias Suspirando desacertos e melancolias Para ter o infortúnio mais brando Sem ser retribuído, fui um amador Da devoção tentei amores, tendo E, se perdia, chorava essa vil dor Vivi tanto tempo assim vivendo Me enganando com tal dispor Hoje, nem creio no que vou tendo! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 08/09/2020, 08’00” – Triângulo Mineiro paráfrase Guimarães Passos

⁠CHAMAMENTO (soneto II) Este sentir puro, cuja o afeto derrama Na poesia, no coração, em toda parte
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⁠CHAMAMENTO (soneto II) Este sentir puro, cuja o afeto derrama Na poesia, no coração, em toda parte Que a alegria com o celebrar reparte E o meu peito apaixonado proclama este sentir, cujo o olhar me inflama que tem varia peculiaridade à parte e no sentimento dourado baluarte nos meus versos é belo panorama e essa tal sorte, não é apenas acaso é querer, sonho, que eu me abraso nos teus abraços, e tua terna cama és tudo do meu desejo, do querer onde estava que não pude te ver? Pois a muito meu amor por ti chama! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 07/09/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro

⁠DOR INFINDA Já no sumido aquele afeto profundo Só eu, ó pieguice, só eu me lembro
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⁠DOR INFINDA Já no sumido aquele afeto profundo Só eu, ó pieguice, só eu me lembro Das noites e dias secos de setembro Maçadas, e o meu amor moribundo Desde esse dia, eu ermo no mundo Atado a solidão e sem deslembro De ti, e do falto um azedo membro Não houve fôlego por um segundo Quando, ainda cria... - hoje perdido E lastimando no leito a desventura Tenho a sensação de já ter morrido Ah! saudade, que a vasca mistura No peito, e ao aperto tão sofrido... Dor infinda... e cheia de amargura! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Setembro, 06/2020, 05’46” – Triângulo Mineiro

⁠CERTIFICADO A velhice é um treco, dor e cansaço O dia é um balanço, no vai e vem
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⁠CERTIFICADO A velhice é um treco, dor e cansaço O dia é um balanço, no vai e vem o que resta, o mínimo que se tem Se faço, com a dificuldade abraço Devagar e no compasso, tudo bem Se vou além? ... pergunte ao passo Pois, da vagarosidade sou refém No próprio eu não tenho espaço Tudo me cansa, comove, maça Se rio, o choro faz igualmente E o tempo parece uma ameaça Já, a própria inércia é ausente Quase sempre sou sem graça O reflexo não reconhece a gente! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 06/09/2020, 15’15” – Triângulo Mineiro

⁠SÚPLICA (soneto) Se tudo muda e tudo perece Se tudo cai aos pés da negaça
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⁠SÚPLICA (soneto) Se tudo muda e tudo perece Se tudo cai aos pés da negaça Se veloz a vida por nós passa Pondo de lado o teor da prece Se, se a inspiração desfalece Se dói a dor que a dor enlaça Se perde o encanto, a graça O lhano, e aí a gente cresce Se o amor tem a alma pura E este amor também tortura Nos gerando tolos e loucos Se tudo tem no tempo valeria Tudo vai, Pai! Por que não alivia O sentir que me traga aos poucos? © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Setembro, 05/2020 – Triângulo Mineiro paráfrase Auta de Souza

⁠PÁLIDA À LUZ DA SOLIDÃO SOMBRIA Pálida à luz da solidão sombria como a dor na alma dilacerada
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⁠PÁLIDA À LUZ DA SOLIDÃO SOMBRIA Pálida à luz da solidão sombria como a dor na alma dilacerada sobre o leito de ilusão reclinada a amargura e uma paixão fria A satisfação que na perca jazia e pela melancolia era embalada a ruína e alegria embalsamada no desprezo e, na beira dormia Prantos, e as noites palpitando gosto amargo no peito abrindo os olhos esverdeados chorando Não rias de mim, sentir infindo: por ti – o amor busquei amando por ti – na teimosia eu vou indo... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Setembro, 2020 – Triângulo Mineiro

⁠“Ignoramus et Ignorabimus” Quanta ilusão! O amor ver-se objetivo e alheio ao brado do coração fagueiro
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⁠“Ignoramus et Ignorabimus” Quanta ilusão! O amor ver-se objetivo e alheio ao brado do coração fagueiro duma paixão, e do anseio prisioneiro compondo, que assim, será definitivo Dizem que amor é amor, se for vivo a quem o chama de valor verdadeiro livre, solto das amarras dum cativeiro se esquecendo que dele se é cativo Se o amor é sempre amor: - amado! tê-lo é também agridoce no enredo sem tirania, amar, deve ser desejado Se é sempre o mesmo falso segredo no início, perfeito, e tão imaculado porque então não o haver no medo? © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 2020, setembro, 03 – Triângulo Mineiro

⁠SUFICIÊNCIA Dita, ao pé do amor primeiro Estreante desta variegada vida
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⁠SUFICIÊNCIA Dita, ao pé do amor primeiro Estreante desta variegada vida Estou e estarei nessa acolhida Ao coração, fiel companheiro Da paixão o afeto cavalheiro Pulsa-lhe a poesia em torcida Faz a boa diversão apetecida Salivando o gosto por inteiro Trago-te flores, zelo certeiro Trovando a doce existência E que assim seja verdadeiro Se não, não serve a aparência E, tão pouco algo corriqueiro Intensidade que é suficiência! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 04/09/2020, 10’18” – Triângulo Mineiro

⁠Morrer... Termina a vida, morrer, com ela o viver Vão-se as dores, homenagens com flores
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⁠Morrer... Termina a vida, morrer, com ela o viver Vão-se as dores, homenagens com flores Rezas, choros e suplicas pros pecadores Depois, uma furtiva lembrança a prover Aos amores e aos meus admiradores... ... para as lágrimas fingidas Meu até mais... Cheio de saudações garridas E minhas retribuições iguais! © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 02/09/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

⁠TORMENTO ANÔNIMO Há amores não correspondidos, há enganos mais negros que a noite muito mais escura
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⁠TORMENTO ANÔNIMO Há amores não correspondidos, há enganos mais negros que a noite muito mais escura suspiros loucos, e o coração com amargura as horas, segundos mais longos que os anos E nestes doridos, loucos e alanceados danos que leva o fado para as bandas da desventura em um coral de gemido e de uma sorte dura atraindo aos sentimentos só os rumos tiranos E, as dores da solidão, sim, ela tão somente que se cala nos braços deste amor cruento dói, tal como ferir-se com gladio lentamente Ah! que penar, esse que só traz tormento lamentos e, nos ruminando inteiramente tendo os dias de sofrência como alimento © Luciano Spagnol – poeta do cerrado Setembro, 02/ 2020 – Triângulo Mineiro

⁠ AFORA Passaste como a flor do ipê fugaz que se desprende na sua aurora
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⁠ AFORA Passaste como a flor do ipê fugaz que se desprende na sua aurora do desvelo só tiveste àquela hora em que do afeto o emotivo traz Ter-te e perder-te! sensação voraz que inunda o peito, e a dor piora sem ver-te, o poetar por ti chora em tristes versos, saudade tenaz Demorou essa presença em mim minha alma ainda adora, e flora emoção num sentimento marfim Neste querer, o querer é outrora se sonhei contigo, calou o clarim dessa estória, o amor vai afora! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Setembro de 2020, 02 – Triângulo Mineiro

⁠UM AMOR NATURAL DE SÃO PAULO Ah, amor doído, me maltrata Saber que fui apenas recreio
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⁠UM AMOR NATURAL DE SÃO PAULO Ah, amor doído, me maltrata Saber que fui apenas recreio Que inda arde no peito, creio Que a dor me teimará ingrata Com o engano, verídica errata Ardo na agrura e no devaneio Mas com o tempo, tu, receio Irá se calar na súplice serenata Os teus olhos deixarão de ser: A força e planos no meu olhar Tudo gira, no eterno aprender Nego-te o meu sofrer e pesar Se lamento é para te esquecer Nesses versos de amor e amar! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Agosto de 2020, 31 – Triângulo Mineiro

⁠OUTRA RUA Onde estou? Está rua me é lembrança E das calçadas o olhar eu desconheço
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⁠OUTRA RUA Onde estou? Está rua me é lembrança E das calçadas o olhar eu desconheço Tudo outro modo em outra mudança Senti-la, saudoso, no igualar esmoreço Uma casa aqui houve, não me esqueço Outra lá, acolá, recordação sem herança Está tudo mudado do tempo de criança Passa, é passado, estou velho, confesso Estória de vizinhança aqui vi florescente Pique, bola: - a meninada no entardecer Hoje decadente, e conheço pouca gente Engano? essa não era, pouco posso crer Ela que estranho! Se é ela ainda presente Nos rascunhos, e na poesia do meu viver... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Agosto de 2020, 31 - Cerrado goiano

⁠REVERSO E VERSO Esse suspiro que padece no coração Que vês no duro e infeliz sentimento
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⁠REVERSO E VERSO Esse suspiro que padece no coração Que vês no duro e infeliz sentimento Estendendo o pesar para a emoção Deplora na saudade em sofrimento lhano fui, e vergou-se em desilusão Reverso e verso nesse sacramento De uma doce afetividade em vão Desgraçado fado, ó gasto lamento... Ontem, gozo e sorriso ardente De braço dado a qualquer hora Esse amor era o amor da gente E tal uma desordem, hoje chora Na solidão, triste sina, dor sente Esse amor que estimei outrora... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/08/2020, 05’49” – Triângulo Mineiro

⁠ VELHO CERRADO Olha este velho cerrado, tão belo
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⁠ VELHO CERRADO Olha este velho cerrado, tão belo De savanas cascalhadas e, antiga Quanto mais desigual mais se diga: - Triunfante na idade e no singelo Buritis, ipês, horizonte no paralelo Arranjam, livres, e o diverso abriga Em sua melancolia e a árdua cantiga Do vento nos tortos galhos em duelo Não choremos, sertão, a tortuosidade Admiremos cada traço, admiremos Como obra prima deve ser admirada Na glória do vário és tu, majestade Governando o encanto que vemos No mago fascínio da meseta velhada © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 29/08/2020, 13’49” – Triângulo Mineiro

⁠ESPERA Ah! quem dera que as lembranças de outrora Inda aromatizasse! Ah! e que assim pudera
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⁠ESPERA Ah! quem dera que as lembranças de outrora Inda aromatizasse! Ah! e que assim pudera O tempo de ontem fosse o tempo de agora E não só este imaginar: - a outra primavera Já não se tem mais uma extasiada aurora No vetusto ser, tudo é igual, sem quimera Onde a imaginação era de hora em hora Agora, silêncio. Ah! como díspar quisera: Debruçado nos sonhos, e o sonho recendia O desconhecido, cheio de poesia intensa No brotar do alvorecer duma nova hera Ah! quem me dera que isto, fosse um dia Uma razão, e não devaneios d’alma densa De saudades, que poeta suspira e espera... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 28/08/2020, 15’18” – Triângulo Mineiro

⁠VELHO TEMA Só a graça da poesia, em toda a sensação Palia o engano de um amor, mais nada
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⁠VELHO TEMA Só a graça da poesia, em toda a sensação Palia o engano de um amor, mais nada Nem mais os soluços do infeliz coração Disfarçam a dor da devoção malograda A insistente quimera por ela estacada No seu encanto, chora toda a emoção Da desilusão: no canto, na rima falada Criando outro sonho, de novo a paixão E, nessa inspiração que supomos Duma tal felicidade que sonhamos Em cada versejar, a verdade somos Assim, nessa concordância, sejamos O olhar, o afago, se na prosa fomos O sentimento, ai no amor estamos! © Luciano Spagnol- poeta do cerrado 27, agosto de 2020 - Cerrado goiano

⁠SUSPIROS PROFUNDOS Ninguém sentiu o meu choro inseguro Ó dolorosa dor entre as dores minhas
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⁠SUSPIROS PROFUNDOS Ninguém sentiu o meu choro inseguro Ó dolorosa dor entre as dores minhas Embriagada solidão, máculas daninhas O falto para mim foi silencioso e duro Permaneceste no pensamento escuro Vazia e casta, tristes eram as tadinhas E chegaste a ter mais do que tinhas Tornando-te em um flagelo impuro Invisível tornou o meu sofrer inquieto A minha poesia, o sentimento secreto Jorrados do sentir, ali tão moribundos E, neste trágico, pedaço dos pedaços Ele, que habitou a ter esses embaraços Fez-me o dono de suspiros profundos © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 26/08/2020, 12’28” – Triângulo Mineiro

⁠ALVO Pra onde houveres, sonho, pra onde fores Irei também, suspirando a mesma utopia
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⁠ALVO Pra onde houveres, sonho, pra onde fores Irei também, suspirando a mesma utopia Para amenizar o penoso logro, a fantasia E, sossegar a quimera de suas mil dores Que triste, a emoção sem as dadas flores E eu tão sem agrado e o ser sem alegria Sonhando sem inspirar a romântica poesia Pesadelos molestando e fazendo horrores Golpeou-me a direção? Que sorte sombria Nas escarpadas faces dos postiços amores De assim magoar-me sem que amor havia Seria a mão do azar, então me tocando? Se sou sonhador, e o amor com valores Não o ter, nefasto eu, Deus! até quando? © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 25/08/2020, 10’36” – Triângulo Mineiro

⁠FIM DE TARDE Cindindo a vastidão do céu do sertão Do planalto, num entardecer encantado
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⁠FIM DE TARDE Cindindo a vastidão do céu do sertão Do planalto, num entardecer encantado Sulcando as nuvens com raios dourado Devassando o espanto, e sedutora visão E no horizonte sem fim do torto cerrado Ei-lo purpureando em toda a amplidão Abarcando o cenário com tal composição De matizes, alumiado por dom imaculado Brilha, e se eleva em busca do infinito O findar do dia, no céu é manuscrito Auroreando a inspiração, numa poesia Cheio de escarlate, assim, a cintilar Que se vê na fulgência deste lugar Vai-se a luz, e vem a noite sombria... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 20/08/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

⁠AO PÉ DO OUVIDO Eu fui confidenciar, lôbrego, o meu pesar À velha lua, branca e nua, no céu viçosa
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⁠AO PÉ DO OUVIDO Eu fui confidenciar, lôbrego, o meu pesar À velha lua, branca e nua, no céu viçosa Na noite acordada, supondo que ao falar Teria o trovar solto duma queixa amorosa Não quis sequer atenção, então, prestar No celeste ali estava e, ali ficava gloriosa Mas, pouco a pouco, num súbito quedar Vendo um ciciar, pôs a me ouvir cautelosa: Entre soluços e suspiros eu narrava tudo Ela comovida, pois, poética e apaixonada Tal como é, romanceou o duro conteúdo Com os olhos cheios d’água, sonhadora Compadecida desta sofrida derrocada Então, chorou comigo pela noite afora © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 21 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro paráfrase Pe. Antônio Tomás