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Frases de Luciano Spagnol (poeta do cerrado)

627 frases

⁠⁠IRREVOCÁVEL A minha solidão tem sonhos imensos Que poetam sensações sem arreatas
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⁠⁠IRREVOCÁVEL A minha solidão tem sonhos imensos Que poetam sensações sem arreatas Onde o eco do querer, em serenatas Na inquietação, tem vigores extensos Meu coração tem umas tais colunatas E ali agitado, vivo com olhares densos Atraindo, com devaneios tão intensos E uns sentimentos e pesares primatas Nesse templário de sonhos e poesia Entrei ávido nessa catedral um dia Pra me contagiar com o doce sabor Doados pelos cavaleiros medievais Da paixão, amos destas catedrais: Me vi, irrevocável, ao provar amor! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 20 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro

⁠A QUARESMEIRA Pra Quaresmeira ser louvada, não basta No cerrado, trovar os dotes do encanto
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⁠A QUARESMEIRA Pra Quaresmeira ser louvada, não basta No cerrado, trovar os dotes do encanto Tem de ter na poesia, o instinto tanto Da magia e sensação que o belo arrasta De um esplendor e uma tal delicadeza Nesse sertão de diversidade tão vasta Seu destaque de flor preciosa e casta Do lilás dos cachos, adorno da natureza Exaltação aos olhos, de florada ligeira Chama da paixão, graça, poesia acesa A essência sedutora da quaresmeira Na admiração, um trescalar misto: De funesto fase, reflexão e beleza Em cortejo do martírio de Cristo! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 18/08/2020, 09’43” – Triângulo Mineiro

⁠ONDE O CERRADO MORA Uma secura à beira de um barranco No entorno: ipês, buritis, e o pequi
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⁠ONDE O CERRADO MORA Uma secura à beira de um barranco No entorno: ipês, buritis, e o pequi Por todo lado o agigantado céu rubi No horizonte, um devaneio franco O dia acorda na alva, num só tranco Onde ouve o canto da brejeira juriti E o passeio do solitário macho quati Ali, alvoraçando a vida num arranco À tardinha, em romaria, o regresso A melancolia deitada na rede, espera O entardecer mais bonito, confesso! Se crês na quimera, ela existe, porém: É no torto do cerrado de falsa tapera Onde mora, que há encanto também! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 18/08/2020, 15’17” – Triângulo Mineiro

⁠ADVERSO DUM VERSO Essa sensação de face cansada Que vês no meu poetar azedo
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⁠ADVERSO DUM VERSO Essa sensação de face cansada Que vês no meu poetar azedo De trova tremente e mirrada É falta que lamenta no enredo O versejar pouco camarada Da satisfação já em degredo De rima velha e desgraçada Em que não se profere ledo Ontem, de viço e alegria Hoje, o choro e sofrência Um fado. Na vã poesia Nesta dura sina em riste Do canto em decadência Verseja um poeta triste! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 17/08/2020, 16’45” – Triângulo Mineiro

⁠A SERIEMA Falam que a seriema, quando desata O seu canto, no cerrado ali tranquilo
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⁠A SERIEMA Falam que a seriema, quando desata O seu canto, no cerrado ali tranquilo A viola do roceiro, chora, a segui-lo Roncando esmorecimento pela mata O retinir, longo, tal um sino de prata Quando soa, longe, se pode ouvi-lo Num tal solfejo, em aguda sonata De um aristocrático canoro estilo Quando a cantata, ressoa amolada No coração do sertão, bem fundo A saudade dói, e no peito faz morada E o que mais neste canto se espanta É que o canto de apenas um segundo Na alma do sertanejo se agiganta... © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 2020/agosto, Triângulo Mineiro

⁠SONETO (amor) Se eu fosse o amor, a eternidade eu seria Um daqueles tempos de romance de outrora
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⁠SONETO (amor) Se eu fosse o amor, a eternidade eu seria Um daqueles tempos de romance de outrora Aos desencontros eu nunca chegaria E dos minutos eu faria mais que a hora O melhor da paixão está na quimera Do olhar que é desviado e que olhou Dos beijos dados (ah, quem me dera!) Eu seria o amor infinito, que não passou Eu seria esse amor literário Cheio de novela, nunca solitário Que todos espera sempre no coração Numa esperança sempre desejada Que no querer é promessa renovada Com pitada de cumplicidade e ilusão © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 17/08/2020, 12’12” – Araguari, MG paráfrase autor desconhecido

⁠O CONDENADO O sentimento está triste. Tão calado O pensamento solitário, num canto
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⁠O CONDENADO O sentimento está triste. Tão calado O pensamento solitário, num canto Com agonia, ali, assim, compassado E os olhos lacrimejando entretanto... E no sofrimento de um crucificado Pulsa na dor e chora árduo espanto Se sentindo, um tal tão desgraçado No drama e paixão, sem encanto... Do algoz, cruento, e seco cerrado O silêncio lasca o peito com tensão Que suspira em pranto, fulminado Tal um réu, um desafortunado, então Largado na ilusão, e se vendo de lado Soluça saudades o condenado coração! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 15 de agosto de 2020 – Araguari, MG

⁠[…]pão de queijo tem pra todo o gosto gostoso como beijo,
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⁠[…]pão de queijo tem pra todo o gosto gostoso como beijo, grande, miudinho, simples, composto e o cheiro, ah! exagerado por demais janeiro, fevereiro, agosto qualquer dia, mês, hora - são os tais! de manhã e de tarde no café, disposto é bão demais sô! Uai, é daqui das Gerais... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 14 de agosto de 2020 – Araguari, MG

⁠O AMOR QUE É AMOR O amor que é amor jamais vacila Nas paixões iradas entra sem medo
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⁠O AMOR QUE É AMOR O amor que é amor jamais vacila Nas paixões iradas entra sem medo Leva consigo a afeição e o enredo Do doce olhar, e o abraço que asila O desejo é uma variedade tranquila Pra quem cobiça, pois, vence o quedo E dum para o outro não tem segredo Enquanto o apuro o veneno destila Amor que é amor, a tudo transforma Um ato de grandeza e de plataforma Do bem, onde se tem a sorte ao dispor Esse esplendor, regado com flores São muito mais que simples amores É a natureza do amor que é amor... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 14 de agosto de 2020 – Araguari, MG

Orquídea ⁠Essa flor misteriosa e, exuberante
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Orquídea ⁠Essa flor misteriosa e, exuberante de significados, laboriosa insinuante bela, formosa - as orquídeas, tão mimosas que cada cor sua, poeta: o amor, a flor, o poder a sedução secreta do desejo, a nos emudecer diante da sua opulência profeta - tão lindas de se ver! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado Agosto de 2020 - Triângulo Mineiro

⁠Ai da saudade Quanta saudade Há nesta despedida
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⁠Ai da saudade Quanta saudade Há nesta despedida Dura realidade A vida! Ausentar é triste O suspirar insiste E também o amor Que consola a dor O vazio agiganta A agrura tanta Tanta saudade Sua majestade A saudade tanta Agora na sua ausência Seu carinho na carência Sua poesia, otimismo, alegria Nos meus versos, seus! O adeus. Foi-se a Deus! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado São Paulo, Guaianase, 07/08/2019 Dona Verconda Espadarote Bulus poetisa entre montanhas e flores, São José do Calçado perde sua poetisa. Minha gratidão, minha saudade, meus sentimento

⁠A ESCULTURA (soneto) Idealizada, em traços no pó de mármor Num luzidio de inspiração e de talento
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⁠A ESCULTURA (soneto) Idealizada, em traços no pó de mármor Num luzidio de inspiração e de talento Nas minúcias de fêmea em movimento Fixas em forma rara, de delicado primor Transpirando volúpia, vida e portento Do pó de pedra forjada com tenro amor Surge a forma e, prostrada em fomento Abrigo imortal, num cendal esplendor Do albor da imaginação, dos desejos Surge assim esquia e férteis latejos Ante a estátua feita, minha ovação E o espanto avido do meu espreitar Põe a beleza e delicadeza no olhar Dela, a escultura amoldada a mão © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 06/08/2020, 11’41” – Triângulo Mineiro Inspirada na escultura de Eliete Cunha Costa

⁠SONETO SEM SONO Tarde da noite. Ao meu leito me abrigo Meu Deus! E está insônia! Que conversa
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⁠SONETO SEM SONO Tarde da noite. Ao meu leito me abrigo Meu Deus! E está insônia! Que conversa Morde-me o pensamento, e tão perversa Numa flameja que acorda, tal um castigo Meia noite. E o silêncio também versa Tento fechar o ferrolho, e não consigo Da espertina. E assim impaciente sigo Olho pro teto, numa quietude inversa Esforços faço, remexo, me envieso Disperso, nada! O sono se concreta E o meu fastio já se encontra farto Pego no devaneio, e o olhar ali reteso Arregalado, e nesta apertura secreta Fico ancorado neste túrbido quarto © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 05/08/2020 – Triângulo Mineiro copyright © Todos os direitos reservados. Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

⁠O AMOR (soneto) O sentimento é uma formosa safira Rútila, que o prazer do sentir enseja
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⁠O AMOR (soneto) O sentimento é uma formosa safira Rútila, que o prazer do sentir enseja Onde a emoção a companhia deseja E no coração, aceso, flamejante pira Tal harmônica lira, na poesia suspira O abraço cativa, com o olhar se beija E na amizade, ele, o afeto, assim seja! É ardor com mimo que n’alma delira É sempre magia e também é donário Aquele singular poema no seu diário Ternura e sedosa flor, enredado voo Na companhia obrigatório alicerce Onde no caule do bem ele floresce Só quem tem, quem um dia amou! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 03/08/2020, 20’01” – Triângulo Mineiro

⁠A MORTE DAS VIOLETAS (soneto) No vaso floreado de variada cor De suave frescor e delicada trama
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⁠A MORTE DAS VIOLETAS (soneto) No vaso floreado de variada cor De suave frescor e delicada trama Cheias de viço e aveludada rama Desabrocham as violetas em flor Pouco estar, e de fugaz esplendor No seu breve e infortunado drama Enlanguescida, ela, curva e acama Tal aos pés da sofrência a fatal dor E vai perdendo o regalo a violeta Aos amuos do tempo, ali funesto Num despojo final, e última reta E, desbotada e então tombada Épica, em um derradeiro gesto Mortal, a violeta se vê imolada © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 02 de agosto, 2016 – Triângulo Mineiro

⁠Agosto do desgosto Um não sei desgosto, de onde? Um olhar na sorte e não se vê
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⁠Agosto do desgosto Um não sei desgosto, de onde? Um olhar na sorte e não se vê A perspectiva não se esconde O amor renasce para quem crê Conquanto a lenda cisma, por quê? Se os dias ressurgem no amanhecer Trazendo luz, início a nossa mercê: Se lamento, angustia, vem do viver! Acreditar? se nada muda, aí invente Que o dia há de boa esperança vinda Tente! E na dificuldade seja irreverente E quando chegar, aí a apertura finda Então, se contagie de fé e alegria Nos longos caminhos recomece Tenha o otimismo em leve romaria Agosto do desgosto, não acontece! © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 01/08/2014, 08’05” – Cerrado goiano

⁠Mal secreto (soneto) Se o vazio que sente, na saudade que mora No peito, e sufoca cada gesto recordado
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⁠Mal secreto (soneto) Se o vazio que sente, na saudade que mora No peito, e sufoca cada gesto recordado Cada olhar do passado, que a dor devora Pouco será a imensidão do vasto cerrado Pra que se possa ecoar tal tristura sonora A sensação que chora, e a lágrima da face Que escorre, e que chameja a toda hora Na recordação, sem que haja desenlace Se se pudesse, do ser a ventura recrear Da alma só felicidade então aí dimanar Tudo seria melhor neste amor inquieto Mas, está cólera que espuma, e jorra Da ausência, e a solidão que desforra Nos cala, e estampa um mal secreto... (2020, 01 de agosto)

⁠como ventania desajeitada rama brotada ilusão encantada…
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⁠como ventania desajeitada rama brotada ilusão encantada… vivo eu a velhice no silêncio, meninice sem crendice... apenas vivendo pouco querendo ou tendo... afinal, a vida de uma orquídea, adiante bela e breve, a cada instante... é diverso... assim vou, vibrante […]disperso eterno poeta errante... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/07/2020 – Triângulo Mineiro

⁠DESENCANTO (soneto) Muitas vezes trovei os amores idos Chorando o desalento e desventura
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⁠DESENCANTO (soneto) Muitas vezes trovei os amores idos Chorando o desalento e desventura No engano, numa lira feroz e impura De infelicidade, o vazio dos sentidos E nesses instantes sofridos, convertidos Cada lágrima escrita era de amargura Com rimas sem resolução e tão escura Soando a alma com cânticos gemidos E se tentava acalmar com justificação Mais saudoso ficava o árduo coração Que se enganava querendo encanto E, sussurrando, num afiado suspiro Os versos que feriam, tal um tiro O amor, eclodiam do desencanto © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/07/2020 – Triângulo Mineiro

⁠AOS PÉS DA CRUZ (soneto) A Vós submisso vou, braços crucificados Nesse calvário sacrossanto da paixão
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⁠AOS PÉS DA CRUZ (soneto) A Vós submisso vou, braços crucificados Nesse calvário sacrossanto da paixão Receba-me, na Tua elevada compaixão E, por nos livrar do mal, estais cravados A Vós, Pai, que pelos pecados fustigados Piedade! ... poupe os ceticismos incertos No Teu perdão, Teus zelos estais abertos Perdoai nossas falhas, e rumos errados A Vós, pés encravados, por nos amar A Vós, chagas abertas, para nos ungir A Vós, na dor, e Teu sangue a libertar Por não nós deixar, nem de nós desistir Por ser o filho escolhido, o meu olhar Aos pés da cruz, aqui estou pra remir... © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 29/07/2020, 11’02” – Triangulo Mineiro paráfrase Gregório de Matos Guerra

⁠O ACENDEDOR DO DIA (soneto) Lá vem o sol o acendedor do dia na rua Este mesmo, rubro, que vem reluzente
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⁠O ACENDEDOR DO DIA (soneto) Lá vem o sol o acendedor do dia na rua Este mesmo, rubro, que vem reluzente Raiando no horizonte, turvando a lua Quando o véu da noite se faz ausente Parodiado a poesia, a prosa continua Na energia, na quimera poeticamente À medida que a luz aos poucos acentua E a escureza da noite se vai de repente Encantada evidência que Deus nos doa Brilho que doira o dia e ilumina a vida E que com tal esplendor nos abençoa Assim, em nossa alma o amor insinua: O bem, a fé, a felicidade a boa acolhida Que na claridade com a gratidão tatua © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 30/07/2020, 07’22” – Triângulo Mineiro