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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

⁠Canção do Moto Clube Óleo nas veias. Sexta-feira cheia Lua negra
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⁠Canção do Moto Clube Óleo nas veias. Sexta-feira cheia Lua negra Lente de faról Acende o céu de areia Coração roncando lento Apressa o vento quente tudo é só momento Luz de estrela nessa rotação é chão de céu no asfalto No fim é sempre assim É noite e meia E Deus no alto Eu numa moto Boto óleo nas veias Sempre em frente Noite adentro Rotor pulsando lento Não existe pressa e nem tristeza e nem subida e nem planalto Eu sou do asfalto o vento No fim é sempre assim É noite e meia E Deus no alto Eu numa moto Boto óleo nas veias. Edson Ricardo Paiva

⁠Luz, poética leveza. Um feixe de luz Atravessa uma fresta
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⁠Luz, poética leveza. Um feixe de luz Atravessa uma fresta Fino raio de sol Descortina fumaça A poeira de giz Uma festa bonita, suspensa Partículas sem vida à vista Muita coisa eu vi no mundo Quase nada tanto assim Poético, profundo Ou então Que leve a mente flutuar Numa bolha de sabão Fragrâncias, perfumes Costumes de infância Perdidos no tempo Dizem mais Que lembranças em palavras Trazem leves alegrias Coisas quais não vividas Diferentes da infâmia Que figuram na lista Dessas coisas vãs que vi no mundo Que levaram os leves dias Penso Chega a ser engraçado Essa coisa que ficou perdida Em algum triste lugar Simplesmente elas, por serem Leves e bonitas, coloridas, flutuantes Tenho mesmo a impressão Tê-las visto distantes Mesmo antes de eu ouvir dizer, um dia De existência das estrelas Pode ser também que eu não tivesse A malícia de enxergar-lhes diferenças Tão feliz facilidade, na beleza de viver Mas a gente se deixou levar O mundo carregou toda delícia E qualquer leveza que na alma havia. Edson Ricardo Paiva.

Oportunidades. ⁠Aquela poça dágua Que ficou depois da chuva
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Oportunidades. ⁠Aquela poça dágua Que ficou depois da chuva Num final de tarde Ainda arde na tua lembrança A vontade de criança Ter pulado nela e lançado a lama pra todo lado Aquela voz na tua janela Um amigo com a bola debaixo do braço Te chamando pra brincar Nenhum de nós jamais saberá dizer Porque foi que você não foi Ou então, a goiaba amarela Aquela no galho mais alto Hoje a gente sabe Que de fato, lá ela ficou O tempo não tem atalho Aquele par de ouvidos As palavras podiam ser ditas Até hoje você se lembra Mas não acredita Deixa estar! A própria vida Tanta gente sonhou Tanto sonho se quedou pelo caminho O pássaro no galho No galho do ninho O papel estava lá O lápis também O mais lindo poema em mente E assim chegamos no presente Que aflição que te dá, que te dói! A página mais bonita Dá a impressão Que ela podia ser escrita Mas não foi Só a lama da poça Nossa! Essa, ficou conhecida Como um gesto repetido Mas aquela, do começo da vida Secou, como todo o resto Ficou tudo lá. Edson Ricardo Paiva.

⁠Tem um mundo Lá no coração da gente Um mundo sempre igual
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⁠Tem um mundo Lá no coração da gente Um mundo sempre igual Só que diferente Porque lá também tem céu Só que nunca é o céu presente É sempre outro, o tempo E tudo é melhor, eternamente Mas só dá pra olhar pra ele Quando o olhar da gente Como num barco distante Olha o mar Quando uma fogueira acesa Lá no alto da maior montanha Uma pipa no céu Que se torna avião Contorna o mundo e volta pra um dia qualquer Nesse dia é de tarde E a gente se vê Lá no galho de uma árvore Porque lá tem quintal também Só que sempre é diferente, é melhor Mesmo assim, distante o chão Ainda que eu voasse E, lá nesse céu tivesse O rosto de tanta gente Que passou pelas nossas vidas Gente que nos esquece Porque sempre haveremos de ser esquecidos Nesse mundo o esquecimento é diferente E tudo sempre volta Em formato de brumas Como um barco na noite Que passa lá, distante E você numa montanha A montanha no quintal O quintal lá no galho O galho no céu Que se torna avião Que contorna o mundo E traz você sempre de volta E quando volta você deixa lá teu rosto Pra que sempre sejamos lembrados Em formato de bruma sem nome Somos todos crianças brincando no mesmo quintal Se pudéssemos sair pra brincar Com certeza a gente iria pra lá Sempre...ou de vez em quando. Edson Ricardo Paiva.

⁠Confissão. Hoje eu compreendo Que errei muito
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⁠Confissão. Hoje eu compreendo Que errei muito Errei, por não saber Se soubesse Talvez tivesse errado mais Alguns de meus erros Foram simplesmente bons Se imaginasse Teria errado novamente Não somente os erros cometidos Que hoje eu vejo Como simples erros vãos foram erros acertados, muito bons Por não terem ferido a ninguém Ninguém que não merecesse Grandes erros Não os cometi Nem jamais o faria Esses acertos também Me fazem sentir Muito bem, hoje em dia Enganei-me aqui e ali Enquanto isso, eu vivia Errei algumas pedras que joguei em passarinhos Errei sobremaneira, no dia que decidi Escrever minha primeira poesia Errei em dividir muita coisa Com quem eu, mais tarde Fui ver que não merecia Errei, por não ter escolhido outro caminho Errei, por ter feito o que fiz Em lugar de fazer o que eu queria Errei ao dizer as palavras que eu disse num momento em que não pensei no que falava mas que eu fiz naquele dia Se tivesse percebido a tempo A paz que me faz sentir hoje Errava mais, por Deus que eu errava! Edson Ricardo Paiva.

⁠Vivência. Hoje eu vejo as coisas De maneira que eu não via
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⁠Vivência. Hoje eu vejo as coisas De maneira que eu não via Nunca fui de muito me atentar Queira ou não queira Cada qual tem seu jeito Nunca fui de ter jeito pra nada E meu mundo era perfeito assim Creio que há mais sentido Em não buscá-los O tempo sempre traz a direção E eu jamais sentia pressa Promessas Nunca fui de acreditar ou não Nem duvidar A verdade vem no vento Vem depressa e devagar Nunca fui de escolher Qual dor eu queria sentir Não se pode evitá-la, ela vem Fui deixando a vida decidir por mim Eu gostava de verdade Era só de viver Montar os quebra-cabeças que a vida traz Desde o início ela trazia Eu, por não ter aprendido mentir Não busquei saber se era verdade Nem jamais pensei que a vida fosse Fácil e nem difícil: eu vivia. Gostava de andar na chuva Olhar o trem de longe, ouvir o sino na igreja e os passos lá fora, quando era de madrugada Nunca fui de espera ou de esperar Pra falar a verdade, eu nunca fui de nada Sonhava escrever poesia Arquitetar um jeito de exprimir o que eu sentia Assim como Deus é o Poeta Que arquiteta a vida da gente Numa métrica milimetrada E que coloca, lá na frente, um tempo Onde a gente passe a ver as coisas De maneira que não voltemos jamais A ser quem já fomos um dia E nem nunca mudar nada, além de nós As coisas que vemos ou não Elas vão permanecer iguais Antes...após! Edson Ricardo Paiva.

⁠Eternamente. Está tudo na balança O passo do universo
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⁠Eternamente. Está tudo na balança O passo do universo Dança entre o concreto e o aço Arquiteta espaço entre as estrelas Exatidão termina Onde germina a escolha e recomeça na colheita É preciso olhar a casa Alguns instantes, dentro Antes de abrir as janelas Toda vela içada Há de soprar pra todos O seu vento ou não devido Sem ruido ou pressa Aos pássaros, eternamente O céu nosso de cada dia Sem nenhuma garantia que é de sol Não importa quantos cravos há Sempre haverá mais rosas Ela nascerá mais linda Às roupas no varal Um pouco mais de Sol te resta E se ajeita, ainda Pra toda dúvida, uma incerteza Migalhas no caminho Nunca vão fazer ninguém voltar Muda a estação, folhas vivas Pra morte, o facão O tempo, o vento e o chão Uma fase vivida, o momento Pra qualquer quase vida, a diária desistência Igualmente contrária Resistente, existe Se houvesse algum pranto escondido Assim permanecesse Cada coisa em seu lugar Quando a palavra Que apesar De repetidas vezes repetida De repente Ela não for ouvida Grita mais alto a dor devida Ao tenor, o contralto O verso ao avesso Uma grande verdade apenas Partida em milhões de mentiras pequenas Em cada cor, a parcela de luz que lhe cabe À escuridão, a vela À vela, o vento. A lição que te cabe, aprendida Não dá pra entender quantas outras Nunca tomaremos tento Isso, é só Deus que sabe. Edson Ricardo Paiva.

⁠O Tempo está Correndo. Daqui onde estou Eu vou olhando a vida
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⁠O Tempo está Correndo. Daqui onde estou Eu vou olhando a vida Rindo pra mim de mim também Não cabe a ninguém me compreender Muita coisa, atrás do muro, sob o céu Só sabemos sobre ele Depois de muito imaginá-lo Por detrás de escuro véu Um dia, a vida te convida a compreender Que a sorte te vem nas escolhas Caminhos, verdes folhas A graça da vida, escondida Não em tudo que ela traz A alma é algo limitado E pode transbordar Daqui onde estou Eu vou olhando a vida Sorrindo pra mim apenas Porque vejo nas coisas pequenas Veleidades, orgulho, a vaidade O tempo que evapora A graça que a vida nos tira Quando a hora era de rir Deixar que caíssem as folhas Manterem-se as poses Lustrarem-se as máscaras Renovarem-se as mentiras A vida era só brincadeira Mas não era Não existe sorte nas escolhas Só escolhas A alma é algo que transborda um dia Pode ser que, de tristeza ou de alegria Não existe talvez Uma vez escolhida. Aqui, de onde estou Vou sorrindo pra vida Amanhã pode chover Há de ser um lindo dia! Edson Ricardo Paiva.

⁠Um Texto sobre a Poesia da Relatividade. Enxergamos despedidas Tempo e lugares distantes
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⁠Um Texto sobre a Poesia da Relatividade. Enxergamos despedidas Tempo e lugares distantes Borboletas antigas Buscando uma pétala vaga Pra descansar as velhas asas Vagando sobre flores desbotadas Que recobrem um resto de alegria Que flutua na memória Uma pintura Uma palavra do Mestre Arte rupestre do acender das luzes Traz de volta à vida outras luas passadas A felicidade primordial, rudimentar A única que foi real Vem romper com a ruptura Em formato de palavra dura E mostra uma flor que não víamos naqueles dias Provando que o tempo não retrocede Senão como saudade Que nem mesmo a sede, uma vez saciada Há de voltar às nossas vidas Se despede, se despe de nós Vai zunir nas asas de uma velha abelha Fazer morada nas telhas De uma casa há muito demolida Tudo está pra sempre lá Porém velho, desbotado e sem vida Talvez seja essa a relatividade do tempo A velha roseira ao meu lado Sempre trará flores novas A roseira nova do passado Não há provas que tenha existido. Edson Ricardo Paiva.

⁠Vida Minha linda Apenas vida
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⁠Vida Minha linda Apenas vida À duras penas Vivida E linda Foi a história vivida Sem grandes lances Isenta de grandes chances Muitas vezes ilusão Sem céu e sem chão Sem grandes vitórias As perdas e derrotas Também foram lindas Na glória da minha vida Pois só eu a vivi E apesar de tudo que perdi Ela não foi perdida Foi linda E ainda tem um pouco mais de vida pra ser vivida Vivendo essas coisas Mudanças de vida Vida à toa Boa vida História de vida Memórias Vida que começa Sem pressa E não espera Quando a gente menos vê Ela acelera E lá se vão as primaveras Lindamente sofridas Neste infindo buraco sem fundo Que ainda chamamos de mundo E um dia, lá no fim Onde finda a linha da vida Pouca coisa foste, além de linda Eu sei que serás esquecida Porém, se assim fosse Não serias vida Saibam Que eu nunca deixei de vivê-la E, só o fato de tê-la vivido Nos momentos que parece não valer mais nada Sim, a vida os tem pra cada um de nós Mas nunca eles vem sozinhos Trazem junto uma pequena chama Pra que a gente aprenda Que é preciso sempre alimentá-la E que é ali Que existe um Deus Voz suave, que nos fala o tempo todo Que, apesar de tudo Humilde, não te impõe nenhuma condição Nem prova...só chama baixinho Apenas diz, que nada está perdido Antes ... se renova Quando tudo chega ao fim Ainda assim, pense em quê te faz feliz E corra atrás, não morra de vida Viva. Edson Ricardo Paiva

⁠Fito. Não me lembro se chovia ou não Era só mais um dia
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⁠Fito. Não me lembro se chovia ou não Era só mais um dia Todo aquele, que anda fora do quadrado Há de lembrar-se assim Tinha a escada, lá no fim da rua Um caminho sem volta Não me lembro se pisei devagarinho ou não Era só mais uma estrada torta e tinha outra ao lado Dessas, que tem muitas, era sempre assim Sinuosa como a vida Todo mundo pensa Em vencer o tempo um dia Tempo que povoa nossa fantasia Momento e momento sem conta Voa ao vento Coisa boa é ver o tempo flutuando Que, voando lento Atento, te desmonta Nem dá tempo de pensar Não pense Pise bem devagarinho a vida. Confia no tempo, ele espera Era ainda de manhã, bem cedo O caminho era sem volta Segredo, que a palavra vida abrange Quando é a gente que flutua Pra um lugar chamado longe Mesmo perto O destino põe deserto intransponível ali no meio Pois domina a arte, essa desconhecida De partir e repartir o tempo O lenço, aceno, a despedida O incompleto e o pleno O atalho, o orvalho, o sereno, a madrugada E, volta e meia... a vida alheia Grasna, a gralha Queima a ponte, o ninho, a palha Torna sem retorno esse caminho Mente descontente: O morno, o incipiente que povoa a nossa fantasia Voa ao vento a vida à toa Flutua até a lua, beija e volta Noite e meia, olha de longe Luz do sol, essa que dourava a pele Toda vez, agora agoura Lírico empirismo Limite do que não se vê Se havia um fito na existência Era do espírito A vivência de saber ser leve É hora de aprender, se apresse A beleza da vida, em resumo, era essa O tempo, em seu vagar garboso de aprumado Não deu tempo de pensar, não pense O tempo brumo, impiedoso No final, te vence. Edson Ricardo Paiva.

⁠Motivo. Medo da vida Pra quê?
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⁠Motivo. Medo da vida Pra quê? Se agora é bem melhor Olhar com amor Pra longe e pra fora Que enxergar por dentro Esse sentimento estranho Tão pequeno Quase do tamanho da desimportância De quem o sente à distância A vida é semente de sonho Que deixa de ser Somente uma semente No dia que a gente deixa De enxergá-la assim Porque ela não é Meu medo é que me falte Quem me cause um bom motivo Pra perder meu medo Não da vida Muito menos de estar vivo Só a razão de viver. Edson Ricardo Paiva.

⁠O quanto eu desconheço o amanhã. O que ontem A serena silhueta da janela
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⁠O quanto eu desconheço o amanhã. O que ontem A serena silhueta da janela Pensava saber Hoje, a olhando assim, de longe Aparenta ter certeza que não sabe O tempo trouxe uma surpresa Mas ainda não mostrou como se desembrulha De longe, apenas vejo A sereninade, que antes não havia Hoje, apesar de cair com mais facilidade Tende a demonstrar mais equilíbrio e menos pressa Aparenta ter mais fé e menos crença nas promessas Chega mesmo a transmitir-me Uma certa impressão De que hoje ela até pense, antes de agir Mas não sou de me deixar levar por impressões Eu só conheço o tempo, pois conheço o ontem Eu conheço o tempo e reconheço O quanto eu desconheço o amanhã No mais, tudo são só divagações Que hoje, olho de longe Eu só conheço o tempo e as coisas que ele faz As folhas caem, as folhas secam O tempo trouxe uma surpresa, uma fagulha O que ainda não se sabe Somente o tempo sabe o jeito certo Que se desembrulha Tudo mais é chama. Edson Ricardo Paiva.

⁠Os caminhos da vida. A vida traz ocasiões Em que o fogo
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⁠Os caminhos da vida. A vida traz ocasiões Em que o fogo É algo que se apaga fácil É coisa que logo passa Todo mundo o esquece Como o céu vermelho, na tarde de inverno A vida traz muito mais No desejo de uma paz inatingida Que se busca de olhos abertos Num reflexo de espelho Igual à luz Da qual você também pensa aproximar-se Mas, se pudesse olhar pra trás Talvez sentisse medo Dessa sombra que se multiplica A vida tem ocasiões Onde as luzes se apagam A vida tem também seus pássaros Eles nascem novos todo dia Eles não tem passado Tem também sorrisos De onde muitos rostos eles foram Simplesmente impedidos de existir Tem também seus caminhos e escolhas Repletos de flores Tem ninhos, tem dores e folhas mortas E fogo difícil Chuvas simples, que se tornam tempestade e ninguém vê...mas elas chegam Junto aos céus azuis Quando o vê já é muito tarde É tarde vermelha de outra estação Num reflexo de espelho Mas a vida foi vivida tantas vezes Parecendo coisa nova todo dia Quando você vê Vê também não ter passado Porque esteve com os olhos fechados tanto tempo Que julgava toda escuridão ser luz E julgava e julgava e julgava No desejo de uma paz nunca alcançada Mas agora é que percebe inexistir retorno Só caminhos e escolhas e folhas sem vida Que também viveram, sem pensar em nada. Edson Ricardo Paiva.

⁠A Magia da Vida. Não basta que mundos se movam São precisos girassóis também
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⁠A Magia da Vida. Não basta que mundos se movam São precisos girassóis também Outras coisas e, além disso Pra que nós estejamos aqui O tempo e seus feitiços Magia que faz pensar Um dia ter estado acima É preciso que lhe caiba Algum lugar terá sempre Sob a tempestade que desaba Após o estio, seguir adiante Novamente, sempre se levante Mas, que em algum instante Enxergue que tem gente lá Isso é bem mais importante É preciso haver calor e frio e noite e dia São precisos sonhos Coisas invisíveis Nunca foi pelo sal Nem por causa do açucar Que assim seja Ponha alguns "améns" na lista E receba os parabéns Por todas as conquistas As mais importantes Não são feitas pra serem vistas Tão vasta tem sido essa lista Lealdade e merecimento Lá no fim da estrada Pouco as terá merecido Não basta os girassóis E campos abertos Noites estreladas Chuvas na vidraça Tempestades tardias A vida perde a graça Se nós não as virmos Noite e dia Lágrima, alegria Sem coisas assim Não há poesia Não se esqueça dos sonhos Esperanças e verões Do tempo da juventude Novamente, sempre se levante Mas procure enxergar Em algum instante A quem você Deixou ficar, esquecido. Porque Lá no fim da estrada Pouco terá merecido Edson Ricardo Paiva.

⁠Os Felizes. Eu atravessava um mar de verdades Embarcado numa nau de fantasias
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⁠Os Felizes. Eu atravessava um mar de verdades Embarcado numa nau de fantasias Sendo apenas um cara comum Assim era a rotina Eu assim cuidei de mim Deixando a alma lá no alto da colina Descia pra vida Eu era só mais um Num mar de avenidas Um avião de papel Num céu verdadeiro carregado de mentiras Esse era o segredo Era assim que eu vivia E chegava inteiro, lá no fim do dia e voltava pro mesmo caminho Repleto de maldades e inverdades No íntimo, outro nenhum Eu tive que aprender a diferença Entre concreto e quimera Caminhar descalço e sem nada nas mãos Somente o latido de um cão eu sabia legítimo Primaveras verdadeiras Flores falsas. sóis fingidos Qual de nós soubera Decifar seu brilho entre os olhares Se eles foram milhares? Subir no trem devaneio Deslizar em meio aos trilhos Assim, quando o dia termina Regresso à minh'alma, lá no alto da colina Sem pressa, dormir Comigo ao meu lado Repleto de calma Sonhar um mundo perfeito Nas ruinas do ruido do silêncio Do imperfeito que me atinge Saber que é apenas um sonho Que me aflige e não me fere Todo dia era do mesmo jeito Hoje eu vejo olhares vivos Ativamente em desacordo Conhecem os segredos do mundo Tem até vontades próprias Pensam preferir Preferem E seguem sendo enganados Fingem de outro modo Atolados no lodo Felizes Perdidos na vida. Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu queria só saber Se existe algum lugar escuro Pra guardar todas as lágrimas
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⁠Eu queria só saber Se existe algum lugar escuro Pra guardar todas as lágrimas Quando choradas num lugar seguro Onde ninguém pode te ver Eu queria só saber Se existe algum lugar secreto Para esconder seus arrependimentos No exato momento em que você Tenta ocultar teu pranto E corre pra algum canto e todo mundo vê Eu queria só saber se existe Uma espécie de caixa Escondida, na parte mais baixa da vida Pra onde voltam, toda noite Os velhos sapatos tristes A escova de dentes mentirosos Olhos fingidos A magia do espelho Descontente com o que vê Pobre espelho, velho e triste Eu queria só saber se existe Algum lugar fora da caixa No lugar onde você mora Onde nada se encaixa Ou se você carrega mesmo essa loucura toda Dentro de um peito carcomido Isso não faz sentido Deve haver algum buraco esquecido na cômoda Feito pra esconder remorso Coisas que incomodam Onde, diante desse espelho Você faz a troca, toda manhã Pelo teu sorriso falso Na mesma toca, onde Você se descalça de tanta maldade Eu só queria saber Não quero mais O desprezo que desperta Lavou minha alma na hora certa Levou minha indiferença Pra debaixo do teu tapete também Esse lugar imundo, onde você sabe Que não tem ninguém Mas cabe o mundo. ] Edson Ricardo Paiva.

⁠Humildemente um novo dia. Enquanto as águas fluem E cada dia que amanhece
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⁠Humildemente um novo dia. Enquanto as águas fluem E cada dia que amanhece Se apresenta humildemente Como um novo dia Jamais como uma chance Perceba; estás ainda no caminho E as canções estão no ar O controle sobre as nossas vidas Nossas vidas sobre nós Dance de alegria Há dia, há vida, há luz ainda Existe um outro lado Insensível e atroz Atento e calado E te acompanha em todos os momentos Influencia a tudo que está longe ainda Como um encontro marcado Castelos de areia Pilares que ruem Pedras no caminho Um caleidoscópio de tropeços E lugares certos pra firmar seus pés Brincar de vida, igual jogar amarelinha As canções estão no ar As águas fluem e lágrimas desfolham As buscas infelizes Interpretações avessas Enquanto isso, o tempo passa E outros dias amanhecem Humildemente, de verdade Apenas nasce um novo dia Jamais outra oportunidade. Edson Ricardo Paiva.

⁠É tudo ilusão. Tristeza Seja ela qual for
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⁠É tudo ilusão. Tristeza Seja ela qual for É como as nuvens do céu Pássaros em revoada As estações Uma alegria que se foi Quando ela vai Manhãs, felizes por amanhecer Entardeceres lilases Chegando ao ponto de esquecer Num mero instante eles se dissiparam A despertar de um sonho A vida segue adiante No tropel da cavalgada Existência, uma quimera Camada por camada Ela foi sendo desfolhada De cinzel na mão Seguimos sós, pungindo a vida Éramos nós, sem tomar tento Vazando pela tangente Não há cuidado e nem talento Ferro quente em fogo brando Lá se vão no vento os dias Eu fico me dizendo Creio que não foi perdida A vida, o bom da vida Vejo que, em contrapartida Pode ser, ter sido a vida a ter perdido O que havia de melhor em mim Não existem grandezas Tudo é fantasia Tristeza Seja ela qual for É como as águas de um rio A canção perdida nos ares Melodia esquecida, que tanto sentido fazia Noutros dias O vento por entre as folhas Tudo se vai na ilusão Como cada um que vai Moldando a própria vida Cada forma escolhida Tristeza, seja ela qual for É somente uma grande alegria Que foi tomando forma A cada investida Nada fica O que existe em nossas mãos Martelo e cinzel É só o tempo presente Nunca ouvi da voz da vida Que havia urgência ou precisão E, mesmo ela sendo ilusão Eu procuro estar atento à direção. Edson Ricardo Paiva.

⁠Num lugar que ainda existe Onde nunca mais voltei Onde eu acordo todo dia
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⁠Num lugar que ainda existe Onde nunca mais voltei Onde eu acordo todo dia Sem flecha apontada Nem pra nós Nem pela gente Noites de fogueira e festa e fada e bailarina e sonhos Todo dia era essa noite Esse lugar havia Mas a gente precisou buscar Alguma coisa Que não tinha nome Que não tinha lá Que estava num dia Que não tinha nascido Talvez fosse melhor assim Muitas folhas vão morrer Antes que o fruto de uma árvore Também possa cair e apodrecer Não por nós, nem pela gente Faz parte de um outro ciclo E de uma outra verdade Não muito poética Mas gera sementes Numa duradoura espera Por olhares de monge Que não tinha nome Que não estava lá A procura de um tempo Que ainda ia nascer Que tivera de partir de algum lugar pra onde Nunca mais voltou, partiu pra longe Mas pelo resto da vida Trouxe uma velha paisagem no olhar Onde, nela amanheceu Até seu último dia. Edson Ricardo Paiva.

⁠O pássaro foi preso porque ele tem asas. A tarde vai Noite cai depressa
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⁠O pássaro foi preso porque ele tem asas. A tarde vai Noite cai depressa Parece que não faz sentido Vai-se como o pensamento Uma vontade que, apesar de enorme Sucumbiu, perante o tempo Em frente da verdade Te vejo chegando e pergunto Meu Deus, o que foi que te trouxe? Quisera fugir de desejo tão doce Quem dera se ao menos tão breve não fosse. Tudo são peças De todos os quebra-cabeças Mas a vida é toda feita tardes e manhãs E tortas de maçãs Esfriando, nas janelas do passado Aquelas que, de vez em quando A gente se recorda Nunca ouvi falar de orgulho que não perecesse No mais, tudo se ajeita A tarde passa depressa De maneira que foi só desejo Que se põe pra sempre Lá no fim da linha Todo fim de tarde é uma visão perfeita Onde um mundo de horizontes Se enfileira bem diante de todos os olhos do mundo Quando finda o dia e a luz do sol se aninha Mas a vida toda, ela consiste De manhãs e tardes Onde existe a pressa e o vice-versa E nuvens que não passam por aqui Se uma só, triste, passasse Juro como eu lhe pedia Que me ensine levitar Que eu revelo a ela O peso de pisar em brasas O pássaro foi preso porque ele tem asas Os pássaros são livres por estarem presos...às próprias asas Eis a nossa natureza Hoje eu olho para o céu, nada se move Todo dia é todo feito de manhãs e tardes E janelas a se abrirem pra jardins de flores mortas Portas, donde agora estamos. Ah, se elas se abrissem! Tardes passam, sem fazer sentido Algodões que não se movem, que não chovem, que não nuvens que não nevam, que não levam nada Vão vivendo a vida, sem ligar se faz sentido São borrões no céu, apesar de parecer felizes Se passassem por aqui Pedia pelo menos pra que ouvissem meu pedido. Edson Ricardo Paiva.

⁠Meu Poema pra Lua Lua pequena Brilha lá no céu, tão só
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⁠Meu Poema pra Lua Lua pequena Brilha lá no céu, tão só Sozinha, deserta Traz a tua luz pra minha chega um bocadinho aqui Pra perto Alumia de furar telhado Alumia meu também deserto Pássaro noturno Pia o seu piar incerto Fez seu ninho no coturno abandonado De um soldado que lutou Nalguma guerra boba Lua solitária, esconde Onde foi que a loba abandonou filhotes Onde foi que tanta gente viu Nessa derrota inglória, a vida Com o passar do tempo, a noite a esqueceria E se transformaria numa espécie de vitória Lua guardiã da Terra, irmã Cuida de cada semente que germina E continua triste, infértil e em silêncio Observa, calada, a tanta incoerência Toda vez que mês se vai A cada geração, que aqui termina Sempre elas terminam Lua só, perene Perante a eternidade que desfila E trilha teu caminho em teu silêncio Daqui nós a temos, linda! Como um sorriso de filha, que nunca envelhece Lindo, de amor verdadeiro Profundeza da existência Tendo a escuridão ao fundo Fria é a ciência do mundo No seu triste olhar distante Admira a beleza sem brilho da tua presença Depois que o Sol nasceu E os poetas, cujas almas bem trajadas Na calma de quem traz o coração em trapos e os grilos, os pássaros noturnos, os sapos e as lobas E cada sentinela vigilante Ao longo das eras, ao longo dos turnos A cada povo a sua vez Porque sempre existirão coturnos E farão novo Meu Deus, que gente boba! Dirão poesias Algumas bonitas, profundas Apesar das poucas linhas Outras, exibidas por pessoas diplomadas Extensas, em seus rapapés e rococós Com frases intensas, rotundas, longas, rebuscadas Que, se a amiga Lua as lesse Pensaria que não dizem nada. Edson Ricardo Paiva.

⁠Conselhos. Ela existe Sim, elas existem
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⁠Conselhos. Ela existe Sim, elas existem Me lembro de uma velha tia Que, de vez em quando, me dizia Me dizia pra eu tomar cuidado Dizia pra eu olhar pra dentro e não pros lados Eu jamais dava atenção Eram coisas sem sentido Eu estava era atento ao barulho As palavras dela eram ruídos Mas, de vez em quando, eu percebia Que seus olhos eram tristes Hoje, após ter engolido todo orgulho Penso que era tão bom Quando ela dizia Que as sombras que eu tanto temia, era só medo à tôa As armadilhas do destino São como coisas que estão à venda Expostas à beira da estrada Hoje, tudo faz sentido Eu devia ter ouvido esses conselhos tolos Se alguma sombra me causava medo É que existia uma pequena luz Que protegia a gente da completa escuridão Hoje, ao olhar-me no espelho Não vejo mais a sombra do meu velho orgulho Prossigo com a boba alegria Sorrir pra nuvens, dar bom dia a dia Saber as coisas que a chuva traz Ouvir meu silêncio em mim E confiar em tudo que o tempo faz Elas existem, sei que elas existem E, se por acaso houver Um pouco de tristeza em meu olhar Vá dizer à minha tia assim: Eu também aprendi Esse bem pouco é Tudo que a tristeza conseguiu de mim. Edson Ricardo Paiva.